O pipocar de trechos e idéias de “Um Panda Em Saturno” em outros lugares sem o devido crédito, além trazer um profundo desânimo, nos leva a divagar sobre o que passa pela cabeça de quem assim procede.
Como raciocina a pessoa que publica texto e idéias de outro, assumindo-os como próprios?
Trata-se de um “autor” que está mais preocupado com a opinião dos outros sobre aquilo que ele não é, do que com a própria opinião sobre aquilo que ele sabe que é.
Caráter é algo binário. Ou a pessoa tem, ou não tem.
(abr/2011)
sábado, 30 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Rodinha de Violão (2)
Quem me conhece minimamente sabe que sou completamente apaixonado por guitarras. Mas apesar das insistências, jamais tive o menor interesse em aprender a tocar uma. E o show 360º do U2 finalmente me fez ver o motivo. A primeira música do bis foi “One”, executada pelo guitarrista e o vocalista sozinhos no (espetacular) palco. Fiquei vendo aquilo e pensando em quantas vezes já assisti semelhante cena ao vivo. E que ela não deixa de ser, no fundo, uma das “rodinhas de violão” que tanto abomino. Ponderei então que se eu já vi esta cena milhares de vezes, os Músicos de uma Banda já a viveram milhões de vezes! Para ser Músico é necessário gostar disto: de passar e repassar infindáveis rodinhas de violão. Assim, é claro que eu jamais poderia ser Músico! Fica portanto esclarecido o porquê de eu não gostar de rodas de violão. É exatamente o mesmo motivo de nunca ter querido encarar aulas de guitarra. É o mesmo motivo de eu não conseguir batucar um simples bumbo de forma cadenciada e ritmada. É porquê é necessário ter alma de Músico. Nota: Dizem que Jazz é a música dos músicos. Eis aí a prova irrefutável de que eu, definitivamente, não sou Músico MESMO!!! (abr/2011)
segunda-feira, 11 de abril de 2011
O Velho Cavalheiro
“Você está Velho quando quer ser Cavalheiro – e não consegue!”
Eu já vivi isto, e é terrível. Tinha tido uma fratura dupla no úmero devido a uma queda de moto; fui operado e me “instalaram” um pino de 17cm no braço com 5 parafusos transversais (cuja previsão de remoção é: em minha exumação). Passei longo período com o braço imobilizado e com dores atrozes, e ao entrar em um ônibus ou metrô precisava sentar logo para não arriscar um esbarrão involuntário que seria devastador para o recém-instalado braço biônico. E lá ficava eu sentado, imobilizado; e de vez em quando via uma Dama ou Senhora ou Senhor de pé, procurando algum cavalheirismo... e eu não podia oferecer meu lugar. Você se sente realmente ACABADO! (abr/2011)
Eu já vivi isto, e é terrível. Tinha tido uma fratura dupla no úmero devido a uma queda de moto; fui operado e me “instalaram” um pino de 17cm no braço com 5 parafusos transversais (cuja previsão de remoção é: em minha exumação). Passei longo período com o braço imobilizado e com dores atrozes, e ao entrar em um ônibus ou metrô precisava sentar logo para não arriscar um esbarrão involuntário que seria devastador para o recém-instalado braço biônico. E lá ficava eu sentado, imobilizado; e de vez em quando via uma Dama ou Senhora ou Senhor de pé, procurando algum cavalheirismo... e eu não podia oferecer meu lugar. Você se sente realmente ACABADO! (abr/2011)
domingo, 10 de abril de 2011
Job Description
Upesa não tinha autorização para revelá-lo, mas mesmo sabendo que haveria uma punição expôs sua Missão naquele Planeta.
Simplesmente observar. Analisar. Estar de olho. Em tudo.
Upesa estará na porta da Próxima Etapa (Valhala, Nirvana, Céu, Paraíso, Whatever) determinando quem passa e quem volta para mais uma rodada no Vale:
- "Você entra."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você entra."
- "Você volta."
- "Você volta."
Upesa ressalta:
- "Muitos serão os chamados, mas poucos os Escolhidos".
E completa:
- “No que depender de mim, pouquíssimos!”
(mar/2011)
Simplesmente observar. Analisar. Estar de olho. Em tudo.
Upesa estará na porta da Próxima Etapa (Valhala, Nirvana, Céu, Paraíso, Whatever) determinando quem passa e quem volta para mais uma rodada no Vale:
- "Você entra."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você entra."
- "Você volta."
- "Você volta."
Upesa ressalta:
- "Muitos serão os chamados, mas poucos os Escolhidos".
E completa:
- “No que depender de mim, pouquíssimos!”
(mar/2011)
sábado, 9 de abril de 2011
Virgin Again
Um Amigo comenta que “depois do advento do silicone, todos os Homens voltaram a ser virgens de novo, até que peguem uma ‘turbinada’”!
Faz sentido!
(abr/2011)
Faz sentido!
(abr/2011)
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Velvet Goldmine
Temos a oportunidade de assistir a duas horas de aula de História recente ao som de uma requintada trilha sonora: "Velvet Goldmine" está em exibição em um restritíssimo circuito de cinemas.Trata-se da história romanceada de algumas figuras cruciais do "glam rock" andrógino do início dos anos 70, focando o então genial David Bowie e o vulcão permanentemente ativo Iggy Stooge (hoje "Pop"). Um terceiro personagem engloba o que seria Andy Warhol com um "molho" de Marc Bolan e Brian Ferry.
A caracterização de Bowie é perfeita, mas a performance de palco de Ewan McGregor como Iggy é absolutamente antológica. Ele já arrasara em "Star Wars - Episode I", e não fosse eu um limitado heterosexual, já estaria apaixonado pelo cabra. Seu mise-en-scène executando "TV Eye" é puro Iggy nas veias, e ali vemos o nascimento do rock mais visceral do planeta. Quem acha que existe criatividade na música / performance atuais precisa ver Bowie de joelhos no palco frente a Mick Ronson, agarrando-o pela bunda e chupando louca e desenfreadamente sua guitarra em uma das mais célebres cenas da história do Rock, aqui reproduzida à perfeição.
Estas duas seqüências já valeriam o filme inteiro, mas também a trilha sonora é primorosa: 3 músicas do primeiro disco do Roxy Music (incluindo "Ladytron" e "Virginia Plain"), 3 do primeiro Brian Eno (com uma longuíssima sessão da alucinógena "Baby's on Fire"), 3 do T. Rex (uma incendiária versão da incendiária "20th Century Boy"), "Satellite of Love" do chatinho Lou Reed; "Gimme Danger" e a já citada "TV Eye" de Iggy, e muitos etcs, em versões originais e/ou regravações à altura - ou ainda mais altas.Não se deixe levar por minhas palavras, no entanto. O filme chega a ser boring, e meu entusiasmo se deve à trilha sonora formada por puro delicatessen. Para pesquisadores, apreciadores, dinossauros e alucinados, trata-se de película obrigatória (com no mínimo algumas cervejas na mochila); mas para quem estiver satisfeito e acreditar que acontece muita coisa inteligente no panorama musical atual, é preferível se manter na felicidade da ignorância e continuar achando que existe alguma espécie de vida neste limbo povoado por zumbis...
Saudações at the loudest volume!
(01/fev/2000)
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Marcio com uma Borboleta em Cima
É facultada aos nomes próprios a não-obediência às regras gramaticais. Talvez porque o Escrivão tenha grafado o nome incorretamente, quiçá porque os Pais assim o tenham preferido, mas a grafia “oficial” – e, por definição, correta – será sempre aquela da Certidão de Nascimento.
Pelas regras gramaticais meu nome deveria ser acentuado – mas não é. Desta forma, já passei mais de meio século corrigindo quem o grafa em consonância com o bom português (- “Não tem acento!”). Com o tempo me acostumei a ver o nome escrito com um borrão em cima da vogal tônica: todo mundo coloca o acento, e ao se lembrarem posteriormente que vou buzinar em seus ouvidos “não tem acento!”, as pessoas o rabiscam ou borram.
A melhor solução foi dada pela Prima Dani G: ela também esquece sempre – mas quando cai em si, transforma aquele acento agudo em uma borboleta!
Com isto, acostumei-me a não acentuar NENHUM nome próprio: afinal (talvez por trauma pessoal) considero preferível “esquecer” de colocar um acento a colocá-lo onde não existe.
Desta forma, tenho uma proposta singela para resolver este tipo de problema: nenhum nome levaria acento! (À exceção dos diferenciais ou enfáticos e necessários para uma correta pronúncia: “Tomás” para evitar que o garoto seja chamado de “Thomas”, por exemplo). Com isto não haveria risco de erro, e todos escreveriam corretamente o nome de todos.
Uma sugestão lógica e simples.
Portanto, é claro que não vai pegar!...
(mar/2011)
Pelas regras gramaticais meu nome deveria ser acentuado – mas não é. Desta forma, já passei mais de meio século corrigindo quem o grafa em consonância com o bom português (- “Não tem acento!”). Com o tempo me acostumei a ver o nome escrito com um borrão em cima da vogal tônica: todo mundo coloca o acento, e ao se lembrarem posteriormente que vou buzinar em seus ouvidos “não tem acento!”, as pessoas o rabiscam ou borram.
A melhor solução foi dada pela Prima Dani G: ela também esquece sempre – mas quando cai em si, transforma aquele acento agudo em uma borboleta!Com isto, acostumei-me a não acentuar NENHUM nome próprio: afinal (talvez por trauma pessoal) considero preferível “esquecer” de colocar um acento a colocá-lo onde não existe.
Desta forma, tenho uma proposta singela para resolver este tipo de problema: nenhum nome levaria acento! (À exceção dos diferenciais ou enfáticos e necessários para uma correta pronúncia: “Tomás” para evitar que o garoto seja chamado de “Thomas”, por exemplo). Com isto não haveria risco de erro, e todos escreveriam corretamente o nome de todos.
Uma sugestão lógica e simples.
Portanto, é claro que não vai pegar!...
(mar/2011)
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Tão Sábios Quanto a Pulga
Impressiona a arrogância de nossa Raça.
Uma bactéria mora em uma pulga, e que acha que a pulga é Deus.
Uma pulga mora em um cachorro, e acha que o cachorro é Deus.
Um cachorro mora com um Ser Humano, e acha que o Ser Humano é Deus.
Quanta pretensão acharmos que a próxima etapa da cadeia acima do Homem é o próprio Deus! Quanta falta de visão e de análise crítica! Achar que esta Raça é o que mais se aproxima da perfeição, e do Divino!
Nos falta humildade. Olhar para baixo e à volta, e não apenas para cima. É mais do que óbvio que somos apenas um elo de uma cadeia infinita.
Pensamos igualzinho às pulgas. Não somos nem um pouco mais sábios do que elas.
(mar/2011)
Uma bactéria mora em uma pulga, e que acha que a pulga é Deus.
Uma pulga mora em um cachorro, e acha que o cachorro é Deus.
Um cachorro mora com um Ser Humano, e acha que o Ser Humano é Deus.
Quanta pretensão acharmos que a próxima etapa da cadeia acima do Homem é o próprio Deus! Quanta falta de visão e de análise crítica! Achar que esta Raça é o que mais se aproxima da perfeição, e do Divino!
Nos falta humildade. Olhar para baixo e à volta, e não apenas para cima. É mais do que óbvio que somos apenas um elo de uma cadeia infinita.
Pensamos igualzinho às pulgas. Não somos nem um pouco mais sábios do que elas.
(mar/2011)
terça-feira, 5 de abril de 2011
TV em Local Público
Existe pouca – se é que existe alguma – inteligência devotada à escolha do canal que será colocado no ar em um aparelho de televisão em local público.
É premissa básica que uma TV em local público não deverá ter som (nenhum volume!), sob pena de transtornar o ambiente e atrapalhar as conversas.
Portanto, o que vai ser exibido deve ser compreensível somente através de imagem, sem som.
TV em local público deveria apresentar programas de Natureza e Animais. Ou outros programas com belas imagens de viagens e paisagens. Clips de música costumam ter visual interessante, mesmo sem o som. Futebol pode, se for ao vivo. Programas jornalísticos vá lá, mas só com “closed caption”.
Agora... novela?!? Programa de auditório?!? Mini-série?!? BBB e afins?!? Filme?!?
FAUSTÃO?!?!?!?
(mar/2011)
É premissa básica que uma TV em local público não deverá ter som (nenhum volume!), sob pena de transtornar o ambiente e atrapalhar as conversas.
Portanto, o que vai ser exibido deve ser compreensível somente através de imagem, sem som.
Ou então ter um visual bonito, dispensando a narrativa.
Já vi até o Programa do Faustão sendo transmitido para estrangeiros que chegavam ao Brasil na fila de espera da Polícia Federal!
Alguma coisa pode ser mais deprimente do que isto? Após uma viagem de 10 ou 12 horas, chegar ao novo e excitante País de destino de suas férias... e ficar vendo o FAUSTÃO como “boas-vindas” na TV?
Já vi até o Programa do Faustão sendo transmitido para estrangeiros que chegavam ao Brasil na fila de espera da Polícia Federal!
Alguma coisa pode ser mais deprimente do que isto? Após uma viagem de 10 ou 12 horas, chegar ao novo e excitante País de destino de suas férias... e ficar vendo o FAUSTÃO como “boas-vindas” na TV?TV em local público deveria apresentar programas de Natureza e Animais. Ou outros programas com belas imagens de viagens e paisagens. Clips de música costumam ter visual interessante, mesmo sem o som. Futebol pode, se for ao vivo. Programas jornalísticos vá lá, mas só com “closed caption”.
Agora... novela?!? Programa de auditório?!? Mini-série?!? BBB e afins?!? Filme?!?
FAUSTÃO?!?!?!?
(mar/2011)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Sai Desta Vida!
Se você é um Engenheiro com Pós-Graduação em Economia de Empresas e Mestrado (strictu senso) em Administração Financeira, muito provavelmente estará trabalhando na Área Financeira de uma grande instituição financeira internacional. E como é sua vida profissional?
Nada é mais sensível para Empresas e Países (e até para domicílios) do que a Liquidez. Assim, em qualquer sacolejo – por mínimo que seja – da Economia local ou internacional, você certamente é instado por agentes externos a gerar uma penca de relatórios novos, urgentes, complicados e difíceis, e que fazem pouco ou nenhum sentido para a sua Instituição. Tais relatórios nascem como provisórios, temporários, mas você já não se ilude mais, não é mesmo? Apesar de serem inúteis, eles vieram para ficar. Alguns perrengues a mais em sua carregada rotina diária – mas , como se diz nas Áreas de Controle Financeiro, “o que é uma bolha para quem está ensaboado?”(1).
O Federal Reserve inventa um novo relatório para a Filial canadense de sua instituição? Você terá que replicá-lo, afinal “somos uma instituição mundial”.
Você é um “Latin America Manager”? Que ótimo! Pena que o que isto realmente signifique na prática é que você precisa consolidar reportes de Trinidad Tobago, Honduras, El Salvador, Jamaica e Guatemala. É claro que cada um vem em um formato diferente, e contendo dados completamente díspares e incompatíveis.
Resolvido um “issue” de Information Security na Argentina? Bom! Mas como são eles os responsáveis pela padronização da Segurança da Informação para toda a América do Sul, logo a solução se espalha compulsoriamente por todo o continente – mesmo que não tenha nada a ver com as rotinas, procedimentos e necessidades do seu País.
O sistema que deveria ter rodado às 03h48m não baixou adequadamente os dados em função de uma não-informada manutenção no programa, e que ficou incompleta. Como conseqüência, o sistema que roda às 04h12m puxou dados da antevéspera, que alimentaram o sistema das 05h03m. Isto gera um relatório que segue a regra “o problema dos processos serem automáticos é que os problemas também são automáticos”(2). Mas é claro que ninguém te avisa que ocorreram tais "não-conformidades" na madrugada (na verdade, nem sabem!), e você só consegue detectar o problema após ter executado suas rotinas diárias e ter gerado um relatório final completamente sem sentido, perto da hora do almoço.
Você precisa de um relatório novo. Pede à Área de Sistemas, que após 3 reuniões de especificação levará 3 meses para te retornar uma proposta que não atende às suas necessidades. Acontece que “os sistemas que vão gerar seu relatório utilizam uma contabilização customizada e diferente da usual, para atender a uma demanda de Fulano em mil novecentos e bolinha”. E ainda por cima “não é possível segregar os clientes que você necessita, pois seria necessário um campo alfanumérico adicional e para tanto será preciso fazer uma manutenção em todo o programa”. O custo é $$$, altíssimo. Enquanto busca uma solução, sua Área desenvolve uma planilha que fornece o resultado desejado. Sob pressão, você não tem outra alternativa e passa a utilizá-la – mas cuidado com a Auditoria, pois planilhas não são aceitas e você pode vir a ser formalmente repreendido.
Se sua vida profissional é parecida com isto, eu tenho uma sugestão para você. Ela está nas Empresas menores. Em Escritórios, Escolas, Agências ou Sociedades, por exemplo.
As empresas menores usualmente terão crescido através da composição / congregação / agregação de diversos sócios que foram se juntando ao longo dos anos, e que subitamente se descobrem com uma grande estrutura de enorme know-how em sua área específica de atuação porém com pouca experiência administrativa-financeira. Eles provavelmente têm uma Área Administrativa e Financeira, e também um Escritório de Contabilidade que lhes atende as necessidades básicas; mas não dispõem de conhecimento específico em Planejamento, Orçamento, Projeções, Sistemas de Informações, Relatórios, critérios de alocação e avaliação, enfim, lhes falta aquilo que é o seu sangue, meu caro Engenheiro com Pós-Graduação em Economia de Empresas e Mestrado (strictu senso) em Administração Financeira. Se você fôr trabalhar lá, será como juntar a fome com a vontade de ser comido!
O que você encontra em uma empresa assim? Possivelmente um ambiente elegantérrimo. Pessoas finas, bem vestidas, que sabem falar muito bem – e falam baixo; móveis impecáveis, talvez várias salas de reunião para receber Clientes, Imprensa e Políticos; quem sabe até copeiras que às 16hs prepararão uma farta mesa de frutas descascadas e sem caroço, porque é bom para a sua saúde. Máquina de café expresso. E com localização possivelmente privilegiada.
Mas o mais importante é a necessidade de informação útil. Serão profissionais ávidos por informação consistente, organizada, e que os ajude a melhor gerir o seu negócio. E tal informação estará lá, dormente, crua, somente aguardando que alguém carinhosamente a colha, recolha, estude, compreenda, estruture e apresente. Você fará análises de Lucratividade, de desempenho de Áreas, de custos individuais, de rentabilidade de clientes, contratos e serviços, determinará Metas, alocará custos, fará a festa. É seu ambiente, você é o Senhor dos Números (até os Servidores são seus!) – e o melhor é que é exatamente isto que esperam de você.
Você finalmente se tornou um Executivo útil. Finalmente o Trabalho faz sentido.
(Como fringe benefit, as Mulheres – maquiadas, perfumadas e de saias – se vestem maravilhosamente!...)
Meu caro Engenheiro: saia desta vida. Vá oferecer seus serviços de Consultoria em uma Empresa de menor porte.
Todo Mundo sai ganhando...
(1) e (2): as expressões originais não são exatamente estas, mas quem as conhece sabe do que estou falando...
(mar/2011)
Nada é mais sensível para Empresas e Países (e até para domicílios) do que a Liquidez. Assim, em qualquer sacolejo – por mínimo que seja – da Economia local ou internacional, você certamente é instado por agentes externos a gerar uma penca de relatórios novos, urgentes, complicados e difíceis, e que fazem pouco ou nenhum sentido para a sua Instituição. Tais relatórios nascem como provisórios, temporários, mas você já não se ilude mais, não é mesmo? Apesar de serem inúteis, eles vieram para ficar. Alguns perrengues a mais em sua carregada rotina diária – mas , como se diz nas Áreas de Controle Financeiro, “o que é uma bolha para quem está ensaboado?”(1).
O Federal Reserve inventa um novo relatório para a Filial canadense de sua instituição? Você terá que replicá-lo, afinal “somos uma instituição mundial”.
Você é um “Latin America Manager”? Que ótimo! Pena que o que isto realmente signifique na prática é que você precisa consolidar reportes de Trinidad Tobago, Honduras, El Salvador, Jamaica e Guatemala. É claro que cada um vem em um formato diferente, e contendo dados completamente díspares e incompatíveis.
Resolvido um “issue” de Information Security na Argentina? Bom! Mas como são eles os responsáveis pela padronização da Segurança da Informação para toda a América do Sul, logo a solução se espalha compulsoriamente por todo o continente – mesmo que não tenha nada a ver com as rotinas, procedimentos e necessidades do seu País.
O sistema que deveria ter rodado às 03h48m não baixou adequadamente os dados em função de uma não-informada manutenção no programa, e que ficou incompleta. Como conseqüência, o sistema que roda às 04h12m puxou dados da antevéspera, que alimentaram o sistema das 05h03m. Isto gera um relatório que segue a regra “o problema dos processos serem automáticos é que os problemas também são automáticos”(2). Mas é claro que ninguém te avisa que ocorreram tais "não-conformidades" na madrugada (na verdade, nem sabem!), e você só consegue detectar o problema após ter executado suas rotinas diárias e ter gerado um relatório final completamente sem sentido, perto da hora do almoço.
Você precisa de um relatório novo. Pede à Área de Sistemas, que após 3 reuniões de especificação levará 3 meses para te retornar uma proposta que não atende às suas necessidades. Acontece que “os sistemas que vão gerar seu relatório utilizam uma contabilização customizada e diferente da usual, para atender a uma demanda de Fulano em mil novecentos e bolinha”. E ainda por cima “não é possível segregar os clientes que você necessita, pois seria necessário um campo alfanumérico adicional e para tanto será preciso fazer uma manutenção em todo o programa”. O custo é $$$, altíssimo. Enquanto busca uma solução, sua Área desenvolve uma planilha que fornece o resultado desejado. Sob pressão, você não tem outra alternativa e passa a utilizá-la – mas cuidado com a Auditoria, pois planilhas não são aceitas e você pode vir a ser formalmente repreendido.
Se sua vida profissional é parecida com isto, eu tenho uma sugestão para você. Ela está nas Empresas menores. Em Escritórios, Escolas, Agências ou Sociedades, por exemplo.
As empresas menores usualmente terão crescido através da composição / congregação / agregação de diversos sócios que foram se juntando ao longo dos anos, e que subitamente se descobrem com uma grande estrutura de enorme know-how em sua área específica de atuação porém com pouca experiência administrativa-financeira. Eles provavelmente têm uma Área Administrativa e Financeira, e também um Escritório de Contabilidade que lhes atende as necessidades básicas; mas não dispõem de conhecimento específico em Planejamento, Orçamento, Projeções, Sistemas de Informações, Relatórios, critérios de alocação e avaliação, enfim, lhes falta aquilo que é o seu sangue, meu caro Engenheiro com Pós-Graduação em Economia de Empresas e Mestrado (strictu senso) em Administração Financeira. Se você fôr trabalhar lá, será como juntar a fome com a vontade de ser comido!
O que você encontra em uma empresa assim? Possivelmente um ambiente elegantérrimo. Pessoas finas, bem vestidas, que sabem falar muito bem – e falam baixo; móveis impecáveis, talvez várias salas de reunião para receber Clientes, Imprensa e Políticos; quem sabe até copeiras que às 16hs prepararão uma farta mesa de frutas descascadas e sem caroço, porque é bom para a sua saúde. Máquina de café expresso. E com localização possivelmente privilegiada.
Mas o mais importante é a necessidade de informação útil. Serão profissionais ávidos por informação consistente, organizada, e que os ajude a melhor gerir o seu negócio. E tal informação estará lá, dormente, crua, somente aguardando que alguém carinhosamente a colha, recolha, estude, compreenda, estruture e apresente. Você fará análises de Lucratividade, de desempenho de Áreas, de custos individuais, de rentabilidade de clientes, contratos e serviços, determinará Metas, alocará custos, fará a festa. É seu ambiente, você é o Senhor dos Números (até os Servidores são seus!) – e o melhor é que é exatamente isto que esperam de você.
Você finalmente se tornou um Executivo útil. Finalmente o Trabalho faz sentido.
(Como fringe benefit, as Mulheres – maquiadas, perfumadas e de saias – se vestem maravilhosamente!...)
Meu caro Engenheiro: saia desta vida. Vá oferecer seus serviços de Consultoria em uma Empresa de menor porte.
Todo Mundo sai ganhando...
(1) e (2): as expressões originais não são exatamente estas, mas quem as conhece sabe do que estou falando...
(mar/2011)
domingo, 3 de abril de 2011
Vive la Différence!
Considero que a
diferença entre andar sobre 4 rodas e sobre 2 rodas
é a mesma
diferença entre andar sobre 4 patas e sobre 2 patas.
sábado, 2 de abril de 2011
Índio Não Quer Apito
Alguém me conta que quando jogam futebol, os Índios só acabam uma partida quando o jogo está empatado.
Não sei se é verdade.
Mas é genial!
(Qual é a graça? O próprio jogo! Quando jogo futebol de botões, prefiro perder por 4x3 do que ganhar por 1x0...)
(mar/2011)
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Talpidae Curiae
Uma enorme lição de humildade para um Engenheiro é assistir à transmissão ao vivo de uma sessão plenária do STF em meio a um entusiasmado grupo de Advogados lá representados por um ícone da profissão.
Eu vivi tal situação, e confesso que não entendia absolutamente nada do que ia sendo dito. Após a sustentação vieram as réplicas, tréplicas, pareceres e votos, e eu nem mesmo sabia se a posição dos demais contendores era favorável ou contrária àquela que defendíamos!
Ao menos o evento serviu para que eu aprendesse o significado da expressão “Amicus Curiae”, ou “Amigo da Corte”: era esta a posição que o tal grupo de Advogados ocupava na plenária. O “Amigo da Corte” é uma parte não diretamente envolvida em um caso, que no entanto se oferece a participar de um processo jurídico para acrescentar dados, visões, insights e pareceres. Enfim: para enriquecer tal processo.
Fora esta migalha de saber, eu me senti um completo Analfabeto em meio a uma sessão da Academia Brasileira de Letras. “Quanto mais sei, mais sei que nada sei” nunca foi mais respaldado do que neste caso. Nada sei, mesmo!
Uma completa e rematada toupeira.
A Toupeira da Corte!
(31/mar/2011)
Eu vivi tal situação, e confesso que não entendia absolutamente nada do que ia sendo dito. Após a sustentação vieram as réplicas, tréplicas, pareceres e votos, e eu nem mesmo sabia se a posição dos demais contendores era favorável ou contrária àquela que defendíamos!
Ao menos o evento serviu para que eu aprendesse o significado da expressão “Amicus Curiae”, ou “Amigo da Corte”: era esta a posição que o tal grupo de Advogados ocupava na plenária. O “Amigo da Corte” é uma parte não diretamente envolvida em um caso, que no entanto se oferece a participar de um processo jurídico para acrescentar dados, visões, insights e pareceres. Enfim: para enriquecer tal processo.
Fora esta migalha de saber, eu me senti um completo Analfabeto em meio a uma sessão da Academia Brasileira de Letras. “Quanto mais sei, mais sei que nada sei” nunca foi mais respaldado do que neste caso. Nada sei, mesmo!
Uma completa e rematada toupeira.
A Toupeira da Corte!
(31/mar/2011)

quinta-feira, 31 de março de 2011
No Mundo do Totalitarismo Individual
Nada me é mais fascinante do que o Mundo das Idéias.
A única coisa que levaremos quando nos formos deste Mundo – se é que levaremos alguma coisa – serão as idéias que apreendermos nesta curta jornada.
Fico portanto surpreso ao notar uma crescente dificuldade das pessoas em sequer ouvir idéias que sejam diferentes daquelas que já têm obstinadamente enraizadas dentro das próprias cabeças.
Não existe mais espaço para discussões filosóficas e conceituais: todo mundo tem certezas, e os debates se tornaram um confronto quase violento de idéias, ao invés de uma busca comum de esclarecimento pesando-se de forma isenta os diversos lados de uma questão.
Lembremos no entanto que nós não somos uma idéia, apenas a vestimos. Se ouvimos e debatemos um ponto de vista diferente do nosso, podemos vir a concordar ou não com ele. Caso concordemos, é simplesmente desvestir uma idéia e vestir outra; nenhuma perda de substância, integridade ou identidade está envolvida. Não é necessário se exaltar! A troca de idéias e a dicotomia de diferentes pontos de vista são extremamente saudáveis e salutares tanto para nossa existência atual como à posterior.
Mas não é o que se vê. Atualmente, ter uma idéia diferente do outro é quase correr o risco de ser agredido. Pensar diferentemente é um acinte. Não se pode ter opinião diferente quanto ao casamento homoafetivo, quanto à pena de morte, quanto ao vegetarianismo ou quanto ao Radiohead. É pior do que xingar a Mãe do interlocutor!
Um exemplo extremo disto são os violentíssimos confrontos entre as torcidas de times de futebol, que chegam mesmo a ser mortais. Por causa de um jogo!
Lembremos que é exatamente este o conceito de Totalitarismo: querer que todo mundo pense igual.
Além do quê, com esta postura, se abre mão de horizontes mais amplos.
Eu sei que você não concorda.
(mar/2011)
A única coisa que levaremos quando nos formos deste Mundo – se é que levaremos alguma coisa – serão as idéias que apreendermos nesta curta jornada.
Fico portanto surpreso ao notar uma crescente dificuldade das pessoas em sequer ouvir idéias que sejam diferentes daquelas que já têm obstinadamente enraizadas dentro das próprias cabeças.
Não existe mais espaço para discussões filosóficas e conceituais: todo mundo tem certezas, e os debates se tornaram um confronto quase violento de idéias, ao invés de uma busca comum de esclarecimento pesando-se de forma isenta os diversos lados de uma questão.
Lembremos no entanto que nós não somos uma idéia, apenas a vestimos. Se ouvimos e debatemos um ponto de vista diferente do nosso, podemos vir a concordar ou não com ele. Caso concordemos, é simplesmente desvestir uma idéia e vestir outra; nenhuma perda de substância, integridade ou identidade está envolvida. Não é necessário se exaltar! A troca de idéias e a dicotomia de diferentes pontos de vista são extremamente saudáveis e salutares tanto para nossa existência atual como à posterior.
Mas não é o que se vê. Atualmente, ter uma idéia diferente do outro é quase correr o risco de ser agredido. Pensar diferentemente é um acinte. Não se pode ter opinião diferente quanto ao casamento homoafetivo, quanto à pena de morte, quanto ao vegetarianismo ou quanto ao Radiohead. É pior do que xingar a Mãe do interlocutor!
Um exemplo extremo disto são os violentíssimos confrontos entre as torcidas de times de futebol, que chegam mesmo a ser mortais. Por causa de um jogo!
Lembremos que é exatamente este o conceito de Totalitarismo: querer que todo mundo pense igual.
Além do quê, com esta postura, se abre mão de horizontes mais amplos.
Eu sei que você não concorda.
E que vai querer brigar comigo...
(mar/2011)
quarta-feira, 30 de março de 2011
Pena ou Tortura?
Sem entrar no mérito da validade ou não da Pena de Morte, questiono um dos fundamentos considerados em sua discussão.
Quem impôs que a Prisão Perpétua seja mais "digna", "nobre" ou “humana” do que uma Pena de Morte?
Eu certamente consideraria uma tortura de longo prazo ser condenado a 30 anos de privação de liberdade. Passar 30 ou 40 anos enclausurado?!? É ser cozinhado em fogo brando. É tortura medieval!
Se o objetivo é ser “mais humano” com a Pena, honestamente considero mais digno passar logo para outra (confortavelmente instalado em uma câmara de gás), ao invés de ficar encarcerado o resto de minha existência aqui. Não me venham com "critérios humanitários" a favor de 30 anos de reclusão e contra a Pena de Morte: seria o cúmulo da hipocrisia me submeter a tal suplício prolongado alegando "dignidade".
Espero que "Independência ou Morte!" não tenha sido tão-somente uma figura de retórica.
A vida é supervalorizada. Conviver com estas unidades de carbono ilógicas, mesquinhas, piegas, egoístas, irracionais?
Salta uma Pena de Morte no capricho para mim, por favor!
(mar/2011)
terça-feira, 29 de março de 2011
O Lado Bom da Demissão
Demitir uma pessoa é sempre desagradável. Mas existe um aspecto positivo que dificilmente é levado em consideração, pois as partes costumam estar envolvidas com o lado emocional do fato.
Via de regra, um funcionário é demitido por estar performando mal. E este mau desempenho se deve à inadequação à função, à infelicidade com o próprio trabalho ou com a Empresa, a uma insatisfação com suas atividades.
Isto é razoavelmente óbvio: afinal, quem está feliz com sua função, com a Empresa e com suas atividades, não vai performar mal!
No entanto o funcionário insatisfeito tem outros motivos que o levam a se manter aferrado a uma atividade que lhe deixa infeliz. E estes motivos podem ser resumidos em uma só palavra: Segurança. De uma maneira geral somos avessos à mudança, temerários da incerteza. E com isto ficamos acomodados em situações insatisfatórias (o que também acontece com muitos casamentos, mas isto é outro assunto) (aliás é possível estabelecer muitos paralelos entre as vidas Profissional e Sentimental).
Parafraseando Benjamin Franklin, “aquele que troca um pouco de Felicidade por um pouco de Segurança não consegue a Segurança e nem merece a Felicidade”. Prefiro pensar na demissão como um empurrão inconveniente a curto prazo, porém necessário para uma vida melhor a longo. Com um período de turbulência, incerteza e insegurança no meio, sim; todo parto tem sua dor e seu choro. Mas é importante entender que a demissão é um ato liberador para alguém que não está feliz com sua vida. Para cada porta que se fecha, várias se abrem.
Prefiro ver o lado positivo daquilo que é também uma libertação.
(mar/2011)
Via de regra, um funcionário é demitido por estar performando mal. E este mau desempenho se deve à inadequação à função, à infelicidade com o próprio trabalho ou com a Empresa, a uma insatisfação com suas atividades.
Isto é razoavelmente óbvio: afinal, quem está feliz com sua função, com a Empresa e com suas atividades, não vai performar mal!
No entanto o funcionário insatisfeito tem outros motivos que o levam a se manter aferrado a uma atividade que lhe deixa infeliz. E estes motivos podem ser resumidos em uma só palavra: Segurança. De uma maneira geral somos avessos à mudança, temerários da incerteza. E com isto ficamos acomodados em situações insatisfatórias (o que também acontece com muitos casamentos, mas isto é outro assunto) (aliás é possível estabelecer muitos paralelos entre as vidas Profissional e Sentimental).
Parafraseando Benjamin Franklin, “aquele que troca um pouco de Felicidade por um pouco de Segurança não consegue a Segurança e nem merece a Felicidade”. Prefiro pensar na demissão como um empurrão inconveniente a curto prazo, porém necessário para uma vida melhor a longo. Com um período de turbulência, incerteza e insegurança no meio, sim; todo parto tem sua dor e seu choro. Mas é importante entender que a demissão é um ato liberador para alguém que não está feliz com sua vida. Para cada porta que se fecha, várias se abrem.
Prefiro ver o lado positivo daquilo que é também uma libertação.
(mar/2011)
segunda-feira, 28 de março de 2011
To Infinity and Beyond

O gatinho que nunca saiu de casa passa horas olhando pela janela para o mundo exterior.
Ele não tem a menor idéia do que sejam edifícios, casas, árvores, carros, motos.
Mas olha, fascinado. Possivelmente tenha uma série de compreensões e correlações quanto ao que acontece lá fora, naquilo que para ele é o infinity and beyond.
Assim é também a nossa pequena Raça Humana. Olhamos para fora, e com arrogância tão monumental quanto nossa ignorância tentamos explicar o que acontece no infinito e no além.
Somos um feto de duas semanas que tenta explicar a imensidão do útero, e o que acontece fora dele.
As respostas estão muito mais nas correlações, no conceitual e na filosofia do que na arrogância.
As respostas estão dentro de nós, e não fora.
(mar/2011)
domingo, 27 de março de 2011
Jump Dive
Quando completei o Caminho de Santiago (e um pouco mais, pois caminhei até Finisterre no litoral espanhol) olhei para trás e tive certeza de que está inteiramente a nosso alcance conquistar qualquer coisa que desejemos. Se você decidir obter alguma coisa e efetivamente se empenhar por ela, irá conseguir. Tudo depende essencialmente de nós mesmos.
O segredo está portanto em escolher corretamente. Escolher com critério, dedicar-se a algo que realmente seja bom e útil e necessário. Porquê passada esta fase, quando você se empenhar, pode ter certeza que vai conseguir!
Atenção às escolhas, portanto.
Entrar em uma situação é muito mais fácil do que sair.
Afundar é muito mais fácil do que emergir.
CUIDADO ao se jogar de cabeça!
(mar/2011)
O segredo está portanto em escolher corretamente. Escolher com critério, dedicar-se a algo que realmente seja bom e útil e necessário. Porquê passada esta fase, quando você se empenhar, pode ter certeza que vai conseguir!
Atenção às escolhas, portanto.
Entrar em uma situação é muito mais fácil do que sair.
Afundar é muito mais fácil do que emergir.
CUIDADO ao se jogar de cabeça!
(mar/2011)
sábado, 26 de março de 2011
Amador Aguiar
"Se você pensa em se casar por causa de dinheiro, recomendo que trabalhe, pois dá menos trabalho!"
(atribuído a Amador Aguiar)
(atribuído a Amador Aguiar)
sexta-feira, 25 de março de 2011
O Que Queremos, Afinal?
Nota – o texto a seguir é praticamente minha primeira postagem. Foi escrito e enviado e-letronicamente a todo o meu mailing list em 20/ago/1999.
Acredito que todos gostemos de viver. Queremos estar o mais longe possível de nosso fim (na verdade, sequer pensamos nele). Podemos portanto postular: todos queremos estar o mais longe possível do dia de nossa morte.
No curto prazo, no entanto, nossa visão é bem mais rasteira: ficamos desejosos da chegada do final de semana, do dia do pagamento, das férias. Queremos que o tempo passe logo, que chegue logo aquele esperado dia que pode estar uma semana ou dois meses à nossa frente. Em outras palavras, ficamos desejosos de que a vida passe mais rápido para aproveitar os bons momentos que ainda estão à frente.
Não seria uma contradição? Estamos correndo na direção do fim, apressando-o, querendo que ele esteja mais perto, nos restando menos tempo de vida... só para aproveitarmos um final de semana, um salário, um mês de férias. Pensamos a curto prazo e comprometemos o longo. Afinal, queremos que o amanhã chegue logo ou queremos que ele demore a chegar?
Como bem diz o Dream Theater em "Pull Me Under":
"Every day sends future to past
Every step brings me closer to the last
(...) Every breath leaves me one less till my last"
Assim sendo, talvez seja preferível que mesmo que seu saldo bancário esteja perto de zero (ou abaixo), você fique feliz por ainda se passarem muitos dias até sua conta estar coberta; ou nos alegrarmos por ainda ser segunda-feira; ou mesmo achar bom estar não estar sequer planejando as férias. É mais vida que se tem pela frente.
Uma outra alternativa seria ficar desempregado: não existe um salário a pingar no final do mês, o final de semana não faz diferença, e as férias são permanentes. Embora fique nervoso pela perspectiva de falta de dinheiro, o desempregado curte mais o presente, e não fica na expectativa do futuro.
(20/ago/1999)
Acredito que todos gostemos de viver. Queremos estar o mais longe possível de nosso fim (na verdade, sequer pensamos nele). Podemos portanto postular: todos queremos estar o mais longe possível do dia de nossa morte.
No curto prazo, no entanto, nossa visão é bem mais rasteira: ficamos desejosos da chegada do final de semana, do dia do pagamento, das férias. Queremos que o tempo passe logo, que chegue logo aquele esperado dia que pode estar uma semana ou dois meses à nossa frente. Em outras palavras, ficamos desejosos de que a vida passe mais rápido para aproveitar os bons momentos que ainda estão à frente.
Não seria uma contradição? Estamos correndo na direção do fim, apressando-o, querendo que ele esteja mais perto, nos restando menos tempo de vida... só para aproveitarmos um final de semana, um salário, um mês de férias. Pensamos a curto prazo e comprometemos o longo. Afinal, queremos que o amanhã chegue logo ou queremos que ele demore a chegar?
Como bem diz o Dream Theater em "Pull Me Under":
"Every day sends future to past
Every step brings me closer to the last
(...) Every breath leaves me one less till my last"
Assim sendo, talvez seja preferível que mesmo que seu saldo bancário esteja perto de zero (ou abaixo), você fique feliz por ainda se passarem muitos dias até sua conta estar coberta; ou nos alegrarmos por ainda ser segunda-feira; ou mesmo achar bom estar não estar sequer planejando as férias. É mais vida que se tem pela frente.
Uma outra alternativa seria ficar desempregado: não existe um salário a pingar no final do mês, o final de semana não faz diferença, e as férias são permanentes. Embora fique nervoso pela perspectiva de falta de dinheiro, o desempregado curte mais o presente, e não fica na expectativa do futuro.
(20/ago/1999)
quinta-feira, 24 de março de 2011
Linha de Produção
Tenho um Amigo que nos áureos tempos em que descobriu os sites de relacionamento desenvolveu um sensacional “método de trabalho”.
Ele tinha duas ou três “cartas-padrão” para uma primeira abordagem, dependendo do perfil exposto pela Moçoila no site. Podia pedir foto ou enviar foto, ou não tocar no assunto, etc. Em sua segunda correspondência – a tréplica – ele às vezes pedia foto, às vezes enviava foto, às vezes enviava sua foto de criança, etc (estou utilizando aqui o envio ou não de fotos, mas ele tinha diversos outros fatores de variação e conversação). A coisa ia até o “terceiro nível”, quando então já pintava um convite direto para sair.
Assim, em outras palavras ele dispunha de uma “árvore de decisão” com três níveis, e correspondências automáticas e pré-formatadas, que não davam trabalho algum (fora o desenvolvimento inicial do "sistema", que "se pagou" na primeira semana).
Digamos que ele enviasse cerca de 10 mensagens por dia; recebia 6 respostas, escolhia 3 e replicava, e ao final de cada “turno” tinha sempre uma ou duas novas interessadas por dia disponíveis para sair.
Uma eficientérrima “linha de produção”, cujo produto final eram... “perseguidas”!
Nota - Embora o salafrário se mantenha solteiro, seu nome não é revelado aqui por motivos óbvios.
(mar/2011)
Ele tinha duas ou três “cartas-padrão” para uma primeira abordagem, dependendo do perfil exposto pela Moçoila no site. Podia pedir foto ou enviar foto, ou não tocar no assunto, etc. Em sua segunda correspondência – a tréplica – ele às vezes pedia foto, às vezes enviava foto, às vezes enviava sua foto de criança, etc (estou utilizando aqui o envio ou não de fotos, mas ele tinha diversos outros fatores de variação e conversação). A coisa ia até o “terceiro nível”, quando então já pintava um convite direto para sair.
Assim, em outras palavras ele dispunha de uma “árvore de decisão” com três níveis, e correspondências automáticas e pré-formatadas, que não davam trabalho algum (fora o desenvolvimento inicial do "sistema", que "se pagou" na primeira semana).
Digamos que ele enviasse cerca de 10 mensagens por dia; recebia 6 respostas, escolhia 3 e replicava, e ao final de cada “turno” tinha sempre uma ou duas novas interessadas por dia disponíveis para sair.
Uma eficientérrima “linha de produção”, cujo produto final eram... “perseguidas”!
Nota - Embora o salafrário se mantenha solteiro, seu nome não é revelado aqui por motivos óbvios.
(mar/2011)
quarta-feira, 23 de março de 2011
Shakira en vivo
POP MUSIC FESTIVAL
Estádio do Morumbi, SP
19/mar/2011
Tinha tudo para ser uma enorme roubada.
Primeiro anunciaram que SHAKIRA excursionaria o Brasil ao lado de... Ivete Sangalo.
Depois soube-se que era um Festival Pop, com uma Banda brasileira, uma californiana, então Ziggy Marley e enfim a colombiana, seguida por Fatboy Slim que encerraria a noite.
Pensei em não ir. Afinal, “She Wolf”, o disco anterior de Isabel Mebarak, é fraquinho – e, pior do que isto, apontava uma direção musical bastante difícil de digerir.
Quando finalmente decidi ir, a menos de uma semana do evento, a fila para adquirir ingressos já dava uma idéia do que iria encontrar: uma proporção de 10 Mulheres para cada Homem (ou quase).
O sábado amanheceu chuvoso, como já vinha ocorrendo ao longo de toda a semana. Portões abrindo às 15, primeiro opening act às 17hs, Shakira programada para 20h30m. Madame & eu chegamos às 18h30m: pouquíssimo trânsito à volta do Estádio, fila de 20-30 minutos debaixo de garoa forte, e às 19hs pisávamos no gramado. Em um rasgo de monumental estupidez (coisa cada vez mais comum) o Palco foi colocado junto às entradas da Pista, ou seja: você entrava por trás do Palco e era despejado diretamente na região mais muvucada da Pista. Isto após contornar a imensa Área VIP, é claro.
Pegamos o início do show de Ziggy, a galera mandando forte na ganga. Contornamos a Pista e conseguimos lugar bem à frente, quase junto à cerca que isolava a galera dos R$200 da galera dos R$500. Apertado porém aceitável. Embora a Mulherada não fosse tão alta, os marmanjos encostados na grade o eram, atrapalhando a vista de muita gente. Uma grande quantidade de pessoas hablando castellano. Os espertos de sempre tentavam chegar à frente, forçando a passagem após hipócritas “com licença”. Ziggy fez a festa cantando as músicas de seu Pai (Bob Pai, Ziggy Filho).
Chove e pára, chove e pára, quase todo mundo de capucha – grande invenção! Palco arrumado, e às 20h43m começam a piscar estroboscopicamente as luzes roxas e negras ao som de um playback electro-techno. Todos os músicos no Palco se remexem, sacodem, meio que dançam. Tal intro dura cerca de 6 minutos, e de vez em quando alguns grupos de fãs urram histericamente julgando ter visto Shakira no stage, pobres manés, imaginar que ela entraria de forma anônima no show. Uma longa e larga passarela à frente do Palco que atravessa a Área VIP não pára de ser escovada devido à garoa intensa.
Shakira surge mas não é possível vê-la, a não ser nos telões. Ela vem caminhando pelo chão e atravessa a massa junto à passarela: canta “Pienso em Ti” e está vestida com um imenso panô rosa choque, modelito capa do último disco “Sale El Sol”. Ela já usou indumentária semelhante (estilo “freira-over”) na excursão “Oral Fixation”, só que a roupa era vermelha. Pelo jeito ela não aprendeu: era pavo-rojo antes, estava pavo-rosa agora. A música parece uma liturgia sacra, lenta, quase fúnebre, quase uma oração. Me remete a Madonna, que por sua vez na excursão Sticky & Sweet em dez/08 me remeteu à própria Shakira... Enfim, um começo catastrófico, ainda mais por estar um tremendo aperto na Pista e não se conseguir ver quase nada. Shakira sobe à passarela, e parecendo uma alma penada cor-de-rosa arrasta seu lamento lúgubre até o Palco.
Ela arranca a enorme capa e está de legging de couro preto e top metálico, e começa a dançar e a estremecer o Morumbi. É elétrica e iluminada, irradiante e carismática. Mas o som está péssimo, abafado e sem guitarra, e não há espaço para nos movimentarmos. Após 2 ou 3 músicas optamos por nos afastarmos do Palco, o que se revela uma magnífica decisão: um pouco mais distanciados encontramos mais espaço e uma platéia relaxada, com todo mundo dançando, bebendo, curtindo. O som vai melhorando, e agora a Banda se postou no meio da passarela e começa um longo set gitano-acústico. A primeira música deste set é “Nothing Else Matters” do Metallica, mas cover por cover eu pessoalmente preferi a pesada “Back in Black” do AC/DC na excursão anterior. Segue-se “Gipsy”, o que confirma o que eu tinha lido: as músicas que têm versões em espanhol e inglês serão executadas em inglês, pois foi a forma como fizeram sucesso no Brasil. Que pobreza, que vergonha, que submissão: poderíamos ter “Suerte” porém teremos “Whenever, Wherever”, e também será “She Wolf” ao invés de “Loba”, “Gipsy” em vez de “Gitana”, etc.
De repente um momento de estarrecimento que muda definitivamente meus sentimentos a respeito do show: no meio da longa sessão acústica, Shakira está deitada no chão da passarela vestida com enorme sua saia de cigana de babados. Está imóvel, e estremece o corpo a cada batida da percussão. Ela está de barriga para cima, e a cada pancada da bateria verga um pouco mais os joelhos, aproximando os pés dos quadris até que quando as pernas estão totalmente dobradas, com os calcanhares encostando no traseiro, na batida seguinte ela subitamente se arremessa para o alto, é catapultada exclusivamente pela força de pernas, costas e principalmente abdômen, e em um único movimento felino está repentinamente de pé. Eu não acredito, grito - “O que é isto?!?!”, o que é isto, nunca vi nada semelhante. A partir daí fico embasbacado, sou dominado pelo espetáculo, sou dominado pela performance, pelo carisma, pela musicalidade, dança, domínio, cores, pelo rhythm of the heat.
São 10 ou 12 músicos no Palco, com destaque para os escudeiros de sempre. Sempre que sei que Shakira está em excursão vou logo verificar se a formação básica da Banda foi mantida: Tim Mitchell, arranjador, Maestro e guitarrista; Albert Menendez, teclados (e que graças ao visual cada vez mais rasta canta atualmente os duetos como “Hips Don’t Lie”, ”La Tortura” e “Gordita”); e o fenomenal baterista Brendan Buckley.
Mas Shakira não pára de dar mole e fazer beicinho para Greco Buratto, um guitarrista brasileiro que aparentemente é carne nova no pedaço.
A platéia não pára de pedir “Estoy Aqui”, e à nossa volta um grupo de gays solta a franga em um intervalo, cantando em coro aquele primeiro hit em um momento muito hilariante.
A louraça belzebu toma conta de toda a boca de Palco, ocupa tudo, não pára, ocupa a passarela, as telas. É autora de todas as músicas, uma usina de hits inevitavelmente contagiantes. “Las de La Intuición” – uma de minhas all-time favorites – é uma inesperada surpresa, em versão elétrica electro-dançante, com luzes sincronizadas e ritmo irresistível. Em determinado momento ela encara a câmera, põe as mãos no corpete metálico, começa a forçá-lo... e o ARRANCA, para absoluto delírio de 60 mil pessoas. Está com um soutien cor da pele por baixo, e domina completamente a platéia como uma fera solta em um enorme Palco.
Era a noite da maior Lua Cheia do ano, e os efeitos visuais de “Sale El Sol” foram belíssimos. Mas a chuva intermitente fez com que somente tenha sido possível ver a Lua por pouquíssimas vezes, além de cortar do programa uma das músicas que eu mais esperava: “Gordita” (“Shaki tú estás bien bonita / aunque también me gustabas cuando estabas más gordita / con la cara redondita”).
A seqüência final é devastadora: vestida com calça tigresa verde e top verde (acho que nunca vi um show com alguém vestido de verde) ataca “Loba”, ou melhor (ou pior), “She Wolf”. Toda o Morumbi uiva: - “Ahú-ú”! Segue-se “Loca”, do último disco: sinceramente acredito que não exista NENHUMA Mulher que não goste de “Loca” (“I’m crazy but you like it / loca, loca, loca!”), é impossível! Uma longa introdução de violino executado por uma gostosa (onde foi parar aquela cigana que fazia parte da Banda?) e segue-se uma inesperada (para mim) “Ojos Asi”, esta sim executada em espanhol, pois fez sucesso primeiramente neste habla. Toda uma estrofe da música é suprimida, mas provavelmente sou o único que nota pois o que se segue é a sessão de Dança do Ventre. Já estamos no bis e evidentemente vem “Hips Don’t Lie”, o “single” mais vendido no Século XXI até o momento.
A chuva vai e volta, mas não atrapalha: e ela dança e se contorce na passarela, descoberta, molhada, entregue, elétrica, frenética, incansável. Embora tenham sido cortadas mais 2 músicas (“Underneath Your Clothes” e “Antes de Las Seis”), ainda assim o espetáculo dura até 22h26m, ou seja, 103 minutos ao todo.
Um vídeo com depoimentos de crianças e adultos africanos (“eu quero ser engenheiro”, “quero ser jogador de futebol”, “quero ser policial”, “quero ser músico”) introduz a última música da festa: “Waka Waka (This Time For Africa)”. Estou completamente emocionado, e felizmente estava chovendo: assim ninguém poderá dizer que eram lágrimas o que me encharcava o rosto no final deste brilhante espetáculo de Música, dança, dedicação, envolvimento, entrega.
Arte.
(mar/2011)
Estádio do Morumbi, SP
19/mar/2011
Tinha tudo para ser uma enorme roubada.
Primeiro anunciaram que SHAKIRA excursionaria o Brasil ao lado de... Ivete Sangalo.
Depois soube-se que era um Festival Pop, com uma Banda brasileira, uma californiana, então Ziggy Marley e enfim a colombiana, seguida por Fatboy Slim que encerraria a noite.
Pensei em não ir. Afinal, “She Wolf”, o disco anterior de Isabel Mebarak, é fraquinho – e, pior do que isto, apontava uma direção musical bastante difícil de digerir.
Quando finalmente decidi ir, a menos de uma semana do evento, a fila para adquirir ingressos já dava uma idéia do que iria encontrar: uma proporção de 10 Mulheres para cada Homem (ou quase).
O sábado amanheceu chuvoso, como já vinha ocorrendo ao longo de toda a semana. Portões abrindo às 15, primeiro opening act às 17hs, Shakira programada para 20h30m. Madame & eu chegamos às 18h30m: pouquíssimo trânsito à volta do Estádio, fila de 20-30 minutos debaixo de garoa forte, e às 19hs pisávamos no gramado. Em um rasgo de monumental estupidez (coisa cada vez mais comum) o Palco foi colocado junto às entradas da Pista, ou seja: você entrava por trás do Palco e era despejado diretamente na região mais muvucada da Pista. Isto após contornar a imensa Área VIP, é claro.
Pegamos o início do show de Ziggy, a galera mandando forte na ganga. Contornamos a Pista e conseguimos lugar bem à frente, quase junto à cerca que isolava a galera dos R$200 da galera dos R$500. Apertado porém aceitável. Embora a Mulherada não fosse tão alta, os marmanjos encostados na grade o eram, atrapalhando a vista de muita gente. Uma grande quantidade de pessoas hablando castellano. Os espertos de sempre tentavam chegar à frente, forçando a passagem após hipócritas “com licença”. Ziggy fez a festa cantando as músicas de seu Pai (Bob Pai, Ziggy Filho).
Chove e pára, chove e pára, quase todo mundo de capucha – grande invenção! Palco arrumado, e às 20h43m começam a piscar estroboscopicamente as luzes roxas e negras ao som de um playback electro-techno. Todos os músicos no Palco se remexem, sacodem, meio que dançam. Tal intro dura cerca de 6 minutos, e de vez em quando alguns grupos de fãs urram histericamente julgando ter visto Shakira no stage, pobres manés, imaginar que ela entraria de forma anônima no show. Uma longa e larga passarela à frente do Palco que atravessa a Área VIP não pára de ser escovada devido à garoa intensa.
Shakira surge mas não é possível vê-la, a não ser nos telões. Ela vem caminhando pelo chão e atravessa a massa junto à passarela: canta “Pienso em Ti” e está vestida com um imenso panô rosa choque, modelito capa do último disco “Sale El Sol”. Ela já usou indumentária semelhante (estilo “freira-over”) na excursão “Oral Fixation”, só que a roupa era vermelha. Pelo jeito ela não aprendeu: era pavo-rojo antes, estava pavo-rosa agora. A música parece uma liturgia sacra, lenta, quase fúnebre, quase uma oração. Me remete a Madonna, que por sua vez na excursão Sticky & Sweet em dez/08 me remeteu à própria Shakira... Enfim, um começo catastrófico, ainda mais por estar um tremendo aperto na Pista e não se conseguir ver quase nada. Shakira sobe à passarela, e parecendo uma alma penada cor-de-rosa arrasta seu lamento lúgubre até o Palco.
Ela arranca a enorme capa e está de legging de couro preto e top metálico, e começa a dançar e a estremecer o Morumbi. É elétrica e iluminada, irradiante e carismática. Mas o som está péssimo, abafado e sem guitarra, e não há espaço para nos movimentarmos. Após 2 ou 3 músicas optamos por nos afastarmos do Palco, o que se revela uma magnífica decisão: um pouco mais distanciados encontramos mais espaço e uma platéia relaxada, com todo mundo dançando, bebendo, curtindo. O som vai melhorando, e agora a Banda se postou no meio da passarela e começa um longo set gitano-acústico. A primeira música deste set é “Nothing Else Matters” do Metallica, mas cover por cover eu pessoalmente preferi a pesada “Back in Black” do AC/DC na excursão anterior. Segue-se “Gipsy”, o que confirma o que eu tinha lido: as músicas que têm versões em espanhol e inglês serão executadas em inglês, pois foi a forma como fizeram sucesso no Brasil. Que pobreza, que vergonha, que submissão: poderíamos ter “Suerte” porém teremos “Whenever, Wherever”, e também será “She Wolf” ao invés de “Loba”, “Gipsy” em vez de “Gitana”, etc.De repente um momento de estarrecimento que muda definitivamente meus sentimentos a respeito do show: no meio da longa sessão acústica, Shakira está deitada no chão da passarela vestida com enorme sua saia de cigana de babados. Está imóvel, e estremece o corpo a cada batida da percussão. Ela está de barriga para cima, e a cada pancada da bateria verga um pouco mais os joelhos, aproximando os pés dos quadris até que quando as pernas estão totalmente dobradas, com os calcanhares encostando no traseiro, na batida seguinte ela subitamente se arremessa para o alto, é catapultada exclusivamente pela força de pernas, costas e principalmente abdômen, e em um único movimento felino está repentinamente de pé. Eu não acredito, grito - “O que é isto?!?!”, o que é isto, nunca vi nada semelhante. A partir daí fico embasbacado, sou dominado pelo espetáculo, sou dominado pela performance, pelo carisma, pela musicalidade, dança, domínio, cores, pelo rhythm of the heat.
São 10 ou 12 músicos no Palco, com destaque para os escudeiros de sempre. Sempre que sei que Shakira está em excursão vou logo verificar se a formação básica da Banda foi mantida: Tim Mitchell, arranjador, Maestro e guitarrista; Albert Menendez, teclados (e que graças ao visual cada vez mais rasta canta atualmente os duetos como “Hips Don’t Lie”, ”La Tortura” e “Gordita”); e o fenomenal baterista Brendan Buckley.Mas Shakira não pára de dar mole e fazer beicinho para Greco Buratto, um guitarrista brasileiro que aparentemente é carne nova no pedaço.
A platéia não pára de pedir “Estoy Aqui”, e à nossa volta um grupo de gays solta a franga em um intervalo, cantando em coro aquele primeiro hit em um momento muito hilariante.A louraça belzebu toma conta de toda a boca de Palco, ocupa tudo, não pára, ocupa a passarela, as telas. É autora de todas as músicas, uma usina de hits inevitavelmente contagiantes. “Las de La Intuición” – uma de minhas all-time favorites – é uma inesperada surpresa, em versão elétrica electro-dançante, com luzes sincronizadas e ritmo irresistível. Em determinado momento ela encara a câmera, põe as mãos no corpete metálico, começa a forçá-lo... e o ARRANCA, para absoluto delírio de 60 mil pessoas. Está com um soutien cor da pele por baixo, e domina completamente a platéia como uma fera solta em um enorme Palco.
Era a noite da maior Lua Cheia do ano, e os efeitos visuais de “Sale El Sol” foram belíssimos. Mas a chuva intermitente fez com que somente tenha sido possível ver a Lua por pouquíssimas vezes, além de cortar do programa uma das músicas que eu mais esperava: “Gordita” (“Shaki tú estás bien bonita / aunque también me gustabas cuando estabas más gordita / con la cara redondita”).
A seqüência final é devastadora: vestida com calça tigresa verde e top verde (acho que nunca vi um show com alguém vestido de verde) ataca “Loba”, ou melhor (ou pior), “She Wolf”. Toda o Morumbi uiva: - “Ahú-ú”! Segue-se “Loca”, do último disco: sinceramente acredito que não exista NENHUMA Mulher que não goste de “Loca” (“I’m crazy but you like it / loca, loca, loca!”), é impossível! Uma longa introdução de violino executado por uma gostosa (onde foi parar aquela cigana que fazia parte da Banda?) e segue-se uma inesperada (para mim) “Ojos Asi”, esta sim executada em espanhol, pois fez sucesso primeiramente neste habla. Toda uma estrofe da música é suprimida, mas provavelmente sou o único que nota pois o que se segue é a sessão de Dança do Ventre. Já estamos no bis e evidentemente vem “Hips Don’t Lie”, o “single” mais vendido no Século XXI até o momento.
A chuva vai e volta, mas não atrapalha: e ela dança e se contorce na passarela, descoberta, molhada, entregue, elétrica, frenética, incansável. Embora tenham sido cortadas mais 2 músicas (“Underneath Your Clothes” e “Antes de Las Seis”), ainda assim o espetáculo dura até 22h26m, ou seja, 103 minutos ao todo.
Um vídeo com depoimentos de crianças e adultos africanos (“eu quero ser engenheiro”, “quero ser jogador de futebol”, “quero ser policial”, “quero ser músico”) introduz a última música da festa: “Waka Waka (This Time For Africa)”. Estou completamente emocionado, e felizmente estava chovendo: assim ninguém poderá dizer que eram lágrimas o que me encharcava o rosto no final deste brilhante espetáculo de Música, dança, dedicação, envolvimento, entrega.
Arte.
fotos: pavo-rosa na rampa de acesso / legging na passarela / o corpete que foi arrancado (c/ Tim Mitchell) / muitas moles para o guitarrista brasileño.
(mar/2011)
terça-feira, 22 de março de 2011
O Peso da Traição
Sou de opinião que a pessoa que trai JAMAIS deverá revelar tal fato a(o) Parceira(o).
Repartir uma traição é uma tremenda covardia. A dúvida que ela traz é um fardo que não deve ser repassado. Traição não é para ser discutida ou compartilhada, mas sim guardada. Caso a opção do Infiel seja por continuar sua relação principal, que ele arque com o peso na própria consciência. Quem conta uma traição e pede perdão está na verdade tentando tirar o peso de suas costas e passá-lo para o parceiro traído. Traiu mas confessou, então se sente com a alma lavada e limpa. “Tirou um peso da cabeça”. E o colocou (além de outras coisas) na cabeça do outro, que arcará com a dúvida, com a incerteza, com a insegurança, com o peso. O traído que se dane. De novo!
Não dá para carregar a tonelagem de uma traição. Mesmo que um bem-intencionado parceiro opte por perdoar aquele que o traiu, o que virá depois? Quando o “traidor” sumir por algumas horas, ou então quando precisar viajar a trabalho, ou então ficar sozinho enquanto o ex-traído viaja, como vai ficar a cabeça daquele que perdoou? Estará tranqüila, sossegada, descansada, sem grilos... ou ficará imaginando com receio se a situação por acaso não está se repetindo?
Se você traiu, guarde para si; o Outro não tem nada a ver com o seu próprio ônus. Se decidir continuar, arque sozinho com o peso de sua derrapagem; e se por outro lado resolver acabar com a história, não é necessário magoar o Parceiro, abrindo o jogo. Simplesmente acabe sua relação pelos mesmos motivos que o levaram a trair: porque a relação já tinha acabado.
Traição é quebra de confiança, e tem um peso tal que justifica o final de um relacionamento. Por favor, não venha com um papinho batido e inaceitável de “perdão”! Traiu, acabou. Fim. Assuma sua responsabilidade de forma adulta e partam ambos para outras histórias, e fim de papo. Se seu Parceiro vier com conversa mole de “te traí mas estou arrependido/a”, pé na bunda! Sem piedade, que não é merecida. Tchau!
Esteja você em que lado estiver da traição, ela representa simplesmente uma coisa: que a relação acabou. Não insista, não tente ressuscitar cadáver. E não seja covarde. O que não falta neste Planeta é gente para uma nova e honesta relação. Ou quem sabe você fica sozinho/a, o que pode até vir a ser ainda melhor.
“Cornos somos todos; manso, nunca!”
(mar/2011)
Repartir uma traição é uma tremenda covardia. A dúvida que ela traz é um fardo que não deve ser repassado. Traição não é para ser discutida ou compartilhada, mas sim guardada. Caso a opção do Infiel seja por continuar sua relação principal, que ele arque com o peso na própria consciência. Quem conta uma traição e pede perdão está na verdade tentando tirar o peso de suas costas e passá-lo para o parceiro traído. Traiu mas confessou, então se sente com a alma lavada e limpa. “Tirou um peso da cabeça”. E o colocou (além de outras coisas) na cabeça do outro, que arcará com a dúvida, com a incerteza, com a insegurança, com o peso. O traído que se dane. De novo!
Não dá para carregar a tonelagem de uma traição. Mesmo que um bem-intencionado parceiro opte por perdoar aquele que o traiu, o que virá depois? Quando o “traidor” sumir por algumas horas, ou então quando precisar viajar a trabalho, ou então ficar sozinho enquanto o ex-traído viaja, como vai ficar a cabeça daquele que perdoou? Estará tranqüila, sossegada, descansada, sem grilos... ou ficará imaginando com receio se a situação por acaso não está se repetindo?
Se você traiu, guarde para si; o Outro não tem nada a ver com o seu próprio ônus. Se decidir continuar, arque sozinho com o peso de sua derrapagem; e se por outro lado resolver acabar com a história, não é necessário magoar o Parceiro, abrindo o jogo. Simplesmente acabe sua relação pelos mesmos motivos que o levaram a trair: porque a relação já tinha acabado.
Traição é quebra de confiança, e tem um peso tal que justifica o final de um relacionamento. Por favor, não venha com um papinho batido e inaceitável de “perdão”! Traiu, acabou. Fim. Assuma sua responsabilidade de forma adulta e partam ambos para outras histórias, e fim de papo. Se seu Parceiro vier com conversa mole de “te traí mas estou arrependido/a”, pé na bunda! Sem piedade, que não é merecida. Tchau!
Esteja você em que lado estiver da traição, ela representa simplesmente uma coisa: que a relação acabou. Não insista, não tente ressuscitar cadáver. E não seja covarde. O que não falta neste Planeta é gente para uma nova e honesta relação. Ou quem sabe você fica sozinho/a, o que pode até vir a ser ainda melhor.
“Cornos somos todos; manso, nunca!”
(mar/2011)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Não Gosto do Sicrano!
Ouvi certa vez em uma palestra, dito por uma Psicóloga que trabalhava em RH:
- “Quando não vou com a cara de alguém, me forço a pensar:
‘Não gosto de Fulano... Preciso conhecê-lo melhor!’ ”
(mar/2011)
- “Quando não vou com a cara de alguém, me forço a pensar:
‘Não gosto de Fulano... Preciso conhecê-lo melhor!’ ”
(mar/2011)
domingo, 20 de março de 2011
A Arte e o Artista
“O que interessa é a Arte, e não o Artista.”
Nota: embora o Caetano Veloso seja o mais bem acabado exemplo desta frase, atualmente até mesmo sua Arte é insuportável!
(mar/2011)
Nota: embora o Caetano Veloso seja o mais bem acabado exemplo desta frase, atualmente até mesmo sua Arte é insuportável!
(mar/2011)
sábado, 19 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
David Niven
quinta-feira, 17 de março de 2011
Curtindo as Imperfeições
Gosto quando ela está com olheiras.
Adoro quando está doente, sem pintura, cansada. Com cara e roupa de casa. Com um rosto que ninguém mais vê, só eu.
Ela me pergunta se vou amá-la quando estiver velhinha e com as pernas finas: mais do que nunca!
Ela não tem celulite (na verdade, nenhuma Mulher tem); mas se tivesse eu não ia me importar a mínima.
Rugas? Cabelos brancos? Venham logo, anseio por vocês!
A Mulher arrumada, bonita, sorridente, perfumada... qualquer um pode ver, admirar, amar.
Mas a Mulher imperfeita, sonolenta, com cicatrizes e vulnerável... ah, esta só eu conheço. Esta é particular, é só minha.

Só eu amo.
(mar/2011)
(Foto: Casamento no Everest, out/2008)
Adoro quando está doente, sem pintura, cansada. Com cara e roupa de casa. Com um rosto que ninguém mais vê, só eu.
Ela me pergunta se vou amá-la quando estiver velhinha e com as pernas finas: mais do que nunca!
Ela não tem celulite (na verdade, nenhuma Mulher tem); mas se tivesse eu não ia me importar a mínima.
Rugas? Cabelos brancos? Venham logo, anseio por vocês!
A Mulher arrumada, bonita, sorridente, perfumada... qualquer um pode ver, admirar, amar.
Mas a Mulher imperfeita, sonolenta, com cicatrizes e vulnerável... ah, esta só eu conheço. Esta é particular, é só minha.
Só eu amo.
(mar/2011)
(Foto: Casamento no Everest, out/2008)
quarta-feira, 16 de março de 2011
Más Notícias
Tenho más notícias para você, caro Adolescente. E elas se resumem a duas palavras: Vai Piorar.
A medida que o tempo passa, seus problemas só aumentam e pioram. É geométrico, é exponencial, é irreversível, é inevitável.
Você não vai mais se desentender apenas com seus Pais e Professores, mas terá também aporrinhações com seu Chefe, seus subordinados, seus pares, sua Esposa, sua ex-Esposa, seus vizinhos, o Síndico, com o Banco, com o carro, com a operadora de telefone, com a TV a cabo, com a máquina de lavar roupas. Vai precisar usar óculos para leitura. Vai ter problemas com seus Filhos.
Vai sair tarde do trabalho. Vai perder eventos que queria assistir, porque tem que acordar cedo no dia seguinte.
Acabou aquela coisa de “hoje eu não vou”. Esta opção não existe; hoje você vai, e amanhã também, e depois, e depois.
3 meses de férias por ano?!? Brincou?!?
As Mulheres ficarão cada vez mais belas, enquanto você fica cada vez mais carcomido.
É claro que existem algumas compensações. Você será dono de seu dinheiro, de sua casa, de sua vida. Vai traçar suas próprias diretrizes. E assim vai finalmente descobrir que Os Outros tinham seus (bons) motivos para te darem aquelas instruções, orientações e conselhos. Vai descobrir que Os Mais Velhos tinham um monte de razões, afinal.
Vai descobrir que é falível. E muito.
Por outro lado, vai se descobrir mais paciente. Mais maduro. Mais tolerante com os outros e – com algum esforço – consigo próprio.
Vai encontrar recompensas menos espalhafatosas e mais interiorizadas.
Vai crescer.
Vai piorar...
(mar/2011)
A medida que o tempo passa, seus problemas só aumentam e pioram. É geométrico, é exponencial, é irreversível, é inevitável.
Você não vai mais se desentender apenas com seus Pais e Professores, mas terá também aporrinhações com seu Chefe, seus subordinados, seus pares, sua Esposa, sua ex-Esposa, seus vizinhos, o Síndico, com o Banco, com o carro, com a operadora de telefone, com a TV a cabo, com a máquina de lavar roupas. Vai precisar usar óculos para leitura. Vai ter problemas com seus Filhos.
Vai sair tarde do trabalho. Vai perder eventos que queria assistir, porque tem que acordar cedo no dia seguinte.
Acabou aquela coisa de “hoje eu não vou”. Esta opção não existe; hoje você vai, e amanhã também, e depois, e depois.
3 meses de férias por ano?!? Brincou?!?
As Mulheres ficarão cada vez mais belas, enquanto você fica cada vez mais carcomido.
É claro que existem algumas compensações. Você será dono de seu dinheiro, de sua casa, de sua vida. Vai traçar suas próprias diretrizes. E assim vai finalmente descobrir que Os Outros tinham seus (bons) motivos para te darem aquelas instruções, orientações e conselhos. Vai descobrir que Os Mais Velhos tinham um monte de razões, afinal.
Vai descobrir que é falível. E muito.
Por outro lado, vai se descobrir mais paciente. Mais maduro. Mais tolerante com os outros e – com algum esforço – consigo próprio.
Vai encontrar recompensas menos espalhafatosas e mais interiorizadas.
Vai crescer.
Vai piorar...
(mar/2011)
terça-feira, 15 de março de 2011
Taça de Cristal
Embora tivesse apenas 1 dígito de idade, nunca esqueci estas palavras do Vovô Gustavo sobre Fidelidade:- “Confiança é como taça de cristal: se trincar, não há cola que dê jeito.”
Vovô protagonizou um dos mais emocionantes momentos de minha vida. Ao final da missa de suas Bodas de Ouro, celebradas na Igreja Santa Monica no Colégio Santo Agostinho (Rio de Janeiro), a Família toda se reuniu em volta dele, da Vovó Aurora e do Padre. E ele falou, emocionadíssimo e com a voz trêmula:
- “Dentro desta Igreja e diante do Padre e de toda a Minha Família, eu invoco Deus por testemunha: ao longo destes 50 anos eu jamais fui infiel a você, Aurora, minha Esposa.”
E olhou para o alto, e chorou.
E todos nós choramos.
(mar/2011)
segunda-feira, 14 de março de 2011
O Dono do Nariz
Profissionais mais jovens não sabem, mas já houve um tempo em que os Executivos eram donos de suas próprias agendas e prioridades. Eram donos de seu tempo, de suas decisões, e de sua própria atuação.
Isto aconteceu antes do advento do e-mail. Você decidia o que ia fazer, priorizava suas próprias tarefas, e recebia ordens apenas de seu Chefe (e algumas vezes do Chefe dele).
No entanto o e-mail mudou isto tudo. Você chega no Escritório, abre o mailbox e recebe despejado no colo um vomitório torrencial de mensagens que exigem sua atuação, seu tempo, sua atenção e suas providências muitas vezes imediatas.
E o Executivo acaba ficando um pouco como um pedaço de esterco flutando: vem uma onda e joga para cá, vai outra onda e joga para lá...
- “Mas eu te mandei uma mensagem!”. Ele mandou sim, e copiou 20 pessoas. Assim, quando o assunto complicar, a culpa não é dele mas sim sua, que não respondeu / atuou / delegou / repassou / devolveu. Sifu!
O e-mail é um outro Chefe além de seu Chefe. Um para-Chefe idiota, que não prioriza. Um para-Chefe escandaloso, que escancara para o mundo tudo que todo mundo acha que você deveria estar fazendo (e muito mais), sem o menor critério. Um para-Chefe intransigente, sem horário e sem noção.
De vez em quando me dou ao luxo de ficar 2 ou 3 dias sem abrir o e-mail profissional (o pessoal, então, nem se fala!). Afinal, se o assunto for realmente importante, vai chegar a mim de alguma outra forma.
Mas infelizmente este é um pequeno prazer cada vez mais impossível...
Nota – conheci um Profissional que de vez em quando colocava um cartaz em sua Baia: “Enfartei”. E passava 2 ou 3 dias sem abrir e-mail, atender o telefone ou participar de reuniões. Ele dizia: -“Se eu tivesse enfartado não estaria fazendo nenhuma destas coisas e a Empresa continuaria funcionando, não é mesmo?”. E aproveitava o tempo para colocar suas coisas em dia e em ordem.
(mar/2011)
Isto aconteceu antes do advento do e-mail. Você decidia o que ia fazer, priorizava suas próprias tarefas, e recebia ordens apenas de seu Chefe (e algumas vezes do Chefe dele).
No entanto o e-mail mudou isto tudo. Você chega no Escritório, abre o mailbox e recebe despejado no colo um vomitório torrencial de mensagens que exigem sua atuação, seu tempo, sua atenção e suas providências muitas vezes imediatas.
E o Executivo acaba ficando um pouco como um pedaço de esterco flutando: vem uma onda e joga para cá, vai outra onda e joga para lá...
- “Mas eu te mandei uma mensagem!”. Ele mandou sim, e copiou 20 pessoas. Assim, quando o assunto complicar, a culpa não é dele mas sim sua, que não respondeu / atuou / delegou / repassou / devolveu. Sifu!
O e-mail é um outro Chefe além de seu Chefe. Um para-Chefe idiota, que não prioriza. Um para-Chefe escandaloso, que escancara para o mundo tudo que todo mundo acha que você deveria estar fazendo (e muito mais), sem o menor critério. Um para-Chefe intransigente, sem horário e sem noção.
De vez em quando me dou ao luxo de ficar 2 ou 3 dias sem abrir o e-mail profissional (o pessoal, então, nem se fala!). Afinal, se o assunto for realmente importante, vai chegar a mim de alguma outra forma.
Mas infelizmente este é um pequeno prazer cada vez mais impossível...
Nota – conheci um Profissional que de vez em quando colocava um cartaz em sua Baia: “Enfartei”. E passava 2 ou 3 dias sem abrir e-mail, atender o telefone ou participar de reuniões. Ele dizia: -“Se eu tivesse enfartado não estaria fazendo nenhuma destas coisas e a Empresa continuaria funcionando, não é mesmo?”. E aproveitava o tempo para colocar suas coisas em dia e em ordem.
(mar/2011)
domingo, 13 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Quem Tem Dois
Sempre me lembro destas palavras do Papai quando meu time relaxa ao estar vencendo por dois gols de vantagem:
- “Quem tem dois, tem um;
quem tem um, não tem nenhum...”
O pior é que esta malfadada profecia sempre se realiza!
(mar/2011)
- “Quem tem dois, tem um;
quem tem um, não tem nenhum...”
O pior é que esta malfadada profecia sempre se realiza!
(mar/2011)
sexta-feira, 11 de março de 2011
Pijama é um prato que se come frio
Quando seus Filhos eram adolescentes e retornavam de festas em horários descabidos, algumas vezes o Amigo RCdS ia buscá-los de pijama. Ele não chegava a saltar do carro; simplesmente dirigia, aguardava os pimpolhos e retornava à casa em suas roupas de dormir.
Alguns anos mais tarde, quando meu Primo A se casou com a modelo L, a recepção no Copacabana Palace foi um mega-evento; um rega-bofe que sacudiu o Balneá-Rio. O Amigo RCdS estava lá com a Esposa L, e pediu ao Filho mais velho para ir buscá-los ao final da patuscada.
O primogênito chegou ao Copacabana Palace e parou na porta principal. A porta do carro foi aberta para o refinado casal por um daqueles concierges de luvas brancas, fraque e cartola.
O motorista estava... de pijama!
(mar/2011)
Alguns anos mais tarde, quando meu Primo A se casou com a modelo L, a recepção no Copacabana Palace foi um mega-evento; um rega-bofe que sacudiu o Balneá-Rio. O Amigo RCdS estava lá com a Esposa L, e pediu ao Filho mais velho para ir buscá-los ao final da patuscada.O primogênito chegou ao Copacabana Palace e parou na porta principal. A porta do carro foi aberta para o refinado casal por um daqueles concierges de luvas brancas, fraque e cartola.
O motorista estava... de pijama!
(mar/2011)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Distrito Federal
Nasci em 1956 no Rio de Janeiro. À época, o Rio era a capital do Brasil; era o Distrito Federal. Em minha certidão de nascimento consta portanto como local de nascimento: "Distrito Federal".
Em 2008 fui renovar minha carteira de identidade (que os paulistas chamam de "Hergé", certamente em homenagem ao autor de "Tintin").
No posto de atendimento a atendente jovencita olhou a Certidão de Nascimento:
- "Você é do Distrito Federal... então nasceu em Brasília."
- "Não", respondi. "Nasci em 1956, e à época a capital do Brasil era o Rio de Janeiro. Eu nasci no Rio."
- "Nããão!", replicou ela. "Está aqui na Certidão: você nasceu no Distrito Federal. Logo, nasceu em Brasília!"
- "Escute, em 1956 Brasília nem existia! A cidade só foi inaugurada em 1960!"
A discussão foi crescendo, e tivemos que recorrer a uma Supervisora. Ela veio lá de dentro, e quando soube da história fez um muxoxo e um gesto com o braço como que descartando a atendente (que estava a seu lado):
- "Este pessoal de hoje em dia não sabe NADA!..."
Hoje em dia eu me arrependo por não ter deixado o barco correr. Eu podia ter uma carteira de identidade (ou "hergé") constando "Brasília, 1956". Seria uma preciosidade!
(mar/2011)
Em 2008 fui renovar minha carteira de identidade (que os paulistas chamam de "Hergé", certamente em homenagem ao autor de "Tintin").
No posto de atendimento a atendente jovencita olhou a Certidão de Nascimento:
- "Você é do Distrito Federal... então nasceu em Brasília."
- "Não", respondi. "Nasci em 1956, e à época a capital do Brasil era o Rio de Janeiro. Eu nasci no Rio."
- "Nããão!", replicou ela. "Está aqui na Certidão: você nasceu no Distrito Federal. Logo, nasceu em Brasília!"
- "Escute, em 1956 Brasília nem existia! A cidade só foi inaugurada em 1960!"
A discussão foi crescendo, e tivemos que recorrer a uma Supervisora. Ela veio lá de dentro, e quando soube da história fez um muxoxo e um gesto com o braço como que descartando a atendente (que estava a seu lado):
- "Este pessoal de hoje em dia não sabe NADA!..."
Hoje em dia eu me arrependo por não ter deixado o barco correr. Eu podia ter uma carteira de identidade (ou "hergé") constando "Brasília, 1956". Seria uma preciosidade!
(mar/2011)
quarta-feira, 9 de março de 2011
Plano de Carreira
A Esposa de meu Chefe teve seu primeiro filho, e fui visitá-los na Maternidade.
Na animada conversa de ante-sala, o Chefe de meu Chefe me falou:
- "Agora é a sua vez! Ter filhos é bom para a carreira profissional. As Empresas gostam de saber que você é um cara estável, e que não corre o risco de virar Marinheiro de uma hora para outra."
Naquele preciso momento eu descobri que queria ser Marinheiro!
(mar/2011)
Na animada conversa de ante-sala, o Chefe de meu Chefe me falou:
- "Agora é a sua vez! Ter filhos é bom para a carreira profissional. As Empresas gostam de saber que você é um cara estável, e que não corre o risco de virar Marinheiro de uma hora para outra."
Naquele preciso momento eu descobri que queria ser Marinheiro!
(mar/2011)
terça-feira, 8 de março de 2011
Alarm Clock

Delego ao despertador a responsabilidade integral por meu despertar de cada dia.
Isto vale também para os finais de semana. Aciono o alarm clock até mesmo caso queira acordar às 5 horas da tarde. Assim, o cérebro jamais se preocupa com a hora de acordar, o que criaria uma tensão latente ao longo do sono; um "looping" de ininterrupta preocupação "será que já está na hora de acordar?". Quando durmo, a cabeça desliga por completo de qualquer ruído: aviões no céu, caminhões na rua, gritarias noturnas, alarmes mal regulados de lojas, alarmes mal regulados de carros, etc, pois nenhum destes barulhos é reconhecido pelo cérebro como a senha para despertar.
É claro que algumas outras coisas podem eventualmente me acordar: um zzzzzummmmmbido de pernilongo ou um insistente telefone... insistente telefone... insistente telefone... insistente telefone..., por exemplo. Mas são raras as ocorrências de tais exceções.
Por outro lado, se algum dia acontecer de o despertador não tocar, eu NUNCA MAIS irei acordar!
Para evitar este risco, durmo com um segundo despertador como reserva / garantia de meu retorno ao Mundo dos (que acham que estão) despertos.
E, em caso de compromissos excepcionais (uma viagem, por exemplo), até mesmo com um reserva do reserva!
Nota sobre a Insônia:
Nunca tive insônia – durmo até de pé no ônibus – mas especulo que o problema de quem a tenha não seja a dificuldade para dormir. O que ocorre é que a primeira vez que pegamos no sono em uma noite é fácil (para todo mundo) – mas a segunda vez não! Assim, o que os insones têm de diferente não seria a dificuldade na primeira "pegada no sono" – fácil para todo mundo, inclusive eles – e nem na segunda "pegada no sono" – difícil para todo mundo, inclusive eles – mas sim um sono leve, uma facilidade em despertar após a primeira adormecida – e aí ninguém consegue dormir de novo com facilidade.
Aquele que destitui o cérebro da função extra de acordar, e a delega ao despertador (e portanto não se preocupa com aviões, caminhões ou vizinhos), tem muito menos motivos para despertar de um sono leve, e portanto tem menos chance de ter insônia.
Parece fácil.
E é!
(fev/2011)
Isto vale também para os finais de semana. Aciono o alarm clock até mesmo caso queira acordar às 5 horas da tarde. Assim, o cérebro jamais se preocupa com a hora de acordar, o que criaria uma tensão latente ao longo do sono; um "looping" de ininterrupta preocupação "será que já está na hora de acordar?". Quando durmo, a cabeça desliga por completo de qualquer ruído: aviões no céu, caminhões na rua, gritarias noturnas, alarmes mal regulados de lojas, alarmes mal regulados de carros, etc, pois nenhum destes barulhos é reconhecido pelo cérebro como a senha para despertar.
É claro que algumas outras coisas podem eventualmente me acordar: um zzzzzummmmmbido de pernilongo ou um insistente telefone... insistente telefone... insistente telefone... insistente telefone..., por exemplo. Mas são raras as ocorrências de tais exceções.
Por outro lado, se algum dia acontecer de o despertador não tocar, eu NUNCA MAIS irei acordar!
Para evitar este risco, durmo com um segundo despertador como reserva / garantia de meu retorno ao Mundo dos (que acham que estão) despertos.
E, em caso de compromissos excepcionais (uma viagem, por exemplo), até mesmo com um reserva do reserva!
Nota sobre a Insônia:
Nunca tive insônia – durmo até de pé no ônibus – mas especulo que o problema de quem a tenha não seja a dificuldade para dormir. O que ocorre é que a primeira vez que pegamos no sono em uma noite é fácil (para todo mundo) – mas a segunda vez não! Assim, o que os insones têm de diferente não seria a dificuldade na primeira "pegada no sono" – fácil para todo mundo, inclusive eles – e nem na segunda "pegada no sono" – difícil para todo mundo, inclusive eles – mas sim um sono leve, uma facilidade em despertar após a primeira adormecida – e aí ninguém consegue dormir de novo com facilidade.
Aquele que destitui o cérebro da função extra de acordar, e a delega ao despertador (e portanto não se preocupa com aviões, caminhões ou vizinhos), tem muito menos motivos para despertar de um sono leve, e portanto tem menos chance de ter insônia.
Parece fácil.
E é!
(fev/2011)
segunda-feira, 7 de março de 2011
Avaliação e Crescimento
Para crescer profissionalmente você depende da avaliação de seus Superiores hierárquicos.
Mas para crescer pessoalmente, sugiro que peça uma avaliação a seus subalternos. Àqueles que te servem. A aqueles com quem você lida e de quem – embora não saiba – você depende.
Para subir, olhe para baixo.
(mar/2011)
Mas para crescer pessoalmente, sugiro que peça uma avaliação a seus subalternos. Àqueles que te servem. A aqueles com quem você lida e de quem – embora não saiba – você depende.
Para subir, olhe para baixo.
(mar/2011)
domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
O Preço do Bônus
Proferido por AA, à época Presidente da filial brasileira de um imenso conglomerado financeiro internacional, em palestra que assisti há alguns anos:
- "O salário paga nosso estilo de vida.
O bônus é para pagar a ponte de safena!"
(fev/2011)
- "O salário paga nosso estilo de vida.
O bônus é para pagar a ponte de safena!"
(fev/2011)
sexta-feira, 4 de março de 2011
Entre a Farme e a Teixeira
O Rio de Janeiro sempre fervilha no Reveillon; e sempre que possível eu passo lá a virada de ano.
Era um final de ano e eu me preparava para viajar para o Rio. Li no jornal que um grupo de “pitbulls” planejava “fazer uma limpa” na região da Praia de Ipanema que é normalmente ocupada pela galera GLS. Trata-se da região entre a Farme de Amoedo e a Teixeira de Melo, que segundo o jornal estava ameaçada pelos tais pitbulls de se tornar um “Afegaynistão”, ou então a “Faixa de Gayza”.
Sempre vou à praia em Ipanema, e o tal confronto era um motivo (quase turístico!) a mais para eu passear por lá. Comentei meus planos com o pessoal do Banco onde trabalhava, e recebi um “warning” que tinha lá seu cabimento:
- “Cuidado... Se te confundirem com algum dos grupos, não será com o dos pitbulls!!!”
Nota – Madame e eu fomos à Praia de Ipanema, e passeamos pela região. Não havia confusão alguma, e deu para ver que isto nem seria possível: o grupo GLS era imenso e formado por uma galera que de fraca não tinha nada; se houvesse um confronto, acabaria sendo uma carnificina. Passeamos pela multidão que lotava a areia e o Mar, muitos casais com calções iguais (uma idéia bastante simpática). Mas quando saímos do outro lado da muvuca, Madame comentou:
- “Não sei se é o corte dos calções, se há alguma espécie de enchimento ou então o que se passa; mas todo mundo desta galera tem umas “malas” enormes. É tudo Homem-Beringela!”
Fiquei curioso e voltei observando as referidas malas da galera: realmente parecia ser tudo king size! E assim, graças a Madame, eu já tive a insólita experiência de passear pela Praia de Ipanema observando e avaliando um monte de “calções” masculinos!
(mar/2011)
Era um final de ano e eu me preparava para viajar para o Rio. Li no jornal que um grupo de “pitbulls” planejava “fazer uma limpa” na região da Praia de Ipanema que é normalmente ocupada pela galera GLS. Trata-se da região entre a Farme de Amoedo e a Teixeira de Melo, que segundo o jornal estava ameaçada pelos tais pitbulls de se tornar um “Afegaynistão”, ou então a “Faixa de Gayza”.
Sempre vou à praia em Ipanema, e o tal confronto era um motivo (quase turístico!) a mais para eu passear por lá. Comentei meus planos com o pessoal do Banco onde trabalhava, e recebi um “warning” que tinha lá seu cabimento:
- “Cuidado... Se te confundirem com algum dos grupos, não será com o dos pitbulls!!!”
Nota – Madame e eu fomos à Praia de Ipanema, e passeamos pela região. Não havia confusão alguma, e deu para ver que isto nem seria possível: o grupo GLS era imenso e formado por uma galera que de fraca não tinha nada; se houvesse um confronto, acabaria sendo uma carnificina. Passeamos pela multidão que lotava a areia e o Mar, muitos casais com calções iguais (uma idéia bastante simpática). Mas quando saímos do outro lado da muvuca, Madame comentou:
- “Não sei se é o corte dos calções, se há alguma espécie de enchimento ou então o que se passa; mas todo mundo desta galera tem umas “malas” enormes. É tudo Homem-Beringela!”
Fiquei curioso e voltei observando as referidas malas da galera: realmente parecia ser tudo king size! E assim, graças a Madame, eu já tive a insólita experiência de passear pela Praia de Ipanema observando e avaliando um monte de “calções” masculinos!
(mar/2011)
quinta-feira, 3 de março de 2011
Coitado do Jacaré
No último final de semana antes do Carnaval 2011, vou a um Baile Pré-Carnavalesco de Marchinhas de Carnaval para Casais em uma pequena cidade do interior de São Paulo.
Saio de casa com a certeza de que este programa geriátrico significará uma redefinição no conceito de “programa mico”, estabelecendo um novíssimo “standard” ou patamar base para comparações.
O Clube é bem grande, e até que está bacana. Temos confete e serpentinas a rodo e de graça, as mesas estão dispostas em torno da pista e são ocupadas civilizadamente. Todo mundo se conhece e se cumprimenta com alegria – afinal, é uma pequena cidade do interior. Vou enchendo a cara, quando inesperadamente a Banda toca uma música que dá um sentido inteiramente novo à noite. A letra é nada menos do que espetacular, algo como: “Trocaram o coração da minha Sogra / puseram um de jacaré / sabe o que aconteceu? / a Velha se mandou e o jacaré morreu! / (refrão:) É é é é, coitado do Jacaré!”.
Obra prima irresistível! Me deixo contagiar, e acompanho Madame (que canta, saltita e dança feliz todas as músicas) à pista. E lá faço uma incrível descoberta: é possível dançar música de Carnaval como se fosse Heavy Metal! Passo o resto da noite headbanging, batendo cabeça como se fosse o Till Lindemann. Ainda por cima eu por puro acaso estava trajado em total conformidade com a performance: braço direito inteiramente tatuado – ou quase –, munhequeira R+, um monte de anéis, brinco, camisa calça e tênis rock’n’roller, enfim, vestido para uma Rock gig, seja por falta do que vestir para o Baile, seja porque eu me visto assim mesmo.
Em resumo: descobri que tive muitos “wasted years” de Carnaval na vida. Portanto, se você fôr a um Baile de Carnaval e vir na pista um Always Rocker headbanging... achôôôô!
(mar/2011)
Saio de casa com a certeza de que este programa geriátrico significará uma redefinição no conceito de “programa mico”, estabelecendo um novíssimo “standard” ou patamar base para comparações.
O Clube é bem grande, e até que está bacana. Temos confete e serpentinas a rodo e de graça, as mesas estão dispostas em torno da pista e são ocupadas civilizadamente. Todo mundo se conhece e se cumprimenta com alegria – afinal, é uma pequena cidade do interior. Vou enchendo a cara, quando inesperadamente a Banda toca uma música que dá um sentido inteiramente novo à noite. A letra é nada menos do que espetacular, algo como: “Trocaram o coração da minha Sogra / puseram um de jacaré / sabe o que aconteceu? / a Velha se mandou e o jacaré morreu! / (refrão:) É é é é, coitado do Jacaré!”.
Obra prima irresistível! Me deixo contagiar, e acompanho Madame (que canta, saltita e dança feliz todas as músicas) à pista. E lá faço uma incrível descoberta: é possível dançar música de Carnaval como se fosse Heavy Metal! Passo o resto da noite headbanging, batendo cabeça como se fosse o Till Lindemann. Ainda por cima eu por puro acaso estava trajado em total conformidade com a performance: braço direito inteiramente tatuado – ou quase –, munhequeira R+, um monte de anéis, brinco, camisa calça e tênis rock’n’roller, enfim, vestido para uma Rock gig, seja por falta do que vestir para o Baile, seja porque eu me visto assim mesmo.Em resumo: descobri que tive muitos “wasted years” de Carnaval na vida. Portanto, se você fôr a um Baile de Carnaval e vir na pista um Always Rocker headbanging... achôôôô!
(mar/2011)
quarta-feira, 2 de março de 2011
Banheiro com "M"
Assim, se um banheiro tem um "M" na porta, você NÃO SABE se a letra se refere a "Mulheres" ou a "Masculino", e é forçado a olhar a outra porta para saber o significado daquela sigla. Um “M” na porta de um banheiro é portanto uma informação COMPLETAMENTE INÚTIL!
Meu caso pessoal é ainda pior, pois meu nome começa pela própria letra "M". Assim, acostumei-me a ela, me tornei íntimo, me identifico com ela; e quando vejo um "M" escrito na porta, me é natural entrar nela sem pensar duas vezes.
Às vezes encontro lá dentro cenas inesperadas... mas muito bacanas!
(Foto: identificação dos banheiros no Almacen Ramos Generales, em Ushuaia)
(mar/2011)
terça-feira, 1 de março de 2011
A Informação Mais Inútil do Mundo
De forma binária, é possível dividir as pessoas em:
- aqueles que não acreditam em zodíacos, horóscopos, signos, etc; e
- aqueles que dão crédito a isto.
Na primeira quinzena de janeiro de 2011 um astônomo americano apresentou a informação de que são 13, e não 12, as constelações que (a partir de nosso referencial na Terra) se alinham com o Sol e que ascendem no horizonte ao longo dos dias, meses e anos.
Qual o efeito prático desta informação?
-> Para aqueles que não acreditam em nada disto, a informação é totalmente inútil, pois continuarão não acreditando.
- aqueles que não acreditam em zodíacos, horóscopos, signos, etc; e
- aqueles que dão crédito a isto.
Na primeira quinzena de janeiro de 2011 um astônomo americano apresentou a informação de que são 13, e não 12, as constelações que (a partir de nosso referencial na Terra) se alinham com o Sol e que ascendem no horizonte ao longo dos dias, meses e anos.
Qual o efeito prático desta informação?
-> Para aqueles que não acreditam em nada disto, a informação é totalmente inútil, pois continuarão não acreditando.
-> Para quem acredita também não muda nada, pois é tudo simbólico, interpretativo, sensitivo, etc. E assim os “novos signos” não valem absolutamente nada.
Ou seja, a informação do “novo Horóscopo” é COMPLETAMENTE INÚTIL, pois não interessa a ninguém!
Como curiosidade, segue abaixo A Informação Mais Inútil do Mundo, para registro e consulta de absolutamente ninguém:
2
0/jan – 16/fev: CAPRICÓRNIO
16/fev – 11/mar: AQUÁRIO
11/mar – 18/abr: PEIXES
18/abr – 13/mai: ÁRIES
13/mai – 21/jun: TOURO
21/jun – 20/jul: GÊMEOS
20/jul – 10/ago: CÂNCER
10/ago – 16/set: LEÃO
16/set – 30/out: VIRGEM
30/out – 23/nov: LIBRA
23/nov – 29/nov: ESCORPIÃO
29/nov – 17/dez: SERPENTÁRIO
17/dez – 20/jan: SAGITÁRIO
(fev/2011)
Ou seja, a informação do “novo Horóscopo” é COMPLETAMENTE INÚTIL, pois não interessa a ninguém!
Como curiosidade, segue abaixo A Informação Mais Inútil do Mundo, para registro e consulta de absolutamente ninguém:
2
0/jan – 16/fev: CAPRICÓRNIO16/fev – 11/mar: AQUÁRIO
11/mar – 18/abr: PEIXES
18/abr – 13/mai: ÁRIES
13/mai – 21/jun: TOURO
21/jun – 20/jul: GÊMEOS
20/jul – 10/ago: CÂNCER
10/ago – 16/set: LEÃO
16/set – 30/out: VIRGEM
30/out – 23/nov: LIBRA
23/nov – 29/nov: ESCORPIÃO
29/nov – 17/dez: SERPENTÁRIO
17/dez – 20/jan: SAGITÁRIO
(fev/2011)
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Engenharia Naval
"Os barcos estão mais seguros no porto.
Mas não é para ficar no porto que os barcos são construídos."
Mas não é para ficar no porto que os barcos são construídos."
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Hostess Mocréia
Em visita a chiquérrimo restaurante que está na moda há muitos anos em São Paulo – e que conta com famosíssimo Chef – somos recebidos por uma Hostess louríssima que não é nada menos do que um tremendo avião com micro vestido preto e mega decote avassalador.
Embora agradável aos olhos (agradabilíssima!), fico pensando na conveniência desta amabilidade do Restaurante. Afinal, a Hostess vai ser mais vistosa do que 95% das freqüentadoras do local. Vai atrair a atenção dos homens, e até causar algum constrangimento. O local é feito para receber Homens e Mulheres; porque colocar um pitéu na recepção que agrada somente a um dos dois “genders” freqüentadores?
Me parece machismo. Voto pela Hostess Mocréia; aquela que levará tanto as Damas a se sentirem mais bonitas como os Cavalheiros a não serem nem hipócritas nem deselegantes.
Quanto à cozinha do local, como disse Mamãe: - “Vale cada centavo”!
(fev/2011)
Embora agradável aos olhos (agradabilíssima!), fico pensando na conveniência desta amabilidade do Restaurante. Afinal, a Hostess vai ser mais vistosa do que 95% das freqüentadoras do local. Vai atrair a atenção dos homens, e até causar algum constrangimento. O local é feito para receber Homens e Mulheres; porque colocar um pitéu na recepção que agrada somente a um dos dois “genders” freqüentadores?
Me parece machismo. Voto pela Hostess Mocréia; aquela que levará tanto as Damas a se sentirem mais bonitas como os Cavalheiros a não serem nem hipócritas nem deselegantes.
Quanto à cozinha do local, como disse Mamãe: - “Vale cada centavo”!
(fev/2011)
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Opção Porcaria
Considero incompreensíveis os acionamentos de descarga de vaso sanitário que têm “opção pouca água” e “opção muita água”. Analisemos.
Quando se faz “número 1”, toda a água do vaso fica suja, e portanto toda ela deve ser trocada. Logo, quem faz “# 1” deveria premer a opção “muita água”.
Por outro lado, o “número 2” pode resultar apenas um couraçado boiando solenemente no meio de água critalina. Logo, com a opção “pouca água” seria possível colocá-lo a pique!
Ou será que é ao contrário?...
Zurice na hora de dar descarga é simplesmente uma “opção porcaria”. Certamente existe muito desperdício de água – mais de 50% ANTES de chegar às nossas torneiras, e também uma enormidade depois. Não é na eliminação de dejetos, portanto, que devemos fazer economia – neste caso, literalmente uma economia porca.
O que me lembra recente campanha do Jornal Nacional para “fazer xixi durante o banho para evitar desperdício”. Convenhamos! Daqui a pouco algum outro gênio vai ter a idéia de pedir para defecarmos nas plantas para aumentar a economia!...
(fev/2011)
Quando se faz “número 1”, toda a água do vaso fica suja, e portanto toda ela deve ser trocada. Logo, quem faz “# 1” deveria premer a opção “muita água”.Por outro lado, o “número 2” pode resultar apenas um couraçado boiando solenemente no meio de água critalina. Logo, com a opção “pouca água” seria possível colocá-lo a pique!
Ou será que é ao contrário?...
Zurice na hora de dar descarga é simplesmente uma “opção porcaria”. Certamente existe muito desperdício de água – mais de 50% ANTES de chegar às nossas torneiras, e também uma enormidade depois. Não é na eliminação de dejetos, portanto, que devemos fazer economia – neste caso, literalmente uma economia porca.
O que me lembra recente campanha do Jornal Nacional para “fazer xixi durante o banho para evitar desperdício”. Convenhamos! Daqui a pouco algum outro gênio vai ter a idéia de pedir para defecarmos nas plantas para aumentar a economia!...
(fev/2011)
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