terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Mulher Mais Bonita Do Mundo

“Amor que vem por causa da beleza, vai embora com a beleza.”

Nunca considerei interessantes as pessoas que tentam conquistar outras exclusivamente através do fascínio visual.

Beleza não exige qualquer esforço de evolução pessoal. A pessoa já nasce bonita, foi Deus – ou a Natureza – que a fez assim. É claro que exige algum esforço, mas um esforço superficial, embelezamento da casca, cara sem coração, e não um aprimoramento do conteúdo.

O problema é que sempre vai existir alguma outra mais bonita, por mais bela que a pessoa seja. Sempre! Nas ruas, nas festas, nas revistas. Em qualquer bordel vai haver uma mulher mais bonita do que aquela que se julga imbatível – e também menos cara. Quem se empenhar em conquistar pela casca terá portanto um reinado curto.

Quem pensa assim vai envelhecer e tentar cada vez mais ficar com um rostinho que não é o seu. Um esforço bestial tentando ser o que não é. Sem perceber que só está enganando a si própria.

Não prego o desleixo. Mas a suma impotância do conteúdo não deve ser ignorada. De outra forma, você perderá seu parceiro para uma infinidade de outras mulheres. Em cada festa. Em cada esquina. Em cada bordel.

A Mulher Mais Bonita Do Mundo não existe.


(ago/2011)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quase Lá

Esta história aconteceu há vários anos. Mas o Tempo passa, e ela não perde a atualidade.

Domingo à tarde, eu estava no centro do Mundo (Ipanema). Entrei em uma agência bancária para fazer um saque. A ante-sala dos caixas eletrônicos era enorme, tinha algo como uns 12 ATM’s, todos desocupados. Aproximei-me de um deles e a tela exibia uma mensagem do tipo:
 * * *  SISTEMA FORA DO AR  * * *

Verifiquei mais alguns, mas todas as telas exibiam o mesmo aviso.

Virei-me e me encaminhei para a porta, quando notei uma Velhinha parada no meio do ambiente. Erguido no ar, ela segurava – quase brandia – um inútil cartão magnético. Com olhar desolado – e o braço ainda levantado com o cartão na mão – ela se aproximou, e me disse com voz trêmula:
- “Nós estamos quase na era da Informática. Quase!...”


(ago/2011)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Sogra Suíça

Ele estava há vários anos na Confederação Helvética, e (na)morava com uma Menina Suíça.

Optaram por se casar. Os brasileiros mais próximos se deslocaram até Zürich para as núpcias.

Durante um festivo evento pré-nupcial que envolveu as duas nacionalidades, a Sogra Suíça fez uma asserção que jamais esqueci. Na hora me pareceu um misto de franqueza e grosseria tipicamente europeus:
- “Nascer no Terceiro Mundo é karma. Quando uma pessoa nasce no Terceiro Mundo, é sinal que foi muito ruim em existências passadas!”

Somente o passar do tempo me aclarou a imensa sabedoria contida na afirmação. Continuo considerando a colocação impolida; mas sou grato a ela, pois vivendo no Terceiro Mundo me é corriqueiro passar por situações que lembram esta história e mostram que a Sogra Suíça estava coberta de razão.

Eu fui muito ruim em existências passadas!

(ago/2011)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mark-to-Market

Fico revoltado quando vejo “conselheiros” de investimentos proferirem a seguinte pérola em épocas de maré baixa:
- “Se você já está aplicado em Bolsa de Valores, aguarde mais um pouco antes de sair; mas para quem não tem aplicação, este não é um bom momento para entrar.”

Este raciocínio é antagônico e ignora por completo o princípio de funcionamento da marcação a mercado (mark-to-market).

Marcação a mercado significa que o valor de seu investimento é permanentemente atualizado a valor de mercado, implicando que a qualquer momento você pode ter em mãos OU o seu dinheiro OU o seu investimento, pois ambos valem exatamente a mesma coisa.

Assim, qualquer que seja o montante investido há (p.ex.) 1 ano, ele hoje não tem mais a menor importância. Se seu investimento no momento vale $80, não faz a menor diferença se o que você aplicou há 1 ano foi $40 ou $200; o que você tem hoje são $80, e a decisão de permanecer investido tem exatamente os mesmos custos e conseqüências de quem tem $80 em mãos e pensa entrar na Bolsa hoje.

A mesma lógica se aplica a quem compra moeda estrangeira algum tempo antes de viajar, e a cotação sofre variação. Por exemplo, a  pessoa compra US$ 1.000 a uma cotação de R$1,60 e na hora de viajar o dólar está cotado a R$2,00. O neófito comemora: estou levando dólares a R$ 1,60! Não, não está. Ele poderia ter em mão OU os US$ 1.000 OU R$ 2.000, e portanto os dólares lhe estão custando exatamente seu valor atual de mercado, ou seja, R$ 2,00 cada. O turista fez uma operação financeira especulativa com a qual já lucrou R$400; mas naquele momento, ter os dólares é uma alternativa a ter seu valor de hoje.

Marcação a Mercado. O valor passado não interessa, é “sunk cost”. Continuar aplicado em Bolsa em um determinado momento é exatamente a mesma coisa que entrar na Bolsa naquele mesmo momento.

(ago/2011)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Vício Instantâneo

Quando há algumas dezenas de anos o Amigo RGG me recomendou a receita abaixo, não teve o cuidado ou a delicadeza de me avisar que ela viciava à primeira mordida. Como resultado, eu NUNCA MAIS consegui me livrar deste hábito, e recomendo a você que pese bem as conseqüências antes de experimentar o quitute.

É bastante simples: basta colocar sal em seu pão com manteiga de cada dia.

Mas lembre-se: nem mesmo prove, se não quiser ficar viciado for life!!!

Nota: em restaurantes você pode sofisticar a receita e acrescentar azeite de oliva ao pão com manteiga com sal grosso.

Morri!

(ago/2011)

domingo, 21 de agosto de 2011

Show them the Money!

Gastar dinheiro é BOM!

Dinheiro guardado / acumulado não serve para nada; é inútil.

O dinheiro só se torna útil quando é transformado em alguma coisa prazeirosa, que traga conforto, satisfação ou alegria.

Como é bom pagar as contas de coisas que nos fizeram felizes.

Recordo quando fiz o cheque para pagar minha moto. Alguém comentou:
- “Dói passar um cheque neste valor!...”
Respondi que de jeito nenhum; que alegria estava tendo por passar aquele cheque!

Por outro lado, não sou favorável a se pegar empréstimo para comprar alguma coisa. Detesto ficar devendo; se a pessoa não tem meios para possuir um bem, é preferível não tê-lo. Acumule até ter condição de pagar à vista. Inclusive é bastante provável que você mude de idéia quanto à real necessidade de posse daquela coisa no meio do caminho... (Isto não se aplica à compra de casa própria, quando um financiamento é inevitável).

Li em priscas eras que “bom planejamento financeiro é ter saldo zero no Banco no dia de sua Morte”. Comentei com o Amigo RBdC, que respondeu que não iria acumular dinheiro; que não queria “ser como tanta gente que morre com o cu cheio de dinheiro”.

O tempo passou e ele acabou por se tornar um wealthy manager. Brinco com ele dizendo que quando estiver em seu leito de morte, cercado pela Família soluçante, entrarei trôpego e corcunda, apoiado em uma bengala, e lhe farei a pergunta final perante os estarrecidos presentes:
- “E o cu?”
E ele responderá, também com voz titubeante:
- “Tá cheio de dinheiro!”

(ago/2011)

sábado, 20 de agosto de 2011

O Guarda-Chuva do Theo


O Amigo TK considera que “o lugar mais nobre do guarda-chuva é ocupado por seu cabo”.

Contraponho que isto é uma prova que os guarda-chuvas foram projetados para DUAS pessoas.

Alguma outra consideração a respeito?

(ago/2011)

domingo, 14 de agosto de 2011

Dia dos Pais

Sempre foi muito claro para mim o motivo de Deus ser chamado de Pai.

sábado, 13 de agosto de 2011

Not One Of Us

Raciocínios humanos são compreensíveis para seres humanos.

Um tipo de cérebro que, definitivamente, não é o meu.

(ago/2011)

domingo, 7 de agosto de 2011

Bandido Corazón

"Detesto me apaixonar.
 Quando me apaixono, o pior de mim vem à tona."
 (Ney Matogrosso)

sábado, 6 de agosto de 2011

Besser

"Melhor do que viajar,
 é ter viajado!"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Palavra de Carneiro!

Em 2004 eu me preparava para comprar uma moto FALCON 400cc, e sondava várias revendedoras Honda.

Em uma delas conheci o Carneiro, um vendedor lendário no mundo motociclístico.

Conversando com ele manifestei minha principal preocupação, que é a mesma de todo motociclista:
- “A Falcon é muito visada por assaltantes?”

Nunca passa uma semana inteira sem que eu me lembre da resposta do Carneiro:
- “Meu amigo, roubam até galinha! Não vão roubar uma moto?!?...”

(ago/2011)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Maior Clássico do Futebol Paulista

Morando em São Paulo por 22 anos, ao longo do tempo tenho ouvido com cada vez maior freqüência o questionamento: - “Qual é o maior clássico do futebol paulista?’

Existiriam 2 opções: Corinthians x Palmeiras ou então Corinthians x São Paulo.

Como jamais se chega a um consenso para a resposta, desenvolvi uma metodologia pessoal para esclarecer a questão. É simples: uma vez que o Corinthians está diretamente envolvido, são seus torcedores que definirão a resposta. Saí então questionando os corinthianos:
- “Suponha que Deus aparece para você e te informa que o Corinthians vai ser campeão (paulista ou brasileiro, tanto faz). Inquestionavelmente. Há somente uma dúvida, e é você quem vai decidir. Você prefere jogar a final e ser campeão em cima do São Paulo ou do Palmeiras? Você decide!”

Após levar esta questão a um grande número de torcedores corinthianos, eu já tenho a resposta.

Eu sei qual é o maior clássico de São Paulo.

(ago/2011)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Advogada Loura e o Juiz Barbudo

Um JEP (Jovem Executivo Promissor) ouve o comentário de uma Advogada Loura que é também uma stylist de requintado bom gosto:

- “Para destacar suas belas gravatas os Homens deveriam usar camisas sociais brancas, pois estas não poluem visualmente mas sim fazem um fundo discreto para que as sedas se destaquem.”

O JEP (Jovem Executivo Promissor) sai procurando camisas brancas (o que se revela não ser tarefa tão simples, uma vez que ele não tem o diâmetro rotundo da maioria dos brasileiros). Poucos dias depois, no entanto, ele entreouve a opinião de um Jovem Juiz Barbudo:

- “Homem usar camisa branca é total falta de criatividade. O que é mais fácil e óbvio do que colocar terno e gravata com camisa branca?”

E agora?
O que deve fazer nosso atento e bem-intencionado JEP (Jovem Executivo Promissor)?
Qual linha deve seguir nosso Herói???

(jul/2011)

domingo, 31 de julho de 2011

Winners & Losers

Não depende da Natureza.

Quem determina se somos fortes ou fracos somos nós mesmos.

(jul/2011)

sábado, 30 de julho de 2011

Bit


"Existem 10 tipos de pessoas:
as que entendem sistemas binários,
e as que não entendem."


(imagem: relógio binário)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aprendendo a dizer “não”

Um dos mais difíceis aprendizados de nossas vidas – se não o mais difícil – é aprender a dizer não para si próprio.

A criança passa sua existência ouvindo “nãos” de seus Pais. Uma enorme quantidade de coisas que ela deseja fazer... “não” pode. É então enorme motivo de orgulho para o Adolescente quando ele se liberta de tais grilhões, e começa a dizer “não” para as ordens dos Pais e a tomar e seguir suas próprias decisões.

Coitado! Mal sabe nosso Adolescente que com esta “prova de maturidade” está passando para uma etapa muito mais difícil! Não serão mais seus Pais os responsáveis por estabelecer-lhe limites, mas ele próprio! Mal sabe que está passando de uma etapa de simples e confortável obediência para um desafio muito maior e mais difícil de responsavelmente estabelecer e cumprir seus próprios limites.

Está passando para um nível muito mais elevado de exigência: o da Disciplina Pessoal.

Dizer “sim” para si próprio não exige nenhum esforço. É quando queremos e podemos, porém não devemos, que a coisa pega.

É aí que mostramos o quanto – ou se – somos maduros.

(jul/2011)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Porteiro do Renato

(Disclaimer: o palavreado algo chulo foi mantido para preservar o frescor original do discurso)

O Amigo RC contava que seu Porteiro vivia ironizando a ele e seus amigos:
- “Vocês acham que são machos? Que nada! Comer as menininhas que vocês comem é fácil! Bonitinhas, novinhas, limpinhas, cheirosas, gostosinhas... Queria ver é com as mocréias que eu transo: horrorosas, sujas, fedorentas! Quando o pau sobe com um dragão daqueles é que o cara prova que é macho!”

Faz sentido!

(jul/2011)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Estrella da Semana

Em outubro de 2008 o Amigo FS ia com sua então Esposa DF assistir ao show do VIVE LA FÊTE na THE WEEK, em São Paulo. Embora entusiasmado com o evento, ele seguia preocupado pois o lugar é conhecido como reduto gay. E ia praguejando no trajeto, fazendo planos e ameaças quanto às atitudes drásticas e brutais que tomaria caso fosse assediado por algum habitué mais “ouriçado”.

Até que em dado momento a Madame não resistiu:
- “Mas... porquê você acha que eles iriam te cantar? São todos bonitos, com belos corpos, malhados, arrumadísssimos, perfumados, jovens, se entendem... Porquê dariam em cima de você?!?”

O medo do Amigo passou na hora!

(... mas ele podia ter passado sem esta...)

(jul/2011)

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Delivery do Pós-Guerra

Embora muitas décadas (ou séculos, ou milênios) tenham se passado desde que foi criada a entrega de produtos em casa, ainda vivemos um processo mais adequado à Idade das Trevas.

É inacreditável que ao comprar uma geladeira ou fogão o Cliente precise ficar em casa (ou deixar alguém) plantado aguardando que um caminhoneiro passe em sua residência “no horário comercial”.

Não houve um único centímetro de progresso neste procedimento, apesar da invenção de telefones, internet e celulares após seu “desenvolvimento”. Seria perfeitamente aceitável e altamente eficiente – e exigiria um esforço micróbio – que ao iniciar um “delivery” os entregadores telefonassem de seus celulares para o celular do próximo Cliente informando que “dentro de meia hora estaremos em sua residência”, possibilitando a tal Cliente ir então para casa ou enviar alguém. Mas não; o mané precisa ficar das 9 às 18hs em casa, à disposição do entregador. Isto se der a sorte da entrega ocorrer na data marcada, ao invés de ter que ouvir uma desculpa esfarrapada e tosca pela “não-conformidade” na programação.

Implementar um procedimento de aviso destes não me parece ser pedir muito.

Não é exigir muita inteligência das companhias responsáveis pelos deliveries. Nem sequer demanda investimento, pois os celulares dos clientes já constam da própria nota fiscal de entrega.

Mas é exigir um mínimo de esforço e racionalidade, e talvez aí é que esteja o problema.

(jul/2011)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quem disse que ser Criança é melhor?

Aos 11 anos de idade, a Filha de minha Prima chega em casa e conta triunfante ter esclarecido uma angústia comum a Meninas de sua idade:
- “Mamãe, descobri como os seios crescem: é com silicone!”

Crianças detestam que lhe suponham uma idade inferior àquelas que realmente têm: pelo contrário, preferem parecer “mais velhas”. Elas não dormem na hora que querem e nem fazem as coisas que querem. Não podem ir a filmes de adultos, nem beber, nem dirigir veículos. Mas desejam fazer todas estas coisas. E muito mais.

Algumas lojas de “roupas adultas” para crianças mais parecem lojas de roupas para anões.

Crianças não estão satisfeitas em serem crianças. Anseiam por crescer, ser adultas e responsáveis, ganharem o próprio dinheiro e cuidarem logo de suas próprias vidas!

No entanto este ponto de vista não chega a ser divulgado, pois crianças não dispõem da possibilidade de escrever livros, de se colocar ou divulgar lamentos na televisão, em livros ou em poesias da forma piegas e sentimentalóide que os adultos fazem, lamuriando chorumelas “como é linda a infância”, “como é belo ser infante” e mais alguns terabites de baboseiras deste naipe. Assim, o conceito com o qual convivemos e que nos oprime é que “é tão lindo ser criança...”, acompanhado de muxoxos, suspiros e olhos revirados.

Ora, nada mais falso! Quem disse que ser criança é melhor? Certamente não foram as crianças!

Diz-se que “viajar é achar que seríamos felizes morando naquele lugar”, ou então que “o Cliente tem sempre reclamação”. Em outras palavras, as pessoas estão sempre insatisfeitas com aquilo que têm. É só por isto que acham que ter uma idade diferente da que têm é que seria bom. E assim, adultos insatisfeitos ficam achando que “o bom é ser criança”.

Não é. Quanto mais idade, melhor. Mais conhecimento, mais sabedoria, mais experiência, mais conteúdo.

Ficar se lamuriando que “criança é que é feliz” soa simplesmente como uma constatação de fracasso pessoal.

(jul/2011)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Capa da Playboy

Ofereço a Papai a revista Playboy que está nas bancas. A “estrela” é uma ex-BBB chamada Maria.

Papai olha a capa da revista, devolve, e me dá uma resposta inesquecível:
- “Eu já tenho a minha Maria!”


(Nota: considero desnecessário dizer o nome da Mamãe...)

(19/jun/2011)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dize-me com quem andas

"Pessoas de primeira se cercam de pessoas de primeira.
Pessoas de segunda se cercam de pessoas de terceira."

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Trabalho dos Anjos

Como trabalham os Anjos?

Certamente não o fazem de forma evidente, como talvez alguém intuísse. De forma alguma! Jamais será uma interferência clara, grosseira, acintosa.

Pelo contrário, um Anjo provavelmente fará uma intervenção mínima, imperceptível. Mas quando der por si, você já estará com uma utilíssima ferramenta pessoal em mãos. Indispensável, embora você não tivesse consciência de que a necessitava. Quem sabe... um meio de comunicação? Finalmente você conta com uma forma de exprimir suas idéias! Como um Blog, por exemplo...

Ou então ele sutilmente move algumas plumas. E inesperadamente você se encontra com um Trabalho que curte, onde se sente útil, uma atividade sob medida para você e que te faz crescer pessoal e profissionalmente.

Um Anjo há de ser antenado, cada conversa trazendo inestimáveis “updates” cultural, tecnológico, te sincronizando com um Mundo que já ia te esquecendo e deixando para trás.

Anjos existem? Não sei dizer.

Mas Arcanjos, com certeza, sim...

(09/mai/2011)

domingo, 1 de maio de 2011

Cleopatra

Provavelmente trata-se de anedota histórica, mas quando eu era criança um Professor de História contou que Cleópatra era famosa por ter um insaciável apetite sexual.

Ele contou que chegou a haver uma competição entre ela e uma poderosa cortesã da corte egípcia. Foram montadas duas “tendas de campanha” ao ar livre, com duas enormes filas de abnegados colaboradores ansiosos por ajudar as competidoras a “pontuar”.

O placar final teria sido semelhante ao de um jogo de basquete, com vitória para a Rainha. E quando lhe foram perguntar como se sentia ao final da refrega, ela respondeu:
- “Cansada... e insatisfeita.”

Desde que ouvi esta história, toda vez que ouço uma Mulher dizer:
- “Estou cansada!”
, eu fico com vontade de perguntar:
- “... mas está satisfeita?”

(mai/2011)

sábado, 30 de abril de 2011

Caráter

O pipocar de trechos e idéias de “Um Panda Em Saturno” em outros lugares sem o devido crédito, além trazer um profundo desânimo, nos leva a divagar sobre o que passa pela cabeça de quem assim procede.

Como raciocina a pessoa que publica texto e idéias de outro, assumindo-os como próprios?

Trata-se de um “autor” que está mais preocupado com a opinião dos outros sobre aquilo que ele não é, do que com a própria opinião sobre aquilo que ele sabe que é.

Caráter é algo binário. Ou a pessoa tem, ou não tem.

(abr/2011)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Rodinha de Violão (2)

Quem me conhece minimamente sabe que sou completamente apaixonado por guitarras. Mas apesar das insistências, jamais tive o menor interesse em aprender a tocar uma. E o show 360º do U2 finalmente me fez ver o motivo.

A primeira música do bis foi “One”, executada pelo guitarrista e o vocalista sozinhos no (espetacular) palco. Fiquei vendo aquilo e pensando em quantas vezes já assisti semelhante cena ao vivo. E que ela não deixa de ser, no fundo, uma das “rodinhas de violão” que tanto abomino. Ponderei então que se eu já vi esta cena milhares de vezes, os Músicos de uma Banda já a viveram milhões de vezes! Para ser Músico é necessário gostar disto: de passar e repassar infindáveis rodinhas de violão. Assim, é claro que eu jamais poderia ser Músico!

Fica portanto esclarecido o porquê de eu não gostar de rodas de violão. É exatamente o mesmo motivo de nunca ter querido encarar aulas de guitarra. É o mesmo motivo de eu não conseguir batucar um simples bumbo de forma cadenciada e ritmada.

É porquê é necessário ter alma de Músico.


Nota: Dizem que Jazz é a música dos músicos. Eis aí a prova irrefutável de que eu, definitivamente, não sou Músico MESMO!!!

(abr/2011)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Velho Cavalheiro

“Você está Velho quando quer ser Cavalheiro – e não consegue!”

Eu já vivi isto, e é terrível. Tinha tido uma fratura dupla no úmero devido a uma queda de moto; fui operado e me “instalaram” um pino de 17cm no braço com 5 parafusos transversais (cuja previsão de remoção é: em minha exumação). Passei longo período com o braço imobilizado e com dores atrozes, e ao entrar em um ônibus ou metrô precisava sentar logo para não arriscar um esbarrão involuntário que seria devastador para o recém-instalado braço biônico.

E lá ficava eu sentado, imobilizado; e de vez em quando via uma Dama ou Senhora ou Senhor de pé, procurando algum cavalheirismo... e eu não podia oferecer meu lugar.

Você se sente realmente ACABADO!

(abr/2011)

domingo, 10 de abril de 2011

Job Description

Upesa não tinha autorização para revelá-lo, mas mesmo sabendo que haveria uma punição expôs sua Missão naquele Planeta.

Simplesmente observar. Analisar. Estar de olho. Em tudo.

Upesa estará na porta da Próxima Etapa (Valhala, Nirvana, Céu, Paraíso, Whatever) determinando quem passa e quem volta para mais uma rodada no Vale:
- "Você entra."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você volta."
- "Você entra."
- "Você volta."
- "Você volta."

Upesa ressalta:
- "Muitos serão os chamados, mas poucos os Escolhidos".

E completa:
- “No que depender de mim, pouquíssimos!”

(mar/2011)

sábado, 9 de abril de 2011

Virgin Again

Um Amigo comenta que “depois do advento do silicone, todos os Homens voltaram a ser virgens de novo, até que peguem uma ‘turbinada’”!

Faz sentido!

(abr/2011)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Velvet Goldmine

Temos a oportunidade de assistir a duas horas de aula de História recente ao som de uma requintada trilha sonora: "Velvet Goldmine" está em exibição em um restritíssimo circuito de cinemas.

Trata-se da história romanceada de algumas figuras cruciais do "glam rock" andrógino do início dos anos 70, focando o então genial David Bowie e o vulcão permanentemente ativo Iggy Stooge (hoje "Pop"). Um terceiro personagem engloba o que seria Andy Warhol com um "molho" de Marc Bolan e Brian Ferry.

A caracterização de Bowie é perfeita, mas a performance de palco de Ewan McGregor como Iggy é absolutamente antológica. Ele já arrasara em "Star Wars - Episode I", e não fosse eu um limitado heterosexual, já estaria apaixonado pelo cabra. Seu mise-en-scène executando "TV Eye" é puro Iggy nas veias, e ali vemos o nascimento do rock mais visceral do planeta. Quem acha que existe criatividade na música / performance atuais precisa ver Bowie de joelhos no palco frente a Mick Ronson, agarrando-o pela bunda e chupando louca e desenfreadamente sua guitarra em uma das mais célebres cenas da história do Rock, aqui reproduzida à perfeição.

Estas duas seqüências já valeriam o filme inteiro, mas também a trilha sonora é primorosa: 3 músicas do primeiro disco do Roxy Music (incluindo "Ladytron" e "Virginia Plain"), 3 do primeiro Brian Eno (com uma longuíssima sessão da alucinógena "Baby's on Fire"), 3 do T. Rex (uma incendiária versão da incendiária "20th Century Boy"), "Satellite of Love" do chatinho Lou Reed; "Gimme Danger" e a já citada "TV Eye" de Iggy, e muitos etcs, em versões originais e/ou regravações à altura - ou ainda mais altas.

Não se deixe levar por minhas palavras, no entanto. O filme chega a ser boring, e meu entusiasmo se deve à trilha sonora formada por puro delicatessen. Para pesquisadores, apreciadores, dinossauros e alucinados, trata-se de película obrigatória (com no mínimo algumas cervejas na mochila); mas para quem estiver satisfeito e acreditar que acontece muita coisa inteligente no panorama musical atual, é preferível se manter na felicidade da ignorância e continuar achando que existe alguma espécie de vida neste limbo povoado por zumbis...

Saudações at the loudest volume!

(01/fev/2000)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Marcio com uma Borboleta em Cima

É facultada aos nomes próprios a não-obediência às regras gramaticais. Talvez porque o Escrivão tenha grafado o nome incorretamente, quiçá porque os Pais assim o tenham preferido, mas a grafia “oficial” – e, por definição, correta – será sempre aquela da Certidão de Nascimento.

Pelas regras gramaticais meu nome deveria ser acentuado – mas não é. Desta forma, já passei mais de meio século corrigindo quem o grafa em consonância com o bom português (- “Não tem acento!”). Com o tempo me acostumei a ver o nome escrito com um borrão em cima da vogal tônica: todo mundo coloca o acento, e ao se lembrarem posteriormente que vou buzinar em seus ouvidos “não tem acento!”, as pessoas o rabiscam ou borram.

A melhor solução foi dada pela Prima Dani G: ela também esquece sempre – mas quando cai em si, transforma aquele acento agudo em uma borboleta!

Com isto, acostumei-me a não acentuar NENHUM nome próprio: afinal (talvez por trauma pessoal) considero preferível “esquecer” de colocar um acento a colocá-lo onde não existe.

Desta forma, tenho uma proposta singela para resolver este tipo de problema: nenhum nome levaria acento! (À exceção dos diferenciais ou enfáticos e necessários para uma correta pronúncia: “Tomás” para evitar que o garoto seja chamado de “Thomas”, por exemplo). Com isto não haveria risco de erro, e todos escreveriam corretamente o nome de todos.

Uma sugestão lógica e simples.

Portanto, é claro que não vai pegar!...

(mar/2011)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tão Sábios Quanto a Pulga

Impressiona a arrogância de nossa Raça.

Uma bactéria mora em uma pulga, e que acha que a pulga é Deus.

Uma pulga mora em um cachorro, e acha que o cachorro é Deus.

Um cachorro mora com um Ser Humano, e acha que o Ser Humano é Deus.

Quanta pretensão acharmos que a próxima etapa da cadeia acima do Homem é o próprio Deus! Quanta falta de visão e de análise crítica! Achar que esta Raça é o que mais se aproxima da perfeição, e do Divino!

Nos falta humildade. Olhar para baixo e à volta, e não apenas para cima. É mais do que óbvio que somos apenas um elo de uma cadeia infinita.

Pensamos igualzinho às pulgas. Não somos nem um pouco mais sábios do que elas.

(mar/2011)

terça-feira, 5 de abril de 2011

TV em Local Público

Existe pouca – se é que existe alguma – inteligência devotada à escolha do canal que será colocado no ar em um aparelho de televisão em local público.

É premissa básica que uma TV em local público não deverá ter som (nenhum volume!), sob pena de transtornar o ambiente e atrapalhar as conversas.

Portanto, o que vai ser exibido deve ser compreensível somente através de imagem, sem som.

Ou então ter um visual bonito, dispensando a narrativa.

Já vi até o Programa do Faustão sendo transmitido para estrangeiros que chegavam ao Brasil na fila de espera da Polícia Federal!

Alguma coisa pode ser mais deprimente do que isto? Após uma viagem de 10 ou 12 horas, chegar ao novo e excitante País de destino de suas férias... e ficar vendo o FAUSTÃO como “boas-vindas” na TV?

TV em local público deveria apresentar programas de Natureza e Animais. Ou outros programas com belas imagens de viagens e paisagens. Clips de música costumam ter visual interessante, mesmo sem o som. Futebol pode, se for ao vivo. Programas jornalísticos vá lá, mas só com “closed caption”.

Agora... novela?!? Programa de auditório?!? Mini-série?!? BBB e afins?!? Filme?!?

FAUSTÃO?!?!?!?

(mar/2011)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sai Desta Vida!

Se você é um Engenheiro com Pós-Graduação em Economia de Empresas e Mestrado (strictu senso) em Administração Financeira, muito provavelmente estará trabalhando na Área Financeira de uma grande instituição financeira internacional. E como é sua vida profissional?

Nada é mais sensível para Empresas e Países (e até para domicílios) do que a Liquidez. Assim, em qualquer sacolejo – por mínimo que seja – da Economia local ou internacional, você certamente é instado por agentes externos a gerar uma penca de relatórios novos, urgentes, complicados e difíceis, e que fazem pouco ou nenhum sentido para a sua Instituição. Tais relatórios nascem como provisórios, temporários, mas você já não se ilude mais, não é mesmo? Apesar de serem inúteis, eles vieram para ficar. Alguns perrengues a mais em sua carregada rotina diária – mas , como se diz nas Áreas de Controle Financeiro, “o que é uma bolha para quem está ensaboado?”(1).

O Federal Reserve inventa um novo relatório para a Filial canadense de sua instituição? Você terá que replicá-lo, afinal “somos uma instituição mundial”.

Você é um “Latin America Manager”? Que ótimo! Pena que o que isto realmente signifique na prática é que você precisa consolidar reportes de Trinidad Tobago, Honduras, El Salvador, Jamaica e Guatemala. É claro que cada um vem em um formato diferente, e contendo dados completamente díspares e incompatíveis.

Resolvido um “issue” de Information Security na Argentina? Bom! Mas como são eles os responsáveis pela padronização da Segurança da Informação para toda a América do Sul, logo a solução se espalha compulsoriamente por todo o continente – mesmo que não tenha nada a ver com as rotinas, procedimentos e necessidades do seu País.

O sistema que deveria ter rodado às 03h48m não baixou adequadamente os dados em função de uma não-informada manutenção no programa, e que ficou incompleta. Como conseqüência, o sistema que roda às 04h12m puxou dados da antevéspera, que alimentaram o sistema das 05h03m. Isto gera um relatório que segue a regra “o problema dos processos serem automáticos é que os problemas também são automáticos”(2). Mas é claro que ninguém te avisa que ocorreram tais "não-conformidades" na madrugada (na verdade, nem sabem!), e você só consegue detectar o problema após ter executado suas rotinas diárias e ter gerado um relatório final completamente sem sentido, perto da hora do almoço.

Você precisa de um relatório novo. Pede à Área de Sistemas, que após 3 reuniões de especificação levará 3 meses para te retornar uma proposta que não atende às suas necessidades. Acontece que “os sistemas que vão gerar seu relatório utilizam uma contabilização customizada e diferente da usual, para atender a uma demanda de Fulano em mil novecentos e bolinha”. E ainda por cima “não é possível segregar os clientes que você necessita, pois seria necessário um campo alfanumérico adicional e para tanto será preciso fazer uma manutenção em todo o programa”. O custo é $$$, altíssimo. Enquanto busca uma solução, sua Área desenvolve uma planilha que fornece o resultado desejado. Sob pressão, você não tem outra alternativa e passa a utilizá-la – mas cuidado com a Auditoria, pois planilhas não são aceitas e você pode vir a ser formalmente repreendido.

Se sua vida profissional é parecida com isto, eu tenho uma sugestão para você. Ela está nas Empresas menores. Em Escritórios, Escolas, Agências ou Sociedades, por exemplo.

As empresas menores usualmente terão crescido através da composição / congregação / agregação de diversos sócios que foram se juntando ao longo dos anos, e que subitamente se descobrem com uma grande estrutura de enorme know-how em sua área específica de atuação porém com pouca experiência administrativa-financeira. Eles provavelmente têm uma Área Administrativa e Financeira, e também um Escritório de Contabilidade que lhes atende as necessidades básicas; mas não dispõem de conhecimento específico em Planejamento, Orçamento, Projeções, Sistemas de Informações, Relatórios, critérios de alocação e avaliação, enfim, lhes falta aquilo que é o seu sangue, meu caro Engenheiro com Pós-Graduação em Economia de Empresas e Mestrado (strictu senso) em Administração Financeira. Se você fôr trabalhar lá, será como juntar a fome com a vontade de ser comido!

O que você encontra em uma empresa assim? Possivelmente um ambiente elegantérrimo. Pessoas finas, bem vestidas, que sabem falar muito bem – e falam baixo; móveis impecáveis, talvez várias salas de reunião para receber Clientes, Imprensa e Políticos; quem sabe até copeiras que às 16hs prepararão uma farta mesa de frutas descascadas e sem caroço, porque é bom para a sua saúde. Máquina de café expresso. E com localização possivelmente privilegiada.

Mas o mais importante é a necessidade de informação útil. Serão profissionais ávidos por informação consistente, organizada, e que os ajude a melhor gerir o seu negócio. E tal informação estará lá, dormente, crua, somente aguardando que alguém carinhosamente a colha, recolha, estude, compreenda, estruture e apresente. Você fará análises de Lucratividade, de desempenho de Áreas, de custos individuais, de rentabilidade de clientes, contratos e serviços, determinará Metas, alocará custos, fará a festa. É seu ambiente, você é o Senhor dos Números (até os Servidores são seus!) – e o melhor é que é exatamente isto que esperam de você.

Você finalmente se tornou um Executivo útil. Finalmente o Trabalho faz sentido.

(Como fringe benefit, as Mulheres – maquiadas, perfumadas e de saias – se vestem maravilhosamente!...)

Meu caro Engenheiro: saia desta vida. Vá oferecer seus serviços de Consultoria em uma Empresa de menor porte.

Todo Mundo sai ganhando...


(1) e (2): as expressões originais não são exatamente estas, mas quem as conhece sabe do que estou falando...

(mar/2011)

domingo, 3 de abril de 2011

Vive la Différence!

Considero que a
diferença entre andar sobre 4 rodas e sobre 2 rodas
é a mesma
diferença entre andar sobre 4 patas e sobre 2 patas.

sábado, 2 de abril de 2011

Índio Não Quer Apito

Alguém me conta que quando jogam futebol, os Índios só acabam uma partida quando o jogo está empatado.

Não sei se é verdade.

Mas é genial!


(Qual é a graça? O próprio jogo! Quando jogo futebol de botões, prefiro perder por 4x3 do que ganhar por 1x0...)

(mar/2011)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Talpidae Curiae

Uma enorme lição de humildade para um Engenheiro é assistir à transmissão ao vivo de uma sessão plenária do STF em meio a um entusiasmado grupo de Advogados lá representados por um ícone da profissão.

Eu vivi tal situação, e confesso que não entendia absolutamente nada do que ia sendo dito. Após a sustentação vieram as réplicas, tréplicas, pareceres e votos, e eu nem mesmo sabia se a posição dos demais contendores era favorável ou contrária àquela que defendíamos!

Ao menos o evento serviu para que eu aprendesse o significado da expressão “Amicus Curiae”, ou “Amigo da Corte”: era esta a posição que o tal grupo de Advogados ocupava na plenária. O “Amigo da Corte” é uma parte não diretamente envolvida em um caso, que no entanto se oferece a participar de um processo jurídico para acrescentar dados, visões, insights e pareceres. Enfim: para enriquecer tal processo.

Fora esta migalha de saber, eu me senti um completo Analfabeto em meio a uma sessão da Academia Brasileira de Letras. “Quanto mais sei, mais sei que nada sei” nunca foi mais respaldado do que neste caso. Nada sei, mesmo!

Uma completa e rematada toupeira.

A Toupeira da Corte!

(31/mar/2011)

quinta-feira, 31 de março de 2011

No Mundo do Totalitarismo Individual

Nada me é mais fascinante do que o Mundo das Idéias.

A única coisa que levaremos quando nos formos deste Mundo – se é que levaremos alguma coisa – serão as idéias que apreendermos nesta curta jornada.

Fico portanto surpreso ao notar uma crescente dificuldade das pessoas em sequer ouvir idéias que sejam diferentes daquelas que já têm obstinadamente enraizadas dentro das próprias cabeças.

Não existe mais espaço para discussões filosóficas e conceituais: todo mundo tem certezas, e os debates se tornaram um confronto quase violento de idéias, ao invés de uma busca comum de esclarecimento pesando-se de forma isenta os diversos lados de uma questão.

Lembremos no entanto que nós não somos uma idéia, apenas a vestimos. Se ouvimos e debatemos um ponto de vista diferente do nosso, podemos vir a concordar ou não com ele. Caso concordemos, é simplesmente desvestir uma idéia e vestir outra; nenhuma perda de substância, integridade ou identidade está envolvida. Não é necessário se exaltar! A troca de idéias e a dicotomia de diferentes pontos de vista são extremamente saudáveis e salutares tanto para nossa existência atual como à posterior.

Mas não é o que se vê. Atualmente, ter uma idéia diferente do outro é quase correr o risco de ser agredido. Pensar diferentemente é um acinte. Não se pode ter opinião diferente quanto ao casamento homoafetivo, quanto à pena de morte, quanto ao vegetarianismo ou quanto ao Radiohead. É pior do que xingar a Mãe do interlocutor!

Um exemplo extremo disto são os violentíssimos confrontos entre as torcidas de times de futebol, que chegam mesmo a ser mortais. Por causa de um jogo!

Lembremos que é exatamente este o conceito de Totalitarismo: querer que todo mundo pense igual.

Além do quê, com esta postura, se abre mão de horizontes mais amplos.

Eu sei que você não concorda.

E que vai querer brigar comigo...

(mar/2011)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Pena ou Tortura?

Sem entrar no mérito da validade ou não da Pena de Morte, questiono um dos fundamentos considerados em sua discussão.

Quem impôs que a Prisão Perpétua seja mais "digna", "nobre" ou “humana” do que uma Pena de Morte?

Eu certamente consideraria uma tortura de longo prazo ser condenado a 30 anos de privação de liberdade. Passar 30 ou 40 anos enclausurado?!? É ser cozinhado em fogo brando. É tortura medieval!

Se o objetivo é ser “mais humano” com a Pena, honestamente considero mais digno passar logo para outra (confortavelmente instalado em uma câmara de gás), ao invés de ficar encarcerado o resto de minha existência aqui. Não me venham com "critérios humanitários" a favor de 30 anos de reclusão e contra a Pena de Morte: seria o cúmulo da hipocrisia me submeter a tal suplício prolongado alegando "dignidade".

Espero que "Independência ou Morte!" não tenha sido tão-somente uma figura de retórica.

A vida é supervalorizada. Conviver com estas unidades de carbono ilógicas, mesquinhas, piegas, egoístas, irracionais?

Salta uma Pena de Morte no capricho para mim, por favor!

(mar/2011)

terça-feira, 29 de março de 2011

O Lado Bom da Demissão

Demitir uma pessoa é sempre desagradável. Mas existe um aspecto positivo que dificilmente é levado em consideração, pois as partes costumam estar envolvidas com o lado emocional do fato.

Via de regra, um funcionário é demitido por estar performando mal. E este mau desempenho se deve à inadequação à função, à infelicidade com o próprio trabalho ou com a Empresa, a uma insatisfação com suas atividades.

Isto é razoavelmente óbvio: afinal, quem está feliz com sua função, com a Empresa e com suas atividades, não vai performar mal!

No entanto o funcionário insatisfeito tem outros motivos que o levam a se manter aferrado a uma atividade que lhe deixa infeliz. E estes motivos podem ser resumidos em uma só palavra: Segurança. De uma maneira geral somos avessos à mudança, temerários da incerteza. E com isto ficamos acomodados em situações insatisfatórias (o que também acontece com muitos casamentos, mas isto é outro assunto) (aliás é possível estabelecer muitos paralelos entre as vidas Profissional e Sentimental).

Parafraseando Benjamin Franklin, “aquele que troca um pouco de Felicidade por um pouco de Segurança não consegue a Segurança e nem merece a Felicidade”. Prefiro pensar na demissão como um empurrão inconveniente a curto prazo, porém necessário para uma vida melhor a longo. Com um período de turbulência, incerteza e insegurança no meio, sim; todo parto tem sua dor e seu choro. Mas é importante entender que a demissão é um ato liberador para alguém que não está feliz com sua vida. Para cada porta que se fecha, várias se abrem.

Prefiro ver o lado positivo daquilo que é também uma libertação.

(mar/2011)

segunda-feira, 28 de março de 2011

To Infinity and Beyond


O gatinho que nunca saiu de casa passa horas olhando pela janela para o mundo exterior.

Ele não tem a menor idéia do que sejam edifícios, casas, árvores, carros, motos.

Mas olha, fascinado. Possivelmente tenha uma série de compreensões e correlações quanto ao que acontece lá fora, naquilo que para ele é o infinity and beyond.

Assim é também a nossa pequena Raça Humana. Olhamos para fora, e com arrogância tão monumental quanto nossa ignorância tentamos explicar o que acontece no infinito e no além.

Somos um feto de duas semanas que tenta explicar a imensidão do útero, e o que acontece fora dele.

As respostas estão muito mais nas correlações, no conceitual e na filosofia do que na arrogância.

As respostas estão dentro de nós, e não fora.

(mar/2011)

domingo, 27 de março de 2011

Jump Dive

Quando completei o Caminho de Santiago (e um pouco mais, pois caminhei até Finisterre no litoral espanhol) olhei para trás e tive certeza de que está inteiramente a nosso alcance conquistar qualquer coisa que desejemos. Se você decidir obter alguma coisa e efetivamente se empenhar por ela, irá conseguir. Tudo depende essencialmente de nós mesmos.

O segredo está portanto em escolher corretamente. Escolher com critério, dedicar-se a algo que realmente seja bom e útil e necessário. Porquê passada esta fase, quando você se empenhar, pode ter certeza que vai conseguir!

Atenção às escolhas, portanto.

Entrar em uma situação é muito mais fácil do que sair.

Afundar é muito mais fácil do que emergir.

CUIDADO ao se jogar de cabeça!

(mar/2011)

sábado, 26 de março de 2011

Amador Aguiar

"Se você pensa em se casar por causa de dinheiro, recomendo que trabalhe, pois dá menos trabalho!"
(atribuído a Amador Aguiar)

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Que Queremos, Afinal?

Nota – o texto a seguir é praticamente minha primeira postagem. Foi escrito e enviado e-letronicamente a todo o meu mailing list em 20/ago/1999.


Acredito que todos gostemos de viver. Queremos estar o mais longe possível de nosso fim (na verdade, sequer pensamos nele). Podemos portanto postular: todos queremos estar o mais longe possível do dia de nossa morte.

No curto prazo, no entanto, nossa visão é bem mais rasteira: ficamos desejosos da chegada do final de semana, do dia do pagamento, das férias. Queremos que o tempo passe logo, que chegue logo aquele esperado dia que pode estar uma semana ou dois meses à nossa frente. Em outras palavras, ficamos desejosos de que a vida passe mais rápido para aproveitar os bons momentos que ainda estão à frente.

Não seria uma contradição? Estamos correndo na direção do fim, apressando-o, querendo que ele esteja mais perto, nos restando menos tempo de vida... só para aproveitarmos um final de semana, um salário, um mês de férias. Pensamos a curto prazo e comprometemos o longo. Afinal, queremos que o amanhã chegue logo ou queremos que ele demore a chegar?

Como bem diz o Dream Theater em "Pull Me Under":
"Every day sends future to past
Every step brings me closer to the last
(...) Every breath leaves me one less till my last"

Assim sendo, talvez seja preferível que mesmo que seu saldo bancário esteja perto de zero (ou abaixo), você fique feliz por ainda se passarem muitos dias até sua conta estar coberta; ou nos alegrarmos por ainda ser segunda-feira; ou mesmo achar bom estar não estar sequer planejando as férias. É mais vida que se tem pela frente.

Uma outra alternativa seria ficar desempregado: não existe um salário a pingar no final do mês, o final de semana não faz diferença, e as férias são permanentes. Embora fique nervoso pela perspectiva de falta de dinheiro, o desempregado curte mais o presente, e não fica na expectativa do futuro.

(20/ago/1999)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Linha de Produção

Tenho um Amigo que nos áureos tempos em que descobriu os sites de relacionamento desenvolveu um sensacional “método de trabalho”.

Ele tinha duas ou três “cartas-padrão” para uma primeira abordagem, dependendo do perfil exposto pela Moçoila no site. Podia pedir foto ou enviar foto, ou não tocar no assunto, etc. Em sua segunda correspondência – a tréplica – ele às vezes pedia foto, às vezes enviava foto, às vezes enviava sua foto de criança, etc (estou utilizando aqui o envio ou não de fotos, mas ele tinha diversos outros fatores de variação e conversação). A coisa ia até o “terceiro nível”, quando então já pintava um convite direto para sair.

Assim, em outras palavras ele dispunha de uma “árvore de decisão” com três níveis, e correspondências automáticas e pré-formatadas, que não davam trabalho algum (fora o desenvolvimento inicial do "sistema", que "se pagou" na primeira semana).

Digamos que ele enviasse cerca de 10 mensagens por dia; recebia 6 respostas, escolhia 3 e replicava, e ao final de cada “turno” tinha sempre uma ou duas novas interessadas por dia disponíveis para sair.

Uma eficientérrima “linha de produção”, cujo produto final eram... “perseguidas”!


Nota - Embora o salafrário se mantenha solteiro, seu nome não é revelado aqui por motivos óbvios.

(mar/2011)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Shakira en vivo

POP MUSIC FESTIVAL
Estádio do Morumbi, SP
19/mar/2011

Tinha tudo para ser uma enorme roubada.

Primeiro anunciaram que SHAKIRA excursionaria o Brasil ao lado de... Ivete Sangalo.

Depois soube-se que era um Festival Pop, com uma Banda brasileira, uma californiana, então Ziggy Marley e enfim a colombiana, seguida por Fatboy Slim que encerraria a noite.

Pensei em não ir. Afinal, “She Wolf”, o disco anterior de Isabel Mebarak, é fraquinho – e, pior do que isto, apontava uma direção musical bastante difícil de digerir.

Quando finalmente decidi ir, a menos de uma semana do evento, a fila para adquirir ingressos já dava uma idéia do que iria encontrar: uma proporção de 10 Mulheres para cada Homem (ou quase).

O sábado amanheceu chuvoso, como já vinha ocorrendo ao longo de toda a semana. Portões abrindo às 15, primeiro opening act às 17hs, Shakira programada para 20h30m. Madame & eu chegamos às 18h30m: pouquíssimo trânsito à volta do Estádio, fila de 20-30 minutos debaixo de garoa forte, e às 19hs pisávamos no gramado. Em um rasgo de monumental estupidez (coisa cada vez mais comum) o Palco foi colocado junto às entradas da Pista, ou seja: você entrava por trás do Palco e era despejado diretamente na região mais muvucada da Pista. Isto após contornar a imensa Área VIP, é claro.

Pegamos o início do show de Ziggy, a galera mandando forte na ganga. Contornamos a Pista e conseguimos lugar bem à frente, quase junto à cerca que isolava a galera dos R$200 da galera dos R$500. Apertado porém aceitável. Embora a Mulherada não fosse tão alta, os marmanjos encostados na grade o eram, atrapalhando a vista de muita gente. Uma grande quantidade de pessoas hablando castellano. Os espertos de sempre tentavam chegar à frente, forçando a passagem após hipócritas “com licença”. Ziggy fez a festa cantando as músicas de seu Pai (Bob Pai, Ziggy Filho).

Chove e pára, chove e pára, quase todo mundo de capucha – grande invenção! Palco arrumado, e às 20h43m começam a piscar estroboscopicamente as luzes roxas e negras ao som de um playback electro-techno. Todos os músicos no Palco se remexem, sacodem, meio que dançam. Tal intro dura cerca de 6 minutos, e de vez em quando alguns grupos de fãs urram histericamente julgando ter visto Shakira no stage, pobres manés, imaginar que ela entraria de forma anônima no show. Uma longa e larga passarela à frente do Palco que atravessa a Área VIP não pára de ser escovada devido à garoa intensa.

Shakira surge mas não é possível vê-la, a não ser nos telões. Ela vem caminhando pelo chão e atravessa a massa junto à passarela: canta “Pienso em Ti” e está vestida com um imenso panô rosa choque, modelito capa do último disco “Sale El Sol”. Ela já usou indumentária semelhante (estilo “freira-over”) na excursão “Oral Fixation”, só que a roupa era vermelha. Pelo jeito ela não aprendeu: era pavo-rojo antes, estava pavo-rosa agora. A música parece uma liturgia sacra, lenta, quase fúnebre, quase uma oração. Me remete a Madonna, que por sua vez na excursão Sticky & Sweet em dez/08 me remeteu à própria Shakira... Enfim, um começo catastrófico, ainda mais por estar um tremendo aperto na Pista e não se conseguir ver quase nada. Shakira sobe à passarela, e parecendo uma alma penada cor-de-rosa arrasta seu lamento lúgubre até o Palco.

Ela arranca a enorme capa e está de legging de couro preto e top metálico, e começa a dançar e a estremecer o Morumbi. É elétrica e iluminada, irradiante e carismática. Mas o som está péssimo, abafado e sem guitarra, e não há espaço para nos movimentarmos. Após 2 ou 3 músicas optamos por nos afastarmos do Palco, o que se revela uma magnífica decisão: um pouco mais distanciados encontramos mais espaço e uma platéia relaxada, com todo mundo dançando, bebendo, curtindo. O som vai melhorando, e agora a Banda se postou no meio da passarela e começa um longo set gitano-acústico. A primeira música deste set é “Nothing Else Matters” do Metallica, mas cover por cover eu pessoalmente preferi a pesada “Back in Black” do AC/DC na excursão anterior. Segue-se “Gipsy”, o que confirma o que eu tinha lido: as músicas que têm versões em espanhol e inglês serão executadas em inglês, pois foi a forma como fizeram sucesso no Brasil. Que pobreza, que vergonha, que submissão: poderíamos ter “Suerte” porém teremos “Whenever, Wherever”, e também será “She Wolf” ao invés de “Loba”, “Gipsy” em vez de “Gitana”, etc.

De repente um momento de estarrecimento que muda definitivamente meus sentimentos a respeito do show: no meio da longa sessão acústica, Shakira está deitada no chão da passarela vestida com enorme sua saia de cigana de babados. Está imóvel, e estremece o corpo a cada batida da percussão. Ela está de barriga para cima, e a cada pancada da bateria verga um pouco mais os joelhos, aproximando os pés dos quadris até que quando as pernas estão totalmente dobradas, com os calcanhares encostando no traseiro, na batida seguinte ela subitamente se arremessa para o alto, é catapultada exclusivamente pela força de pernas, costas e principalmente abdômen, e em um único movimento felino está repentinamente de pé. Eu não acredito, grito - “O que é isto?!?!”, o que é isto, nunca vi nada semelhante. A partir daí fico embasbacado, sou dominado pelo espetáculo, sou dominado pela performance, pelo carisma, pela musicalidade, dança, domínio, cores, pelo rhythm of the heat.

São 10 ou 12 músicos no Palco, com destaque para os escudeiros de sempre. Sempre que sei que Shakira está em excursão vou logo verificar se a formação básica da Banda foi mantida: Tim Mitchell, arranjador, Maestro e guitarrista; Albert Menendez, teclados (e que graças ao visual cada vez mais rasta canta atualmente os duetos como “Hips Don’t Lie”, ”La Tortura” e “Gordita”); e o fenomenal baterista Brendan Buckley.

Mas Shakira não pára de dar mole e fazer beicinho para Greco Buratto, um guitarrista brasileiro que aparentemente é carne nova no pedaço.

A platéia não pára de pedir “Estoy Aqui”, e à nossa volta um grupo de gays solta a franga em um intervalo, cantando em coro aquele primeiro hit em um momento muito hilariante.

A louraça belzebu toma conta de toda a boca de Palco, ocupa tudo, não pára, ocupa a passarela, as telas. É autora de todas as músicas, uma usina de hits inevitavelmente contagiantes. “Las de La Intuición” – uma de minhas all-time favorites – é uma inesperada surpresa, em versão elétrica electro-dançante, com luzes sincronizadas e ritmo irresistível. Em determinado momento ela encara a câmera, põe as mãos no corpete metálico, começa a forçá-lo... e o ARRANCA, para absoluto delírio de 60 mil pessoas. Está com um soutien cor da pele por baixo, e domina completamente a platéia como uma fera solta em um enorme Palco.

Era a noite da maior Lua Cheia do ano, e os efeitos visuais de “Sale El Sol” foram belíssimos. Mas a chuva intermitente fez com que somente tenha sido possível ver a Lua por pouquíssimas vezes, além de cortar do programa uma das músicas que eu mais esperava: “Gordita” (“Shaki tú estás bien bonita / aunque también me gustabas cuando estabas más gordita / con la cara redondita”).

A seqüência final é devastadora: vestida com calça tigresa verde e top verde (acho que nunca vi um show com alguém vestido de verde) ataca “Loba”, ou melhor (ou pior), “She Wolf”. Toda o Morumbi uiva: - “Ahú-ú”! Segue-se “Loca”, do último disco: sinceramente acredito que não exista NENHUMA Mulher que não goste de “Loca” (“I’m crazy but you like it / loca, loca, loca!”), é impossível! Uma longa introdução de violino executado por uma gostosa (onde foi parar aquela cigana que fazia parte da Banda?) e segue-se uma inesperada (para mim) “Ojos Asi”, esta sim executada em espanhol, pois fez sucesso primeiramente neste habla. Toda uma estrofe da música é suprimida, mas provavelmente sou o único que nota pois o que se segue é a sessão de Dança do Ventre. Já estamos no bis e evidentemente vem “Hips Don’t Lie”, o “single” mais vendido no Século XXI até o momento.

A chuva vai e volta, mas não atrapalha: e ela dança e se contorce na passarela, descoberta, molhada, entregue, elétrica, frenética, incansável. Embora tenham sido cortadas mais 2 músicas (“Underneath Your Clothes” e “Antes de Las Seis”), ainda assim o espetáculo dura até 22h26m, ou seja, 103 minutos ao todo.

Um vídeo com depoimentos de crianças e adultos africanos (“eu quero ser engenheiro”, “quero ser jogador de futebol”, “quero ser policial”, “quero ser músico”) introduz a última música da festa: “Waka Waka (This Time For Africa)”. Estou completamente emocionado, e felizmente estava chovendo: assim ninguém poderá dizer que eram lágrimas o que me encharcava o rosto no final deste brilhante espetáculo de Música, dança, dedicação, envolvimento, entrega.

Arte.

fotos: pavo-rosa na rampa de acesso / legging na passarela / o corpete que foi arrancado (c/ Tim Mitchell) / muitas moles para o guitarrista brasileño.

(mar/2011)

terça-feira, 22 de março de 2011

O Peso da Traição

Sou de opinião que a pessoa que trai JAMAIS deverá revelar tal fato a(o) Parceira(o).

Repartir uma traição é uma tremenda covardia. A dúvida que ela traz é um fardo que não deve ser repassado. Traição não é para ser discutida ou compartilhada, mas sim guardada. Caso a opção do Infiel seja por continuar sua relação principal, que ele arque com o peso na própria consciência. Quem conta uma traição e pede perdão está na verdade tentando tirar o peso de suas costas e passá-lo para o parceiro traído. Traiu mas confessou, então se sente com a alma lavada e limpa. “Tirou um peso da cabeça”. E o colocou (além de outras coisas) na cabeça do outro, que arcará com a dúvida, com a incerteza, com a insegurança, com o peso. O traído que se dane. De novo!

Não dá para carregar a tonelagem de uma traição. Mesmo que um bem-intencionado parceiro opte por perdoar aquele que o traiu, o que virá depois? Quando o “traidor” sumir por algumas horas, ou então quando precisar viajar a trabalho, ou então ficar sozinho enquanto o ex-traído viaja, como vai ficar a cabeça daquele que perdoou? Estará tranqüila, sossegada, descansada, sem grilos... ou ficará imaginando com receio se a situação por acaso não está se repetindo?

Se você traiu, guarde para si; o Outro não tem nada a ver com o seu próprio ônus. Se decidir continuar, arque sozinho com o peso de sua derrapagem; e se por outro lado resolver acabar com a história, não é necessário magoar o Parceiro, abrindo o jogo. Simplesmente acabe sua relação pelos mesmos motivos que o levaram a trair: porque a relação já tinha acabado.

Traição é quebra de confiança, e tem um peso tal que justifica o final de um relacionamento. Por favor, não venha com um papinho batido e inaceitável de “perdão”! Traiu, acabou. Fim. Assuma sua responsabilidade de forma adulta e partam ambos para outras histórias, e fim de papo. Se seu Parceiro vier com conversa mole de “te traí mas estou arrependido/a”, pé na bunda! Sem piedade, que não é merecida. Tchau!

Esteja você em que lado estiver da traição, ela representa simplesmente uma coisa: que a relação acabou. Não insista, não tente ressuscitar cadáver. E não seja covarde. O que não falta neste Planeta é gente para uma nova e honesta relação. Ou quem sabe você fica sozinho/a, o que pode até vir a ser ainda melhor.

“Cornos somos todos; manso, nunca!”

(mar/2011)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Não Gosto do Sicrano!

Ouvi certa vez em uma palestra, dito por uma Psicóloga que trabalhava em RH:
- “Quando não vou com a cara de alguém, me forço a pensar:
‘Não gosto de Fulano... Preciso conhecê-lo melhor!’ ”

(mar/2011)

domingo, 20 de março de 2011

A Arte e o Artista

“O que interessa é a Arte, e não o Artista.”


Nota: embora o Caetano Veloso seja o mais bem acabado exemplo desta frase, atualmente até mesmo sua Arte é insuportável!

(mar/2011)