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domingo, 28 de junho de 2020

Japa in Rio


Ficam os Paulistas avisados,
ficam os Cariocas avisados,
ficam os Japoneses avisados:

(com poucas exceções,)

o Rio de Janeiro NÃO TEM Restaurantes Japoneses.

O Rio de Janeiro tem Restaurantes que servem Comida Japonesa, o que é bastante diferente.

Comumente cheiram a tinta...


(Lagoa 20200628 Quaren Times mit Vodka)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O Isqueiro Russo


Quando fui ao Polo Norte, visitei Longyearbyen na Ilha de Svalbard.

No dia 06 de fevereiro de 2013 fiz um longo Safari de 9 horas em Snowmobile, rodando mais de 100km. Almocei na cidade russa de Barentsburg, cuja austeridade exterior refletia e ressaltava o frio intenso da região, chegando a nos fazer imaginar a Sibéria!

Lá tomei Vodka (é claro) e visitei a Lojinha de Souvenirs (é claro!!!).

Comprei um belo isqueiro russo, que recentemente deixou de funcionar.

Levei-o então a um especialista na Rua da Quitanda (Centro – RJ), a quem contei esta história.

Ele examinou o Isqueiro e sentenciou:

- “Você comprou o isqueiro na Rússia... mas ele é chinês!”


(Nota: maiores detalhes a respeito deste dia na Postagem "Snowmobile em Svalbard" http://www.umpandaemsaturno.com/2013/02/snowmobile-em-svalbard.html)


(FGV-SP, 20190805)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A Polonesa


Mamãe está com saudades, e vou com Ela & Papai ao Restaurante A POLONESA, uma jóia escondida ao lado de uma Delegacia de Polícia na Rua Hilário de Gouveia em Copacabana.

Como Ela sempre diz que não basta indicar o Restaurante, sendo necessário recomendar também os Pratos, segue abaixo aquilo que considero o Menu Clássico do lugar: 

  • Sopa de Beterraba
  • Strogonoff de Filé Mignon (sem creme de leite, levíssimo!) com batatas coradas e arroz branco
  • Soufle de Chocolate – uma Nuvem de Chocolate que se dissolve na boca
  • e Café Expresso, que não é em cápsulas (expresso em cápsulas é uma ótima solução para Residências e Empresas, mas é uma solução PREGUIÇOSA para um Restaurante).
As paredes do Estabelecimento são culturais Polska.

Me chama que eu vou!


(Ipanema, 20190217)

domingo, 11 de junho de 2017

Massagem Thailandesa

 
Aconteceu em 2002.

A Amiga Tagashira recomendou com entusiasmo uma viagem a Thai Lan. Topei, e incluí Cam Bo Dia, Viet Nam e Lao.

Em Bang Cock (sempre achei engraçado – e adequado – o nome desta espetacular Cidade) eu tinha que seguir uma outra recomendação da Amiga, e fui experimentar uma Massagem na Academia Federal de Massagem (ou coisa parecida).
 
A massagem era bastante dolorosa, incômoda, doía; a alturas tantas, não agüentei / não resisti, e perguntei à Massagista:
- “Have you ever done a massage before?”

Ao que ela respondeu:
- “Have you ever done a massage before?”

Ela estava certa!


(Rio, 07.mai.17)




segunda-feira, 30 de maio de 2016

Pico da Bandeira


(SPOILER – aviso que não vou contar o final da história; prossiga por sua conta e risco.)

Em junho de 1996 comemorei meu 40º aniversário trilhando o Caminho de Santiago na Espanha (850 km a pé da França a Finisterrae).

Ao fazer 50 anos, subi as Agulhas Negras e as Prateleiras (Itatiaia, RJ).

60 anos se aproximando, optei por cumprir um antigo sonho de RGG, que infelizmente partiu 15 dias antes de tal realização para um Exile on Antofagasta Beach (I miss you, Friend!): Pico da Bandeira, o terceiro pico mais alto do Brasil. Fica no Parque Nacional do Caparaó, divisa MG / ES. O início da subida se dá em Tronqueira, a 1.970m; o campo-base fica no Terreirão a 2.370m (desnível 400m); e o Pico está a 2.892 metros (desnível do ataque: mais 522m).

Início da trilha
Vai aqui uma confissão pessoal: durante as semanas de preparação da expedição, nunca achei que iria conseguir. Condições físicas se deteriorando rápida, forte e muito dolorosamente nos meses anteriores; preparo físico e exercícios Zero; meus únicos ativos sendo a Determinação e a grande experiência com este tipo de Aventura, reforçados por dispor de antemão dos equipamentos ideais.

Eu nunca pensei que iria conseguir... mas aqui vem o ponto: isto não era motivo para não tentar! Vai lá, mete as caras, se não der não deu, at least you tried, valeu a Aventura, e... vai que dá certo? Às vezes é possível, sim!

Terreirão (campo-base)
Quando alguém – normalmente donos de pousadas, palpiteiros de restaurantes, lojistas ou devaneadores – te disser “a subida do Pico da Bandeira leva 3 ou 3½ horas”, PODE XINGAR o indivíduo! Faça-o por mim, POR FAVOR! Todo mundo diz isto, mas na verdade a subida é PAVOROSA, muita pirambeira forte, muita pedra solta, muita pirambeira forte, muita pedra solta, muita pirambeira forte e muita pedra solta!

A respeito dos 800 metros finais, replico o comentário de uma Estudante (tinha um grupo de 150) na descida:
- “Aquilo não é de Deus...”

Algumas sugestões pessoais caso você planeje fazê-lo:
  1. Não cumprir tudo em 1 só dia. Subir na tarde anterior até o Terreirão (leva umas 3 horas, e é puxado) e acampar lá. O desnível total (líquido) de 900 metros equivale a subir e descer o Empire State Building três vezes em um só dia... além das subidas e descidas ao longo da trilha!
  2. Vá com um Guia. Ele conhece as manhas, aponta as coisas, dá as dicas, carrega muito peso, e não atrapalha; só ajuda.
  3. Na madrugada ou manhã seguinte (sua escolha), suba até o Pico: cerca de 4 horas, e é MUITO puxado. É a melhor forma de assegurar – ou ao menos aumentar a probabilidade – de tempo firme e visibilidade. Com o passar do dia, as nuvens vêm e vão, a névoa vem e vai, a visibilidade vem e vai. Às vezes, só vai. De manhã cedo é (um pouco) mais garantido.
  4. Comece a descida 5 horas antes do Pôr-do-Sol. SAIBA a hora do Pôr-do-Sol.
  5. A noite lá em cima é linda. As de Lua Cheia – como a que pegamos – são belíssimas, iluminação inacreditável. Mas são também – evidentemente – as mais concorridas; portanto,
  6. Vá em um dia de semana. Dizem que o período ideal é junho – julho; depois disto, começam as chuvas.

O pico a "apenas" 2km
(e desnível líquido de 300m)
Subi com instruções otimistas e erradas (otimismo é um erro, sorry pela redundância), e assim levei alimentação errada. Para fazer em apenas 1 (exaustivo) dia, você precisa muito mais de líquidos e muito menos de sólidos – o que não era o caso de meu farnel.

Leve LANTERNA, pois caso o trajeto demore mais tempo do que o estimado (o que é praticamente certo, sempre), nada é mais deprimente do que descer trilha na mata com iluminação da lanterna do celular. Levar lanterna para a Montanha é OBRIGATÓRIO. Sempre, mesmo que você só vá passar 1 hora. Como diria aquele Economista:
- “É A LANTERNA, ESTÚPIDO!”

La Luna llena
A descida é igualmente terrível, e aqui vai uma DICA PRECIOSA: antes de começar a descer, FIXE BEM suas botas de trekking. Amarre-a bem, firme seus pés. O motivo é simples: o peso de seu corpo reforçado pela acentuação da aceleração da gravidade na descida está todo jogado no atrito de seus pés contra o calçado. Se não estiver firme, o pé escorrega por dentro da bota e se apóia TODO nos dedinhos do pé. Todo o seu peso é concentrado nos desacostumados dedinhos, a cada passada, e com toda a força de seu peso. É bolha na certa!

Recomendação CRUCIAL: não consumir toda a energia na subida, lembrar que as descidas demandam muito; forçam os joelhos, principalmente se o piso não for bom - o que é o caso.

Recomendação pessoal: levar cajado. Tem gente que prefere sticks, tudo bem; sou da turma do cajado. Graças a isto, quando cruzei com uma Sem-Noção na descida, ela quis tirar uma foto minha: “Um idoso com cajado subindo o Pico! Qual é a sua idade?” Respondi “oitenta”, e para meu desespero ela e seu grupo ACREDITARAM!!! Morto de humilhação tive que corrigir dizendo que quando saí lá de baixo eu tinha 59, mas que agora me sentia com 80.

Se consegui ou não fazer o Pico? Só conto pessoalmente...


(Meu agradecimento especial a Ane por ser completamente Companheira nesta e em tantas – tantas! – outras Jornadas.)


(Sobre o equipamento: mochila Deuter Futura 32 litros AC (Caminho do Sol); bota SALOMON Revo 3D Fit Seamless (Everest); cajado com altura de 1,80m comprado em Alto Caparaó; relógio CASIO PROTEK triple-sensor com altímetro (fundamental), barômetro e bússola. Eu tinha casacos, corta-vento e fleece de Everest, Antártica e Pólo Norte, exagerados para uma expedição diurnal mas que teriam sido excelentes para dormir no Terreirão.)

(Em 21 de maio de 2016, Alto Caparaó, a 910 km de SPCity (via Miguel Pereira e Cataguases) em um Marea Weekend.)


quinta-feira, 19 de março de 2015

As Pedras Rolantes


A foto que ilustra este texto é uma comprovação do dito “até as pedras se encontram”. Temos aí reminiscências (não me peça para identificar!) da Antártica, Pólo Norte (Svalbard / Longyearbyen), Nepal, China, Everest, Ilha de Páscoa, Laos, Machu Picchu, Nova Zelândia, Atacama, Índia, Sequoia Park, Cambodja, Chapada Diamantina, África do Sul, Austrália, pé do Aconcágua, Viet Nam, Assisi, Caminho de Santiago (imagine como você se sente ao colocar uma PEDRA em uma mochila abarrotada que carrega por mais de 800km!), etc. A tulipa de madeira é da Holanda; algumas pedras mais lisas são presentes de Ano Novo, e ganhei o cristal em um aniversário.

A feliz reunião ocorreu devido à troca da terra dos vasos de minhas plantas, onde elas coexistem em harmonia; sempre achei que Deus está nas pedras. E constantemente penso em uma pergunta que me foi feita durante trekking pelo Caminho do Sol (240km, 11 dias, interior de São Paulo, ago/2009):
- “Você acha que as pedras crescem?”
Eu nunca soube responder.

Mas o Universo está em expansão...


(Disclaimer: alguns poucos lugares solicitam que não sejam removidas pedras, como por exemplo (acho que) o Parque Nacional de Sagarmatha e Rapa Nui. Sempre que solicitado, respeitei tais diretrizes, e assim é possível que um ou outro lugar acima mencionado na verdade não tenha uma representante na foto. Já no Caminho de Santiago, a solicitação é oposta: de que se leve uma pedra, de forma que a longo prazo os futuros peregrinos não precisarão se preocupar com pedras em seu Caminho...)

(SP, mar/2015)

quarta-feira, 18 de março de 2015

Too Sexy Are My Boots


A precoce aposentadoria de minhas trekking boots NIKE AIR KARST (apenas 19 aninhos!) me leva a redigir esta lamurienta ode a minhas amadas botas de caminhada.

Já cheguei a ter 10 pares destes calçados, estando atualmente reduzido a apenas 5. Segue breve análise e opinião pessoal a respeito.
 
NIKE AIR KARST
Fui aos EUA em março de 1996 para comprar as botas (e outros equipamentos) com os quais faria o Caminho de Santiago naquele junho. Passei horas e dias em um colossal galpão da SPORTS AUTHORITY experimentando todos os tipos e tamanhos de botas – eu não tinha nenhum conhecimento técnico a respeito (ainda não tenho, mas aprendi a fingir). Gostei tanto da Air Karst que comprei DUAS, uma utilizada na Peregrinação e em trekkings seguintes, e sua irmã gêmea que agora se aposenta. A NIKE não produz mais calçados de caminhada (ou mesmo calçados em geral) que atendam a meu gosto, grande perda. Adeus, Darling!

HI-TEC
A mais recente aquisição, adoro a marca, calçados muito bons, bonitos e baratos. Não é produto de grife, mas para real trekkers. Tenho atualmente uma TOTAL TERRAIN MID WP (WP signigicando “waterproof”) extremamente firme e aderente, que recomendo principalmente para day-trips.

Salomon Revo seamless GC
SALOMON
Subi o Everest (bem, não exageremos: fui até o Kala Patthar) com uma REVO 3DFIT Seamless Ground Control. O ápice da tecnologia naquele 2008: totalmente soldada a laser, sem nenhuma costura; sola em duas peças articuladas (contagrip), sendo o calcanhar de movimentação independente. Abraçava meu pé até acima do tornozelo, eu costumava dizer que caso explodisse uma bomba atômica perto de mim, meus pés sobrariam.

Tenho também uma Salomon QUEST preta excelente para caminhadas em terrenos acidentados, envolve e protege muito bem o pé e o calcanhar. Como curiosidade, não é uma boa bota para caminhar na cidade (eu a vinha utilizando em dias de chuva, vou trocar pela Hi-Tec): a borracha dura da sola escorrega em solo liso, o que é agravado pela grande quantidade de reentrâncias que a tornam perfeita para terrenos acidentados porém inadequada para chão liso; há pouca área de contato.

VASQUE
Ganhei uma Vasque BREEZE na Nova Zelândia. Linda, segura, confortável e confiável. Boa para cidade e outdoor. Ao menos com base nesta minha única experiência, highly recommended.

COLUMBIA
Tive duas, ambas elegantérrimas, ambas com aparência sólida e bastante confortáveis. Mas... resistiram pouco tempo e as colas se soltaram. Ainda assim, gosto e confio em seus produtos.

Vasque Breeze
Revestimento de GORE-TEX
Abomino. Dizem que evita a entrada de água (é verdade) e que o pé respira (é mentira). O pé fica abafado, suado, xexelento. Eu preferia as botas sem esta GORO-ROBA, mas ficou impossível comprar alguma sem este tipo de tecnologia pretensiosa e incômoda.  

OTHER
Algumas outras são “marcas-butique”, facilmente encontráveis em lojas próprias ou de grife em Shoppings, ou também em pés sem bolhas de dondocas no Guarujá e em Campos do Jordão. Preocupam-se mais com estética do que com proteção. Outras ainda – não vou mencionar as marcas – podem até ser esteticamente atraentes, ou com aparência de “ferozes”, mas pecam por serem de pisadas muito duras. Talvez algum dia venham a ser boas, ao menos são promissoras.

HOSPITAL DO TÊNIS
Na Fradique Coutinho, em São Paulo. Excelente para recuperar botas,  e também mochilas e malas. Sim, meus equipamentos (e meu corpo) sofrem. Mas dá-se um jeito...

(SP, mar/2015)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Aiuruoca


Isto REALMENTE aconteceu comigo, creio que por volta de 1991.

Um Amigo – vamos nomeá-lo “Ricota”, pois já foi chamado assim em um outro texto (*) – me convidou para passar um par de dias em AIURUOCA (Minas Gerais), que na época era um quase Centro Místico. Topei entusiasmado, viagens à Natureza me encantam; gosto de viajar para visitar não as obras da Raçumana, mas sim para conhecer o Planeta.

Ricota apascentando
Mas Ricota não dá ponto sem nó, e vim a saber que ele estava levando DUAS Ex-Namoradas para este bucólico destino, uma Loura e outra Morena. Minha presença era portanto um artifício estratégico-logístico: ele ficaria em um quarto comigo e as Moçoilas em um outro, liberando-o de uma embaraçosa escolha.

Ficamos em uma Pousada ovo-lacto-vegetariana (escolha dele), com um café da manhã mais saudável do que saboroso sendo disponibilizado em um horário igualmente benfazejo – algo como CINCO da matina. Não recordo se antes tínhamos orações ou cânticos, viva a memória seletiva.

No Bico do Papagaio
Passei dois dias toureando as Mulheres e ouvindo cada uma se queixar furiosamente dele enquanto estava com a outra; Ricota sempre gostou de Mulheres com temperamento forte, imagine-se então em uma situação destas. A única coisa que consegui impor foi uma escalaminhada à Pedra do Papagaio, e mesmo assim na base do “eu vou, quem não quiser ir que fique”.

Um detalhe pitoresco no trajeto de volta: algumas vacas bloqueavam a estrada de terra da Pousada. Quando se afastaram para passarmos, Ricota parou ao lado de uma delas, encarou-a fixamente e soltou um longo e poderoso mugido. Pois não é que a Vaca (também) se apaixonou pelo Amigo e começou a nos seguir pela estrada? E a medida que Ricota acelerava o veículo, a Vaca começou a GALOPAR atrás de nós, ou melhor, atrás dele! Picanha gosta de Ricota!

Se rolou alguma coisa entre eu e alguma das duas Furiosas? Nem me passou pela cabeça. Creio que nem pelas delas.

Mas provavelmente passou pela cabeça do Ricota...

(SP, fev/2015)


domingo, 30 de março de 2014

Calcinha Preta


Sempre que viaja de avião - o que é bastante comum -, uma Dama que prefere não ser identificada o faz vestindo uma calcinha preta.

Superstição? De jeito nenhum! Conforme ela mesma explica:
- “Se houver algum imprevisto, como uma revista ou principalmente um acidente, já estou Preparada!”

Se non è vero, è ben trovato...

Fica portanto o toque para outras Damas Viageiras!

(Guarulhos, 29/mar/2014) 
(Hoje ela viajou GRU -> Macapá; não sabemos - e nunca saberemos - se houve revista.)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Nunca Perca a Chance


O passar dos anos me faz dar mais e mais valor às palavras que um dia li em um Refúgio no Caminho de Santiago na Espanha, em 1996.

Interprete, adapte, extrapole de acordo com o seu momento:

“Nunca perca a chance:
- de encher o seu cantil;
- de esvaziar sua bexiga;
- de atualizar o seu diário.”

(Creio que este terceiro ponto já seja uma adaptação por minha parte, por exemplo...)

(fev/2014)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Global Seed Vault


Entre a cidade de Longyearbyen e o Aeroporto, na Ilha de Svalbard, encontra-se o GLOBAL SEED VAULT. Apelidado de “Silo do Juízo Final” ou “Arca de Noé Vegetariana”, o GSV é um repositório com capacidade para 2,25 bilhões de sementes - sendo 4,5 milhões de tipos diferentes - buscando representar toda a diversidade botânica do Planeta (imagina-se que existam 1,5 milhões de tipos diferentes). A idéia é que caso alguma espécie se torne extinta, seja possível recuperá-la. Projetado para resistir a mudanças climáticas, guerra nuclear e até ao impacto de um asteróide, o "Cofre" ou “Silo” foi inaugurado em 2008, e atualmente conta com cerca de 775 mil espécies diferentes de sementes. Não consegui descobrir a quantidade total de sementes armazenadas no momento, mas são mais de 300 milhões.

Svalbard foi escolhida por: i) estabilidade política e social da Noruega, ii) temperatura média anual da camada permanente de gelo (“permafrost”) de -18°C, facilitando a conservação caso haja algum problema no fornecimento de energia, e iii) inatividade tectônica na região. O Silo está construído 130 metros acima do nível do Mar, para evitar inundação mesmo no caso da camada de gelo derreter, ou na eventualidade de algum outro cataclisma que eleve o nível do Mar.

Não é possível ao visitante – ou ao depositante de sementes, pois o GSV funciona exatamente com um Banco, com depósito e retirada de sementes – entrar no recinto. O máximo que se pode observar é a porta de entrada. Não existe staff permanente, e não há uma única pessoa que tenha todos os códigos necessários para entrar.

Coloco nesta postagem algumas fotos que fiz no local, bem como da vista para dar uma idéia da altitude. As informações deste texto foram extraídas do Guia Lonely Planet, do site oficial do Global Seed Vault e da Wikipedia (de onde também retirei o mapa do interior das instalações).

(08/fev/2013)








quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dog-sledding em Svalbard


Tem gente que gosta de cachorros. Não é o meu caso. Mas eu não poderia deixar de ir ao “dog-sledding”, definido pelo Lonely Planet como “the iconic Svalbard winter activity”.

Um “passeio padrão” dura 4 horas, porém a maior parte deste tempo você gasta se preparando. Primeiramente a roupa: escafandro, botas do tamanho de hidrantes, gorro de pêlo de animal, luvas de pêlo e couro, e muitos etcs. Após o primeiro contato-piegas turistas x cães (huskies alsacianos que lembram muito os nossos vira-latas), cada equipe (composta por 2 pessoas) tem que pegar os próprios cães e fixá-los aos trenós. O problema é que os bichos são hiper-ativos (beirando a histeria) e ficam pulando, mordendo e urrando ininterruptamente. Dei sorte de pegar a Gianca como companheira de equipe, que adora cães e tem um jeito especial com eles: ela os pegava em suas casinhas e os emparelhava, e e ficava apenas com o (árduo) trabalho de segurar os bichos ganindo, puxando e mastigando as correias, tentando se livrar delas (às vezes, conseguiam!).

O Passeio de trenó dura cerca de 1½ hora, e é ótimo. Os cães param de latir e dedicam sua energia a correr e puxar o trenó, que desliza macio e silencioso – ao contrário das ruidosas snowmobiles. Os bichos são enérgicos, e você passa quase todo o tempo pisando no freio. São duas pessoas por trenó, uma vai de pé no comando do freio e a outra vai sentada no “berço” carregando a âncora. Para quem vai de pé, as instruções:
- “There are two basic rules for dog-sledding: first, always hold the bar; and second, never let go the bar!”.

Na metade do caminho, trocamos. Embora ir sentado permita fotos e filmes, existem três inconvenientes: 1) voa neve das patas dos cães, e parte atinge seu rosto; 2) quando o trenó passa sobre uma pedra, o amortecedor é a sua bunda; e 3) de vez em quando você é atingido por uma nuvem fétida com fortíssimo cheiro de ovo-esgoto-podre, provavelmente flatos emitidos pelos huskies alsacianos forrados de peixe. Overdose de Ômega-3 digerido fede MUITO!!!

O passeio foi por dentro de um fjord congelado, com a Mina 7 de carvão ao longe. O Céu estava roxo. Mais uma vez vimos algumas renas.

De volta ao canil, o trabalho inverso de desemparelhar os cães e retorná-los a suas casinhas. Alguns entusiastas ainda vão alimentá-los.

Um passeio de turista no Pólo Norte. Obrigatório, é claro!












(07/fev/2013)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Snowmobile em Svalbard


Na Ilha de Svalbard fiz hoje um safari de 9 horas em snowmobile, rodando mais de 100km. Almocei na cidade russa de Barentsburg (Баренцбург).

O traje de astronauta perfeitamente aquecido que é oferecido aos participantes reforça a expressão norueguesa que reza que "não existe frio; você é que está mal vestido". Permanecemos confortavelmente aquecidos mesmo em uma moto sobre puro gelo a 60 km/h a uma temperatura de -20°C no inverno do Pólo Norte: a roupa é praticamente um escafandro, a bota um hidrante preto; bataclava de lã, meias hiper-grossas de lã (tudo com peças adicionais por baixo) e luvas de 2 dedos (1+4) de lã e couro.

Avistamos diversas renas, que não temem a aproximação. Às duas da tarde a escuridão já era de uma noite fechada. No caminho de volta, uma linda Aurora Boreal verde acima de um vale.

Um dos programas mais espetaculares de minha vida.









terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Chegada ao Pólo Norte


Apesar da precariedade, as fotos abaixo (tiradas da janela de um avião da SAS) registram minha chegada ao Pólo Norte. O avião se encontra acima das nuvens, e é possível observar a luz do Sol longínquo enquanto abaixo a noite ártica mantém em ininterrupta escuridão o Mar Ártico congelado. Estou no momento em LONGYEARBYEN na Ilha de SVALBARD, a uma latitude acima de 78°S - o local mais ao Norte permanentemente habitado pelo homem. Como estamos no Inverno, o Sol não "nasce" - existe apenas uma penumbra que dura poucas horas. Alguns avisos são redigidos em cirílico, vide a placa no Aeroporto (tirada na escuridão das 14 horas).

Saudações austrais!








terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Programa de Esquimó


Sigo hoje para o Círculo Polar Ártico em busca de um antigo sonho: ver a Aurora Boreal.

Estamos em um período de excepcional atividade solar, e a Aurora Boreal deste ano deve ser a mais espetacular de nossas existências (não tenho planos de estar neste Planeta no próximo ciclo, dentro de 80 anos).

É claro que todos os sonhos têm um preço, e (entre outros) este me custará passar 10 dias no Pólo Norte em pleno Inverno, ou seja, a temperaturas que variam de -10°C a -40°C...

A primeira parada é TROMSØ, no Norte da Noruega. A latitude de Tromsø é 69°41'N, o que a coloca dentro do Círculo Polar Ártico (tudo que fica acima de 66,6 N (66 33’ 44" N) fica dentro do Círculo Polar Ártico, assim como tudo que fica abaixo de 66,6 S fica no Círculo Polar Antártico).

Lá ficarei 1 semana, onde além de 7 saídas noturnas para buscar o objetivo maior, existem diversos programas diurnos de enorme interesse: o teleférico Fjellheisen (Mt. Storsteinen), a instalação Polaria, o Planetário, o Jardim Botânico de vegetação ártica, visita a Kilpisjarvi (Lapônia Finlandesa) pela rota da Aurora Boreal, Lyngen Alps trekking, fiordes, e o que mais rolar.

Depois serão 3 dias em LONGYEARBYEN na Ilha de Svalbard, o lugar mais ao Norte permanentemente habitado do Planeta, a 78°22'N. Concentra 25% dos ursos polares do Planeta, e tem portanto mais ursos do que habitantes (2.500 ursos versus 2.000 habitantes)! O período é de noite ártica, ou seja, sem ver o Sol ao longo das 72 horas que lá passarei. Os consolos são a excursão de dog-sledding (trenó puxado por cachorros siberianos e alasquianos) por cima do Mar de Barenths congelado e pela tundra ártica (onde não há vegetação por causa do frio), e o safari polar de 9 horas em snowmobile (moto de neve) até Barentsburg, um povoado de russos.

Minha mala (limitada pelos vôos internos) tem 23kg de casacos, segundas-peles, fleeces, corta-ventos, meias, cachecóis, gorros, botas, luvas e algumas camisetas (inclusive duas do Vasco). Já a mochila tem 8kg de equipamento fotográfico.

Considero que esta viagem me fecha um primeiro ciclo de grandes viagens: África do Sul, Antártica em navio quebra-gelo (incluindo ida ao lugar mais ao Sul permanentemente habitado do Planeta, a 64,8°S), Deserto do Atacama, o templo de Angkor Wat no Cam Bo Dia, Kala Patthar no Everest (passando por Lobuche a 4.940 metros, o lugar mais alto permanentemente habitado do Planeta), Lao, Viet Nam, peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela até Finisterrae, Índia, Thai Lan, Nepal, China, Egito, Grécia, Uluru, Nova Zelândia, Machu Picchu, Rapa Nui (o lugar mais isolado do Planeta), e agora o Pólo Norte. É claro que existem outros planos: Butão, Tibet, Galápagos, Mongólia e Rota 66 são os próximos; mas já farão parte de um segundo ciclo.

Tentarei manter alguma atualização neste espaço. Quando for possível; afinal, passar 10 dias no Pólo Norte durante o ápice do Inverno é muito mais do que Programa de Índio: é Programa de Esquimó!

(29/jan/2013)