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sexta-feira, 3 de maio de 2024

Poli na Madrugada

Atravessando a Rua Maria Quitéria em frente à POLIS SUCOS (Praça Nossa Senhora da Paz, Ipanema), 01h da manhã, entreouço o seguinte diálogo de um Casal cruzando na direção oposta:

 

Ela:

- “E a sua Namorada?”

 

Ele:

- “Está em Casa!”

 

 

(Ipanema 20240503)

 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Devil Inside

Entreouvido ao cair da noite em frente à Galeria Ipanema 444.

 

Eu estava passando apressado (as usual), e não me virei para ver os Interlocutores. Mas deviam estar algo afastados, pois falavam alto – a ponto de Eu ouvir, mesmo estando desatento.

 

Voz Feminina:

- “ME LIGA DE NOVO!”

 

Voz Masculina:

- “TÁ MALUCA? PRO SEU MARIDO ATENDER?”

 

 

(Ipanema 20220204)


Oh, Pedaço de mim...

Vi certa vez um pequeno Quadro que me marcou, no Banheiro de um Yatch.

 

Já procurei diversas vezes ao longo dos anos, mas nunca encontrei algo parecido. Nem mesmo na Internet.

 

Ensinava:

“NÃO JOGUE NO VASO SANITÁRIO NADA QUE NÃO TENHA PASSADO ANTES POR DENTRO DE VOCÊ”

 

Simples, objetivo e educativo!

 

 

(Lagoa 20211205)


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Pedaços de Queijo


É curioso como nos Supermercados (prefiro os Hipermercados) os Queijos costumeiramente estejam cortados em muitos pedaços todos do mesmo tamanho!

Você se aproxima e enxerga um lindo arranjo daquele Gouda, por exemplo; mas quando vai se servir, todos os pedaços são parecidos: é tudo 220g, 240g, 210g. Quem quiser comprar 300g, ou um(a) Infeliz que precise se regular e que portanto queira apenas 150g – não pode, não tem. Todas as vezes preciso ficar revirando aquele monte de fatias iguais de Ementhal para encontrar uma maior, que seja 246g. Faço questão de deixar tudo revirado. É minha forma de mostrar que aquilo não está agradando.

Qual é a Lógica, cazzo? DEZESSEIS pedaços IGUAIS de Queijo? Todo Mundo quer a mesma coisa? Ou será que todo Mundo é forçado a levar a mesma coisa?

E o pior é que em todos os Super Hiper Mercados é a mesma coisa. Isto pega!


(Lagoa, 20200524 Quaren Times)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

As Bonitinhas e o Ordinário

Uma Panda Em Saturno!

O Carnaval 2020 no balneá-Rio escancara para mim o quão no fundo do poço já cheguei.

As ruas estão lotadas de Gatinhas lindas & deliciosas, com tops e decotes ultra-provocantes, shortinhos minúsculos, rostos maquiados com ousadia e bom gosto, cheias de purpurina e glitter, suadas, algumas bêbadas, todas provocantes, todas maravilhosas.

E eu fico puto!!! Irado com o tumulto, a algazarra, a baderna, o transtorno.

Existirá Poço mais fundo do que este?


(Botequim do Itahy, Ipanema, 20200224)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Ruim da Cabeça e Doente do Pé


Fevereiro de 2020: o balneá-Rio está insuportável.

Você pára em um Bistrô no Fórum Ipanema para um Café com Petit Fours com seus Pais... e logo encalha à sua frente um esporrento Bloco de Carnaval tocando “Se a Canoa não virar”, “Índio quer Apito” e até “Wonderwall” do Oasis em ritmo de alegria forçada.

Não sei o quê eu fiz em encarnações passadas para merecer isto, mas certamente foi muitíssimo grave!

(Ipanema 20200220)

sábado, 18 de janeiro de 2020

Socila


Nada – nada – corrige mais a minha Postura do que a proximidade a uma Mulher ALTA!

(Botequim do Itahy Maria Quitéria, 20191120)


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Quasímodo


Caminhava com os Olhos permanentemente costurados no Chão à sua frente

para não correr o risco de tropeçar

nos Olhos dela.


(Lagoa, 20191120)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Bafômetro


Noite de 6ªf, vou ao (ótimo) show de Steve Harris (Iron Maiden, já vi 5 vezes) com sua BRITISH LION no CIRCO VOADOR (programa obrigató-Rio, assim como a Fundição Progresso, o par vale a viagem interestadual).

Em casa e no caminho tomo 3 doses caprichadas de minha currently favorite KETEL ONE (com maracujá). Como é bom ir a Show de Rock de Metrô!

No CIRCO tomo mais uma dose dupla: era o resto da última garrafa, que já estava até escondida; não servirão mais KETEL ONE no CIRCO VOADOR...

A Gig foi pontual e curta: início às 22hs e término às 23h25m. Ou seja, tenho mais duas horas até o (ótimo) show da JOHNNY’S BAND no LEVIANO BAR também nos Arcos da Lapa – é só atravessar a rua. 
O Problema é que estou COMPLETAMENTE BÊBADO!

(Tão bêbado que comprei 2 camisetas do BRITISH LION!)

Os Amigos da JOHNNY’S ficam me suprindo de Cervejas antes, durante e depois do Show, e começo até a enrolar a língua. Vou dormir às 05hs e acordo às 11hs, para um Almoço em Família. O novo Problema é que, mais do que Ressaca, acordo AINDA BÊBADO!

375ml. é o
tamanho ideal! 
Surge então a Dúvida: por quanto tempo o álcool permanece no Corpo a ponto de registrar “positivo” em um teste de Bafômetro? É claro que depende da quantidade ingerida, mas e em um caso como este, por exemplo? Provavelmente ainda apontaria, pois ainda estou girando. Mesmo após o Desayuno, que normalmente me estabiliza.

Fico curioso, e programo indagar em uma próxima vez que passar (a pé) por uma Blitz de Lei Seca:
- “Por quanto tempo após beber eu ainda fico com bafo de cana?”

Mas me ocorre que a Resposta pode vir:
- “Pergunte pra sua Mulher!”

Melhor não.


(Disclaimer: não foi no Metrô que eu bebi, mas caminhando.)

(Ipanema, 111118. “Os números, como setas, apontam a direção a seguir”. Parabéns, Purnimá!)

domingo, 6 de março de 2016

Para sua Comodidade


Considero o cartaz da foto anexa uma ode à Hipocrisia - sem contar o erro grosseiro de concordância e o péssimo uso de vírgulas:
“Senhores Clientes, para sua comodidade, queira por favor, retirar o seu carrinho no estacionamento”

“Para comodidade dos Senhores Clientes” (e também das Senhoras, não?) o carrinho de compras do hipermercado deveria estar no próprio piso da loja e não em estacionamentos nos andares abaixo, o que força Senhores e Senhoras Clientes ao “comodismo” de carregarem os carrinhos andares acima.

“Para nossa própria comodidade e economia” seria o texto honesto. Ou então que se deixe a falsa amabilidade de lado, escrevendo simplesmente: “Retirar o carrinho no Estacionamento”. Nem mesmo o termo “favor” se aplica, uma vez que o procedimento é compulsório.

A única réplica que resta aos/às castigados/as Clientes do Hipermercado é deixarem os carrinhos de compras do outro lado do pontilhão que atravessa a Avenida em frente, com uma mensagem igualmente afetuosa:
“Galera do Hipermercado, para sua comodidade favor recolherem os carrinhos aqui, nesta pqp!”


(SP, fev/2016)

segunda-feira, 16 de março de 2015

O Céu do Itaim Bibi


Foto tirada da varanda de casa às 14h42m de 16/mar/2015 com um celular 4S, sem qualquer tipo de filtro.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sinal Piscante


Há alguns meses alguma “inteligência rara” entre os responsáveis pela sinalização das ruas de São Paulo City teve a “brilhante idéia” de aumentar o tempo em que o sinal para pedestres fica piscando, avisando que vai fechar para os transeuntes e abrir para os carros.

Tínhamos antes disto um tempo bem ajustado e adequado deste sinal piscante. Caso o tempo médio de travessia de uma rua fosse de (digamos) 8 segundos, o sinal começava a piscar cerca de (digamos) 8 ou 10 segundos antes de fechar para o pedestre e abrir para os carros. Isto era informação útil: quem chegasse à beira de uma rua, estando a ponto de atravessá-la porém o sinal de pedestres começasse a piscar, SABIA que tinha o tempo justo para seguir para o outro lado, sem remanchar. Igualmente – e mais importante: se ao chegar a um cruzamento o Pedestre encontrasse um sinal de pedestres já piscando, ele sabia que não daria tempo de atravessar, e portanto esperava a oportunidade seguinte.

E então, isto mudou.

A partir daí reduziu-se o tempo de sinal verde para o Pedestre e aumentou o piscante para algo como 16 segundos ou coisa que o valha, mantendo-se o mesmo total. Mas o que aconteceu a partir daí? A pessoa mal começa a atravessar e o sinal já está piscando! A maioria sai correndo.

Ou então quando o Pedestre se aproxima do cruzamento e encontra o sinal piscando, ele NÃO SABE se ainda tem um loooongo tempo pela frente ou se está perto do fim de seu intervalo. Se ficar parado pode fazer papel de idiota, e se tentar atravessar pode ser buzinado, xingado ou atropelado.

Acabou a informação útil. “Pensaram”, e a transformaram em inútil!

E o pior de tudo: alguns sinais são assim, mas outros não. O Pedestre nunca sabe qual o comportamento que aquele sinal terá, e conseqüentemente qual comportamento ele deverá assumir. Começou a piscar: e agora, me apresso ou não há pressa?

Seria bem mais racional colocar sinais de pedestre com contagem regressiva, não?
Mas talvez seja exatamente por isto que não o fazem.

Dumb and Dumber!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Legenda de Decote


Cavalheiros se defrontam costumeiramente com uma situação cujo encaminhamento é bem mais complexo do que imagina quem a provoca.

É comum que Damas, agraciadas pela Natureza com glândulas mamárias sempre extremamente atraentes, optem por exibir graciosamente seus atributos através de decotes nada menos do que ESPETACULARES. Viva a Natureza!, mas como fica o embaraçado Cavalheiro? Seu instinto (entre outras coisas) o leva a esticar um olho (ou dois) na direção da magnânima exposição, mas se o fizer incorre no risco de ser tachado de invasivo, deselegante, grosseiro, e mais uma infinidade de impropérios e agressividades que vêm avançando em tandem com a mediocridade do “politicamente correto”.

Por outro lado, se agir contra a própria Natureza e evitar o olho comprido – ou mesmo se conseguir disfarçar muito bem – nosso abnegado Herói incide no risco de deselegantemente levar a esforçada Senhorita a acreditar que não está agradando, não é atraente, logo ela que se empenhou tanto em encantar, o fez em vão, pobre coitada! Não, de forma alguma podemos deixar o Cavalheirismo de lado!!! (Um outro perigo é ela achar que "ele não se interessa por tais atributos"...)

O que pode fazer então o desorientado Cavalheiro? Se olhar o bicho pega, se não olhar os bichos somem!

A situação vem se agravado exponencialmente a partir de novidade recente: camisetas femininas com decotes EXUBERANTES apresentando textos que se referem aos próprios úberes em exposição! Ora, para quem sempre gostou de ler as mensagens em camisetas – e é curioso como muita gente sequer sabe comentar a mensagem expressa na berrante camiseta que está vestindo no momento – uma Senhora desfilando um viçoso tórax semi-exposto emoldurado por uma mensagem instigante aumenta o desafio de “olhar-sem-olhar”!

Nos últimos 2 dias foram avistadas 3 mensagens que reforçavam tal especulação. Não podemos afirmar que se trate de uma tendência (esperamos que seja): a Desgraçada SABE o impacto que provoca, e se diverte em atiçar o constrangido Desgraçado que fica sem saber onde enfiar a cara. Alguns exemplos:
  • Um decote ESPETACULAR em uma camiseta preta no Itaim Bibi, com os dizeres em branco (começando imediatamente abaixo da linha de impedimento): “OH FATHER, FORGIVE ME FOR I HAVE SINNED...” (*)
  • Um decote VIGOROSO em uma camiseta cinza na Vila Olímpia com os dizeres abaixo, diagramados com uma palavra por linha, de cima para baixo: “TWO are better than ONE!” , estando portanto o “TWO” na linha dos pulmões e o “ONE” na altura do umbigo.
  • Um decote MAJESTÁTICO em uma camiseta branca na Estação Anhangabaú do Metrô: “Ready to be a Model!”

Elas SABEM do que estão falando!

Sádicas!

Viva o sadismo!


(*) “Oh Pai, perdoe-me pois pequei”. A resposta paterna provavelmente será: “Não há pelo quê pedir perdão...”

(SP, dez/2014)


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

FOOOOOOOOOOOMMM!!!


Os mais novos talvez não saibam ou lembrem, mas a Buzina dos automóveis já foi um instrumento de aviso e alerta, e não de repreensão.

Buzinava-se – com comedimento – para avisar a outro condutor que ele estaria incorrendo em alguma desatenção. Ou talvez para informar “por favor observe, estou em um ponto cego!”

Um simples bip de alerta, mais do que isto não era necessário.

Hoje não. Buzina-se de forma estridente para que o motorista da frente que está tentando entrar em uma garagem jogue seu carro em cima do pedestre que está passando na calçada; buzina-se histericamente para que o motorista da frente avance sobre o cruzamento mesmo que não seja possível continuar a seguir e ele e fique atravessado no meio da interseção quando o sinal abrir, tumultuando tudo ainda mais; buzina-se agressivamente porque se está esperando alguém que não assomou à porta do edifício, e que se danem todos os demais moradores do prédio e transeuntes próximos. Motoqueiros buzinam reclamando porque alguém a 200 metros de distância ligou o pisca-pisca e mudou de faixa. Buzina-se loucamente porque o trânsito está parado com oito mil carros à frente, e EU QUERO ANDAR!!!

Egoísmo e falta de respeito para com o semelhante fazem parte da receita. E de discernimento: além de irritarem, estas buzinadas não levam a nada. Talvez em cidades menores não seja assim. Mas em São Paulo a buzina se tornou a válvula de escape da tensão que a cidade – ou o Terceiro Mundo – impõe a seus moradores.

O problema é que o que escapa por esta válvula é uma baita diarréia.

(SP, set/2014)


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Um Problema do Brasil


É triste constatar isto, mas um dos principais problemas do Brasil é a admiração dos brasileiros pelo Rio de Janeiro.

Em todos os lugares o carioca é exaltado, admirado, bem recebido, amado. Imitado.

E qual é o exemplo que o carioca inspira, e que o Brasil segue? O do malandro. O do experto. O do que dá um jeitinho e se dá bem.

Onde isto fica mais facilmente vislumbrável é no trânsito. Tristemente acompanhei o germinar e florescer de todo tipo de esperteza e malandragem nas ruas das cidades e nas estradas. Gente que virou experta tentando de qualquer jeito ganhar alguns poucos metros ou meros segundos, e para isto sacrificando a honra e ignorando o “face value”.

O brasileiro acabou aprendendo que a maioria daqueles que pedem alguma coisa - seja passagem, camaradagem, gentileza, ajuda - não necessita realmente, mas sim está sendo experta e abusada. Passou consequentemente a não dar passagem, a não ajudar, a não ter calma ou paciência. Acabou-se a gentileza - ser gentil para quê, uma vez que é tudo malandragem?

Acabou se tornando um povo em guerra consigo próprio - sem confiar na boa fé de ninguém, pois afinal não existem motivos para tal.

E quanto mais malandro se torna o povo, mais malandro ainda tem que se tornar cada um, para se sobressair. Para se dar bem. Para ser mais experto.

Para ser ainda mais “carioca”.

(fev/2014)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Burro, Ridículo & Stúpido


O Balneá-Rio tem já há alguns meses um novo sistema de circulação de ônibus, ao menos na Zona Sul: o “Burro, Ridículo & Stúpido”, identificável pela sigla BRS. Segue abaixo uma tentativa de explicação de seu funcionamento.

Os ônibus foram divididos em 3 grupos:
- o Burro, Ridículo & Stúpido 1 (BRS 1)
- o Burro, Ridículo & Stúpido 2 (BRS 2)
- o Burro, Ridículo & Stúpido 3 (BRS 3)

Cada grupo tem suas próprias paradas ou pontos, que podem ou não ser agrupados, de forma errática.

E como isto ajuda o usuário? Não ajuda! Vá você para o Jardim Botânico, Sovaco do Cristo, Vila Valqueire, Fonte da Saudade, Largo dos Leões ou para a PQP, haverá BRS 1, 2 e 3 com estes mesmos destinos. Você pode portanto estar indo para a Gávea esperando em um ponto BRS 2 e vai ver passar um Gávea BRS 1 (pode ter certeza de que isto VAI acontecer). Sua cara de idiota fica por cortesia da casa.

E onde se localizam os pontos? Surpresa! Não há indicação ou lógica! Você está em um ponto BRS 1 na Cockroach Ribeiro e quer ir para um BRS 2. Vê um ponto no quarteirão anterior e outro no seguinte. Qual será o que você precisa, qual a direção a tomar? Só há um jeito, Meu Caro / Minha Cara: caminhe até o próximo quarteirão, descubra que aquele não é o Burro, Ridículo & Stúpido 2 que você queria mas sim um Burro Ridículo & Stúpido 3, ande 2 quarteirões na direção oposta, passe pelo ponto Burro Ridículo & Stúpido 1 onde você estava anteriormente. Quando você chegar ao ponto que queria, certamente terá perdido uns 3 ou 4 ônibus.

Canso de ver usuários atrapalhados e perplexos em pontos de ônibus, acenando para ônibus que passam céleres ao longe. Espera-se que ao menos exista um manual de uso, mas um sistema de transporte coletivo - especialmente em uma cidade turística - tem que ser intuitivo. Vai tentar explicar para um americano, um alemão ou finlandês um troço que nem os cariocas entendem!

Convenhamos, só no nome eles acertaram.
É Burro.
É Ridículo.
É Stúpido!

(Rio, 23/jan/2014)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A Voz do Povo


Pego um ônibus na Rua Cockroach Ribeiro, em Copacabana. Estou de pé pagando a passagem quando ele pára em um sinal fechado na esquina com a Rua Xavier da Silveira.

Diversas placas de ruas no Rio têm um curto descritivo de quem foram as pessoas que as batizam. E aparentemente o Motorista do ônibus tem uma brincadeira com o Trocador:
- “Diz aí, quem foi Xavier da Silveira?”
 
Me intrometo:
- “A rua onde morei dos zero aos quinze anos!”

Não é a resposta esperada, e o Motorista insiste:
- “Diz aí, quem foi Xavier da Silveira?”

O Trocador vocifera:
- “Um corno safado!”

Quando o sinal abre, o ônibus avaça até que se consegue ler o micro-CV de Xavier da Silveira. E o Motorista dá o gabarito em voz alta:
- “Olhaí, foi um político brasileiro!”

E o Trocador murmura, triunfante:
- “Não disse que era um corno safado?!?”

(Rio, 22/jan/2014)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sexto Sentido


Tiveram um relacionamento de 2 anos no início dos anos 80, quando estavam ambos em seus mid-twenties. Os Amigos achavam que tinham sido feitos um para o outro e imaginavam que ficariam juntos para sempre (seja lá o que isto signifique), de forma que ficaram surpresos com a separação - que foi súbita, e surpreendeu até mesmo os dois. Mas era irreversível.

Ela sempre dizia que era uma pessoa para o Século XXI, que lá viveria sua plenitude; mas morreu poucos meses antes de sua chegada, o que igualmente foi poucos meses antes de completar 40 anos. As  circunstâncias daquela morte foram tremendamente estranhas, a ponto de não haver qualquer possibilidade de reconhecimento do corpo. Mas ninguém teve dúvidas de que era o dela.

Com o passar dos anos - já no Século XXI - ele de vez em quando tinha a impressão de vê-la, às vezes ao longe, certa vez no Jornal Nacional... Certamente uma look-alike, imaginava ele.

Mas certa vez sua Prima - que era muito Amiga daquela Ex - disse que a tinha visto também. Em um show dos Titãs. Weird...

Naquela terça-feira 21 de janeiro de 2014 ele estava andando pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana e a viu. De frente. Cara a cara.

Ela também o viu.

Ficaram se olhando através de seus óculos escuros.

Ele não falou nada. Se alguém tivesse alguma coisa a dizer, seria ela.

Mas ela não o fez.

Cruzaram e foram embora, cada um em sua direção. Opostas.

Não havia como saber, afinal, que corpo era aquele tantos anos atrás.

(Rio, 21/jan/2014)

sábado, 18 de janeiro de 2014

Antes de nascer


Ele sempre considerou que 99% das pessoas são de boa índole, e os restantes 1% terminam por aterrorizar a existência daqueles bons 99%. Assim, se (por exemplo) em um assalto alguém tivesse a oportunidade de reagir e mesmo perecendo levar um assaltante junto, seria uma troca com saldo positivo para a Humanidade: afinal, se 1% das pessoas de bom caráter se sacrificassem levando consigo os 1% de má índole, o que restaria seria 98% da Humanidade levando uma vida sem sustos, medos ou receios. Um sacrifício nobre, uma troca vantajosa: “the needs of the many outweigh the needs of the few. Or the one.”

A oportunidade se apresentou em um almoço numa segunda-feira. O restaurante foi invadido por 4 meliantes que saíram saqueando as mesas aleatoriamente. Um dos assaltantes ficou de costas para sua mesa, e de frente para o resto dos clientes. Sobre a mesa, os talheres. Ele podia com tranqüilidade pegar a faca e cravar em local escolhido nas costas daquele um. É claro que seria fuzilado pelos outros três, mas era a troca justa sobre a qual  já filosofara. Hora de passar do mundo das idéias para a ação.

Mas... sentada em sua mesa estava Lucía, no nono mês de sua primeira gravidez. Ele ficou imaginando o trauma que ela teria ao ver seu colega de trabalho esfaqueando alguém a 1 metro de distância, e sendo morto em seguida. Seria correto expô-la a isto? Ele titubeou.

Os assaltantes foram embora, por puro acaso sem roubar a mesa da grávida. No dia seguinte, dois aviões se chocaram com o World Trade Center em New York, e Lucía não conseguiu segurar tanta tensão. Isola Bella nasceu, sem saber que antes mesmo de fazê-lo já tinha salvado a vida de duas pessoas.

(jan/2014)

sábado, 11 de janeiro de 2014

A Bolsa ou a Vida


- “A bolsa ou a vida!”
- “Então é você quem tem a missão de dar termo a minha jornada. Agradeço. Cumpra sua tarefa.”
Ajoelhou-se, abriu os braços, abaixou a cabeça e fechou os olhos. E aguardou.
 
-x-x-x-

O crime de quem aponta uma arma e ameaça tirar a vida de uma pessoa não é o assalto. O que está em jogo não é a bolsa, mas a vida.

Quem ameaça a vida dos outros e se auto-conceitua como potencial assassino, como tal deve ser julgado.

(jan/2014)