terça-feira, 21 de maio de 2013

VAN DER GRAAF GENERATOR (ou quase) na Virada Cultural SP 2013 (3 de 3)


(Palco São João, domingo 19 de maio de 2013, 18hs)

Quando eu soube, foi difícil acreditar: DAVID JACKSON iria tocar na virada Cultural! O saxofonista de meu venerado VAN DER GRAAF GENERATOR, banda progressiva que considero a mais complexa de se entender e gostar. Cabem algumas explicações: egresso dos anos 70 (claro), o VdGG era formado por 2 tecladistas, um baterista e este saxofonista. Sempre tive imensa dificuldade em alcançar a profundidade de suas músicas, sendo que no caso de alguns álbuns cheguei a levar décadas para entender (parcialmente); no caso de outros, continuo tentando! O que acaba sendo um alívio no marasmo que se tornou a Música, que se soma à covardia de bandas antigas e famosas ainda em atividade que repetem ad nauseam setlists exauridos há décadas.

O grande gênio e mentor é (pois o VdGG continua ativo) o compositor Peter Hammill. David Jackson deixou a Banda em 2006, e eu não tinha idéia do que passou a fazer a partir de então.

Terminado o show do NEKTAR, eu dispunha de um intervalo de 30 minutos. Dos banheiros químicos mais próximos escorria um volumoso carpete de urina, exalando um odor de uréia que deixava a área inaproximável. Em busca de banheiros menos entupidos e fétidos acabei vagando pela Avenida São João. Damas da noite, travestis e demais habitueés faziam suas festas, passeando, bebericando, curtindo, acompanhando os eventos. Muitos casais homo, talvez a maioria. Parei no simpático boteco Cantinho da Mesquita onde uma TV passava ao vivo os 15 minutos finais de Santos x Corinthians, a final do Paulistão. Pedi minha bebida de sempre (vodka com suco de maracujá coado e açúcar), que o barman “deixa comigo!” preparou nas seguintes proporções: meio copo (dos grandes) com maracujá coado, açúcar e gelo; e o restante meio copo (dos grandes) de smirnoff. Desnecessário dizer que 6 horas mais tarde eu ainda estava bêbado... Encontrei um cara com uma camiseta do Van der Graaf. -“Como você conseguiu?”, perguntei estupefacto (pois não encontro camisetas deles nem em Londres); “mandei fazer, é claro!” foi a resposta, é claro. Estava acompanhado por um corinthiano que deixou de ver a Final para assistir NEKTAR e DAVID JACKSON:
- “Perder isto? COMO???”

Acompanho o jogo até o fim, saio do Cantinho da Mesquita e me dirijo ao palco com sua exígua audiência. Vejo outro cara com outra camiseta do Van der Graaf, me aproximo e repito a pergunta: -“Como você conseguiu?”. A roda de amigos se abre e lá estão os mesmos dois que eu encontrara no boteco. -“Olha ele aí de novo!”, me saúdam, e o que se segue é uma saraivada: -“Ele é a cara do Peter Hammill!”; “vamos tirar uma foto com o Peter Hammill”, etc. Já fui confundido com o Ritchie em um show do Marcelo Nova, agora virei Peter Hammill. (E a resposta a minha pergunta foi a mesma: -“Mandei fazer, é claro”. É claro.)

Às 18h15m, David Jackson e a italiana ALEX CARPANI BAND ocupam o palco. A Itália foi o país onde o VdGG fez mais sucesso. Não gosto de sax (que chamo de “cornetas”), mas não sabia que existiam tantas lágrimas dentro de mim até ver e ouvir David Jackson tocando a 10 metros de distância. Tocavam Van der Graaf Generator; era um show de covers somente de músicas do VdGG!!!

Ao final da primeira música, a platéia grita algo que jamais imaginei ouvir (ou gritar):
- “AUMENTA O SAX!”
Apresentações (em italiano):
- “Em homenagem a vocês, hoje estamos com um baixista brasileiro: Gabriel Costa, do VIOLETA DE OUTONO!”

A segunda música é “Sleepwalkers”. A noite cai, a smirnoff sobe, a emoção domina: o show é ESPETACULAR!!! Existe vida inteligente neste Planeta, afinal; e boa parte está concentrada na frente do Palco São João às 19hs deste domingo.

Quase toda grande Banda se baseia em 2 gênios (Page & Plant, Jagger & Richards, McCartney& Lennon), e o VdGG tinha Peter Hammill & - agora descubro - David Jackson. Não eram apenas as composições, afinal; a interpretação do corneteiro fazia TODA a diferença na música do Van der Graaf. Pois aqui os arranjos com uma banda completa (incluindo guitarra e baixo) e com uma galera jovem e cheia de energia mostra que o movimento de Mr. Jackson foi brilhante: as versões são nada menos do que primorosas, e o show é entusiasmante. Evidencia que Peter Hammill é o maior gênio musical de nossas existências. Tocam “Refugees”, e o que já era um choro descontrolado se torna convulsivo. Jamais chorei tanto em um show, jamais fiquei tão completamente emocionado. Muita gente nova olha mais para mim do que para o palco, e imagino que esteja imaginando: “what the fuck?!?”.

Foi uma demonstração de extrema coragem e conhecimento dos organizadores da Virada trazerem o NEKTAR e o DJ+ACB=VdGG; minha gratidão e reconhecimento.

David brinca com a platéia:
- “We were told not to mention Argentina here...”

Tocam “Killer”. David toca 2 saxofones simultaneamente - sua marca registrada - quase o tempo todo.

Entram então os mais de 10 minutos de “Man-Erg”. A música de minha vida, com sua melodia gloriosa e letra idem (♫♪♫ “The Killer lives inside me... / The Angel lives inside me... / I too, live inside me...” ♫♪♫) . Meu coração não resiste. Estou morto. A partir daí você pode até pensar que está conversando comigo, mas se engana: marcio ficou naquela platéia, naquele show, naquele palco. O marcio (se) acabou ali.

No solo de bateria, toda a banda se abaixa, senta, ajoelha, para que somente o batera seja visto; belo gesto.

O genial bis encerra com “Theme One” e David comanda a platéia: tocando uma flauta quase infantil, faz com que todos cantem o lá,lá-lá-lá-lá-lá do ritmo original da canção; e então ele nos acompanha! Absolutamente simples, majestoso e tocante; absolutamente lindo.

O show acaba às 19h40m. A Virada já terminou, os banheiros químicos já foram retirados, sigo para a Praça da Bandeira em busca dos ônibus mas o Centro já está bastante deserto e começa a ser ameaçador. Após 2 shows deste quilate seguidos, estou emocionalmente destroçado.

Ouça “Refugees”, ouça “Man-Erg”, e você conhecerá Van der Graaf Generator. Conhecerá Peter Hammill.

Me conhecerá.


(Nota 1: não saiu NENHUMA nota no jornal sobre estes dois shows primorosos, seja antes ou depois dos eventos, ilustrando aquela consideração sobre a dificuldade em encontrar vida inteligente neste Planeta.)

(Nota 2: eu sei que “inaproximável” não existe, mas é a palavra que melhor exprime aqueles banheiros.)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

NEKTAR na Virada Cultural SP 2013 (2 de 3)


(Palco São João, domingo 19 de maio de 2013, 16hs)

Chego ao cruzamento de São João com Ipiranga às 16h15m, a tempo de ouvir os maravilhosos acordes iniciais da espetacular “A Tab In The Ocean” serem executados no palco que ainda dista 500 metros. Que diferença para o (excelente) show de Sidney Magal na véspera, às 23hs no Largo do Arouche. Temperatura outonal agradabíssima (ontem estava frio), sem o clima pesado de posso-ser-assaltado-a-qualquer-momento da véspera, quando as ruas estavam entupidas de pessoas, muitas das quais com aparência francamente ameaçadora - e em enormes grupos espalhados por todos os cantos e buracos. Para hoje eu imaginava que em se tratando de uma Banda Progressiva inglesa que fez sucesso principalmente na Alemanha nos anos 70, tocando no mesmo horário da final do Campeonato Paulista, eu seria o ÚNICO na frente do palco. Mas não: à medida que me aproximo, noto que as talvez mil pessoas estão deslumbradas com o que ouvem. Uma platéia principlamente da minha idade, ou quase

Sem as “liquid lights”, o NEKTAR é atualmente um quarteto. ROYE ALLBRIGHTON, fenomenal guitarrista e vocalista, membro fundador, ocupa o centro do palco e da música. O NEKTAR é a Banda Progressiva que melhor consegue ter a guitarra como instrumento principal; de maneira geral, quando o guitarrista é também o cantor e principal compositor em uma banda de Rock Progressivo, ele tende a querer se sobressair, e sua banda acaba se tornando mero suporte para toneladas de Ego. Outro membro fundador é o baterista RON HOWDEN. O tecladista alemão KLAUS (“I am an oldschool keyborder”) HENATSCH e o baixista LUX VIBRATUS (que parece saído do System Of A Down) completam a formação que hipnotizou a platéia por 80 minutos.

Foram apenas 6 músicas:
1. A Tab In The Ocean
2. (- “From the same album:”) Desolation Valley
3. (- “Remember that song, many years ago?”) Remember The Future - versão com 35 minutos!
4. Crying In The Dark / King Of The Twilight
5. Preacher
6. Recycled part 1

Durante boa parte do show fico a uns 20 metros do palco, ao lado de um pós-puberdade que tem interesse em saber o máximo a respeito daquela Banda. A certa altura, ele comenta:
- “Eu poderia ir embora agora, e este já teria sido o melhor show de minha vida!”

À minha esquerda, uma lourinha de seus 20 anos shakira-style, uma graça, dançando o show inteiro. Está com uma amiga morena baranga-style. A alturas tantas, as duas vão dançar à minha frente. Mais alguns minutos... e começam a se atracar e beijar, chupão-desentope! Impressiona a quantidade de casais de mesmo sexo nesta Virada Cultural: heterossexual, me tornei minoria...
  
Guitarra altíssima, excelente mixagem para um open-air. O final do show é uma PANCADARIA sonora absolutamente espetacular! Acabo a gig a 5 metros do palco. Ávida e inculta, a platéia brasileira grita: - “More one!”

Mas a organização do evento não pode dar mole: mais alguns minutos e teremos DAVID JACKSON & ACB (da Itália) tocando covers do VAN DER GRAAF GENERATOR!


sexta-feira, 17 de maio de 2013

O final de “Salve Jorge”


 Meu final perfeito e coerente para a novela Salve Jorge. Não vai ser nada disto, é claro!

Mustafá e Morena ficam juntos: foi ele o verdadeiro salvador dela, batalhando, se empenhando e se arriscando por ela; the knight in shining armour.

Lívia (Claudia Raia) e Theo (Raj) ficam juntos: se completam, são dois calhordas absolutos! Theo traiu quase todas as mulheres da novela!

Flavia Alessandra (Tenente Erica) fica com Fernanda Paes Leme (Tenente-veterinária Marcia): um casal sólido, unido e confiável que se formou desde o início da novela.

Russo e Rosângela ficam juntos. Foram os melhores personagens – ou melhor, os únicos inteligentes e de interesse neste desastre de ópera-sabão. Objetivos, eficientes, com visão clara do que era necessário fazer a cada momento.

O chefão da “gang internacional de tráfico de pessoas” – acima da Lívia – é o Adam (Duda Ribeiro), que através do disfarce de Serviçal sempre acompanhou sua operação de perto e de dentro. (O Coronel Nunes (Oscar Magrini) seria uma excelente alternativa.)

A Aisha se reconcilia com sua chiquérrima Mãe Berna (Zezé Polessa), que passou a vida lutando por ela.

E a Delegada Hellôôô vai trabalhar em “Malhação” para aprender que interpretar é muito mais do que trejeitos, caras, bocas, gestos exagerados e um figurino pra lá de cafona. Ô atriz canastrona!!!


(16/mai/13)

sábado, 27 de abril de 2013

Um Dino no Cinema

 
Pouca gente - se alguém - captará a referência a "Westworld" em uma fala de Tony Stark em "Iron Man 3".

Aqueles que assistiram a "Westworld" há 10.000 anos atrás ou já morreram ou não são atualmente público para o Homem de Ferro.

Sou um pterodáctilo vivo!


(27/abr/13)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Róża Luksemburg


"A liberdade é, quase sempre, a liberdade de quem discorda de nós."

Rosa Luxemburgo (1871-1919)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Pera, Uva, Maçã ou Salada Mista


Frase proferida no seriado Girls da HBO:
“Não quero um namorado. Quero alguém para sair junto o tempo todo, que me ache a melhor pessoa do mundo, e que queira fazer sexo apenas comigo.”

Comentário de Ane:
- “É mais fácil arranjar um Namorado...”


(Nota: referência a Girls publicada no OESP 15/jan/2013 pág. D6)


(jan/2013)

domingo, 7 de abril de 2013

Graças a quem


Duas intervenções cirúrgicas em menos de 4 semanas nos deixam reflexivos.

Uma coisa fica bastante clara: a gente vai para o Hospital graças a Deus, e sai do Hospital graças ao Médico!

O que remete a uma história narrada pelo Tio LCF em seu “Vivências & Idéias”: um pároco em visita a uma Fazenda elogia o progresso da lavoura, dando graças a Deus. Ao que o Fazendeiro responde:
- “É verdade, Padre – mas o senhor precisava ver como isto estava quando eu cheguei, e Deus trabalhava sozinho!”

A mensagem é: precisamos fazer a nossa parte. E exclusivamente a nossos esforços deveremos os resultados. Os deuses não mandam a cura, mandam a doença. Mandam a montanha; mandam o desafio.

Demos graças a quem realmente merece.


(abr/2013)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Que Elas Pensam de Nós


Eu estava há 1 mês com formidável crise renal. Já tinha feito uma primeira intervenção cirúrgica, e um cateter “duplo J” de 30cm estava instalado diretamente em minhas tripas, ligando o rim direito à bexiga. (Para seu próprio conforto, recomendo que não queira saber por qual parte do corpo eles penetram para fazer tal intervenção.) Quem já teve crise renal pode atestar a dor terminal que ela representa; pois eu tive várias.

Passadas menos de 4 semanas, era véspera de uma segunda intervenção, quando seria removido um segundo cálculo e talvez o cateter. Eu me preparava para passar por todo o perrengue novamente. Estava caminhando pela rua e em sentido contrário vinham duas Mulheres conversando. Quando cruzamos, só foi possível ouvir uma única frase do diálogo:
- “Homem já é chato, mas quando está doente fica insuportável!”

Foi quase um tapa na cara; um recado direto! Estariam elas falando para mim?!? A partir daí me senti constrangido em continuar a me lamuriar quanto às pedras e dores atrozes.

Contei esta história para diversas Mulheres, e para minha surpresa e estupefação todas balançam a cabeça afirmativa e aprovadoramente quando ela acaba. “É isto mesmo”, “homem não consegue ficar doente”, “homem reclama de qualquer dorzinha”, e por aí vai.

Experimente comentar isto com qualquer Mulher, e ficará surpreso com o vigor da anuência.

É isto que elas pensam de nós!


(abr/2013)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Despedida

Crianças detestam despedidas. Vão embora das festas correndo, no máximo gritando um forçado "tchau!" no caminho da porta, sem olhar para ninguém - e ainda assim por exigência dos Pais. Quem estiver na sala e ouvir, que ouça; para elas, não faz a menor diferença.

Das duas, uma: ou as Crianças estão certas...

... ou eu nunca deixei de ser Criança.

Detesto despedidas.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Global Seed Vault


Entre a cidade de Longyearbyen e o Aeroporto, na Ilha de Svalbard, encontra-se o GLOBAL SEED VAULT. Apelidado de “Silo do Juízo Final” ou “Arca de Noé Vegetariana”, o GSV é um repositório com capacidade para 2,25 bilhões de sementes - sendo 4,5 milhões de tipos diferentes - buscando representar toda a diversidade botânica do Planeta (imagina-se que existam 1,5 milhões de tipos diferentes). A idéia é que caso alguma espécie se torne extinta, seja possível recuperá-la. Projetado para resistir a mudanças climáticas, guerra nuclear e até ao impacto de um asteróide, o "Cofre" ou “Silo” foi inaugurado em 2008, e atualmente conta com cerca de 775 mil espécies diferentes de sementes. Não consegui descobrir a quantidade total de sementes armazenadas no momento, mas são mais de 300 milhões.

Svalbard foi escolhida por: i) estabilidade política e social da Noruega, ii) temperatura média anual da camada permanente de gelo (“permafrost”) de -18°C, facilitando a conservação caso haja algum problema no fornecimento de energia, e iii) inatividade tectônica na região. O Silo está construído 130 metros acima do nível do Mar, para evitar inundação mesmo no caso da camada de gelo derreter, ou na eventualidade de algum outro cataclisma que eleve o nível do Mar.

Não é possível ao visitante – ou ao depositante de sementes, pois o GSV funciona exatamente com um Banco, com depósito e retirada de sementes – entrar no recinto. O máximo que se pode observar é a porta de entrada. Não existe staff permanente, e não há uma única pessoa que tenha todos os códigos necessários para entrar.

Coloco nesta postagem algumas fotos que fiz no local, bem como da vista para dar uma idéia da altitude. As informações deste texto foram extraídas do Guia Lonely Planet, do site oficial do Global Seed Vault e da Wikipedia (de onde também retirei o mapa do interior das instalações).

(08/fev/2013)








quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dog-sledding em Svalbard


Tem gente que gosta de cachorros. Não é o meu caso. Mas eu não poderia deixar de ir ao “dog-sledding”, definido pelo Lonely Planet como “the iconic Svalbard winter activity”.

Um “passeio padrão” dura 4 horas, porém a maior parte deste tempo você gasta se preparando. Primeiramente a roupa: escafandro, botas do tamanho de hidrantes, gorro de pêlo de animal, luvas de pêlo e couro, e muitos etcs. Após o primeiro contato-piegas turistas x cães (huskies alsacianos que lembram muito os nossos vira-latas), cada equipe (composta por 2 pessoas) tem que pegar os próprios cães e fixá-los aos trenós. O problema é que os bichos são hiper-ativos (beirando a histeria) e ficam pulando, mordendo e urrando ininterruptamente. Dei sorte de pegar a Gianca como companheira de equipe, que adora cães e tem um jeito especial com eles: ela os pegava em suas casinhas e os emparelhava, e e ficava apenas com o (árduo) trabalho de segurar os bichos ganindo, puxando e mastigando as correias, tentando se livrar delas (às vezes, conseguiam!).

O Passeio de trenó dura cerca de 1½ hora, e é ótimo. Os cães param de latir e dedicam sua energia a correr e puxar o trenó, que desliza macio e silencioso – ao contrário das ruidosas snowmobiles. Os bichos são enérgicos, e você passa quase todo o tempo pisando no freio. São duas pessoas por trenó, uma vai de pé no comando do freio e a outra vai sentada no “berço” carregando a âncora. Para quem vai de pé, as instruções:
- “There are two basic rules for dog-sledding: first, always hold the bar; and second, never let go the bar!”.

Na metade do caminho, trocamos. Embora ir sentado permita fotos e filmes, existem três inconvenientes: 1) voa neve das patas dos cães, e parte atinge seu rosto; 2) quando o trenó passa sobre uma pedra, o amortecedor é a sua bunda; e 3) de vez em quando você é atingido por uma nuvem fétida com fortíssimo cheiro de ovo-esgoto-podre, provavelmente flatos emitidos pelos huskies alsacianos forrados de peixe. Overdose de Ômega-3 digerido fede MUITO!!!

O passeio foi por dentro de um fjord congelado, com a Mina 7 de carvão ao longe. O Céu estava roxo. Mais uma vez vimos algumas renas.

De volta ao canil, o trabalho inverso de desemparelhar os cães e retorná-los a suas casinhas. Alguns entusiastas ainda vão alimentá-los.

Um passeio de turista no Pólo Norte. Obrigatório, é claro!












(07/fev/2013)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Snowmobile em Svalbard


Na Ilha de Svalbard fiz hoje um safari de 9 horas em snowmobile, rodando mais de 100km. Almocei na cidade russa de Barentsburg (Баренцбург).

O traje de astronauta perfeitamente aquecido que é oferecido aos participantes reforça a expressão norueguesa que reza que "não existe frio; você é que está mal vestido". Permanecemos confortavelmente aquecidos mesmo em uma moto sobre puro gelo a 60 km/h a uma temperatura de -20°C no inverno do Pólo Norte: a roupa é praticamente um escafandro, a bota um hidrante preto; bataclava de lã, meias hiper-grossas de lã (tudo com peças adicionais por baixo) e luvas de 2 dedos (1+4) de lã e couro.

Avistamos diversas renas, que não temem a aproximação. Às duas da tarde a escuridão já era de uma noite fechada. No caminho de volta, uma linda Aurora Boreal verde acima de um vale.

Um dos programas mais espetaculares de minha vida.









terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Chegada ao Pólo Norte


Apesar da precariedade, as fotos abaixo (tiradas da janela de um avião da SAS) registram minha chegada ao Pólo Norte. O avião se encontra acima das nuvens, e é possível observar a luz do Sol longínquo enquanto abaixo a noite ártica mantém em ininterrupta escuridão o Mar Ártico congelado. Estou no momento em LONGYEARBYEN na Ilha de SVALBARD, a uma latitude acima de 78°S - o local mais ao Norte permanentemente habitado pelo homem. Como estamos no Inverno, o Sol não "nasce" - existe apenas uma penumbra que dura poucas horas. Alguns avisos são redigidos em cirílico, vide a placa no Aeroporto (tirada na escuridão das 14 horas).

Saudações austrais!








terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Programa de Esquimó


Sigo hoje para o Círculo Polar Ártico em busca de um antigo sonho: ver a Aurora Boreal.

Estamos em um período de excepcional atividade solar, e a Aurora Boreal deste ano deve ser a mais espetacular de nossas existências (não tenho planos de estar neste Planeta no próximo ciclo, dentro de 80 anos).

É claro que todos os sonhos têm um preço, e (entre outros) este me custará passar 10 dias no Pólo Norte em pleno Inverno, ou seja, a temperaturas que variam de -10°C a -40°C...

A primeira parada é TROMSØ, no Norte da Noruega. A latitude de Tromsø é 69°41'N, o que a coloca dentro do Círculo Polar Ártico (tudo que fica acima de 66,6⁰ N (66⁰ 33’ 44" N) fica dentro do Círculo Polar Ártico, assim como tudo que fica abaixo de 66,6⁰ S fica no Círculo Polar Antártico).

Lá ficarei 1 semana, onde além de 7 saídas noturnas para buscar o objetivo maior, existem diversos programas diurnos de enorme interesse: o teleférico Fjellheisen (Mt. Storsteinen), a instalação Polaria, o Planetário, o Jardim Botânico de vegetação ártica, visita a Kilpisjarvi (Lapônia Finlandesa) pela rota da Aurora Boreal, Lyngen Alps trekking, fiordes, e o que mais rolar.

Depois serão 3 dias em LONGYEARBYEN na Ilha de Svalbard, o lugar mais ao Norte permanentemente habitado do Planeta, a 78°22'N. Concentra 25% dos ursos polares do Planeta, e tem portanto mais ursos do que habitantes (2.500 ursos versus 2.000 habitantes)! O período é de noite ártica, ou seja, sem ver o Sol ao longo das 72 horas que lá passarei. Os consolos são a excursão de dog-sledding (trenó puxado por cachorros siberianos e alasquianos) por cima do Mar de Barenths congelado e pela tundra ártica (onde não há vegetação por causa do frio), e o safari polar de 9 horas em snowmobile (moto de neve) até Barentsburg, um povoado de russos.

Minha mala (limitada pelos vôos internos) tem 23kg de casacos, segundas-peles, fleeces, corta-ventos, meias, cachecóis, gorros, botas, luvas e algumas camisetas (inclusive duas do Vasco). Já a mochila tem 8kg de equipamento fotográfico.

Considero que esta viagem me fecha um primeiro ciclo de grandes viagens: África do Sul, Antártica em navio quebra-gelo (incluindo ida ao lugar mais ao Sul permanentemente habitado do Planeta, a 64,8°S), Deserto do Atacama, o templo de Angkor Wat no Cam Bo Dia, Kala Patthar no Everest (passando por Lobuche a 4.940 metros, o lugar mais alto permanentemente habitado do Planeta), Lao, Viet Nam, peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela até Finisterrae, Índia, Thai Lan, Nepal, China, Egito, Grécia, Uluru, Nova Zelândia, Machu Picchu, Rapa Nui (o lugar mais isolado do Planeta), e agora o Pólo Norte. É claro que existem outros planos: Butão, Tibet, Galápagos, Mongólia e Rota 66 são os próximos; mas já farão parte de um segundo ciclo.

Tentarei manter alguma atualização neste espaço. Quando for possível; afinal, passar 10 dias no Pólo Norte durante o ápice do Inverno é muito mais do que Programa de Índio: é Programa de Esquimó!

(29/jan/2013)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Votos Airulopodas


Nada é mais importante do que o cuidado
com nossos Companheiros de jornada.
Votos de um ótimo Natal, e excelente 2013!

VIOLA (na Árvore de Natal da Anelisa) concorda com os votos!
 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Catwoman


Qualquer discussão sobre “quem foi a melhor Mulher-Gato” que envolva Halle Berry, Michelle Pfeiffer ou Anne Hathaway é pueril e inócua.

Quem quer que tenha visto Julie Newmar em ação sabe que perto dela estas outras são insossas, quase assexuadas.

Julie era uma dançarina ultra sensual, e desenhou o próprio traje feito de lurex com botas altas, cinto baixo e diversos acessórios balouçantes (alguns não tão “acessórios” assim).

Li há muitos anos (ou melhor, décadas) que foi feita uma pesquisa com adolescentes nos EUA sobre qual a principal Musa inspiradora de suas “homenagens” particulares. Deu Julie Newmar na cabeça! (ou melhor: “na chapeleta”...) 
 
Em todos os episódios da série de televisão “Batman” na segunda metade dos anos 60 em que ela aparecia, a Mulher-Gato – em geral em meio a um processo de sedução do Morcegomem quando ela tinha finalmente sido capturada – morria no final. Mas ela reapareceria em algum outro episódio posterior... para “alívio” da galera!


Anne Hathaway pode ter sido a melhor Agente 99 da história – no doubt about it. But “Catwoman”... is a bit too much for her!

(dez/12)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O movimento imigratório para o Brasil no século XXI


O dicionário Aurélio – minha Bíblia – define ‘redação’ como “ato ou efeito de redigir”, e ‘redigir’ como “escrever com ordem e método”.

Uma prova de redação destina-se portanto a verificar a capacidade de uma pessoa redigir. O que parece óbvio para qualquer um. Menos, talvez, para as sumidades que idealizaram o Exame Nacional do Ensino Médio 2012.

É difícil imaginar tema mais IMBECIL para uma prova de redação do que “O Movimento Imigratório para o Brasil no Século XXI”. O que se está averiguando com tal assunto não é a capacidade do candidato de redigir ou não. O que fica em cheque é o conhecimento do candidato sobre tal tema, e não aquilo que é – ou deveria ser – o objeto e objetivo de uma prova de redação.

O assunto para uma prova de redação stricto senso deveria ser: “O que fiz neste final de semana”, ou então “O que fiz nas últimas férias”, ou até mesmo “O que espero do ENEM”, “O que espero do Vestibular”, etc.

Certamente se espera algo pensado de forma minimamente racional e inteligente.

Coitado do Saramago. Se tivesse que redigir preso a este tema, seu desconhecimento a respeito poderia levá-lo a uma humilhante reprovação. A não ser que valesse uma redação como:

O movimento imigratório para o Brasil no século XIII

Em seu discurso de agradecimento pelo Lebon de Literatura ela contou um episódio de sua adolescência: ‘fiz certa vez uma prova chamada Exame Nacional do Ensino Medio’, começou, ‘e o tema da redação era “O Movimento Imigratório para meu País no Século XIII”, mas eu não sabia NADA a este respeito (todos riram na platéia) e eu não queria inventar e passar por ridícula e dexei portanto a redação vazia como meu conhecimento e fui reprovada, eu não sabia escrever foi a conclusão, não sabia redigir, de forma que agradeço às Senhoras e Senhores por este prêmio mas na verdade há alguém enganado nesta história, ou os Professores que me julgaram antanho ou quem me outorga este prêmio, espero sinceramente que tenham sido eles, muito obrigada’, e foi aplaudida de pé.

(nov/12)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Toma lá, dá cá



O passar dos anos não lhe tirava o entusiasmo pelas suculentas formas femininas. Ele passou a entender que embora o corpo envelheça, o ardor permanece. Passou a entender a fascinação dos mais idosos pelas apetitosas raparigas de todas as faixas etárias.

Comentou então com Sicrana:
- “Quando ficar idoso, vou ser um Velho Tarado!”

A resposta dela foi à queima-roupa:
- “E eu serei uma Velha Fogueteira!!!”

(nov/12)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Real Power


“Não Querer é Poder”
(Carol Artero)
(talvez citando Fernando Pessoa)

(25/out/2012)