quinta-feira, 3 de abril de 2014

Porque eu não fiz Vasectomia


Qualquer pessoa que me conheça há mais do que 10 minutos sabe de minha total aversão à idéia de ter Filhos. Em toda a minha vida, não existe um único segundo no qual tenha me passado pela cabeça o pensamento : “puxa, e se eu tivesse um Filho?”, ou então “ah, eu deveria ter tido uma Filha”... Não, tal segundo jamais existiu em minha existência. Entre todos os gestos irracionais dos serumanos, considero a procriação o mais irracional de todos.

Desde pequeno - digamos, 8 anos de idade - eu penso desta forma, e com uma excelente base (vide http://www.umpandaemsaturno.com/2010/04/vou-te-dar-um-conselho.html). No entanto, nunca cheguei a fazer vasectomia. Segue abaixo a história.

Cheguei aos 18 anos sabendo que não queria ter Filhos. Mas sempre tive o questionamento “como que é que vou pensar daqui a 10 anos?” (que se aplica a tudo que seja a longo prazo, a começar pelo Casamento). E portanto não fiz a Vasectomia.

28 anos. Os tais 10 anos tinham se passado, e eu continuava pensando da mesma forma. Fui então a um Urologista, e questionei: “custo, risco, reversibilidade e opinião pessoal”. Ele me disse:
- “Para mim é ótimo fazer a cirurgia em você. É simples, faço aqui mesmo em meu consultório, serei bem remunerado, não há inconvenientes, você sentirá um incomodo por algum período e pronto. A grande questão é a reversibilidade: é como se seccionássemos um duto pouco mais grosso do que um fio de cabelo. Caso no futuro você opte por reverter, a reconstrução é uma intervenção algo delicada dada a finura do canal, mas não é este o problema. A questão será a reação de seu organismo então. Porque algum tempo depois da vasectomia seu organismo aprende que não adianta mais produzir espermatozóides, e cessa de fazê-lo. Isto não atrapalha em nada, pois os espermatozóides são apenas cerca de 2% da ejaculação. A questão é que no caso de uma reversão - digamos, 5 anos depois - mesmo que a delicada operação de reconexão seja bem sucedida, quem garante que o organismo vai reaprender que deve voltar a produzir os espermatozóides? Há o risco de mesmo com uma cirurgia bem sucedida, o Homem permanecer estéril.”

Isto não me assustou nem um pouco: a esta altura, eu já tinha certeza de que nunca me tornaria Irracional a ponto de querer ter Filhos. PORÉM a questão que me embasbacou foi outra. Em algum tempo meu Organismo aprenderia que não precisava mais produzir espermatozóides, e pararia de fazê-lo. Quem sabe se algum tempo depois meu Organismo não aprenderia que já que não havia os 2% de espermatozóides, também não era necessário produzir os 98% de fluido protetor, o ‘plasma seminal’? Cessaria então a ejaculação. E pior: passado mais algum tempo o Organismo poderia aprender que, bem, neste caso a ereção também se tornou desnecessária!?!

Este risco não dá para correr! E então deixei para lá, e não fiz a tão desejada vasectomia.

Agora às vésperas dos 58 anos, um Grande Amigo às vésperas dos 48 se submete à intervenção. Um aviso, um sinal. Costumo dizer que Deus apareceu para mim e me concedeu UM único desejo para esta existência. E eu escolhi: não quero ter Filhos. E Ele me atendeu.

É chegada a hora de fazer a minha parte.

(abr/2014)

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