segunda-feira, 27 de agosto de 2012

It’s only Rock’n Roll, but I like it


Por muito tempo acreditei que nossa capacidade de se apaixonar por Bandas novas ficasse restrita a determinada faxa etária – digamos, entre 15 e 25 anos de idade por exemplo. É claro que me baseava em um universo amostral bastante restrito para chegar a tal conclusão: Eu, meus Amigos, Eu, meus Parentes e Eu. Afinal, é bastante comum a afirmação que “a música atual é uma porcaria”, qualquer que seja a idade de quem faça tal comentário. Assim, se quando tinha 16 anos eu ouvia T.Rex, Genesis, Alice Cooper, Emerson Lake & Palmer e Led Zeppelin, ouvia também comentários que “antigamente é que a Música era boa”. Hoje, já um ancião quase centenário, sou eu quem profere a mesma ladainha, sempre me referindo – como todos de minha geração – ao “maravilhoso panorama musical dos anos 70”.

Acontece que ao mostrar músicas que sempre adorei para pessoas que nunca as ouviram, tento empatizar como se eu fosse tal ouvinte noviço, considerando como eu mesmo analisaria aquela música se a estivesse ouvindo pela primeira vez. O resultado é desastroso! Tente por exemplo ouvir os quase 44 minutos de “Thick As A Brick” como se não a conhecesse: é insuportável!

De vez em quando alguém me apresenta um som que gosta desde seu passado, e que eu ainda não conheço: Def Leppard, Judas Priest, etc. O Amigo está sempre entusiasmado, mas eu... acho um puta porre! Que som adolescente! E fico pensando que o cara só gosta deste som porque aprendeu a curtí-lo quando tinha seus 18 anos.

Isto justificaria o porquê de coisas como rap, funk, sertanejo e quetais conseguirem fazer sucesso atualmente, apesar de serem intragáveis. Se deve ao fato do ouvinte ter a cabeça virgem do adolescente musical, aberto para tudo, terreno em que se plantando tudo dá.

No entanto, recentemente dois fatos vieram a modificar esta minha hipótese. Primeiro foi a descoberta do RAMMSTEIN, Banda de Metal alemã com base Progressiva que me encantou e de quem vim a gostar de TODOS os discos, como se eu fosse um adolescente. Fui aos shows, comprei os vídeos, e até voltei a estudar alemão; matusalém reborn.

Mas o golpe de misericórdia na teoria foi o disco de 2012 “Tits’n Ass”, do GOLDEN EARRING. Como já aconteceu com dezenas de álbuns que vim a amar, eu o ouvi as primeiras vezes com bastante distanciamento. Foi apenas quando escutava o disco pela 6ª vez que vim a entender que se trata de Uma Verdadeira Obra Prima!!! E um raio me abriu a cabeça: não é que na adolescência nós tivéssemos a cabeça mais aberta musicalmente; ocorre que naquela época nós ouvíamos um disco diversas vezes antes de chegar a um veredicto sobre ele. Nós comprávamos discos, e os ouvíamos! Mas com o passar do Tempo e com a idade, já maduros, experientes, impacientes, reumáticos e enrijecidos, passamos a ouvir um disco novo apenas uma vez – ou ½ vez, se tanto – e então já o rotulamos, de  imediato, e em geral de forma negativa. Não nos aprofundamos, não descobrimos os detalhes, não nos envolvemos – e assim fica tudo sendo mesmo uma merda!

Somente dedicamos sete ou oito audições a um disco novo de um Banda que gostemos muito – uma daquelas que nos conquistou décadas atrás. E assim se cria o círculo vicioso: só gostamos hoje dos discos novos de quem já gostávamos antes!

Algumas sons eu demorei muito para compreender: passei quase 40 anos comprando discos e ouvindo o VAN DER GRAAF GENERATOR, para finalmente vir a me deliciar completamente com a Banda somente de 2010 para cá. É inimaginável que atualmente eu fosse dedicar 40 anos a uma Banda que eu não entenda...

Uma exceção honrosa a este tipo de comportamento é Mamãe: ela sempre ouviu e curtiu coisas novas com muito mais abertura do que eu. Foi a Miami assistir a um show “No Security” dos STONES (sem seguranças entre a platéia e a Banda); foi ao Maracanã assistir o PRINCE na Pista; e algumas outras peripécias definitivamente impublicáveis.

Ou talvez eu esteja errado: o som atual é mesmo uma titica. E mesmo com 50 anos de estrada, o GOLDEN EARRING é uma exceção fenomenal!


(ago/2012)

domingo, 26 de agosto de 2012

Fastio Tântrico


Tenho pena das pessoas que pregam se estenderem em preliminares sexuais por dias, semanas ou meses sem orgasmo; se orgulham de levar o desejo até um limite quase insuportável para depois terem fortíssimas descargas. Revelam uma falta de conhecimento do próprio organismo e também de raciocínio lógico extremamente danosos à saúde a longo prazo.

O orgasmo nada mais é do que uma necessidade orgânica, assim como beber, comer ou respirar. É uma ferramenta de reprodução da espécie, nada tendo a ver com "contato cósmico com Deus", "atalho para o Nirvana" ou qualquer outra baboseira similar. A diferença é que, ao contrário das demais necessidades do organismo, precisamos levar esta a um extremo antes de saciá-la. Assim, quem tem fome, come, e quem tem sede, bebe – é simples e direto; mas quem tem desejo sexual precisa elevar sua excitação ao limite antes de satisfazê-la. A sensação de saciar é muito mais intensa; e é por isto que o sexo se torna tão forte em nossas vidas.

Evidentemente quem levar a fome ao extemo terá uma tremenda sensação de prazer quando comer; da mesma forma que aquele que está quase morrendo de sede tem um monumental prazer ao beber. Esta sensação foi muito bem explorada há muitos anos pela campanha do refrigerante TEEM “para a pior sede”, que dizia: “provoque a sede até não agüentar mais”. E apresentava um náufrago completamente ressecado sendo resgatado de seu bote e levado para um navio, onde pedia para surpresa de todos:
- “Amendoim torrado!”
Na frente da tripulação horrorizada ele colocava os amendoins na boca ressecada, e então abria a mochila que o acompanhava no bote salva-vidas: era um isopor cheio do refrigerante, gelado!

Outro anúncio da mesma série (um deles era com o Paulo Cesar Pereio) mostrava um homem saindo do deserto totalmente ressecado e entrando em um bar. Ele estava torrado, em petição de miséria. Se arrastava até o balcão e pedia:
- “Batata chips!”
Todos ficavam chocados, e ele enchia a boca seca. Abria então a mochila que trazia nas costas, cheia de... gelo e Teem! E se refastelava...

Ficar meses em preliminares provocando e não satisfazendo o organismo equivale a ficar dias sem comer e então se deliciar; ou muito tempo sem beber, e então se saciar. Ou mesmo ficar vários minutos sem respirar e então encher os pulmões. Dará mais prazer, mas evidentemente a repetição a longo prazo fará mal ao organismo.

A sensação instantânea pode até ser uma delícia.

Mas prepare-se para o cancer de próstata, mané.


(ago/2012)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mickey 3D


Ela caminhava pela mesma calçada que eu, vindo em minha direção.

Vestia uma camiseta justa, com um enorme Mickey estampado.

Estava evidentemente apressada.

E a cada passo largo que dava, como balançavam as orelhas daquele camundongo!


(ago/2012)

domingo, 19 de agosto de 2012

O Sonho que eu mais temo


Existe um sonho que eu tenho pavor de ter algum dia.

Me aparece uma figura messiânica, como um Anjo ou coisa que o valha. E tal figura me diz:
- “Quando acordar você vai se lembrar desta conversa, e vai achar que foi um sonho. Mas não é. É um aviso: sua hora está chegando. Seu tempo nesta existência está se esgotando. Este seu corpo será descontinuado dentro de 1 mês (ou 1 ano, ou 1 semana, etc). Aproveite direito este intermezzo que te resta.”

Você acorda. Lembra da conversa, e acha que foi um sonho. Ou... será que não foi???

E agora? Como vai viver este 1 mês (ou 1 ano, ou 1 semana)? Vai se desligar do trabalho e passar o tempo escrevendo, ou viajando, ou se despedindo das pessoas, ou procurando as pontas que ficaram desamarradas? Ou vai ignorar o que talvez tenha sido um aviso, e viver o que podem ser seus últimos dias... como se nada tivesse acontecido?

Vai viver como se não tivesse sido avisado?


“You have some time left, Mister Banks. You have some life left. My advice to you is: live it well.”


(ago/2012)

sábado, 18 de agosto de 2012

Romantismo é isto!


Papai lembra que em sua festa de formatura no Clube Militar na Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro ele conheceu Mamãe há exatos 61 anos.

Ele tinha estudado no C.P.O.R., e já estava descendo as escadarias do Clube e indo embora da festa quando viu um Amigo de turma chegando com a Irmã. Papai olhou a Menina... e deu meia volta, subiu novamente as escadas e voltou para a Festa.

Este Amigo veio a ser meu Tio, e a tal Irmã... minha Mãe!

Todo ano, no dia 18 de agosto, ele faz questão de comentar que naquele dia de 1951 começava a minha história, e a de meus Irmãos.

(18/ago/2012)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Flor de Lótus


Talvez o grande exemplo a ser seguido seja o da flor de lótus.

Ela não se preocupa em melhorar o pântano onde vive. Não se preocupa em limpá-lo, reformar-lhe a aparência, torná-lo agradável, sábio, lógico, respeitoso ou inteligente. Sua única preocupação é manter-se limpa. Pura, diferente do lodaçal que a cerca. A flor de lótus tem consciência de que não conseguirá mudar o pântano. Preocupa-se consigo própria, e isto lhe é suficiente.

O pântano que se dane.


(ago/2012)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Downgrade


O plantel feminino da Área de Finanças daquela Administradora de Cartões de Crédito era simplesmente espetacular. Existia uma foto das Damas abraçadas em algum evento que tinha sido batizada pelos Homens como “Great Place to Work”, sendo também conhecida como “Porquê eu gosto de trabalhar na Administradora”.

Estávamos todos juntos no casamento de um Trader em Higienópolis. A Administradora tinha recebido poucos dias antes um novo Tesoureiro, que evidentemente compareceu ao evento. Conversávamos animadamente do lado de fora da Igreja junto com o Noivo – nosso amigo do dia-a-dia – e o Treasurer se entusiasmou com a beleza da Mulherada (quem não se entusiasmaria?). Eu estava falando com dois ou três aviões, e discretamente ele pediu que o apresentasse a elas. Eu disse:
- “Fulana e Beltrana, este é o Sicrano, nosso novo Tesoureiro”. (Todo mundo sabia que tinha chegado um Tesoureiro novo na Empresa.)
E me afastei.

Poucos minutos depois o Sicrano se aproximou de mim e reclamou em voz baixa:
- “Pô, você me queimou! Não dá para dizer que eu sou o Treasurer, ficam todas sem jeito e distantes, me chamam de Senhor e ficam sem assunto! Faz o seguinte... para as próximas deusas, me apresente como Estagiário!”

(jan/2011)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Out of the Blue


Estavam juntos por mais de uma dúzia de anos, e formavam um casal estável. Se desentendiam como todos os casais se desentendem, mas seus Amigos e Famílias não conseguiam imaginá-los separados. E tampouco eles.

Mas certo dia, out of the blue, ela lhe falou:
- “Preciso de um tempo.”
Ele a encarou, imaginando tudo. Ela continuou, inapelável:
- “Amor antigo. Separamos sei lá por que motivo. Doença terminal, poucos meses de vida. Mora na Índia, pediu que vá encontrá-lo. Eu vou.”

Ele não foi trabalhar no dia seguinte. Empacotou suas coisas e se mudou para um Flat.

Ela levou pouco mais de uma semana se preparando para a viagem, se desligando do trabalho, se despedindo da Família, organizando a vida que deixava e a que começava. Neste período eles se falaram somente o indispensável, as coisas práticas: afinal, se sofre em silêncio mas as coisas práticas precisam de andamento. Nas duas vezes em que precisou buscar alguma coisa pessoal, escolheu horários em que – sabia – ela não estaria em casa.

Ela se foi do País, e de sua vida.

Ele cortou qualquer fonte que pudesse representar informação a respeito dela. Bloqueou-a em redes sociais, e não perguntava (e nem queria saber) dela quando encontrava alguém de suas relações. Ficou sozinho (ou quase), pois gostava da solidão e não buscava tapar artificialmente aquele buraco.

Ela também não o procurou.

10 meses e meio se passaram.

Ele estava tomando café no Escritório quando ela apareceu. Out of the blue. O cabelo bem mais curto. Pele curtida, queimada de sol. Uma cicatriz no queixo, lado esquerdo do rosto (“meu deus, qual a história desta cicatriz?”). Um ar mais maduro, de talvez sofrimento, que a deixava ainda mais distante.

Mais uma vez ele ficou sem palavras.

Ela só disse uma:
- “Acabou.”


(julho/2012)

sábado, 16 de junho de 2012

A Árvore de 1.000.000 de anos


Imagine se as árvores levassem 1 milhão de anos para crescerem. Ao vê-las acharíamos serem seres imóveis, estáticos, inertes, sem vida.

Do ponto de vista de uma musca domestica ou de um mosquito, que vivem poucas semanas, as árvore são seres inanimados.

E se o mesmo acontece com as pedras? De nosso fugaz ponto de vista, consideramos serem seres inanimados. Mas talvez cresçam, se desenvolvam, se movam a uma velocidade impercetível a nossa tosca e meteórica consciência.

Nós somos os mosquitos das pedras. Ou pior: perto delas, somos menos do que micróbios.

Deus está nas pedras.


(mai/2012)

domingo, 20 de maio de 2012

Um Panda na África


Um Panda Em Saturno tira breve período de férias e segue para a África do Sul, com planos de fazer (muitos) safaris, trekking em canyon, navegação em represa, caminhada por falésias com mirantes de reservas de baleias, visita a colônia de pingüins, vinícolas, etc. O evidente entusiasmo com a viagem  gerou até mesmo a compra de uma nova máquina fotográfica!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Hecatombe Iminente


Nasci em 16-06-56, e no próximo dia 16-06 completo 56 anos. Esta conjunção numérica, que alguns incrédulos poderiam tachar de mera coincidência, traz embutido um único significado: nosso Planeta está a beira de um cataclisma cósmico!

A confluência dos números indica um alinhamento planetário místico entre a galáxia de Andrômeda, a lua Enceladus e o Triângulo das Bermudas. A estrela Alpha Centauri estará em sua máxima aproximação com a Terra nos últimos 6.372 anos, oferecendo um espetáculo de beleza indescritível e que não se repetirá antes de outros 437 séculos e meio. Para visualizá-la basta apontar uma luneta com magnitude 250x na direção da constelação de Hierofante; o pontinho roxo bem perto do cú do escaravelho é Alpha Centauri, ofuscando resplandecente em todo o seu fulgor.

Infelizes aqueles que não seguem o calendário gregoriano, pois estão sujeitos à influência destes números cabalísticos sem o saberem – da mesma forma que os animais, as plantas, as estrelas e o Destino, joguetes e fantoches nas mãos da magia numerológica.

É uma pena que eu não tenha naiscido em 17-07-57: a Humanidade teria adicionais 2 anos, 1 mês e 1 dia pela frente...

Paciência!


(maio/2012)

domingo, 13 de maio de 2012

Não brigue com o Amante de sua Mulher


Quando se conheceram, ela tinha um Namorado de muitos anos do qual reclamava contínua e pesadamente. Eventualmente começaram a sair juntos, com freqüência crescente, e a afinidade entre ambos era evidente. Cada vez mais e mais evidente. Ele chegou à certeza de que era uma opção muito melhor para ela do que aquele Namorado de longa data. Ela provavelmente também sabia disto; mas movida por uma plêiade de sentimentos de culpa, obrigação, remorso e mais culpa ainda, não conseguia se desvencilhar daquele Zumbi que vivia a muitos quilômetros de distância.   

A situação se prolongou por muitos meses. Até que certo dia estavam indo juntos para uma Festa, eufóricos e felizes por estarem juntos, e ele considerou que era chegada a hora de melhorar a vida de todos:
- “Estou te pedindo oficialmente em namoro.”
Ela levou as mãos à cabeça e se curvou até encostar no painel do carro, e pranteou:
- “Não faça isto comigo!”

Em alguns meses mais estavam finalmente namorando. E completamente felizes.


“Rentabilidade passada não assegura rendimento futuro”. Devemos estar sempre com alguém que seja a melhor alternativa possível para nós, da mesma forma que a pessoa deve estar conosco por sermos a melhor alternativa possível para ela. Neste momento e no futuro, e não porque um dia o passado foi lindo e maravilhoso.

Você quer que alguém fique com você mesmo sabendo não ser a melhor opção para esta pessoa? Sabendo que ela seria mais completa, feliz e sorridente se estivesse com outro? Imposição, e não conquista? Que espécie de auto-estima você tem?

Se sua Mulher ou seu Marido tiverem tiverem Amante, tenha em mente que sua relação não é com tal Amante mas sim com seu Parceiro (pessoalmente considero ter Amante uma poltronice, mas este é outro assunto). Você não tem nenhuma satisfação a tomar com tal terceira pessoa; foi seu Parceiro quem optou, e provavelmente o fez porque você deixou de ser a melhor opção. A culpa é sua, a responsabilidade é sua – transferí-la a outro é covardia, é fugir do real problema: você mesmo.

Quem não quer ninguém dando em cima de sua Esposa deve se casar com uma Alcéia Mocréia Baranga Dragão. De minha parte, não quero uma Companheira pela qual ninguém se interesse; pelo contrário, prefiro uma Mulher que todo mundo dê em cima. Atraente, interessante, fascinante. Não desejo uma Mulher que fique comigo por falta de opção: quero que tenha todas as opções do Mundo.

Uma Mulher que, entre todas as opções do Mundo, escolha a mim.


Nota:
A história que inicia este texto pode ter acontecido comigo.
Neste caso, posso ser tanto o Namorado novo como o antigo.
Talvez ela tenha acontecido com alguém que conheço, e eu tenha acompanhado de perto.
Talvez os sexos estejam invertidos.
Ela pode também ter sido inventada.
Não faz a menor diferença.


(mai/2012)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Start spreading the news


Um importante momento em nossas vidas profissionais é quando escrevemos a mensagem de despedida ao deixarmos um trabalho.

Trata-se de uma circunstância que mistura Pessoal com Profissional, Racional com Emocional, às vezes Gratidão com Destempero... são algumas poucas palavras para uma multitude de sentimentos.

A melhor mensagem de despedida que vi em toda a minha vida profissional foi de SdCR. Ela estava deixando o Banco, e seu sentimento não era exatamente de entusiasmo. Na época, estávamos com uma campanha de marketing na praça cuja trilha sonora era “New York, New York” de Frank Sinatra. A mensagem foi singela e completamente objetiva:

Subject:                       Start spreading the news...

Corpo da mensagem:     ... I’m leaving today!

E só!!!

Como curiosidade, relembro a mensagem que enviei ao sair do Banco e da Administradora após 17 anos. Chamava-se “Pride”: 
I believe we should pursue the actions which will make us proud when we look back and evaluate our lives.
I will always be extremely proud for having been part of this Company for 5 + 12 years.
I will maintain contact, but from now on only as Customer - and Friend.
As Customer, I ask you to continue taking good care of me, as it has always been.
As Friend, I thank Citibank, Credicard and You for all the good things we shared in this period.
Regards,
MG

(mai/2012)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Pior Forma e o Melhor Remédio



Alguém indaga em uma Rede Social:
- “O que devo fazer para tomar mais água? Tenho sede diversas vezes por dia, mas nem assim eu bebo água!”

Podemos sugerir duas alternativas. A primeira é se internar em um Hospital e passar o dia – ou os dias – tomando soro. Soro hidrata, e assim este Alguém não precisará beber a água. Injeta!

A segunda alternativa é um remédio ainda melhor: basta ter uma pedra nos rins. Trata-se de uma dor que começa pequena e que vai crescendo sem parar, ininterruptamente, interminavelmente, até chegar a um ponto em que não existe outra coisa no Universo – e mesmo assim continua aumentando. Tive uma pedra no dia 03 de outubro de 2010, e uma tosca descrição da devastadora experiência está em “A Pedra e a Receita” (http://www.umpandaemsaturno.com/2010/10/pedra-e-receita.html)

Fato é: quem tem cálculo renal uma vez, nunca mais deixa de tomar muita água.

Triste isto, uma história que mostra uma desanimadora imagem de nosso comportamento. Sabemos que tomar água é importante, passamos a vida ouvindo sobre tal necessidade. E com muitas outras coisas acontece o mesmo; quase sempre sabemos o que deveríamos fazer. 

Mas só aprendemos da pior forma possível.


(mai/2012)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Velho é a Vovozinha!




Ao decidir ter seu primeiro Filho (ou Filha), lembre-se: se ele (ou ela) pensar igual a você, quando tiver o dobro de sua idade atual você será Avô (ou Avó)!



(mai/2012)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quem compra CD?


De repente virou moda perguntar:
- “Quem ainda compra CD?”
, complementado pelo depoimento:
- “Eu nem me lembro qual foi o último CD que comprei!”

A mensagem implícita é: “eu não compro mais CD, logo sou muderno”. No entanto, não é por ser muderna que a pessoa deixa de comprar discos.

Desde sempre existem dois tipos de ouvintes de Música (talvez mais, mas vamos nos ater a estes dois): os que ouvem músicas individuais, e os que ouvem obras inteiras. Aqueles que gostam da música mais fácil e comercial sempre compraram os compactos – ou então se queixavam de “ter que comprar um disco inteiro só por causa de uma música”.

Este pessoal fez a festa com a chegada do MP3 e dos downloads. Para eles, não tem problema a compressão dos extremos da banda sonora, comprometendo a qualidade do que se ouve: afinal, o que se ouve não tem qualidade mesmo – desde o estúdio!

Já quem ouve obras inteiras, discos completos (lembrando que “CD” significa “Compact Disc”) não apenas fica no arranhar da superfície: aprecia todo o opus, sua seqüência musical, sua evolução. Lembremos da história dos cegos que apalpam diferentes partes de um elefante, cada um ficando com uma diferente (e errada) interpretação do quê seja o animal. A diferença entre uma música de 3 minutos e um disco de 1 hora é a diferença entre uma transa de 3 minutos e uma de 1 hora...

Assim, quem só ouve uma música de cada álbum acha que GENESIS é “I Know What I Like”, que MARILLION é “Kayleigh”, que LED ZEPPELIN é “Stairway to Heaven” e que RUSH é “Tom Sawyer”. (Bem, no caso do Rush não há muito o que melhorar, mesmo...)

Uma outra interpretação poderia ser que os lançamentos atuais são tão ruins e descartáveis que ninguém mais compra discos inteiros. Neste aspecto posso até concordar: já há alguns anos me voltei a comprar os álbuns obscuros de Bandas que eu achava boas no passado, e das quais não comprei muita coisa porque a concorrência era gigantesca. Assim, acabei por adquirir nos últimos anos quase tudo do YES, do JETHRO TULL e do ROXY MUSIC, por exemplo. Agora, após ter adquirido toda a obra do (maravilhoso) VAN DER GRAAF GENERATOR em 2011, em 2012 estou me dedicando aos álbuns de seu mentor PETER HAMMILL. E com que prazer!...

Sim, eu compro CDs. Muitos. Faço a festa nas GRANDES GALERIAS (aka GALERIA DO ROCK). Me orgulho disto. Ouço obras inteiras. Não acho que um elefante seja um animal  que se parece com uma mangueira, um abano ou uma corda.

E não gosto de transas de 3 minutos.


(mai/2012)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Belated Birthday


Sou partidário de parabenizar pelo aniversário no dia seguinte à data.

Você realmente acredita que certas empresas liberam seus funcionários no dia do aniversário por “bondade”? Tolinho!!!

O aniversariante passa seu dia ensandecido recebendo telefonemas, visitas, abraços, confortos e afagos. Não consegue prestar atenção decente a absolutamente nada, vive um turbilhão. É exatamente por isto que muitas empresas liberam o aniversariante: não por bondade, pelo contrário – já sabendo que ele será um completo inútil nesta data, ao menos salvam a produtividade dos demais!

Já o dia seguinte é o oposto: passado o fuzuê, a pessoa é abandonada, esquecida e ignorada. A agitação da véspera se esvanece em fumaça... e o ex-aniversariante também. É a ressaca de seus 15 minutos de fama.

imagem de: gracomonline 
Daí... chega um telefonema de parabéns atrasado. Delícia! Você ainda é importante, afinal! Pode então conversar com calma, ouvir o interlocutor com atenção e prestar atenção no que fala sem se preocupar com cem mil outras coisas em paralelo. Um diálogo exclusivo entre o parabenizado e o atrasado, e mais nada. E o outro ainda se desculpa! Pelo contrário, o aniversariante é que deveria agradecer...

Portanto, não peça desculpas se eventualmente vier a me telefonar no dia seguinte a meu aniversário. Igualmente, quando eu te ligar para dar os parabéns no dia seguinte ao seu aniversário também não vou te pedir desculpas – você é quem deve me agradecer. E principalmente não estranhe se ao te ligar no dia seguinte eu der esta explicação toda: não é uma desculpa, é só a verdade.

Ou ao menos, “se non è vero, è ben trovato”!


(Nota - o grande risco deste raciocínio é você perder a Festa...)


(ago/2011)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Loco Mosquito


Sugestão de videogame: o avatar do Jogador é um Pernilongo. O joystick controla o vôo, direção, altitude, pousos... e principalmente a chupação de sangue!

A pontuação (e conseqüente quantidade de vidas) é função da dificuldade de acesso ao sangue sugado: braços, peitos do pé, coxas e nucas são “standard”; mas nádegas, seios e órgãos sexuais pontuam muito mais! Da mesma forma, chupar o sangue de gente acordada é mais perigoso – e portanto vale mais – do que o sangue de gente dormindo. E invadir cama com mosquiteiro vale bônus! (Mas cuidado, você pode ficar preso lá dentro.)

O cenário é um apartamento ou casa, e o Jogador pode se ocultar em banheiros, atrás do bidê ou do espaldar da cama, na moldura de um quadro, nas frestas de uma cortina. E os inimigos – dos quais você passa a vida fugindo e se escondendo – são raquetes elétricas, jornais enrolados, mãos espalmadas, toalhadas, etc.

Bônus blaster para quem conseguir acordar a vítima na madrugada e mantê-la desperta, te procurando furiosamente!


(abr/2012)

sábado, 21 de abril de 2012

Cuidado, Homens!!!


O maior e melhor exemplo de como as Mulheres são observadoras e detalhistas (e ferinas) me foi dado por duas grandes Amigas no Mestrado.

Tínhamos duas aulas por noite. Eu conversava, estudava e saía sempre com as duas, e já era considerado por elas quase como uma Amiga  e ouvia portanto várias inconfidências. Entre todos os comentários, o que mais me impressionou foi no final de uma noite em que tínhamos tido aulas com os Professores Fulano e Sicrano:
- “Você viu que o Professor Fulano trocou a dentadura?”

Fiquei estarrecido: eu jamais notara que Fulano usava dentadura, e muito menos tinha capacidade de observar que ele tinha trocado!

Mas pior ainda foi a resposta da outra:
- “Vi sim! E, sinceramente falando, o Professor Sicrano também está precisando trocar a dele...”

Portanto, Amigos, cuidado. Elas reparam em tudo. Tudo tudo tudo TUDO. Principalmente naquilo que você não repara...

(abr/2012)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Lima Barreto



“Quando me julgo, nada valho;
quando me comparo, sou grande.”

(Lima Barreto, citado por Antonio Arnoni Prado no caderno “Sabático” d’O Estado de São Paulo de 14/abr/2012)

sábado, 14 de abril de 2012

O Elixir Sesquicentenário

Ao completar 40 anos, um Jovem e Decidido Executivo marca uma consulta com seu Médico adepto de linha chinesa (“Medicina Interna”), e dispara:
- “Doutor, vou viver até 150 anos. Vim aqui buscar o elixir para isto.”

O Médico o encara com surpresa e admiração, e rebate:
- “Parabéns pelo projeto! Eu posso, sim, te dar a resposta imediamente – e não é um elixir. São quatro as atitudes essenciais para a sua longevidade:
  • curtir as coisas boas, e administrar as ruins;
  • comer pouco;
  • exercitar-se todos os dias, sete dias por semana; e
  • rotina! O corpo gosta de rotina. Fazer tudo sempre nos mesmos horários: dormir, comer, se exercitar; enfim, programar sistematicamente suas atividades orgânicas.”

Fica portanto a orientação. Em 2122, o Ainda Jovem e Decidido Executivo nos dará um retorno!

Nota: o segundo conselho remete ao ditado “comer pouco para viver muito”!

(14/abr/2012)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Welcome Kit

Impressões no 1º dia de trabalho.

1. 
Ele furou a orelha em Berlin em janeiro de 1986. Um mês depois estava morando em London, e conseguiu um bico como garçom no Pizza Hut em Oxford Street (exatamente em frente à Virgin Megastore; ele sabia de antemão onde iriam parar todas as suas “tips”...).

No discurso introdutório o manager do restaurante explicou as regras de comportamento e conduta, horários, os atendimentos no salão principal, a administração da fila de espera, como lidar com o “salad bar”, cuidados com o uniforme, o que podiam e não podiam fazer, o que podiam e não podiam comer, o que podiam e não podiam beber, etc.

Ao final do speech o manager olhou para ele, e disse:
- “No earrings allowed for male personnel.”

Ele nunca se esqueceu daquilo. Concordava que não tinha nada a ver, e jamais usou brinco em ambiente de trabalho.


2. 
Ele respondeu a um anúncio de jornal, e enviou um currículo para a grande e famosa  Administradora. Neste CV fazia questão de manter registradas peculiaridades como “garçom no Pizza Hut em Londres” e “tradutor de histórias em quadrinhos” na rúbrica “Outras Atividades” (*). Acabou sendo contratado (**) em um processo seletivo onde fez uma enorme bateria de testes, incluindo uma análise grafológica.

O primeiro dia consistia em um treinamento do modus operandi da Administradora, suas diversas Áreas e a integração entre elas, o funcionamento de RH, o detalhamento dos benefícios, e muitos et coeteras. Eram mais de 40 pessoas sendo admitidas naquele dia, e a maior parte das palestas era no Auditório da Empresa, na esquina da Avenida São João com a Avenida Ipiranga em São Paulo.

O que mais o marcou naquele evento foi a observação de uma Gerente do RH:
- “Muitas Empresas têm reservas quanto a funcionários terem relacionamentos com colegas de trabalho. Este não é o nosso caso: não temos nada contra envolvimento entre nossos funcionários. Somos uma Empresa enorme, de pessoas jovens e bonitas, que passam a maior parte dos dias juntos e saem após o expediente; é natural que surjam envolvimentos e relacionamentos. Só não queremos que isto influa no trabalho; não queremos brigas nem favorecimentos. Preferencialmente nada entre Chefes e Subordinados. Fora isto, vocês são totalmente livres.”

Ele também nunca se esqueceu daquilo. E adotou a mesma postura pessoal em todos os lugares onde trabalhou. Nunca criticou nada.

E nem se furtou...
  

(*) O objetivo original de manter estas duas atividades no CV eram:
- garçom: demonstrar versatilidade, falta de frescura e “morei em Londres” (para ser garçom lá tinha que falar inglês muitíssimo bem)
- histórias em quadrinhos: para ser tradutor de histórias em quadrinhos você tem que entender MUITO inglês! É tudo gíria, duplo sentido, frases incompletas, significados bifurcados, etc. “Demolidor” e “Monstro do Pântano” foram até razoavelmente fáceis; já “Sobrinhos do Capitão” era gíria interiorana pura e ininterrupta, e portanto impossível.


(**) Posteriormente o Chefe que o contratou comentou tê-lo chamado para a entrevista (entre centenas de outros currículos) exatamente por causa daquelas duas peculiaridades:
- “Eu vi aquilo e pensei: no mínimo vou me divertir com este cara!”


3. 
O primeiro dia de trabalho dela na grande e famosa Administradora. Área de Finanças, segunda-feira pela manhã. A nova Analista chega nervosa e ansiosa. Atravessa o enorme andar e passa na mesa de seu novo Chefe, a única pessoa que conhece naquele ambiente desconhecido.
- “Bom dia, Chefe!”

O Chefe não levanta a cabeça dos papéis que estuda, e responde com a cara fechada e sem olhar para ela:
- “Só se for para você...”

Meses depois, ambos contavam esta história: ela atônita; o Chefe às gargalhadas!


(abr/2012)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os Emos


Alguém com boas intenções me tacha de "emocional". Mas 'boas intenções pavimentam a entrada do Inferno', e me sinto extremamente ofendido. Aproveito portanto para revolver o assunto.

"Emocional" é aquele que deixa que as emoções definam suas decisões. Quando estamos em dúvida entre duas coisas, em geral o Racional está puxando para um lado e o Emocional para outro. Normalmente o Coração quer, mas a Cabeça diz: - “Não! É cagada!”. Alguns demagogos gostam de apregoar a solução facinha e piegas: “faça o que seu coração mandar”. Este é o caminho do comodismo e da ruína: o Coração não é bom para tomar decisões, mas sim a Cabeça. “Siga seu coração” significa: “faça a merda”! A decisão Emocional é uma decisão preguiçosa, fácil de tomar e que não causa sacrifício dolorido a curto prazo – mas é uma catástrofe a longo. Faça, isto sim, o que o seu Cérebro mandar; em pouco tempo seu Coração vai te agradecer.

Já ser "Emotivo" é completamente diferente: é alguém que se emociona com as coisas, mas não se deixando dominar ou levar por elas. Existem e acontecem muitos eventos de fortíssimo conteúdo emocional ao longo de nossas vidas, e se deixar sensibilizar e emocionar por eles nos enriquece e colore. Mas isto é ser Emotivo, e não Emocional.

Cabe ainda espaço para analisarmos o que vem a ser “Emo”. O termo é originário de uma linha musical (“emocore”), mas atualmente no Brasil se refere a uma postura de vida. Em minha forma pessoalíssima de ver, “Emo” caracteriza o visual de todos os Adolescentes nos últimos anos. Embora a maioria rechace o rótulo, dizendo que “emos são os outros”, o visual e as roupas – e principalmente o cabelito cuidadosamente escovado cobrindo generosas partes do rosto – são praticamente iguais para todos: é o look emo. Vão te xingar se você os chamar assim (o termo deriva de ‘emotivos’, que neste caso significa ‘aquele-que-chora-à-toa’), mas que são, são. É tudo igual.

Conclusão: não sou ‘Emocional’, sou ‘Emotivo’.

Portanto, sou Emo!

Piorou!


(abr/2012)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Uma Pizza Em Saturno


Recomendação culinária pessoal: para minhas papilas gustativas, a melhor pizza possível é de CATUPIRY com PRESUNTO PARMA.

Imbatível!

É raríssimo encontrar alguma Pizzaria que tenha no cardápio. Sempre preciso pedir para fazerem, e acabo tendo que repartir com todo mundo na mesa.

 (Nota: se a pizza vier com azeitonas, mande enfiá-las... em algum lugar onde caibam as azeitonas!)


(abr/2012)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Três Fatores de Desempenho


São 3 os fatores que interferem no desempenho de um time de futebol:
- qualidade técnica;
- sorte; e
- influência da arbitragem.

O peso de cada um destes fatores pode variar ao longo de uma competição ou de uma partida, mas será seu balanço que definirá o resultado final.

O fator Sorte aparece aqui e ali, tanto favorável quanto desfavorávelmente. Pode ser em algumas bolas na trave, em um chute que desvia em outro jogador e entra ou sai, em um quique falso que atrapalha uma finalização ou engana o goleiro. A Sorte pode influenciar o resultado de alguns jogos, mas sozinha é praticamente impossível que leve uma equipe a ser campeã em um torneio em pontos corridos.

A Qualidade Técnica é (ou deveria ser) o fator mais importante, pois é o resultado de trabalho, investimento, empenho, inteligência. É um fator que entra em campo em todos os jogos de uma equipe – e que portanto deveria levar um time ao sucesso ou fracasso em uma competição bem pensada e corretamente administrada.

Infelizmente temos testemunhado o fator que deveria ser neutro influir cada vez mais nos resultados. Pode ser infelicidade, como pode ser má-fé; cada um chegue à conclusão ditada por sua observação e consciência. Para meu modo pessoal de ver o Mundo e a Vida, o Futebol vai se tornando uma usina de decepções com esta Raça na qual fui jogado. Um constante estilhaçar da confiança na pureza, honestidade, respeito e grandeza de “meus semelhantes”.

Fico impressionado que pessoas possam se orgulhar por conquistas claramente dirigidas e imerecidas. Quando vejo pessoas considerarem as vitórias mais importantes do que a honestidade, concluo que este comportamento diz mais a seu respeito do que qualquer outra coisa.

Jogadores que simulam penalties ou que cavam expulsões de atletas inocentes são louvados. Vozes covardes se elevam em favor de arbitragens pérfidas, defendendo-as com argumentos rasteiros somente por terem favorecido equipes de grande penetração política, social ou financeira. Reclamar de político desonesto é “ter espírito cívico”, mas de juiz ladrão é “choro”.

Vivemos uma Sociedade baseada em “vencer, não importa a que custo”. Pelo jeito, a Honra anda com custo baixo.

Se é que vale alguma coisa.


(abr/2012)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Come Together

 
Perguntaram a John Lennon porquê os Beatles tinham acabado.

Ele respondeu:

- “Estranho não é os Beatles terem acabado. Estranho é os Stones ainda estarem juntos!”


(abr/2012)

domingo, 8 de abril de 2012

É só um Jogo


Toda vez que vejo torcedores se esganiçando, jurando amor eterno a seus Clubes de coração, urrando “é raça!!!” com olhos esbugalhados e o rosto vermelho e inchado de sangue, querendo tatuar o escudo de seu time no peito ou – pior de tudo – brigando por causa de futebol, me lembro de “Fever Pitch”.

Este filme de 2005 com Jimmy Fallon e Drew Barrymore, chamado “Amor em Jogo” no Brasil, traz uma das cenas mais racionais e maduras a respeito dos esportes de competição – e, por isto mesmo, uma das mais ignoradas.

Jimmy Fallon faz o papel de um torcedor completamente alucinado pelo Boston Red Sox, time americano de baseball.

A cena que me marcou se passa após uma derrota de sua equipe. Ele está completamente devastado em um bar, sem fome e sem ânimo, arrasado e se lamuriando com um amigo. De repente nota que alguns jogadores do time estão em uma mesa próxima, comendo e conversando animadamente. Ele fica completamente transtornado – “como é possível que estejam assim, como se nada tivesse acontecido?!?” – e vai se levantando furioso para interpelá-los e tirar satisfações.

O Amigo o segura e interrompe o movimento, e faz a constatação definitiva:
- “Porque tudo isto? It’s just a game!”

É isto, galera. It’s just a game. Infelizmente as torcidas perderam este (bom) senso de leveza, de inconseqüência, de espírito esportivo. Só me resta especular que isto talvez seja reflexo de vidas vazias, de falta de objetivos concretos, de coisas realmente importantes na existência do elemento. É uma pena ver tamanho dispêndio de energia por algo que, no limite, não faz a menor diferença.

It’s just a game...


(abr/2012)