segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Schadenfreude


Nunca deixo de me surpreender com a alegria que alguns “Amigos” têm ao nos ver macambúzios.

O gáudio é tanto maior quanto mais sorumbáticos estivermos.

Atinge o ápice se nossa tristeza for fruto de uma injustiça ou roubalheira.

Imagino a Festa que esta galera fará no dia em que eu cair da moto e perder uma perna.


(nov/2013, SP)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Pergunte ao Brasil


A Rádio CBN e o IBOPE / CONECTA lançaram em novembro uma iniciativa “Pergunte ao Brasil”. Os ouvintes podem enviar perguntas que gostariam de ver respondidas pelo Povo Brasileiro; entre as perguntas propostas, 5 serão escolhidas e farão parte de uma Pesquisa a ser feita no País.

Tenho curiosidade de saber a opinião do Povo Brasileiro quanto à seguinte questão (e já a enviei à Rádio):
- “Se você fosse renascer e pudesse escolher qualquer País do Mundo para tal, escolheria o Brasil?”

Já apresentei a questão em alguns círculos de conversas, e a reação suscitada foi sempre acompanhada de entusiasmados debates.

Acredito que seria ainda mais interessante se tal pergunta pudesse ser feita às populações de todos os Países do Mundo (ou ao menos boa parte deles), uma vez que uma comparação entre os resultados das diversas nacionalidades seria ainda mais elucidativa.

E você? Se fosse renascer e pudesse escolher qualquer País do Mundo para tal... escolheria o Brasil?

(Rio, 10/nov/2013)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Fran de Goiânia


Há cerca de 3 semanas (em outubro de 2013) foi postado na Internet um vídeo que se tornou um hit no Rio de Janeiro - e possivelmente no resto do País.

Em uma filmagem extremamente doméstica e na primeira pessoa, o cameraman tem seu membro sendo objeto de um boquete campeão por parte de uma Ninfeta Princesinha. A alturas tantas, ainda durante a mamada, ela ergue um olhar doce para o felizardo e com a boca cheia oferece com expressão meiga:
- "Quer comer o meu cuzinho?"

E para não deixar dúvidas quanto às palavras que poderiam sair engasgadas, ela simultaneamente ergue a mão livre para próximo ao rostinho e junta o indicador e o polegar, sobrepondo-os e formando uma rosquinha apertadinha! E sorri, esperançosa de que a oferta agrade!

Apesar de poder parecer ligeiramente pornográfico, o vídeo expõe uma tremenda demonstração de carinho. A preocupação principal da Boa Samaritana é evidentemente dar prazer a seu companheiro; a procura dela é por deixá-lo satisfeito (o que certamente consegue!). Não se trata de prazer pessoal, mas sim de extrema generosidade. Entrega. Troca. Talvez... Amor?

É claro que o gesto erótico da Gulosa se tornou uma coqueluche no Balneá-Rio (e possivelmente no resto do País). A qualquer momento e por qualquer coisa, o Amigo Hergé (por exemplo) aproxima a mão do rosto e junta o indicador e o polegar, sobrepondo-os... e formando aquela arruel@!!!


(11/11/13, RJ)

sábado, 9 de novembro de 2013

Um Segredo das Mulheres


Na casa de Hergé converso com Prima Lola de Miami.

Discorro sobre as delícias e o privilégio de quem é Dono de seu próprio Tempo.

Prima Lola de Miami revela então um Segredo das Mulheres que se difundido alteraria completamente as relações entre os dois Sexos. Totalmente! Mundialmente! Forever!

A Feiticeira explica que só contou a larga escala porque eu descobri pessoalmente em pequena escala, e pede que prometa que não divulgarei. O pedido é justo, e adiro a ele.

Portanto, se você quiser saber de que se trata, não adianta me procurar; estou atado. Procure Prima Lola de Miami.

Só não sei se vai conseguir!

(Rio, 09/nov/2013)

domingo, 27 de outubro de 2013

Rock’n’Roll Animal


Sempre achei Lou Reed tão entediante quanto todos os demais bardos (e.g. Bob Dylan ou Oswaldo Montenegro). Tive uma errônea e passageira boa impressão a seu respeito graças a dois discos fenomenais, que são na verdade apenas um.

Em 1974 Lou lançou “Rock’n’Roll Animal”, gravado ao vivo em 1973. Com Dick Wagner e Steve Hunter, 2 espetaculares guitarristas que viriam a se juntar a Alice Cooper em seguida (inclusive nos shows no Brasil em 1974), o disco é nada menos do que uma obra-prima irrepreensível. Era tão bom que em 1975 foi lançado o restante do show: “Lou Reed Live”. São álbuns que recomendo sem qualquer reserva.

No entanto, ao contrário de grande parte de meus Amigos, considero o restante da obra de Lewis Allan Reed tremendamente maçante. O fundo do poço indiscutível é “Metal Machine Music” (1975), considerado por muitos “o pior disco da história”, por outros como “uma piada”, “o cumprimento de uma obrigação contratual”, “uma experiência tão desagradável quanto uma noite em um terminal de ônibus”, “uma garantia de livrar qualquer aposento de seres humanos em tempo recorde”, etc. Em 2010 quando esteve no Brasil, LR avisou que iria tocar o MMM na íntegra no SESC Pinheiros, onde se apresentou a R$20. É obvio que uma horda de incautos que queriam ouvir “Walk on the Wild Side” esgotaram os ingressos em minutos - e depois passaram semanas reclamando daquilo que havia sido informado previamente. Foi o único show que o cara deu no Brasil; e ele tocou esta merda de 35 anos antes.

Na mesma época tive um contato pessoal que mostrou o tipo de pessoa que ele era. Noite de autógrafos de “Atravessar o Fogo”, livro com 310 letras de suas músicas na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, no próprio prédio onde eu trabalhava. O horário havia sido anunciado como “rígido”: autógrafos somente das 18 às 20 horas, com um teto de 200 pessoas e no máximo 3 autógrafos por pessoa. Desci com minha senha às 17h30m e devia ser o 150º da fila, já no lado de fora do imenso saguão do prédio, na Alameda Santos. Na fila um monte de gente com discos, em especial o cultuadíssimo e chatérrimo “disco da banana” do Velvet Underground; vi também alguns exemplares de “Sally Can’t Dance”.

Lou chegou às 18h30m, atrasado, estressado e starlete. Foi para o andar superior da loja, onde era avistável através do vidro. Pediu então um cheeseburger (os boatos  e histórias circulavam pela fila). Não gostou do cheeseburger que recebeu (disseram que era do America), e pediu um outro cheeseburger de um outro lugar. Os autógrafos começaram depois das 19hs. Uma representante da Livraria Cultura percorreu a fila recolhendo os papelotes com os nomes a serem utilizados nas dedicatórias: Lou estaria “cansado”, e somente ia assinar o nome, sem dedicar nada.

Eu não comprava nada para mim, apenas para meu Irmão e um Amigo. Fui ficando putíssimo na fila com o imenso desrespeito do estrelinha para com seus fãs. Pouco depois das 20hs ele interrompeu a sessão para... meditar!!! A galera há quase 3 horas de pé na fila, respeitando o horário e esperando algum respeito, e o Transformer em OM!

Me ocorreram uma ou duas vinganças. Eu poderia levar o livro (também lançado pouco tempo antes) “Life” do Keith Richards e apresentar para autógrafo. Quando ele dissesse:
- “I’m not Keef Richards”
, eu responderia com ar supreso:
- “No??? Then I don’t want it!”
, viraria as costas e iria embora. Ou então:
- “No??? Ok, no problem, please sign it anyway...”

Outra alternativa seria dar uma escarrada na cara do desaforado menestrel  quando chegasse minha vez. Enquanto estivesse sendo arrastado para fora da Livraria, eu gritaria: “Isto é por ter cuspido em mim in Berlin (by the wall) em 1973!...”
Esta opção era mais factível - mas teria prejudicado aqueles que estavam atrás de mim na fila.

Fui recebido pouco depois das 21 horas. Ignorando as recomendações, apresentei  o papel com o nome de meu Irmão, e pedi:
- “Could you please dedicate it? It’s for my Brother, who deep down inside has got a Rock’n’Roll Heart...”
Com uma letra tíbia (não sei dizer se de um recém-saído do Mobral ou devida à exaustão de já ter autografado umas 400 peças) ele escreveu: “To Gauco...”

Tentei ainda uma segunda dedicatória para um Amigo, apresentando um segundo papelote com o nome “Ronaldo” e dizendo “For me!”, mas o trovador disse ’’oh, no” e somente assinou o nome com aquela letra trêmula.

“Rock’n’Roll Animal” e “Lou Reed Live”. Você não precisa ouvir mais nada dele.

Nem deve.


(27/out/2013, Rio)


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Joia Rara


No hall de meu prédio encontro um Porteiro e um Faxineiro em frente à televisão. Assistem horrorizados à notícia que um Homem matou a Esposa a facadas, na frente das Filhas.

Sei que o Porteiro teve há pouco uma separação traumática da Esposa, que lhe levou a Filha para morar com um outro Homem e o está impedindo de ver a criança. Converso freqüentemente com ele: é uma pessoa pacífica, e que tem se esforçado em absorver o revés que muito sofrimento lhe causa. E é ele mesmo quem comenta:
- “Mas porquê isto, matar a Mulher por causa de uma separação! É muito apego, deixa ela ir, isto não leva a nada...”

Respondo com um dos nortes de minha existência:
- “Um dos princípios básicos do Budismo é: ‘a base de todo o sofrimento é o apego; livre-se do apego, e se livrará do sofrimento’. Não sou Budista, mas adoro este ensinamento.”

Um sorriso ilumina o rosto do faxineiro, que se entusiasma:
- “Eu também vi isto! É da novela das 6, a ‘Joia Rara’ que se passa no Nepal!”

Desconcertado e desenxabido, só me resta balbuciar:
- “É, eu já estive lá duas vezes...”

(21/out/2013, RJ)

domingo, 20 de outubro de 2013

O Prazo do Cura


Um Cura prognostica 2 anos de vida para um Enfermo. Caso tal Enfermo viva somente por 1 ano, o Cura será massacrado: "é um mau Cura".

Um Cura prognostica 2 meses de vida para um Enfermo. Caso o Enfermo viva pelo mesmo 1 ano acima, o Cura será glorificado e incensado: "é um excelente Cura".

Seu 'statement' terá portanto - forçosamente - um viés. Que será tão mais forte quão mais fraco for o Cura.

Conheço casos. Um Cura diagnosticou 2 meses para uma Enferma, que viveu por mais de 10 anos. Uma Cura previu 2 meses para um Paciente: isto foi há 5 anos, e ele está still alive and (very) well.

Convivemos agora com mais um diagnóstico de 2 meses na Família. A mim, à distância, soa totalmente descabido.

Vejamos.

(RJ, out/2013)

sábado, 19 de outubro de 2013

Procurando Saber


Curioso que um grupo que busca abafar o direito à publicação de biografias se intitule "Procure Saber". Mais do que curioso: é contraditório. "Procure Saber, Apesar de Mim" ou "Procure Saber Mas Eu Vou Te Atrapalhar" seriam alternativas mais sinceras.

Quem considera que biografias demandem autorização considera então que a Bíblia seja um livro completamente ilegal. Afinal, não consta que alguém tenha pedido a Jesus (ou a eventuais descendentes) (ou descendentas) autorização para descrever sua vida em Detalhes! Igualmente, alguém pediu autorização a Abraão? Ou a seus descendentes? Para contar a história de Adão e Eva, precisaríamos de 7 bilhões de autorizações!!!

Torturadores, ditadores, nazistas... alguém autorizou que se contasse suas vidas?

E que não surja o pífio argumento "se trata de gente morta". Significa que exatamente quando o personagem está indefeso, post-mortem, é que se pode falar o que quiser a seu respeito? Dançar em cima da tumba?

A postura opressiva deste grupo de Artistas só reforça um dito que sempre me encantou: "o que importa é a Arte, e não o Artista". Pessoalmente não me interesso pela vida de Artistas, mas tão-somente por sua Arte. Até hoje só consegui ler 3 biografias: Jerome David Salinger, George Orwell e Nelson Rodrigues. Três escritores.

Mas se tem gente que compra revista de fofocas (e até vê "Big Brother"), fazer o quê...


(Nota: no caso específico de Zii & Zie, não importam o Artista e muito menos sua tremendamente pretensiosa e enfadonha Arte. O Mano Mané teve o desmando de vir a público defender a utilização de máscaras em passeatas; em um momento crucial em que o País exige que seus Parlamentares votem às claras, aberto, sem se ocultar, enfim, que mostrem suas caras... o Baiano do Oba-Oba vem apoiar o oposto. Uma completa falta de sintonia com o que seja Comportamento Ético.)


(out/2013)

domingo, 29 de setembro de 2013

Risco e Recompensa


"Os que não ousam jamais saberão."

(Carlos Couto, Niteroi - citado por João Augusto "Deck" em O GLOBO, 29/set/2013)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Império das Formigas


Os melhores Engenheiros Civis da Terra são as formigas. Ninguém conhece tão a fundo todas as edificações do Planeta: cada detalhe de cada estrutura, seus pontos de apoio, suas sustentações, seus pontos fortes e fracos. As formigas circulam por todas as construções com uma intimidade praticamente simbiótica.

Têm um plano de dominação já concluído: todas as edificações da Raçumana foram aliviadas de todos os seus fatores de segurança estrutural, e apoiam-se cada uma em um único grão de areia. Todos os prédios e construções do Planeta, dos quais tanto nos orgulhamos, estão cada um sustentados por um singelo grão de areia, cada qual com sua formiga de guarda. A uma ordem central tais grãos serão removidos de forma simultânea, e todas as construções ruirão concomitantemente. Os cerumanos sobreviventes ficarão ao relento, e as colônias de formigas dominarão também a superfície.

Não há defesa contra isto. Nossa única alternativa é continuarmos sendo úteis para elas, alimentando-as através de restos de comida em pratos e panelas não lavados acumulados nas pias e de mantimentos mal estocados.

(set/2013)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Pista Expressa


Um princípio básico das pistas expressas em rodovias é que devem ser utilizadas por veículos que irão percorrer longas distâncias. Uma pista expressa não se destina a tráfego local, e desta forma deve ter muitos acessos porém poucas saídas.

Embora isto seja completamente óbvio, não é o que se vê nas extremidades da principal estrada do Brasil, a Rodovia Presidente Dutra (BR 116). Tanto em Guarulhos/SP como na Baixada Fluminense/RJ, o que temos é uma quase impossibilidade de acesso às pistas expressas. Desta forma, tais pistas se tornam expressas não por efetivamente o serem, mas simplesmente porque não se consegue acessá-las!

(Nota: esta foto não é da situação à qual me refiro,
mas dá uma exata dimensão do que acontece.)
Pelo lado do Rio, quem chega à Dutra pela Linha Vermelha - que deveria ser um desafogo à pesada Avenida Brasil - necessitará tartarugar pela pista lateral por quase uma dezena de quilômetros antes da agulha para a pista expressa; igualmente em São Paulo, a não ser que chegue à Dutra pela pista expressa da Marginal Tietê, o motorista e seus passageiros se verão forçados a caramujar pela pista local, competindo com e tomando o espaço de todo o trânsito local e para Minas Gerais (via Fernão Dias, que sai de Guarulhos).

Desta forma, o tráfego local fica tumultuado por aqueles que vão para longe, e aqueles que vão para longe ficam tumultuados pelo tráfego local. E a pista expressa fica vazia!

É de uma imbecilidade irritante. Como dizia o Macaco Sócrates no programa Planeta dos Homens, “não precisa explicar... eu só queria entender”!

(set/2013)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Aqui JAZZ


Sou apaixonado por Música desde sempre. Acredito que é na Música que a Humanidade mais se aproxima da Divindade; trata-se da única Arte que produzimos que pode ser compreendida por outras Inteligências (as Ciências Exatas também podem, mas aí não se trata de uma Arte que produzimos mas sim de algo que desvendamos).

Desde cedo, no entanto, descobri que eu não era um Músico. Foi muito fácil de ver: jamais consegui um reles batuque decente em pontas de mesas ou em caixas de fósforos, coisa que Gloug - Irmão mais novo - conseguia com facilidade e perfeição. O último prego no esquife se deu quando, ainda teenagers, ele comprou sua primeira guitarra: qualquer música de anúncio de televisão ele reproduzia de imediato, de ouvido, no ato; já eu não conseguia extrair um reles dó-ré-mi daquele instrumento infernal atulhado de cordas e escalas. Todos temos algumas limitações contra as quais é perda de tempo e falta de humildade nos rebelarmos, e desde então aprendi a adorar a Música sem ser necessário que a performasse. Afinal, acredito também que cada um de nós tem um - e apenas um - Dom. Quem se mete a explorar um Dom que não tem acaba eclipsando o Dom que tem; exemplos claros na Música são o baterista Phil Collins e os guitarristas Jimi Hendrix, Eric Clapton e Frejat, que se meteram a cantar e neste quesito são os desastres que todos conhecem...

Com o passar dos anos observei existirem alguns sintomas de que “o Cabra é um Músico”. Características que se repetem em todos os Músicos e que não compartilho, reforçando que eu não sou um Músico. Por exemplo:
  • gostar de rodinha de violão
  • gostar de Prince
  • gostar de Jazz
Todos os Músicos amam muito tudo isto, e eu abomino! Com relação ao Jazz, gosto de citar uma frase do Bussunda:
- “Eu gosto de Jazz... mas prefiro Música!”

O Amigo RGarcia informa não ter nenhum disco do QUEEN, e pergunta qual o primeiro álbum da Banda que recomendo adquirir. Minha resposta é fácil: o disco básico e obrigatório do QUEEN é “A Night at the Opera”, mas vou dar “Jazz” para o Amigo.

“Jazz” (1978) foi o disco que me fez gostar do QUEEN, tendo sido apresentado por RDu (que também me apresentou o KISS com “Hotter than Hell” e o AEROSMITH em “Rocks”, além de LINDA LOVELACE em “Deep Throat”). Terei sido influenciado pelo 3-fold poster (dimensões 30x90 cm) encartado no álbum com as Fat Bottomed Girls em uma Bicycle Race... NUAS? Possivelmente; com certeza a agradável ousadia me deixou mais predisposto a ouvir a bolacha.

Trata-se de um disco tremendamente variado, cada música completamente diferente da anterior e da seguinte, e todas complementares. Li um interessante comentário a respeito de “Jazz”: é como se o QUEEN dissesse “você não gosta da música que fazemos? Então ouça isto”! E tacou aquela profusão de sons variados, letras inteligentes e divertidas, vocais, instrumental e produção irrepreensíveis. Jamais ouço somente uma ou algumas músicas do disco: sempre o ouço inteiro, de ponta a ponta, como uma verdadeira Suíte. Tem seus muitos altos e alguns baixos, indeed, mas... não dá para interromper.

Nos créditos da capa, uma referência ao final da música “Dead on Time”: “Thunderbolt courtesy of God”! Na época brincavam também com os MOODY BLUES, músicos que faziam todos os sons de seus discos e com largo uso de sintetizadores, o que os levava a escrever em todas as suas capas: “No Orchestra; all instruments played by The Moody Blues”. Pois o QUEEN escrevia em todas as suas capas: “No Synths!”, ou então “no synths” após a relação de instrumentos e vocais de cada um dos membros; ou ainda “Still no synths!”. O ponto final desta brincadeira foi o álbum “Flash Gordon” (1980) onde os 4 integrantes da Banda têm no final de suas respectivas listas de instrumentos: “synth”. A partir de então, os 4 tocam sintetizadores em todos os discos restantes.

Na música “More of that Jazz” que encerra o álbum, Roger Taylor assume os vocais e em um meddley que revive 1 segundo de cada música do disco, detona:
“Only football gives us thrills /
Rock and Roll just pays the bills /
(...) Give me no more, no mooore, no móóóóóre... of that Jazz!”

É este o disco, caro RGarcia.

(set/2013)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Consumismo


Comprar alguma coisa:
- toma tempo
- consome / esvai / exaure seus recursos
- atulha / entulha / entope sua casa com mais átomos.

Um Professor meu dizia que “quando você compra alguma coisa, esta coisa também te compra”.

Pense bem, portanto.

(set/2013)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um Aspecto Positivo das Doenças


Na Livraria da Travessa de Ipanema encontro FWolf, que como eu reside em São Paulo. E em um brief encounter ele me passa um grande ensinamento.

Estou morando na casa de meus Pais no Rio há 2 meses, devido a uma cirurgia a que Papai (83 anos) foi submetido. Virei Enfermeiro. Wolf perdeu sua Mãe há menos de 1 ano, e conta que em função da doença dela também passou 2 meses no Rio, também como Enfermeiro.

E conclui: a doença traz um aspecto positivo que não imaginaríamos. Nos força a uma convivência com pessoas queridas e importantes que não teríamos de outra forma.

E, em alguns casos - como foi o dele - propicia até mesmo uma Despedida.

(16/set/2013, SP)

domingo, 15 de setembro de 2013

O Início do Fim


Ouço na Rádio CBN:
- “E atenção! O site da CNN informa que a Terra pode estar sendo vítima de um ataque alienígena...”

A Rádio sai do ar. Todas as Rádios saem do ar; as transmissões de televisão, então a internet, e logo os telefones. De uma hora para outra, estamos todos nós isolados de nós mesmos.

Compreendo que ouvi a última transmissão que foi feita por esta Raça. 

Compreendo que ouvi o início do fim. 

E que o Fim será rápido.


Ao menos sei o que está acontecendo. 

Quantos não sabem?


(14/set/2013, SP)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Steven Wilson live in Sampa


21/maio/2013, Teatro Bradesco (SP)

Praticamente não houve anúncio. Vi certa vez um documentário que explicava que na selva nenhum animal pode dormir profundamente, pois certamente será (desagradavelmente) surpreendido. Pelo jeito, na cidade grande também não dá: quando você descobre, o show já foi. Fato é que STEVEN WILSON, faz-tudo e muro-de-arrimo do PORCUPINE TREE (uma das poucas grandes Bandas Progressivas recentes) se apresentaria em São Paulo em uma noite de segunda-feira.

Como o profundo conhedor e Amigo Aldo é fã inconteste e inveterado da banda (e apaixonado pelo Steven Wilson, incansável produtor batalhador remixador e resgatador do material progressivo de outras bandas) e o Sr. Star também gosta do Porco-Espinho, a oportunidade pareceu ser uma obrigação. Impus uma condição: só iria no lugar mais barato, uma frisa no 3º andar ao módico preço de 1 galo. Estrella topou, e lá fomos nós de moto.

O que aconteceu com nossos ingressos fica como um well-kept secret; pergunte diretamente ao Estrella ou a mim. Só adianto que foi coisa boa - e uma lição para o futuro...

O show começou pontualmente, e a meia hora inicial foi nada menos do que INSUPORTÁVEL. A coisa mais pretensiosa que já vi: instrumentos ligados e em silêncio no palco deserto, ao fundo uma projeção em preto-e-branco de uma foto de um Planeta, na frente do qual passavam algumas nuvens em câmara lentíssima. O som ambiente era algo que Estrella descreveu como “Kitaro com diarréia”. O Planeta se transformava lentamente em uma máscara (como na capa do disco) e voltava, vagarosa e interminavelmente. Com 15 minutos de execução (que pareceram duas horas) ninguém agüentava mais, e começaram palmas e em seguida apupos. Foi todo mundo ficando PUTO e começando a xingar. Aquilo deveria ser um preâmbulo durante a entrada das pessoas no Teatro, e não um início de gig. Após uma eternidade de mais 15 minutos entram os músicos, sob palmas efusivas - ou melhor, aliviadas - da audiência que não lota o Teatro. Início muito bom, pesado, limpo, bem executado, instrumental perfeito, muito bom mesmo!

Começa a segunda música, e Steven interrompe o show: - “STOP!”. As luzes se acendem, ele se dirige ao microfone e à plateia: -“Sorry guys, this is a disaster, it’s all screwed up. Can we, uh, RESTART the show?” Aponta para o baixista e diz: - “And it is YOUR fault!”

A platéia não sabe o que manifestar, eu grito -“NOOOOOO!”, troçando com o medo de um repeteco daquela meia hora que durou vinte. Mas o cara COMEÇA O SHOW DE NOVO, e aí já estamos envolvidos pela música e dá para ver que É MUITO BOM.
(Nota: fiquei com a impressão de que esta parada pode ter sido armação para desconcertar ou capturar a platéia. Porque a verdade é que a segunda execução daquela primeira música foi diferente da primeira versão: por exemplo, não teve o longo solo de teclados de Mr. Wilson. Uma interrupção dramática... e programada. Fica todo mundo achando admirado: “nossa, quanto perfeccionismo!”)

Prossegue o show. Um guitarrista excelente, som altíssimo, distorção e peso na medida. Um dos shows mais altos que já ouvi, todos os órgãos do corpo vibram. SW se comporta como um Maestro, passeando descalço e sem parar pelo palco, e tocando ora guitarra, ora baixo, ora bateria. Ás vezes só canta e às vezes não faz nada, fica sentado olhando. Um interessante side effect de shows ao vivo é que a expectativa te leva a re-ouvir os discos da Banda. Em função de shows recentes eu voltei a ouvir a discografia do Nektar e do Porcupine Tree; e desde já estou ouvindo Black Sabbath, em preparação para a gig dentro de 5 meses.

- “É... muitcho... bom... extar de volta aqui nechte país... (longa pausa, gestos pedindo paciência)... ma... ra... vi... josso!”
E completou:
- “Uff! This took me HOURS of rehearsal!”

A base do show é o disco solo “The Raven that Refused to Sing”, que parece ser muito bom (mas infelizmente será impossível ouví-lo em casa na mesma altura...). Alguns trechos remetem a Genesis “Trespass”, outros a “Supper’s Ready”. Um pedaço eu JURO que era “Stairway to Heaven”! Às vezes no entanto fica excessivamente barulhento, ou como praguejava Mr. Star: - “Isto aí é DREAM THEATER!” É isto aí, Aldo: você conseguiu fazer o Estrella assistir o DT...

- “Did you ever have the strange feeling that you went to a Disco party and you’re the only one dancing? That’s how I feel playing to a seated audience. It’s weird! It’s a rock’n’roll show! Sort of... So, if you’d like to, stand up!”

Metade da audiência se levantou. Quem estava sentado mais para trás, na parte inclinada da platéia, pôde optar por continuar sentado/a com a visão primorosa do show primoroso. Era possível ir à frente e retornar ao confortável assento onde o som estava mais bem distribuído. Diversas formas de assistir a um show simplesmente sensacional.

Todos se abaixam para o solo de teclado, como ocorreu na véspera no solo de bateria do David Jackson & Alex Carpani Band na Virada Cultural.

Eu tinha resistência a Steven Wilson e Porcupine Tree por imaginar que seria muita guitarra e pouco teclado - um mal de Bandas "Progressivas" cujo cara principal é guitarrista - mas me enganei. A “tecelagem” de teclados é quase onipresente.

Baixa uma tela semi-transparente na frente do palco e os músicos contnuam tocando atrás, sendo vistos de forma difusa. Este recurso já foi (melhor) exploado pelo NINE INCH NAILS na excursão “Live Beside You In Time”. Mas é sem dúvida um belíssimo efeito.

- “The next  song is composed of many long and very pretentious moments of silence NOT intended to audience participation. So, in case you have something to say or scream, please do it now.”
A platéia começou a urrar nomes de músicas do Porcupine Tree.
- “You are mentioning names of songs I don’t know!”
Um gaiato a meu lado grita:
- Toca Raul!!!”

SW conversa bastante com a platéia, explica a história de cada música; foi extremamente simpático e acessível durante toda a apresentação.

Na hora do bis, Steve anuncia:
- “I don’t have any hits (gargalhadas) and this is a GOOD thing, because I can play any fucking thing that I want! I have many solo works under many names, among which the first three Porcupine Tree records (delírio). Porcupine Tree started as a solo project - like this, today.”
E manda uma música que faz a galera sing along aos urros.

Continuo com minha opinião de décadas: a Música Progressiva é a EVOLUÇÃO da Música Clássica. Em entrevista dada em 2012, Clem Burke (baterista do BLONDIE) comentou (em interpretação livre) que “o Rock é o Jazz atual. Se tornou uma coisa de nicho, de gueto; é boa e tem seus seguidores fiéis, mas não é mais o mainstream, e não irá muito além disto”. O Rock Progressivo é ainda mais nicho e gueto, coisa de nerd terminal; é portanto com imensa satisfação que encontro um novo veio (embora com muita coisa exagerada e desnecessáriamente cacofônica, como diz a 7-yr old Fernanda Estrella).

Com duração superior a 3 horas, este foi meu 4º (excelente) show em menos de 48 horas. É possível que o fim da gig tenha sido igual à meia hora inicial, com a projeção e o som ambiente “music for elevators” que ouvi já de dentro do banheiro.

Esteja  você em Baltimore, San Luis Obispo, Lisboa, Florianópolis, Rio de Janeiro, Miami, Júpiter ou wherever, se vir o anúncio não deixe da assistir ao show do Steven Wilson. Com ou sem o Porcupine Tree.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

... mas não perde a piada


Ele era meu Amigo havia muito tempo.
Ela era minha Namorada havia pouco tempo.
Os prefixos dos celulares de ambos eram os mesmos.
Natural, portanto, que ao telefonar para ela certo dia eu me confundisse e inadvertidamente ligasse para ele.
- “Alô.”
Estranhei aquela voz masculina. Titubeante, perguntei:
- “A Sicrana está?”
Ele entendeu rápido a situação, e mandou:
- “Ela está com a boca cheia!...”

(22/mai/2013)

terça-feira, 21 de maio de 2013

VAN DER GRAAF GENERATOR (ou quase) na Virada Cultural SP 2013 (3 de 3)


(Palco São João, domingo 19 de maio de 2013, 18hs)

Quando eu soube, foi difícil acreditar: DAVID JACKSON iria tocar na virada Cultural! O saxofonista de meu venerado VAN DER GRAAF GENERATOR, banda progressiva que considero a mais complexa de se entender e gostar. Cabem algumas explicações: egresso dos anos 70 (claro), o VdGG era formado por 2 tecladistas, um baterista e este saxofonista. Sempre tive imensa dificuldade em alcançar a profundidade de suas músicas, sendo que no caso de alguns álbuns cheguei a levar décadas para entender (parcialmente); no caso de outros, continuo tentando! O que acaba sendo um alívio no marasmo que se tornou a Música, que se soma à covardia de bandas antigas e famosas ainda em atividade que repetem ad nauseam setlists exauridos há décadas.

O grande gênio e mentor é (pois o VdGG continua ativo) o compositor Peter Hammill. David Jackson deixou a Banda em 2006, e eu não tinha idéia do que passou a fazer a partir de então.

Terminado o show do NEKTAR, eu dispunha de um intervalo de 30 minutos. Dos banheiros químicos mais próximos escorria um volumoso carpete de urina, exalando um odor de uréia que deixava a área inaproximável. Em busca de banheiros menos entupidos e fétidos acabei vagando pela Avenida São João. Damas da noite, travestis e demais habitueés faziam suas festas, passeando, bebericando, curtindo, acompanhando os eventos. Muitos casais homo, talvez a maioria. Parei no simpático boteco Cantinho da Mesquita onde uma TV passava ao vivo os 15 minutos finais de Santos x Corinthians, a final do Paulistão. Pedi minha bebida de sempre (vodka com suco de maracujá coado e açúcar), que o barman “deixa comigo!” preparou nas seguintes proporções: meio copo (dos grandes) com maracujá coado, açúcar e gelo; e o restante meio copo (dos grandes) de smirnoff. Desnecessário dizer que 6 horas mais tarde eu ainda estava bêbado... Encontrei um cara com uma camiseta do Van der Graaf. -“Como você conseguiu?”, perguntei estupefacto (pois não encontro camisetas deles nem em Londres); “mandei fazer, é claro!” foi a resposta, é claro. Estava acompanhado por um corinthiano que deixou de ver a Final para assistir NEKTAR e DAVID JACKSON:
- “Perder isto? COMO???”

Acompanho o jogo até o fim, saio do Cantinho da Mesquita e me dirijo ao palco com sua exígua audiência. Vejo outro cara com outra camiseta do Van der Graaf, me aproximo e repito a pergunta: -“Como você conseguiu?”. A roda de amigos se abre e lá estão os mesmos dois que eu encontrara no boteco. -“Olha ele aí de novo!”, me saúdam, e o que se segue é uma saraivada: -“Ele é a cara do Peter Hammill!”; “vamos tirar uma foto com o Peter Hammill”, etc. Já fui confundido com o Ritchie em um show do Marcelo Nova, agora virei Peter Hammill. (E a resposta a minha pergunta foi a mesma: -“Mandei fazer, é claro”. É claro.)

Às 18h15m, David Jackson e a italiana ALEX CARPANI BAND ocupam o palco. A Itália foi o país onde o VdGG fez mais sucesso. Não gosto de sax (que chamo de “cornetas”), mas não sabia que existiam tantas lágrimas dentro de mim até ver e ouvir David Jackson tocando a 10 metros de distância. Tocavam Van der Graaf Generator; era um show de covers somente de músicas do VdGG!!!

Ao final da primeira música, a platéia grita algo que jamais imaginei ouvir (ou gritar):
- “AUMENTA O SAX!”
Apresentações (em italiano):
- “Em homenagem a vocês, hoje estamos com um baixista brasileiro: Gabriel Costa, do VIOLETA DE OUTONO!”

A segunda música é “Sleepwalkers”. A noite cai, a smirnoff sobe, a emoção domina: o show é ESPETACULAR!!! Existe vida inteligente neste Planeta, afinal; e boa parte está concentrada na frente do Palco São João às 19hs deste domingo.

Quase toda grande Banda se baseia em 2 gênios (Page & Plant, Jagger & Richards, McCartney& Lennon), e o VdGG tinha Peter Hammill & - agora descubro - David Jackson. Não eram apenas as composições, afinal; a interpretação do corneteiro fazia TODA a diferença na música do Van der Graaf. Pois aqui os arranjos com uma banda completa (incluindo guitarra e baixo) e com uma galera jovem e cheia de energia mostra que o movimento de Mr. Jackson foi brilhante: as versões são nada menos do que primorosas, e o show é entusiasmante. Evidencia que Peter Hammill é o maior gênio musical de nossas existências. Tocam “Refugees”, e o que já era um choro descontrolado se torna convulsivo. Jamais chorei tanto em um show, jamais fiquei tão completamente emocionado. Muita gente nova olha mais para mim do que para o palco, e imagino que esteja imaginando: “what the fuck?!?”.

Foi uma demonstração de extrema coragem e conhecimento dos organizadores da Virada trazerem o NEKTAR e o DJ+ACB=VdGG; minha gratidão e reconhecimento.

David brinca com a platéia:
- “We were told not to mention Argentina here...”

Tocam “Killer”. David toca 2 saxofones simultaneamente - sua marca registrada - quase o tempo todo.

Entram então os mais de 10 minutos de “Man-Erg”. A música de minha vida, com sua melodia gloriosa e letra idem (♫♪♫ “The Killer lives inside me... / The Angel lives inside me... / I too, live inside me...” ♫♪♫) . Meu coração não resiste. Estou morto. A partir daí você pode até pensar que está conversando comigo, mas se engana: marcio ficou naquela platéia, naquele show, naquele palco. O marcio (se) acabou ali.

No solo de bateria, toda a banda se abaixa, senta, ajoelha, para que somente o batera seja visto; belo gesto.

O genial bis encerra com “Theme One” e David comanda a platéia: tocando uma flauta quase infantil, faz com que todos cantem o lá,lá-lá-lá-lá-lá do ritmo original da canção; e então ele nos acompanha! Absolutamente simples, majestoso e tocante; absolutamente lindo.

O show acaba às 19h40m. A Virada já terminou, os banheiros químicos já foram retirados, sigo para a Praça da Bandeira em busca dos ônibus mas o Centro já está bastante deserto e começa a ser ameaçador. Após 2 shows deste quilate seguidos, estou emocionalmente destroçado.

Ouça “Refugees”, ouça “Man-Erg”, e você conhecerá Van der Graaf Generator. Conhecerá Peter Hammill.

Me conhecerá.


(Nota 1: não saiu NENHUMA nota no jornal sobre estes dois shows primorosos, seja antes ou depois dos eventos, ilustrando aquela consideração sobre a dificuldade em encontrar vida inteligente neste Planeta.)

(Nota 2: eu sei que “inaproximável” não existe, mas é a palavra que melhor exprime aqueles banheiros.)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

NEKTAR na Virada Cultural SP 2013 (2 de 3)


(Palco São João, domingo 19 de maio de 2013, 16hs)

Chego ao cruzamento de São João com Ipiranga às 16h15m, a tempo de ouvir os maravilhosos acordes iniciais da espetacular “A Tab In The Ocean” serem executados no palco que ainda dista 500 metros. Que diferença para o (excelente) show de Sidney Magal na véspera, às 23hs no Largo do Arouche. Temperatura outonal agradabíssima (ontem estava frio), sem o clima pesado de posso-ser-assaltado-a-qualquer-momento da véspera, quando as ruas estavam entupidas de pessoas, muitas das quais com aparência francamente ameaçadora - e em enormes grupos espalhados por todos os cantos e buracos. Para hoje eu imaginava que em se tratando de uma Banda Progressiva inglesa que fez sucesso principalmente na Alemanha nos anos 70, tocando no mesmo horário da final do Campeonato Paulista, eu seria o ÚNICO na frente do palco. Mas não: à medida que me aproximo, noto que as talvez mil pessoas estão deslumbradas com o que ouvem. Uma platéia principlamente da minha idade, ou quase

Sem as “liquid lights”, o NEKTAR é atualmente um quarteto. ROYE ALLBRIGHTON, fenomenal guitarrista e vocalista, membro fundador, ocupa o centro do palco e da música. O NEKTAR é a Banda Progressiva que melhor consegue ter a guitarra como instrumento principal; de maneira geral, quando o guitarrista é também o cantor e principal compositor em uma banda de Rock Progressivo, ele tende a querer se sobressair, e sua banda acaba se tornando mero suporte para toneladas de Ego. Outro membro fundador é o baterista RON HOWDEN. O tecladista alemão KLAUS (“I am an oldschool keyborder”) HENATSCH e o baixista LUX VIBRATUS (que parece saído do System Of A Down) completam a formação que hipnotizou a platéia por 80 minutos.

Foram apenas 6 músicas:
1. A Tab In The Ocean
2. (- “From the same album:”) Desolation Valley
3. (- “Remember that song, many years ago?”) Remember The Future - versão com 35 minutos!
4. Crying In The Dark / King Of The Twilight
5. Preacher
6. Recycled part 1

Durante boa parte do show fico a uns 20 metros do palco, ao lado de um pós-puberdade que tem interesse em saber o máximo a respeito daquela Banda. A certa altura, ele comenta:
- “Eu poderia ir embora agora, e este já teria sido o melhor show de minha vida!”

À minha esquerda, uma lourinha de seus 20 anos shakira-style, uma graça, dançando o show inteiro. Está com uma amiga morena baranga-style. A alturas tantas, as duas vão dançar à minha frente. Mais alguns minutos... e começam a se atracar e beijar, chupão-desentope! Impressiona a quantidade de casais de mesmo sexo nesta Virada Cultural: heterossexual, me tornei minoria...
  
Guitarra altíssima, excelente mixagem para um open-air. O final do show é uma PANCADARIA sonora absolutamente espetacular! Acabo a gig a 5 metros do palco. Ávida e inculta, a platéia brasileira grita: - “More one!”

Mas a organização do evento não pode dar mole: mais alguns minutos e teremos DAVID JACKSON & ACB (da Itália) tocando covers do VAN DER GRAAF GENERATOR!


sexta-feira, 17 de maio de 2013

O final de “Salve Jorge”


 Meu final perfeito e coerente para a novela Salve Jorge. Não vai ser nada disto, é claro!

Mustafá e Morena ficam juntos: foi ele o verdadeiro salvador dela, batalhando, se empenhando e se arriscando por ela; the knight in shining armour.

Lívia (Claudia Raia) e Theo (Raj) ficam juntos: se completam, são dois calhordas absolutos! Theo traiu quase todas as mulheres da novela!

Flavia Alessandra (Tenente Erica) fica com Fernanda Paes Leme (Tenente-veterinária Marcia): um casal sólido, unido e confiável que se formou desde o início da novela.

Russo e Rosângela ficam juntos. Foram os melhores personagens – ou melhor, os únicos inteligentes e de interesse neste desastre de ópera-sabão. Objetivos, eficientes, com visão clara do que era necessário fazer a cada momento.

O chefão da “gang internacional de tráfico de pessoas” – acima da Lívia – é o Adam (Duda Ribeiro), que através do disfarce de Serviçal sempre acompanhou sua operação de perto e de dentro. (O Coronel Nunes (Oscar Magrini) seria uma excelente alternativa.)

A Aisha se reconcilia com sua chiquérrima Mãe Berna (Zezé Polessa), que passou a vida lutando por ela.

E a Delegada Hellôôô vai trabalhar em “Malhação” para aprender que interpretar é muito mais do que trejeitos, caras, bocas, gestos exagerados e um figurino pra lá de cafona. Ô atriz canastrona!!!


(16/mai/13)