sábado, 3 de março de 2012

30 anos em 2 Rodas

Em março/2012 estou completando 30 anos de moto.

A primeira foi comprada graças a um coração partido (aliás, o parapente teve a mesma causa) (embora por outra causadora). Heartbroken no final da tarde de uma 6ª feira, eu voltava do trabalho na RHEEM em São Cristóvão na garupa do Roxo. Trânsito INFERNAL no Viaduto Paulo de Frontin (quase um Minhocão no Rio). Seguíamos tranqüilos pelo acostamento quando passamos por uma varanda onde uma Deusa apareceu enrolada somente em uma toalha, com os cabelos molhados. Dava para ver as gotículas d’água nos ombros desnudos, o Roxo enlouqueceu! Seguiu até o final do viaduto, deu uma “quebrada” à direita para evitar a entrada do Túnel Rebouças, contornou-o por cima da boca de entrada, voltou todo o Paulo de Frontin por cima do Rio Comprido, fez retorno no início da Francisco Bicalho, atravessou mais uma vez o Viaduto, e menos de 10 minutos depois daquela visão quase fantasiosa lá estávamos de frente para a toalha felpuda. Saltamos da moto fingindo que procurávamos alguma coisa no acostamento do viaduto (como os homens são ridículos) e o Roxo foi puxar papo com a moçoila limpinha. Ou seja, o que era um trânsito pavoroso para milhares de carros não significava absolutamente nada para uma moto! O Roxo foi rechaçado pela Deusa, mas decidi a compra na mesma hora.

Eu tinha 25 anos e desde sempre quisera ter uma moto, apesar da resistência ferrenha dos Pais e Avô. Chegando em casa naquela noite de 6ª feira, comuniquei:
- “Papai, vou comprar uma moto amanhã e gostaria de contar com seu suporte na negociação. Me acompanha?”
É claro que o Papai foi junto.

Meu Avô também sempre se opusera ferozmente a meus devaneios de compra de moto, afirmando peremptório:
- “Quando comprar moto não entra mais na minha casa!”
Quando voltei com o Papai na manhã de sábado após a compra da Yamaha RX180 (a mesma moto do Roxo), fui direto para a casa do Vovô, e anunciei da porta:
- “Vovô, comprei uma moto! Posso entrar?”

O Roxo tinha comprado sua RX180 umas duas semanas antes, e corajosamente (ou loucamente) a emprestou a mim no dia da estréia. Era alta madrugada em Botafogo (onde ele tinha um Restaurante), e fui dar uma volta no quarteirão. Parei em um sinal, duas da manhã, tudo deserto, silêncio e eu. Dois caras esquisitos se aproximam. Fico nervoso, tento sair apressado avançando o sinal, deixo um pé no chão como “garantia de equilíbrio”, a moto roda em volta de meu próprio pé (que mané!), e PLAFT no chão!!! Os dois caras esquisitos que eu temia se chegaram, e ajudaram a me erguer e à moto...

E ainda devolvi a moto ao Roxo em seu primeiro dia com seu primeiro tombo...

Algumas estatísticas destes 360 meses:

·         50 mil quilômetros rodados
·         3 motos (Yamaha RX180 1982, Honda CB400 1982, Falcon NX400 2004)
·         1 acidente sério (embora estivesse a baixa velocidade)
·         3 tombos no trânsito
·         cerca de 15 tombos ridículos (postos de gasolina, estacionamentos, parado em sinais fechados, etc)
·         nenhum retrovisor quebrado.

E muitas caronas felizes. Por mais que se possa afirmar em contrário, jamais encontrei uma Dama que se recusasse a andar de moto. Muito pelo contrário: Mulheres ADORAM moto!

E eu também!



(mar/2012)

Um comentário:

  1. Márcio,

    E eu que andei nesta sua CB 400 na Paulista de garuoa, segurando uma bandeira do Vasco, depois do famoso gol do Cocada? Não esqueço! Pena que sou mais medroso que você e vendi minha última há uma ano. Depois da bela crônica, ne deu uma vontade de comprar outra... Parabéns pelos trinta anos! Grande abraço,
    Pedro Paulo - Cataguases - MG

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