segunda-feira, 5 de abril de 2010

- "Vou te dar um conselho..."

Ele tinha 10 ou 12 anos, e estava passando as férias com os Pais e Irmãos no Palace Hotel em Caxambu (MG), onde sempre se hospedavam.

Estava no Salão interno de Jogos, que tinha pingue-pongue, totó e outros brinquedos que tanto gostava.

O Homem estava discutindo com a Esposa. Voltou para dentro do Salão de Jogos e encontrou o Menino de 10 ou 12 anos. E desabafou com ele:
- "Vou te dar um conselho... Nunca se case, e nunca tenha filhos!"

Ele tinha 10 ou 12 anos e não conseguia entender por quê o Homem lhe dissera aquilo. E pensou:
- "Algum dia eu vou entender por quê ele me disse isto."

A partir de então, sua vida se tornou uma coleção de observações dos motivos para não casar e não ter filhos. Ele prestava atenção em tudo que acontecia relacionado a isto, buscando compreender o conselho.

Desde cedo não lhe foi difícil entender as razões. E o Menino nunca se casou, embora tenha conhecido pessoas espetaculares. Mas concordava com a frase "as pessoas confundem Amor com Convivência". Quanto a ter Filhos, jamais teve dúvidas a respeito da sapiência daquele conselho. Até brincava com isto: dizia que aquele conselheiro de sua infância era seu Anjo da Guarda. E quando fazia alguma despesa mais extravagante, costumava dizer:
- "Agradeço esta viagem aos Filhos que eu não tenho!"

Agora, com mais de meio século de vida, era chegado o momento de passar adiante o conselho...

(abr/2010)

2 comentários:

  1. … que eu tenho confiança absoluta de que não somos seres 100% racionais e portanto NÃO ADIANTA querer explicar decisões, escolhas, atitudes apenas pela racionalidade. Somos seres da emoção, do sonho, da paixão, do devaneio, do imprevisível. Temos filhos não por razões lógicas. Amamos, apesar do que a razão possa nos aconselhar. Filhos e filhas do mistério (que sim, são muitos e variados entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia);

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