sábado, 4 de dezembro de 2010

Casamento Republicano

Apresento abaixo discurso que fiz no casamento do Arcanjo Gabriel com Juliana, com algumas observações:
- um discurso falado, composto para ser ouvido, tem uma estrutura bastante diferente daquela de um texto feito para ser lido;
- foi tremendamente difícil lembrar-me de todos os detalhes, pois o casal à minha frente estava completamente emocionado, e a força de suas lágrimas desviava muito minha atenção; alguma passagem pode ter sido saltada durante o “speech”;
- peço desculpas caso seja excessivo o número de menções, mas me é impossível assumir palavras de outros sem atribuir-lhes a autoria.


Boa Noite a todos,

gostaria de começar agradecendo à Juliana e ao Gabriel por esta Festa. Este é ou o primeiro ou o único Casamento Republicano de todos os tempos, de forma que de qualquer maneira estamos presenciando um evento histórico. Acompanhei o cuidado e carinho dos preparativos, e é muito claro que os homenageados da noite somos nós, e não eles. Esta é uma festa que eles estão dando para nós; o que temos aqui são eles celebrando a todos nós.

E quem somos “todos nós”? Vou fazer as apresentações. Meu Pai mencionou em seu discurso de Bodas de Ouro que "a Família são os Amigos que a Natureza escolheu para nós, e os Amigos são a Família que nós escolhemos". Pois são estes que aqui estão: as Famílias e Amigos escolhidos por e para Juliana & Gabriel.

Vou me apresentar, também. Meu nome é Marcio, e sou ex-Chefe do Gabriel, e seu atual Aluno - ou seja, uma tremenda evolução! Sou também uma pessoa extremamente romântica. E é exatamente como uma pessoa romântica que digo considerar o Casamento como o mais romântico gesto de todas as nossas vidas.

O mais romântico gesto, primeiramente, porque o Casamento é a única data que festejamos na vida que foi escolhida por nós mesmos. Não escolhemos nenhuma outra das datas que celebramos em um ano: aniversário, Natal, Ano Novo, Carnaval, Semana Santa, os feriados; mas a data do Casamento é uma escolha pessoal. De hoje em diante, a cada dia 4 de dezembro Juliana & Gabriel irão acender uma vela próximo a algumas plantas, para comemorar e relembrar o dia de hoje e este ambiente que nos cerca.

Outra coisa tremendamente romântica sobre o Casamento são os votos feitos pelos nubentes. Você chama os Familiares, Amigos, o pessoal do Trabalho, a Lei e o Governo, em alguns casos a Religião, sobe em um palco e jura solenemente que vai ficar com aquela Pessoa na fome e na doença, na pobreza e no fracasso, na miséria e na desgraça, até que a Morte os separe! Nada pode ser mais forte do que isto, nada mais solene, nada mais romântico! Vi certa vez um Padre falar em um Casamento “até que um enterre o outro”. Fortíssimo, é exatamente isto, você está elegendo seu Companheiro de Jornada, vai cuidar dele até o último momento, não há nada mais que se possa fazer por outra pessoa do que cuidar dela por toda a sua existência, até o último momento. Sempre choro nos Casamentos neste juramento.

Mas ao mesmo tempo esta é minha grande dúvida quanto às cerimônias de Casamento. Como é possível afirmar como você estará daqui a 10 anos? E o outro? Vocês não vão mudar? Interesses, estilos, desejos? Como é possível afirmar – jurar – que daqui a 10 anos os dois vão continuar querendo ficar juntos? Sempre que possível levo esta questão aos casais em vias de se casar. E o pior é que às vezes ouço como resposta: “ah, sem problema, se não der certo a gente se separa”. Como assim?!? Isto me revolta. Você chama todo mundo, faz a promessa solene, e se não estiver dando certo vai simplesmente ignorar, passar por cima de tudo e quebrá-la? Considero esta postura inaceitável.

Eu estava portanto preocupado com o que dizer aqui, pois poderia chegar e fazer todo um discurso “forever & ever” e depois o casal dizer “ah, desencana Marcio, se não der certo a gente se separa”! E fui conversar com eles a respeito de suas intenções, para sincronizar o que diria. Mas a Juliana foi absolutamente taxativa e direta: “conosco não tem disto, conosco é para sempre!”. Naquele momento eu fiquei totalmente convencido: ela não precisava dizer nada, não estava em cima de um palco com gente observando, estávamos conversando em “off” e totalmente descontraídos, ela podia dizer o que quisesse. Ali eu vi que eles já estavam casados.

Todos os discursos e sermões de casamento têm conselhos, então eu vou dar dois. Não que vocês precisem, mas pelo registro. O primeiro deriva de algo que um Tio meu falou em suas Bodas de Prata. Perguntei-lhe então o segredo para manter um Casamento por 25 anos; ele me disse que o Amor pode ser decomposto em 4 fatores (ele é Engenheiro, eu também, então adorei isto!): Amizade, Admiração, Respeito e Confiança. Eu gostaria de falar aqui sobre o Respeito. Respeito deveria permear todas as nossas relações. Cuidado com as palavras, cuidar em não irritar ou magoar os outros com o que dizemos, cuidado em sermos agradáveis e fazermos as vidas dos outros agradáveis. E mais ainda em um Casamento, em uma relação tão íntima e diária. Certa vez ouvi um Padre dizer: “ ’até que a Morte os separe’ com alguém buzinando e reclamando no ouvido é insuportável!”. Não acho que vocês corram este risco: vejo o carinho e respeito com que se tratam. Mas deixo para todos a referência.

O outro conselho se refere às palavras de um Amigo Budista. Ele extende o conceito de aura individual e energia do corpo de cada um à unidade do Casal. Diz que existe uma aura em torno do casal, um “invólucro” em volta dos dois, um “campo de energia” que não deve ser invadido ou rompido. Se for permitido que uma outra pessoa estranha, uma terceira pessoa entre neste envoltório, a energia do casal se enfraquecerá, se esvairá, comprometendo a unidade. Lutar sempre para não cair em tentação. E a melhor maneira que conheço de não cair em tentação é não se expor a ela. E, na eventualidade de aparecer a tentação, resistir de todas as formas; nunca ceder.

Vou agora cometer duas indiscrições, e contar para vocês duas histórias do casal. A primeira ocorreu quando o Gabriel conheceu a Juliana. Ele chegou para mim e falou “cara, conheci uma Mulher incrível no Mergulho, fantástica! Mas não vai rolar, ela é demais para mim, está muito além”. As semanas passavam, eu perguntava “e a Mulher do Mergulho?” e ele dizia “é espetacular, mas não vai dar para mim, é muita areia para o meu caminhão”. O tempo passou, eles acabaram ficando juntos, e ele continuou sempre entusiasmado por ela. Recentemente fui conversar com ele e o relembrei desta história: “lembra que você dizia que ela era demais para você?”. Ele abaixou a voz e segredou: “sabe de uma coisa? Ela ainda é muita areia para o meu caminhão...”. Isto foi muito lindo, remete a outro daqueles 4 fatores do Amor, agora a Admiração. Acho que as pessoas deveriam sempre achar isto de seus parceiros, colocá-los em um Altar, acima de todos os demais. Seu Companheiro de Viagem é uma pessoa única no Mundo.

A outra história se refere à Teoria das Azeitonas. Eu estava conversando outro dia com o Gabriel, e contava da Teoria das Azeitonas. Ela diz que para um casal dar certo é necessário que um dos dois não goste de azeitonas. O racional por trás disto é que já existem muitos motivos para querelas e desentendimentos ao longo da vida em comum, e se ainda por cima os dois forem brigar por causa da azeitona, será este o detalhe que vai fazer o copo transbordar e a relação não dar certo. E o Gabriel respondeu:
- “Puxa... A Juliana me ama tanto que até finge que não gosta de azeitonas!”
É a beleza desta visão poética – ou então o sacrifício da Juliana... – que me dá a certeza que o encontro de vocês é muito sólido.

Uma última palavra: indispensabilidade. Aquele mesmo Tio, agora em suas Bodas de Ouro, disse que o segredo do casal feliz é que sejam indispensáveis um para o outro por toda a vida. Acho isto lindo: você querer ouvir a opinião do parceiro, seja para comprar uma camisa, seja para decidir um computador. Não estou falando de dependência; meu Avô disse em suas Bodas de Ouro que “um casal deve ser como duas madeiras em uma fogueira: próximos o suficiente para se aquecerem, mas afastados o suficiente para que ambos respirem”. As duas cabeças do casal trocando idéias e decidindo juntas irão muito mais longe.

Meus votos são que vocês continuem sendo indispensáveis um para o outro, até o último momento. Parabéns pelo Casamento.


citações (por ordem de menção):
- Bodas de Ouro de P&M, jul/2005
- Casamento Ronaldo & Leticia, nov/2005

- Bodas de Prata Tios Luiz & Mirian, mai/1982
- Amigo Budista RdNBF
- Casamento André & Luma, nov/2010
- Bodas de Ouro Tios Luiz & Mirian, mai/2007
- Bodas de Ouro Vovô Gustavo & Vovó Aurora, nov/1979

(04/dez/2010)

8 comentários:

  1. Hi Dear,
    Que lindo!! É emociante um amigo ter palavras tão carinhosas para dizer num dia tão especial...
    Kisses, mary Louise

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  2. Maria Fernanda Kika8 de dezembro de 2010 00:17

    É sempre muito bom "ler" Marcio Guedes.
    Gabriel, um começo de união tão bonita, é certeza de muito sucesso.

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  3. Longa vida a União de Juliana e Gabriel !

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  4. Eu te admiro, te respeito,te confio e tudo numa amizade linda de irmãos geminianos, mais que primos!Ja te disse isso antes, mas qdo leio textos como este escrito por vc... Parabéns!
    E tb. ja te disse que não são 4, mas 5 elementos indispensáveis na relação de um casal. Senão qq amigo podia se considerar casal... Certo?

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  5. Concordo com a Laura, borogodó furdunço é a liga dessa massa !

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  6. Márcio que palavras lindas! Vou guardar esse texto e relê-lo sempre!
    Parabéns pela sensibilidade!
    Um beijo,

    Pri

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  7. Cade a foto do casamento!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  8. Marcio, melhor padrinho impossível!
    Beijo

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