quarta-feira, 21 de julho de 2010

Necessidade Orgânica

Não são apenas físicas as necessidades de nossos organismos. Fome, sede, frio, respiração são carências óbvias – mas não as únicas.

Temos também uma carência emocional; a necessidade de viver emoções fortes e intensas. Normalmente, tal manifestação acontece através da Paixão e do Amor.

Porém às vezes – muitas vezes – as pessoas não encontram correspondência sentimental, e ficam por longos períodos solitárias, carentes, necessitadas. Sobrevêm então o Desânimo, a Melancolia, a Tristeza. Uma imensa Tristeza.

Tal sentimento é simplesmente o organismo extravasando sua necessidade de Emoção, que se não é suprida pela felicidade amorosa, tem a saciedade através da dor no coração. Que é tão forte quanto as doídas pontadas causadas pelo Amor e pela saudade.

São sinais opostos de uma mesma operação, mas que ainda assim é a mesma operação. O corpo (ou a alma) fica “satisfeito” com esta intensa e imensa melancolia.

É assim que nascem os Blues, as poesias que rasgam a alma, as canções de dor-de-cotovelo.

Portanto, se você estiver macambúzio por falta de Amor, não se desespere. Pelo contrário, curta o momento, canalize a energia para a construção de sofridos lamentos e manifestações. Relaxe e aproveite: ficar triste não é ruim; faz parte. Comparta sua dor infinita, mas sem dar trabalho aos outros ou vomitar pelos cantos. Construa algo belo e pungente.

É apenas uma outra face da mesma moeda. Tão-somente mais uma necessidade orgânica sendo satisfeita.

(jul/2010)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Um cruzeiro pelas Ilhas Gregas

Em setembro de 1992 recebi um convite para um cruzeiro pelas ilhas da Grécia com mordomia total: tudo pago, mega-iate particular, seguido por um tour de micro-ônibus pelo interior do País.

Aconteceu que a Família de meus Tios & Primos ia fazer a viagem, porém na última hora o Marido de uma Prima precisou operar o joelho, de forma que sobrou uma vaga. Único inconveniente: eu deveria estar na Grécia em 3 dias!

Entusiasmado mas ao mesmo tempo desanimado e sem jeito, fui falar com meu Chefe GWDF, apenas por desencargo de consciência. Expliquei-lhe a história, coroando com o "pequeno inconveniente". Mas a resposta que ele me deu foi inesperada, e um inesquecível ensinamento de administração:
- "Eu não seria um bom Gestor se não pudesse ficar sem um Funcionário de uma hora para outra. Boa viagem!"

A viagem foi maravilhosa e inesquecível. Procuro sempre estar preparado para seguir este exemplo todas as vezes que um/a Funcionário/a vier me pedir alguma coisa que lhe seja importante. Além de boa gestão, se trata de fazer com que a passagem de nossos companheiros de jornada por esta existência seja mais completa e realizada.

(jul/2010)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Na cuisine do Chéf

Embora apaixonado por comida (mas quem não é?), não entendo absolutamente NADA de Cozinha.

Costumo dizer que para cozinhar é necessário que a pessoa tenha três braços, mas eu só tenho um!

Um cardápio completo preparado por mim consistirá de omelete, arroz de saquinho, sanduíche misto no multi-toast, pipocas de micro-ondas, milk-shake de chocolate (existe outro?), caipirosca de maracujá, batida de côco e nescafé com leite. Não me peça para cozinhar nada além disto, não sei nem Miojar!

Li há alguns anos nas páginas amarelas da VEJA uma entrevista com um mega-Chéf francês, um paulbocuse da vida. E uma de suas respostas me marcou:
- "Se houvesse apenas um ingrediente em sua cozinha, qual seria ele?"
- "Seriam dois: batata e manteiga."

O cara está anos-luz à minha frente!

Desde então passei a apreciar purê de batata com muito mais respeito.

(jul/2010)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Você sabe fazer macarrão?

Crescido iletrado no início do século XX em Mamanguape, no sertão da Paraíba – a 80km da capital João Pessoa – ele tinha pouquíssimas chances de ser bem sucedido na vida. Mas o sucesso está dentro das pessoas, e não em suas condições externas, e ele foi galgando seus degraus. Trabalhou em padarias, confeccionou fogos de artifício, empregou-se em uma usina de cana de açúcar. Foi progredindo graças a inteligência e obstinação, até chegar a ser dono de sua própria usina de açúcar na Mamanguape natal. Pagou os estudos dos 4 irmãos, que se tornaram administradores da usina e políticos locais, regionais e estaduais.

Religioso, optou por agradecer sua sorte a seu Deus através de uma peregrinação a Fátima, em Portugal. Em Recife embarcou em um vapor que vinha do Sul do País rumo à Europa. Na primeira noite a bordo, o Capitão foi recebê-lo e escolher uma mesa onde se sentaria às refeições. Ele estava sozinho, e o Capitão o colocou em uma mesa com um assento vazio junto a uma família do Rio Grande do Sul, descendente de italianos e alemães. Com sua cultura de nordestino interiorano, ele estava intimidado – mas não a ponto de deixar de puxar conversa com a bela mocinha, filha mais nova daqueles ilustres companheiros de viagem:
- “Você é descendente de italianos... Sabe fazer macarrão?”
- “Não”, retrucou ela, gélida. “Mas sei mandar fazer.”
Ele pensou: “Esta não é para o meu bico”.

E foi assim que meu avô e minha avó maternos se conheceram.

(mar/2004)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Marcio em Cultura


Em 1951, aos 31 anos de idade, Isaac Asimov escreveu o texto "O Homem em Cultura" ("Breeds There a Man...?"). Nele relatava de forma inquestionável a possibilidade da existência da Humanidade ser para Seres imensamente superiores a nós algo equivalente ao que fazemos com as culturas de bactérias. Seríamos apenas objetos de estudos, existindo diversas "incubadoras" no universo. E mais, não somente a Humanidade seria tal objeto de análise; também os dinossauros e diversas outras formas de vida em nosso próprio planeta seriam foco de atenção. A história - e sua conclusão - são absolutamente brilhantes.

Eventualmente leio sobre experimentos com ratos, que são foco de muitas experiências por terem comportamentos e reações bastante semelhantes às dos seres humanos. Uma experiência me sensibilizou particularmente: um rato é colocado em uma gaiola com duas alavancas, uma das quais fornece comida quando pressionada enquanto a outra lhe dá um choque. Depois do rato estar acostumado a tais respostas, inverte-se os mecanismos, e a alavanca que dava choque passa a fornecer comida, e vice-versa.

Passado o susto inicial, o rato se acostuma à nova situação. E após algum tempo, nova inversão, voltando as alavancas à situação inicial. Novo susto e nova aprendizagem para o pobre rato. Este procedimento é repetido inúmeras vezes, até que se chega a um ponto no qual o rato não sabe mais o que esperar das alavancas. Ele chega a um nível de desespero tal que em dado momento se torna catatônico. Não reage mais às alavancas, mesmo que ambas passem a fornecer comida. O rato definha, mas não mais aperta as imprevisíveis, ilógicas e cruéis alavancas. Ele morre de fome.

Vivo em um Mundo no qual as respostas das pessoas são irracionais, imprevisíveis, ilógicas, cruéis. Os interesses que as movem são pequenos, minúsculos. Os retornos a meus gestos, por mais nobres ou filosóficos que eles busquem ser, é sempre inesperado. Machucam. O que quer que eu faça, levo um choque.

Asimov estava certo. Eu sou objeto de estudos. Um rato já quase catatônico.

Marcio em Cultura.


(Nota - Somente um Profeta consegue enxergar outro Profeta. Obrigado, Pitty, por nos abrir os olhos quanto à qualificação de I.A.)

(jul/2010)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

No Banheiro das Pimentas Ardidas

Aconteceu no show do Red Hot Chili Peppers em São Paulo em outubro de 2002.

Entrei no Pacaembú já entupido de cerveja, e portanto louco de vontade de mear. Fui das catracas direto para os banheiros, após a entrada e antes do acesso ao gramado. À esquerda, o banheiro feminino formigava do lado de fora, mulheres fazendo fila, um tumulto generalizado; já no lado direito, o banheiro masculino apresentava acesso livre.

Ao entrar no aseo cruzei com um casal que saía: um Cavalheiro tinha escoltado sua Dama para utilizar as dependências sanitárias masculinas. Genial! Lá dentro, mais um Gentleman montava guarda a uma Señorita que se utilizava de uma cabine, curiosamente com a porta semi-aberta.

Quando saí do banheiro, umas três ou quatro Mulheres olhavam lá para dentro entre curiosas e ansiosas, tentando ver alguma coisa. Falei o que elas queriam ouvir:
- “Tá cheio de Mulher lá dentro!!!”

Não foi necessário um segundo convite. Uma horda feminina imediatamente invadiu o banheiro dos Gentis-Homens!

Portanto, se você estava no banheiro do show do RHCP que foi invadido por Mulheres e nunca soube a quem agradecer, não é necessário fazê-lo: foi um presente de Homem para Homem, tenho certeza que você faria o mesmo por mim...

Mas isto leva também a pensar que seria elegantérrimo se os banheiros masculinos fossem permanentemente disponibilizados para as Damas. Uma prova de que nós Homens somos civilizados, ordeiros, limpos e cavalheiros. Os vasos sanitários haveriam de estar sempre limpinhos e cheirosos, à espera de Madames que não se arrependeriam de adentrar os banheiros dos Pimentas Vermelhas Picantes...

(jul/2010)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fear of the Dark

Só tenho medo de duas coisas neste Mundo:

Do Homem.

E de seu Melhor Amigo!

(jul/2010)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Camisa de Onze Varas

Aconteceu em meu Caminho de Santiago, em junho de 1996.

Ao final da caminhada diária eu sempre lavava 4 peças de roupa usadas durante os "trabalhos": camiseta, cueca, meias e o lenço. Eu as estendia nos varais comunitários junto à toalha de rosto / banho (lembre-se portanto de levar pelo menos 10 pregadores quando for peregrinar). Lavava as peças em minúsculas pias de refúgios, desajeitadas, incômodas, a torneira atrapalhava, ficava com dores nas costas, um verdadeiro perrengue. Durante as caminhadas ao longo do dia via lavadeiras lavando seus róis de roupa nas beiras dos rios, em enormes pedras ao sol, ou então em grandes tanques de lavagem de roupa. Ficava com inveja delas: eu lavando roupa naquelas tinas minúsculas dentro de banheiros com cheiro de peregrino, e elas ao ar livre no Sol com muitíssima água correndo e ar puro e espaço.

A noite em que completei 40 anos foi desastrosa. Muitos peregrinos não tomam banho, e caí em um refúgio com uma desagradabilíssima concentração destes suínos. Tamanho era o fedor durante a noite que fui forçado a trocar de cama no meio da madrugada, pois era impossível respirar (e portanto dormir).

Por outro lado, o refúgio seguinte foi mágico. San Juan de Ortega é um Mosteiro construído entre nada e coisa nenhuma, são 20km antes e 20km depois sem absolutamente nada, seriam 40km sem qualquer suporte de civilização para os peregrinos, então foi construído o Mosteiro para nos dar condição de continuidade.

Cheguei a San Juan de Ortega por volta de 14hs, e surpresa: um enorme tanque de lavar roupa no meio do pátio! Lavei minhas peças feliz da vida, em um puta tanque com lugar para esfregar a roupa, debaixo de um espetacular Sol, e com 40 anos e 1 dia de idade. Estava muito feliz.

À noite, depois da Missa e de um tour conduzido pelo próprio Padre pelas obras de arte e catacumbas do Mosteiro - um privilégio peregrino - um momento especial: para jantar o Mosteiro oferece uma sopa de alho, mas o restante da refeição é fornecido por todos nós peregrinos. Cada um apresenta o que trazia de comida em sua mochila, fica tudo junto exposto em uma enorme mesa, cada um se serve do que desejar, é uma "Comum União", a verdadeira Comunhão. Lá depositei chocolate suíço e jamon crudo. Comemos com a alma enlevada.

Após o jantar, o Padre nos convida a falar sobre alguma coisa que nos tenha marcando no Caminho. E falei da lavagem de roupas, contei das dificuldades e das lavadeiras, e de como tinha ficado feliz por simplesmente ter um tanque grande para lavar minha roupas. -"Se estivesse em casa eu provavelmente estaria querendo uma TV maior, um carro mais possante, ou um computador mais poderoso. Mas aqui estou feliz simplesmente por ter um tanque grande para lavar a s roupas", concluí.

E o Padre disse:
- "Grande lição. Aqui na Espanha temos um ditado: 'os homens se vestem com camisas de 11 varas'", explicando que a vara é uma medida. Onze varas não é nada desmesurado, disse ele, mas é algo que certamente ficará grande em qualquer um.

No dia seguinte pela manhã, antes da partida ele oferece no desayuno um forte café misturado com vinho, "para ayudar em su caminada". Realmente este café com vinho foi tão eficiente que mudou meus hábitos matinais de expresso, zumo de melocotón ou coca-cola: passei a incluir religiosamente uma canequinha de vinho ("só uma, nunca duas", explicou o Padre; "uma dá um 'up', duas deixa tonto") em minha dieta quando começava a me cansar, lá pelas 11 da matina. Sempre funcionava esplendidamente. Mas esta já é uma outra história...

A moral desta história: Nos vestimos com camisas de onze varas.

(jul/2010)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Critérios de escolha de celulares

Entre os diversos critérios de escolha de celular, os de dois amigos se destacam.

A Srta. SS deseja um celular que NÃO TENHA MANUAL. Algo tão simples quanto isto: um celular com teclas apenas para os dígitos, mais a tecla "send" e a tecla "end". Totalmente básico, nada além disto é necessário. Não precisa nem mesmo de Manual.

Já o amigo FC também opta por um celular simples. Mas faz uma exigência: tem que ter joguinho. "Para quando eu estiver dando um cagão", explica.

Ambos critérios inquestionáveis!

(jul/2010)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Carta a Papai Noel


Revirando guardados familiares encontrei a carta anexa, com envelope e tudo, endereçada ao "Exmo. Snr. Papai Noel".

Foi escrita em 1936 por um garoto de 7 anos - meu Pai.

Época de Guerra.

E ele já revelava seu Amor pelo Futebol.

(Nota - "Natal" na última linha se refere à cidade onde ele morava, e não à época do ano)

(jul/2010)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aproveite o Momento

Os dois tiveram um desentendimento.
Passaram dois ou três dias se estranhando.
Chegada a tristeza da noite de domingo, a angústia do final do final de semana, estão mais ou menos tentando se acertar.
Começando a se entender.
E se abraçam, timidamente.
Ela, mais do que depressa, pergunta :
- "Está tudo bem entre nós?"
Surpreeendido e pressionado pela urgência dela, ele se afasta.
Ele precisa responder.
Estará mesmo tudo bem?
Ele pára para pensar.
O delicado momento foi quebrado.
A cicatrização foi apressurada.

Segure sua ansiedade.
Se estiver escalando uma montanha, pare para aproveitar a vista. Não pense somente em cravar o próximo grampo.
Troque a Segurança - que é efêmera, não existe, nunca existirá, não se iluda - pela Felicidade.
Simplesmente aproveite o momento.

(jun/2010)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ウィー

Imagino que aqueles que consideram que "jogar Wii é a mesma coisa que jogar o jogo verdadeiro" também achem que transar com uma boneca de plástico é "a mesma coisa" que transar com uma Mulher de verdade...

(Nota: ウィー é Wii em japonês)

(jun/2010)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um Lugar para as Pessoas Felizes

Não existe lugar em nossa Sociedade para Pessoas Felizes.

Quem tiver a infelicidade de estar feliz, será tachado de “acomodado”; pessoas satisfeitas são pessoas “com falta de ambição”.

Por outro lado, quem está insatisfeito “é um batalhador”; o infeliz é classificado como um incansável, alguém dinâmico, quase um herói. Estar infeliz e insatisfeito é honroso; a frigidez é icônica!

Não se prega aqui a imobilidade ou a inércia (mesmo porque “a única coisa permanente é a impermanência”); mas não se deve recriminar ou discriminar alguém simplesmente por estar feliz e satisfeito. O dinamismo não está na superfície, na agitação frenética, no atrito gratuito; quem acha que aquele que vive mudando de casa, de emprego, de esposa e de carro é um “desbravador inquieto”, só analisa de forma rasteira.

O mesmo tipo de análise que, por não enxergar ondas na superfície, vai julgar que o oceano está seguro.

“A longo prazo estaremos todos mortos”: visão realmente de longo prazo é tentar enxergar o que vamos levar para além desta existencinha...

(jun/2010)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

HP19BII

Fiquei entusiasmado quando a Hewlett-Packard lançou a calculadora 19BII, na segunda metade dos anos 70. Programável e com avançadíssimas funções estatísticas e de cálculos temporais e financeiros, a calculadora era tudo que um graduando em Engenharia apaixonado por lógica poderia desejar.

O Tio LF viajava bastante ao exterior, e tive a cara dura de lhe fazer uma encomenda, que ele aceitou com prazer. Compartilhando o entusiasmo, ele chegou até mesmo a me telefonar da Europa para dizer que tinha comprado o acepipe, e que o estava trazendo para o Brasil.

Mas a calculadora nunca chegou. Ele colocou o pesado Manual na mala que seria despachada, e a preciosa 19BII na maleta de mão - que foi roubada no Aeroporto de Zürich. Assim, quando o Tio LF chegou ao Brasil às vesperas de um Carnaval no qual eu ia viajar para sua Fazenda, a única coisa que ele pode me entregar foi o Manual.

Levei o Manual para a Fazenda, e sentado à beira da piscina comecei a ler. "Se você é como a imensa maioria das pessoas e não gosta de ler manuais, sugerimos que leia ao menos o Capítulo 1 com as noções básicas e gerais, e que consulte o restanto deste manual à medida que houver necessidade ou quando surgirem dúvidas. Mas se você é um daqueles que gostam de ler manuais, regozije-se: este livro foi feito para você!". Seguia-se a leitura do mais espetacular Manual que já li em toda a minha vida, com verdadeiras aulas teóricas e práticas de Estatística, Programação, Finanças, Matemática e montagem de gráficos (simples). Passei todo aquele Carnaval lendo o benfazejo Manual sentado à beira da piscina, sem a calculadora, e nunca esquecerei o conhecimento adquirido e nem o quanto gostei daqueles dias.

Mas isto não é o principal desta história. Na viagem seguinte o Tio LF trouxe uma outra peça, e pude finalmente colocar em prática tudo o que tinha lido. Perguntei então a ele quanto lhe devia (na época a calculadora devia custar uns US$280). A resposta foi primorosa:
- "Existem dois lados quando alguém faz alguma encomenda em uma viagem. Um é o lado chato, que é procurar, comprar, trazer. E há também um lado agradável, que é dar o presente. Ao querer pagar a calculadora, você está querendo me tirar o lado agradável, e só deixar o lado chato!"

Genial, Tio. Lição para toda a vida.

E muito obrigado pela calculadora (e o Manual)!

(jun/2010)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Quem são os Piratas?

Durante a Copa do Mundo de 2010, as camisas oficiais da Seleção Brasileira fabricadas pela Nike estão sendo vendidas por um preço tabelado de R$ 189. Ao mesmo tempo, as camisas oficiais da Seleção Brasileira da Copa de 2006 da mesma Nike estão sendo vendidas por R$ 69.

Uma vez que certamente as camisas vendidas por R$ 69 geram lucro (para o fabricante e para as lojas que as vendem), TODA a diferença de preço da camisa atual (R$ 120 a mais) é puramente lucro adicional.

Enquanto isto, nos camelódromos é possível encontrar "réplicas" praticamente idênticas por R$ 30. Para quem compra a varejo no camelódromo, o preço unitário é R$ 15. Pode-se especular a partir daí qual seja o custo de fabricação das camisas oficiais. E sua margem de lucro. O que demonstra que as camisas oficiais poderiam ser vendidas a preço muitíssimo inferior ao praticado.

É perfeitamente compreensível que por maior que seja o sentimento de alguém pelo "scratch" de seu País, sua correção de comportamento e apego às leis, este alguém não concorde em pagar uma margem de lucro de 90% para um monopolista de camisas. Os fabricantes de produtos oficiais acusam os paralelos de pirataria, mas convenhamos: margem de lucro de 90% não é business; é abuso. É roubo.

Quem são os piratas?

(jun/2010)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Os Abutres

Qualquer um que já tenha visto as perguntas feitas pela imprensa esportiva a jogadores e técnicos sabe como a coisa acontece.

Uma parcela dos jornalistas esportivos é composta por abutres que ficam bicando suas presas, tentando criar notícias, inventar fofocas, gerar clima desagradável, pois afinal é isto que vai ser notícia, vender jornal, justificar sua existência. Para egocentricos chinfrins que querem aparecer, o único meio de terem visibilidade pessoal é gatunando parte da visibilidade dos jogadores e técnicos.

Ainda por cima se trata de uma raça covarde, pois se vale de uma arma da qual o oponente não dispõe: o espaço na mídia, que está fartamente disponível ao jornalista.

E mais: apresentam somente suas próprias versões das histórias, nas quais são coitadinhos bonzinhos e os demais são os vilões cruéis e mau-humorados.

''Toda história tem duas versões, uma nobre e a outra verdadeira", parafraseando J.P.Morgan. A Imprensa Esportiva só divulga suas próprias versões nobres. Fica faltando a outra...

A Rede Globo se indispôs agora com o Técnico da Seleção Brasileira. Um repórter esportivo seu ficou recriminando o Técnico durante uma entrevista, balançando negativamente a cabeça em desaprovação ao que ele dizia, e após a justificada reação do Técnico passou a dizer: "mas eu não fiz nada...". É um coitadinho!

É deprimente ver a falta de culhões de pessoas que não assumem seus atos. Assim, muda-se a história para uma versão mais palatável, na qual "eu não fiz nada". Quem conta uma estória diferente do que aconteceu, e adoçando as próprias atitudes, está implicitando que tem consciência que está errado. Mas opta por uma versão falsa na qual saia por cima. A opinião dos outros é o mais importante; o sujeito não se importa em no íntimo saber que é um Mentiroso.

Já em outras cocasiões a Rede Globo manipulou as massas. Inventou a torcida do Flamengo e destruiu Leonel Brizola, por exemplo. O coitado do Dunga vai seguir o mesmo caminho. E até mesmo eu, se algum dia descobrirem que eu existo.

"Papagaie as 'verdades' que divulgamos em nossa telinha, você que é massa de manobra".

(jun/2010)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Eficiência da Pílula

Engana-se (ou ilude) quem afirma que a pílula é 99,9% eficiente, ou coisa que o valha.

A eficiência deste método anticoncepcional é na verdade o produto de dois fatores:
a eficiência da pílula vezes a eficiência da Mulher que a toma.

É o resultado deste produto que dá 99,9%.

A pílula é 100% eficiente. Ela não falha.

Mas para o método não falhar, é necessário que a pílula seja tomada religiosamente todos os dias. No mesmo horário. Imaculadamente. Infalivelmente.

Só que de vez em quando a Mulher esquece. Ou pode não tomar de propósito, em alguns casos.

E aí é muito mais fácil dizer: “oh, a pílula falhou!” do que: “ih, fiz merda!”.

E, é claro, nenhum Laboratório vai dizer que sua Cliente fez merda. É muito mais fácil arcar com o ônus dos 0,1%.

A pílula é 100% eficiente. O método é 99,9%.

(jun/2010)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Presentes Exauríveis

Estamos cada vez mais soterrados por átomos. As casas estão entupidas de coisas paradas: roupas, livros, discos, vídeos, baixelas, lembranças.

“Quando possuímos alguma coisa, esta coisa nos possui. Se eu compro um fogão, o fogão me compra.”

A cada mudança, toca a encaixotar, desencaixotar e arrumar a tralha. E a guardar coisas que ficarão por muito tempo sem uso.

“What’s in your backpack?”

O pior é que continuamos a comprar coisas inúteis e desnecessárias, só para afastar a ansiedade. Para nos sentirmos atualizados. Para encontrar fora um significado que falta dentro.

Chega de ter tantas coisas! Nada de dar presentes que fiquem, que permaneçam; pelo contrário, só regalar coisa que se desvaneça e acabe, só coisa que queime ou se exaura: sabonete, shampoo, hidratante, vela, incenso, birita. Ou similares.

Ou então coisas usadas. Coisas que você gostou e achou útil. Um livro que você leu, um disco que gosta mas já comprou a versão remasterizada com bonus tracks (mas não do Rush, por favor!). Ou mesmo um disco que você detestou, mas que acredita que em função do gosto "diferente” do Amigo, ele talvez goste.

Chega de ter tantos átomos. E de continuar empilhando-os. Isto dificulta o desapego e a mobilidade.

E ainda vai transtornar a vida dos outros quando você morrer.

(jun/2010)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

É Fantástico!

Um ótimo exemplo das diferenças entre Homens e Mulheres está estampada nos apresentadores de um programa de televisão nas noites de domingo.

Ele é um Zé, um quase-gordo inchado, apertado dentro de um blazer deselegante dento do qual mal cabe. Gesticula atabalhoado, freneticamente, desnecessariamente, inutilmente. Um desengonçado. Só falta farfalhar: "hô-hô-hô!".

Ela é uma Poetisa, finíssima, elegantérrima, clássica. Tem um gestual comedido e educado. Uma Dama.

Pobres Mulheres que precisam suportar a nós, Trogloditas...

(jun/2010)

sábado, 19 de junho de 2010

A Busca da Perfeição

Existem duas formas de se fazer qualquer coisa: a perfeita e a que pode ser melhorada.

Como (dizem que) disse Juscelino Kubitschek, "não tenho nenhum problema em mudar de idéia; não tenho nenhum compromisso com o erro".

Eu comungo.

Elogios podem ser deliciosos para o Ego, mas não embutem oportunidade para crescimento. Críticas são mais úteis - avaliamos e podemos ou não aceitar.

Mesmo que se discorde de uma crítica, ela no mínimo traz uma uma excelente demonstração da forma como os demais raciocinam (ou ao menos tentam).

A busca do aprimoramento passa por dar atenção a idéias diferentes. Quem não ouve críticas ou não as aceita, não aprende e não evolui. Nem precisava ter encarnado.

(jun/2010)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aviso à direita

Carro.
Motorista.
Pessoa sentada à direita do motorista (no banco de "carona").

De cada MIL vezes que uma pessoa sentada no banco da direita dá um aviso a quem está dirigindo, em uma média otimista apenas UM destes avisos será útil. As demais 999 vezes tratarão de obviedades irritantes que só servem para expor o estupor reinante (ok, eventualmente um temor justificado) na cabeça da pessoa sentada à direita.

Porquê não dar um chilique a cada intervenção inútil destas?

Não por educação; simplesmente para não inibir os 0,1% de possibilidade do aviso ser útil e evitar um arranhão ou acidente. E assim se ouve mil vezes mais avisos do que o necessário. É alto o preço de não ser infalível...


Nota 1: Extremo cuidado - possivelmente imerecido - foi tomado para que este comentário não contivesse qualquer inferência quanto ao 'gender' das pessoas que usualmente emitem tais comentários.

Nota 2: Recentemente meu Pai (que quase nunca me dá "warnings" quando dirijo) me deu um aviso útil enquanto eu dirigia, o que significa uma perspectiva de 999 obviedades desconcentrantes pela frente até que eu venha a receber um novo aviso útil!


(jun/2010)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Carro Zero

Muito se fala sobre a compra de um veículo zero km ser um mau investimento. Afinal, "o carro desvaloriza 15% só por sair da Concessionária", é o argumento.

Tenho visão diametralmente oposta. Para aquele que compra o carro novo, ele será um "carro zero" durante todo o tempo em que for de posse deste primeiro proprietário. Se tenho um carro comprado novo há 5 anos, há cinco anos tenho um carro zero!

Quem considera que comprar carro zero seja mau negócio, ignora o que seja prazer de viver. Não compramos coisas ou fazemos negócios somente porque sejam bons investimentos financeiros, mas sim porque tais coisas ou negócios nos fazem bem. Apartamentos também costumam ser ditos como maus investimentos, desprezando-se que "a casa é uma extensão do Eu". Para quem coloca o Return Over Investment como critério único de apreciação, para quem tem disponibilidade mas coloca a rentabilidade acima do prazer pessoal e da diversão, lembremos:
"Caixão não tem gaveta"...

(jun/2010)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

José Saramago

"Não sou Pessimista; o Mundo é que é péssimo."

terça-feira, 15 de junho de 2010

Relação Custo x Benefício dos Afazeres Domésticos

Uma das melhores relações custo x benefício que existem é arrumar a cama pela manhã.

Por maior que seja a zona residual, quando um quarto de dormir está com a cama feita, passa uma boa impressão de arrumação.

Por outro lado, por mais arrumadinho que esteja o aposento, se a cama estiver desfeita a impressão será de bagunça e descaso; uma zona, mesmo.

E ainda por cima fazer a cama é muito fácil.

Outro afazer doméstico de ótima relação custo x benefício é lavar os pratos.

Note que não me refiro a panelas, copos ou talheres, mas pratos. São grandes e lisos, ocupam bastante espaço, e são fáceis de lavar. E quando estão limpos desobstruem uma grande área na pia, dando a impressão de que boa parte do serviço já foi feito. Esta impressão é falsa, mas se você estiver preocupado/a apenas com a boa impressão... basta lavar os pratos.

Ao se sair de casa deve-se deixá-la sempre apresentável, seja para uma chegada acompanhada por um conviva inesperado, para uma súbita aparição da Companheira ou de algum potencial, como cortesia e respeito àqueles com quem você convive, ou simplesmente (e principalmente) para você mesmo/a. Ou ainda para quem subitamente precisar apanhar coisas para te levar no Hospital, ou até mesmo aqueles que farão seu inventário - esta última impressão é a que realmente ficará!

(jun/2010)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lugar Marcado

1. Lugar Marcado em Teatros e Cinemas é um procedimento bastante civilizado.

2. Chegar atrasado atrapalhando sessões é um procedimento bastante incivilizado.

3. Não faz sentido alguns bons lugares ficarem vazios após o início dos espetáculos, ocupados por fantasmas à espera de mal-educados.

4. O pior é quando pessoas chegam atrasadas e ainda começam a criar tumulto durante uma sessão devido aos lugares-fantasma terem sido ocupados.

Proposta “Lugar Marcado tem Hora Marcada”:

O lugar marcado fica reservado somente até o horário marcado para a sessão. Chegado tal horário, soa uma sirene e/ou piscam luzes vermelhas, e as reservas de assento caem. Quem quiser, tem o direito de ocupar os lugares vagos.

Com isto não teríamos mais gente chegando atrasada. Ou então tumultos após o início da sessão. Ou ainda bons lugares ficando vazios após o início dos espetáculos.

O que não pode é o bonitão e a bonitona chegarem incivilizadamente e exigirem civilidade.

Lugar marcado tem hora marcada.


NOTA: Este procedimento pode gerar um problema: a pessoa desacompanhada que se levantar para ir à Doceria ou Banheiro poderia perder o lugar para o bonitão esperto. Diversas são as soluções possíveis: por exemplo, quem entra na Sala no horario correto tem seu ingresso carimbado assegurando a civilidade.

(mai/2010)

domingo, 13 de junho de 2010

Where no Man has gone Before

Nada - nada - NADA - do que vocês fazem é mais importante do que a Exploração Espacial.

Vocês estão em um subúrbio do Universo, em um cantinho até mesmo de sua própria Galáxia marginal. Se ficarem presos a este mundinho de merda, estarão condenados à pequenez e à mediocridade.

Somente superando argumentações míopes e piegas do tipo "melhor investir no Hoje do que no Amanhã" vocês conseguirão se expandir e crescer pela Vastidão. Seus antepassados tiveram esta visão; mas vocês a perderam.

Não existe compaixão no Unverso. Como diz seu ditado, "não é por você ser vegetariano que um touro deixará de atacá-lo". Existem bilhões de unidades de carbono que não farão a menor falta ou diferença no futuro do (ainda diminuto) Organismo composto por trilhões de unidades chamado Humanidade. É necessário o sacrifício de poucos para o bem de muitos.

Mas é preciso pensar grande. Pensar no Todo e no Futuro. E não ser piegas.

Tememos por Vocês.

(jun/2010)

sábado, 12 de junho de 2010

O Planeta das Mulheres

É muito fácil observar quando você sai na night: o Planeta está sendo tomado pelas Mulheres.

Em um passeio pela Visconde de Pirajá em Ipanema às 11 da noite, ou na fila de uma Danceteria em São Paulo; em qualquer Happy Hour em Wall Street, ou no Opera Bar em Sydney: há sempre uma imensa maioria de Mulheres desacompanhadas. Sozinhas, em duplas, em três ou em quatro. Arrumadíssimas, lindas, cada vez mais "sexies" e gostosas (isto é assunto para um outro texto, que eu nunca vou escrever), as Damas ocupam as ruas, as mesas, as pistas de dança, o panorama. Finalmente a Natureza entendeu - e não vai aqui nenhum machismo ou feminismo, apenas mera biologia - que para uma desenfreada proliferação da espécie é necessária apenas uma proporção de 1 homem para cada 10 mulheres; e a Natureza está agindo em consonância com isto.

A prima carioca DF e a colega paulista de trabalho LL, ambas em idades - e forma física - propícias ao abate, ficaram solteiras há cerca de 3 anos. Acompanhei-lhes à distância as trajetórias de solteirice, as decepções, a opção por ficarem sozinhas. Os desabafos são que não existem mais Homens interessantes disponíveis: os (pouquíssimos) que valem a pena são gays ou então casados. E não é que se tratem de Lebres chegadas exclusivamente ao aconchego doméstico e que não conhecem ninguém; muito pelo contrário, adoram sair na night para dançar, sambar, curtir, beber, se divertirem. Mas - sinto informar - não é neste tipo de programa que vão encontrar seus "long-time companions": quando mulheres saem para sambar ou dançar, o fazem por simplesmente gostarem disto, para se divertem; já o homem que vai para este tipo de programa, está a fim é de putaria!

Mas ainda assim, por maior que seja a "seca", nenhuma mulher olha para homens grisalhos na rua por mais do que 1/8 de segundo...

(jun/2010)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Meu encontro com os Klingon

Aconteceu no ano 2000. Eu estava tomando brunch com a Srta. SF no Las Vegas Hilton (iríamos ao STAR TREK EXPERIENCE em seguida) quando entraram dois Klingons no Restaurante. Altos, enormes, paravam belicosamente em cada mesa, examinavam ostensivamente todo mundo. Todos os clientes em silêncio - quem é que ia rir ou encarar aqueles imensos galalaus assustadores?

Quando chegaram a nossa mesa, levantei-me, ergui a mão direita com o gesto da saudação vulcana (dois dedos para um lado e três para o outro, formando um "V"), e orgulhosamente proferi:
- "Tai kasha no karosha!" ("vida longa e próspera" em vulcano).

Os Klingons me olharam estupefactos, fizeram gestos de desdém, e um deles falou:
- "This is Vulcan stuff!... Do you wanna speak Klingon?"
- "Yes", respondi (até por falta de opção: uma pergunta de um Klingon não é uma pergunta, mas uma ordem).
- "K'PLA!" gritou ele, socando a mão direita no coração.
-"K'PLA!" gritei eu, batendo com a mão direita no coração.
- "Pffffffzzz!", ridicularizaram os Klingons fazendo outro gesto de desdém. E o cara mandou de novo:
- "K'PLA!", com nova porrada da mão direita sobre o coração.
-"K'PLA!" gritei eu mais alto, batendo de novo com a mão direita em meu coração.
Eles fizeram um muxôxo:
- "You speak like a female..."
E viraram as costas, e foram saindo.

Fiquei completamente PUTO! Subi na cadeira, dei um murro em meu próprio peito que quase me derrubou para trás, e urrei:
- "K'PLA!!!!"
Eles olharam para trás, condescendentes, e falaram:
- "It's gettin' better... continue training."

E foram embora.


Nota: sobre a pronúncia, veja o que diz o KLINGON DICTIONARY
(em http://www.angelfire.com/md/startrekkie1701/klindic.html):
QAPLA': success (n) [From Star Trek III: The Search for Spock, "Sins of the Father," "The Mind's Eye," "Redemption," "Firstborn" (TNG), "Blood Oath", "House of Quark," and "Soldiers of the Empire" (DS9). Used as a salute in greeting and farewell. According to the scripts, Qapla' is pronounced "k-PLAH." However, the first letter should be much more harsh, and the syllable boundary is different, giving us a pronunciation closer to "kkhap-LA."]

(A imagem que ilustra este texto não é do acontecimento, mas apenas uma ilustração para quem não conhece os Klingon.)


(jun/2010)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Uma Vez por Ano

Embora eu tenha o hábito de dizer que em São Paulo eu NUNCA pego gripe (no verão do Rio ficamos expostos ao entra-e-sai de ambientes gelados para a rua infernal, e não há organismo que resista), isto não é verdadeiro. Descobri que fico gripado uma vez por ano, religiosamente.

Isto acontece quando as pessoas da Empresa onde trabalho tomam sua dose anual de vacina contra a gripe. A reação à vacina é ficarem TODOS os vacinados gripados; o ar da empresa se torna uma nuvem concentrada de bacilos, vírus, germes, enzimas ou whatever, e acabam sucumbindo à praga até mesmo aqueles mais forrados de vitamina C.

Não consigo entender o raciocínio de quem toma esta bendita vacina. Deixo meu corpo reagir às potenciais invasões de vírus, e com isto ele se fortalece e fica mais bem preparado para as próximas agressões. Quem toma a vacina está tornando seu sistema imunológico desnecessário, e conseqüentemente mais preguiçoso e atrofiado, além de passar por uma gripe de adaptação orgânica à porrada que lhe injetaram. Ou seja, quem toma a vacina:
- está pagando para ficar gripado
- está pagando para reduzir a capacidade de defesa e reação de seu organismo
- está me deixando gripado.

Não dá para entender.

(abr/2000)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Erro De Direito

No final de maio aconteceu em uma das semi-finais da Copa do Brasil um lance que expõe a ignorância a que estamos todos sujeitos.

Existem dois tipos de erros na arbitragem do Futebol: erros De Fato e erros De Direito.

Um Erro De Fato acontece quando o Juiz não vê algo que tenha acontecido: um gol com a mão, um impedimento não notado, uma falta com visão encoberta. É um Erro De Fato: o fato ocorreu de forma diferente para o Juiz, daí ele não tê-lo assinalado. Mas, dentro de sua interpretação, ele estava cumprindo a regra. Este tipo de erro não leva o Juiz a qualquer penalização, ou a qualquer alteração no resultado que foi registrado na súmula.

Já um Erro De Direito, raríssimo, acontece quando o Juiz vê alguma coisa, reconhece que viu, e aplica a regra de uma forma diferente do que o que a própria regra diz. Constatado um erro de direito, um jogo pode ser anulado.

Tivemos um claríssimo Erro De Direito no jogo Vasco da Gama 3 x 1 Vitória.

No primeiro tempo um jogador do Vitória seguia na direção do gol do Vasco tendo apenas o goleiro adversário entre ele e a meta. Um beque atrapalhou-se ao tentar tirar a bola por trás, e o jogador do Vitória se projetou no ar e caiu, tudo isto dentro da área. Não interessa se houve ou não intenção, se houve ou não dramatização do atacante: o Juiz viu falta, e marcou o pênalty. E mais, como o defensor do Vasco era o último homem (além do goleiro), ele ainda foi expulso. Como diz a regra.

No segundo tempo, a situação se inverteu. Um jogador do Vasco seguia na direção do gol adversário tendo apenas o goleiro do Vitória entre ele e a meta. O atacante passou pelo goleiro, e foi então derrubado por ele. A situação era portanto ainda pior do que a do 1º tempo, pois depois do goleiro não havia mais ninguém! O Juiz novamente deu o pênalty. Ou seja, ele viu a falta. Mas deu apenas um cartão amarelo para o goleiro do Vitória! Ele contrariou a regra!, a mesmíssima regra que ele conhece e que aplicou no primeiro tempo, e que determina que deve ser expulso um jogador que seja o último homem e que cometa falta em adversário segue na direção do gol com a bola dominada e com reais chances de gol. O Juiz não pode sequer alegar que não viu a falta, pois marcou o pênalty e ainda deu um cartão amarelo!

O Juiz cometeu portanto um Erro De Direito. O Vasco foi prejudicado (pois necessitava vencer por 3 gols de diferença); mas nenhum comentarista esportivo notou, nenhum membro da Comissão de Arbitragem notou, nenhum dirigente do Clube prejudicado botou a boca no trombone (se bem que este Clube já foi pesadamente prejudicado em outras escaramuças arbitrais vergonhosas no ano passado, daí um possível receio em levantar o escândalo contra a comissão de arbitragem).

É nas mãos destes profissionais - que demonstram não conhecerem a fundo as regras do esporte que são pagos para comentar, administrar ou conduzir - que nós, torcedores e consumidores, estamos.

(jun/2010)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Disputa de 3º Lugar

A disputa do 3º lugar na Copa do Mundo deveria ocorrer DEPOIS da Grande Final.

Da forma que é atualmente, um jogo na véspera, NINGUÉM tem o menor interesse ou dá a menor atenção a tal disputa. O que é uma pena, pois certamente são seleções quase excepcionais. Mas não adianta: sendo véspera da Final, todo mundo estará com a cabeça no amanhã.

E o que acontece após a Finalíssima? Um grande vazio! Depois de 1 mês de futebol emocionante, com grandes jogos quase todos os dias e que vieram em um crescendum, vem um enorme buraco negro. Quando está todo mundo viciado, antenado, fissurado por ver um joguinho, qualquer que seja... acabou-se tudo!

Se a disputa do 3º lugar fosse DEPOIS da Finalíssima, haveria muito maior afluência e interesse. Seria uma espécie de despedida ou saideira. O que não acontece na Final, quando ninguém está em clima de despedida ou saideira - mas sim em clima de Grande Final.

Observe-se que esta teoria já foi colocada em prática em Campeonatos de Futebol de Botão que organizo, e posso assegurar que funciona. Quando a disputa de 3º lugar ocorre antes da Final, ninguém dá a menor atenção: ficam todos conversando, bebendo cerveja e esperando a decisão. Mas quando a medalha de bronze entra em jogo depois da Final, ficam todos igualmente conversando e bebendo cerveja, porém assistindo com total interesse ao jogo-saideira!

(jun/2010)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Jogadores de Futebol do Passado

Comentários do tio "Fulaninho (algum dos gigantes do passado) não conseguiria jogar no futebol de hoje" denotam completa falta de perspectiva histórica por parte de quem os profere.

É o mesmo que dizer (por exemplo) que "o Messi não vale nada porque seu futebol não vai funcionar no futebol praticado daqui a 40 anos".

É necessário avaliar e julgar qualquer coisa dentro de seu contexto temporal. Um recordista mundial do passado não deixa de sê-lo somente porque seu recorde foi superado; ele sempre será um puta atleta; um Recordista Mundial.

Alguém desmerece Mark Spitz e suas sete medalhas de ouro na Olimpíada de 1972 pelo fato de que seus tempos hoje seriam superados por grande parte dos atletas de ponta? É como dizer: - "Se competisse hoje, o Mark Spitz não ganharia nenhuma medalha"!

O único jogador atemporal, e que escapa a esta análise, é Ronaldinho Gaúcho. Trata-se de um presepeiro pífio, um Cagalhão em qualquer que seja a época de atuação considerada.

(jun/2010)

domingo, 6 de junho de 2010

Polícia

Ao analisarmos qualquer Profissão, devemos nos ater à filosofia nela embutida; a seus aspectos conceituais, não nos prendendo àquilo que eventualmente tenha acabado por ocorrer com alguns dos profissionais que a exerçam.

Quando se generaliza que "banqueiros são fdp", ou "políticos", ou "sindicalistas", ou o que seja, na verdade estamos nos referindo a Brasileiros que são fdp, e que estão naquele papel, exercendo aquela profissão, da mesma forma que seriam igualmente fêdêpês se exercessem qualquer outra. Não são portanto políticos nem sindicalistas nem bancários que são fdp; são Brasileiros. São Seres Humanos. Nossos semelhantes.

Há uma profissão que me enche de respeito: é a de Policial. Uma atuação que expõe seu profissional a risco de vida simplesmente por envergar-lhe a roupa! Uma profissão que a pessoa exerce para proteger seu semelhante, para proteger a mim, a você e àqueles que nos são queridos, contra pessoas que transformam o que poderia ser uma belíssima existência neste Planeta em algo inseguro e assustador. A Polícia - por definição - faz o correto, protege, se arrisca pelas Pessoas do Bem. A Polícia é do Bem.

Tem gente que se compraz em reclamar da Polícia. Mas o que não falta é gente que reclama de tudo. "O freguês tem sempre reclamação".

Meus respeitos à Polícia e aos policiais, e minha gratidão.

(jun/2010)

sábado, 5 de junho de 2010

Nextel

Nextel é como cocô, só deveria sair do casulo em banheiros.

Artigo 1º –
Ficam autorizadas cusparadas, espirrar ketchup, derramar vinho ou sopa, dar porrada ou um tiro em quem utilizar aparelhos tipo Nextel em locais públicos como restaurantes, cinemas e teatros, ônibus (principalmente em trajetos noturnos), aviões, etc.

§ Único –
Todos os beneficiários da ação ficam instados a interferir pró-ativamente caso o benfeitor venha a ter sua integridade física ameaçada pelo boçal usuário do aparelho em público.

Revogam-se as disposições em contrário.

(mai/2010)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Paixão faz mal

Tenho visto diversos jogos de futebol excelentes. Por exemplo as grandes finais do Barcelona, alguns jogos da Espanha, ou minha querida Holanda (terra do GOLDEN EARRING), a Alemanha, Argentina, Itália, alguns grandes jogos do Campeonato Brasileiro... tudo puta jogão!

Mas são jogos que só assisto com prazer quando meu Time do coração não está envolvido. Porque quando está, tudo muda de figura: deixo de apreciar a beleza das jogadas para passar a me preocupar com a precisão dos chutes e com o acerto dos passes, a enlouquecer com os erros dos juízes, a me irritar terrivelmente com a malandragem desonesta dos adversários, a consultar nervosamente o relógio a cada ataque, seja de que lado for. É uma agonia que não tem fim!

Ver jogos de Futebol com Paixão envolvida tira o prazer, e o transforma em angústia. E é pior ainda ver com meu Pai! Além de sofrer com o time, adversários e juiz, ainda fico a ouví-lo reclamar o tempo todo! E mais, com toda a razão!!!

Sempre digo que o Futebol é o responsável por 50% de meus cabelos brancos (ficando 50% para o Trabalho, além de 50% para a Genética).

Buda disse:
- "A fonte de todo o Sofrimento é o Apego. Livre-se do Apego, e se livrará do Sofrimento."

Buda era portanto um apreciador de futebol. E provavelmente torcedor do meu Time!

(mai/2010)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

We Are The Losers, My Friend

Vivemos uma cultura "We Are The Champions" totalmente inadequada à realidade estatística do Mundo.

Para cada campeão existem dez, vinte ou trinta que não o foram. Para cada selecionado existem quarenta ou cinqüenta que não foram. Para cada banda de sucesso são mil que não saem da garagem. Você namora 20 para casar com 1.

Nossa cultura que só privilegia a vitória - ou a mega-vitória - vai gerando uma Humanidade de frustrados. Se você não for top model, atleta estrelado, ator premiado, cantor que movimenta multidões ou CEO capa das "Capricho" empresariais, então você não é nada, my friend.

Eu gostaria de ver uma torcida cantar "Eu / sou (torcedor de tal time) / com muito orgulho / com muito amor!" quando o time perde. Cadê o Amor? Cantar que tem Amor na vitória é muito fácil. Difícil é sentir tal orgulho in the dark side of the moon.

De uma maneira geral, estatística, todos nós habitantes deste Planeta somos usualmente Perdedores. De vez em quando, sim, Campeões - e então com muito orgulho. Mas por favor, sem uma desmesurada exaltação pelas vitórias. Sem uma busca desenfreada que coloque o triunfo acima da Honestidade, da Lealdade e da Honra.

We are all Fugazi... my Friend!

(set /2009)

terça-feira, 1 de junho de 2010

No Bolso de todas as minhas Calças

(Iggy tem uma música chamada "Cock in my pocket". Além disto...)

No ano 2000 fiz uma invenção genial (em minha humilde opinião). Uma “alça-argola-ganchinho” de tecido costurada na parte superior interna do bolso dianteiro direito de minhas calças. Com isto, e utilizando um “mosquetinho” (mini-mosquetão) como chaveiro, passei a carregar as chaves de casa penduradas nesta alcinha costurada na parte superior interna do bolso dianteiro direito de minhas calças. São 3 as vantagens, sem nenhuma desvantagem (fora o trabalho de encontrar uma Costureira que entenda e faça, ou então costurar você mesmo):
- as chaves ficam elegantemente penduradas, não formando um “bolo” visível no fundo do bolso;
- as chaves não furam o fundo do seu bolso; e
- as chaves não caem do bolso, e você NUNCA as perde (nem em longuíssimas viagens de ônibus!).

Na época, entusiasmado com a praticidade do invento, fiz também uma previsão: que em uma década esta alça-argola-ganchinho de tecido seria costurada na parte superior interna do bolso dianteiro direito de TODAS as calças masculinas.

Bem, os 10 anos se passaram, e atualmente uso a praticíssima alça nos dois bolsos dianteiros de minhas calças, sendo a segunda (bolso esquerdo) para chaves de veículos, ou de casas onde esteja hospedado, mini-lanterna, canivete, etc. Mas ninguém além de mim veio a usar a invenção, e portanto:
- ou tal invento era uma Bosta;
- ou então sou um péssimo vendedor e divulgador de Boas Idéias.

Como estou dez-anos-convencido de se tratar de uma invenção genial e prática, e há meio século convivendo com a terrível incapacidade de convencer meus semelhantes de qualquer coisa, fico com a Segunda opção.

Mas deixo aqui uma foto do invento, e uma recomendação: faça isto na parte superior interna dos bolsos dianteiros de suas calças, ou das de seu Namorado. Você (ou ele) vai adorar.

E quem sabe daqui a 20 anos a gente convence o Mundo!

(mai/2010)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os dois Estados Civis

Existam diversas interpretações sobre o número de estados civis diferentes. Por exemplo, meu Professor de Español, o catalão MC2, diz existirem 2 estados: “Casado” ou “Feliz”. O segundo estado engloba todos os outros...

Pessoalmente também acredito que existam 2 estados: “Disponível” ou “Indisponível”. Existe gente casada que é disponível, da mesma forma que existe gente solteira indiponível (geralmente gatas) (um desperdício) (acredito que com uma aproximação adequada não estariam indisponíveis, mas enfim...).

“Disponível” e “Indisponível” são definições que contêm toda a informação necessária. Seria esta, portanto, a indagação correta a ser feita a alguém. O problema é que, por melhores que sejam suas intenções, se você chegar para uma Menina e perguntar:
- “Você é Disponível?”
vai levar uma bolacha!

(mai/2010)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Comer, Dormir, Transar

Muita gente acha que “comer, dormir e fazer sexo” são as melhores coisas da vida. – “Se eu pudesse, passava a vida inteira só comendo, dormindo e transando!”

Ora, mas é exatamente isto – e exclusivamente isto – que os animais fazem! Não era necessário ter encarnado Ser Humano e se dar a tanto trabalho para conseguir estas coisas; era só ter nascido “irracional”...

... ou será que os irracionais somos nós?

“O Homem é o único animal que não sabe o que veio fazer neste Planeta”.

(mai/2010)

(Nota: não que eu não goste...)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Previsão do Tempo


Todo ano é a mesma coisa.

No final de maio / início de junho, acontece uma semana de frio tremendo em São Paulo. Fica então todo mundo falando: "neste ano o Inverno veio cedo!", ou "ih, este ano o Inverno vai ser terrível!".

Passamos então dois meses em um inverno absolutamente normal.

No final de agosto / início de setembro vem mais uma semana de frio de rachar. Aí toca a aparecer reportagem nos jornais: “Neste ano o inverno veio tarde!”. E dá-lhe entrevista com lojas que já estavam com a coleção de inverno em liquidação, e com pessoas que já tinham guardado seus agasalhos na parte de cima dos armários.

No one ever learns?

(mai/2010)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Os 4 Elementos

Poucas semanas antes de meu 26º aniversário, os Tios L&M faziam Bodas de Prata. Na época, as filmadoras domésticas estavam começando a aparecer, mas eram ainda uma novidade. Emocionantemente fui encarregado de documentar parte da Festa.

Aproveitei o escudo da câmera para perguntar ao Tio L:
-“Tio, qual o segredo para duas pessoas ficarem 25 anos juntas?”

Passados 28 anos, nunca esqueci a resposta que só vi pelo visor eletrônico:
- “O Amor é o resultado de uma composição de quatro elementos: Amizade, Admiração, Respeito e Confiança. Junte estes 4 elementos, e o Amor virá”.

Preste portanto atenção às pessoas que te cercam. Quem te provoca estes quatro sentimentos?

(mai/2010, com base em mai/1982)

As Convocações para a Seleção Brasileira

Tendo nascido em 1956, a primeira Copa do Mundo da qual tenho perfeita lembrança é a de 1970. Já assisti, portanto, a onze convocações da Seleção Brasileira. E observo haver um padrão comum a quase todos os Técnicos.

Ao convocar a Seleção, seu Técnico faz questão de mostrar que “não se curva às pressões”. Se o País inteiro descobre um jogador antes que Ele (o Técnico) o tenha convocado, babau: Ele não se curvará às pressões. O Técnico prefere ser chamado de “Burro” do que “ceder às pressões”; ser “Macho”é mais importante do que ser Inteligente.

O primeiro exemplo foi o João Saldanha: ele não ia levar o Pelé para a Copa de1970! Tamanho foi o rebuliço, que o Saldanha rodou (felizmente) e entrou o Zagalo. (Posteriormente surgiram outras estórias sobre a saída – as versões posteriores são sempre mais românticas – mas à época o que se comentava era isto).

O Felipão teve a mesma situação com o Romário. Teimoso, corria o risco de ser (muito merecidamente) chamado de “Burro” caso o Brasil não ganhasse a Copa de 2002, por não ter levado o principal responsável (junto com o Bebeto) pela conquista de 1994. Mas Felipão mostrou que tem Sorte.

Telê Santana comprova a tese. É até hoje aclamado como “gênio” simplesmente por ter levado os jogadores que todo mundo queria. O caso do Telê é sintomático: só uma rematada toupeira conseguiria perder a Copa com um timaço daqueles. Ele conseguiu, por um erro crasso na escalação (mais detalhes a respeito no texto “Cagalhões Reverenciados do Futebol Brasileiro”, futuramente neste espaço); mas como levou aqueles que todo o País queria, não sobrou espaço para críticas, e Toupeira Santana é até hoje reverenciado como um dos maiores técnicos que esta República das Bananas já teve.

Agora o Dunga não leva o Paulo Henrique Ganso, contrariando torcedores, comentaristas, bom senso e todo o País. Teimoso e burro como o Felipão ele já mostrou que é. Resta saber se tem a mesma sorte.

(mai/2010)

Brutal Valentine

ALICE COOPER PSYCHO-DRAMA
CREDICARD HALL, 12 de junho de 2007

“This won’t hurt... much!”

Faltando 4 dias para meu 51º aniversário, sou brindado no Dia dos Namorados com uma apresentação de TIA ALICE COOPER no CREDICARD HALL, em São Paulo. A Srta. A e eu nos dirigimos ao local nos entupindo de champanhe no gargalo, e ouvindo KILLER de cabo a rabo em volume terminal no trajeto.

Tia Alice foi o primeiro “gig” internacional que assisti, em 1974. Na época ele estava em transição de banda, e excursionando com a “equipe” de Lou Reed além de seu time de estrelas. Assim, (pelo que me lembro) o show da época contou com nada menos do que QUATRO guitarristas: os originais Michael Bruce e Glen Buxton (que morreu em 1997), e mais o suporte luxuoso de Dick Wagner e Steve Hunter (someone please confirm). Assisti tanto ao show intimista no Canecão como ao "popular-lotadaço" no Maracanãzinho.

Passados 33 anos, o público era o melhor possível, com gente de todas as idades, lotação média, espaço para deslocamentos, dança e aproximação do palco, as poltronas liberadas para quem quisesse subir e ter visão panorâmica. Muitos rockers com a pintura clássica de Alice nos olhos e cantos da boca. Um metaleiro usava uma camiseta escrita “BRITNEY WANTS ME”. E nas costas: “... DEAD”. Fomos cumprimentá-lo e indagar se tinha mandado fazer, o que ele confirmou (Alice usou esta camiseta na excusão “Brutally Live” de 2000). E antes do início do show, um gaiato desfilava pela pista gritando:
- “TODO MUNDO QUE ESTÁ DE CAMISA PRETA É VIADO!!!”

Às 22h00m as luzes se apagam, e as luzes por trás de uma imensa tela que escondia o palco projeta o contorno do próprio, de cartola e bengala. A banda ataca de IT’S HOT TONIGHT, a platéia uiva, e um SEGUNDO contorno sombreado de Alice começa a brigar com o primeiro. A primeira sombra, que fora ovacionada, é derrotada. Tínhamos ovacionado a Alice errada... A segunda se ergue, sobe a tela-cortina, e começa o delírio. Alice brinca com a bengala como o legítimo mestre-de-cerimônias que é.

A formação é clássica e essencial: dois guitarristas, baixo e o melhor baterista que se possa imaginar: ERIC SINGER, que há tempos excursiona também com o KISS (quando eles deixam de lado a ganância e o makeup). Alice sempre soube escolher muitíssimo bem sua banda, e se atualmente não excursiona mais com os guitar players Ryan Roxie e Bob Marlette, encontrou substitutos à altura nos afiadíssimos Keri Keller e Jason Hook.

O set list é impecável – creio que não cheguem a existir 10 bandas que possam se servir de um repertório tão espetacular. A segunda música é NO MORE MR. NICE GUY o que conquista de vez a platéia. Eu já começo a chorar na terceira, UNDER MY WHEELS (do obrigatório KILLER de 1971). Emendam I’M EIGHTEEN e aí o choro já é convulsivo, telefono para Gloug, para Garcia, para Lolota e para Mamãe. Somos brindados com IS IT MY BODY? e em seguida a única música do show que não conheço, provavelmente do último disco DIRTY DIAMONDS que é um dos pouquíssimos que não tenho (tenho 15 álbuns da Titia). A banda assume a postura clássica de rock’n’roll no palco, os dois guitarristas e o baixista em linha jogando a cabeça para a frente e para tras, arrebentando nos riffs, e no meio deles Alice destroçando no vocal e mise-en-scène. Estou no banheiro urinando champanhe quando ouço os arrasadores acordes iniciais de LOST IN AMERICA, e enquanto pulo descontrolado (na pista, não no banheiro) telefono para Gustavo que me apresentou ao excelente THE LAST TEMPTATION, de 1994.

O set list é brutal, um fino deleite para quem conheça o trabalho de Vincent Damon Furnier: BE MY LOVER, que jamais pensei ouvir ou ver ao vivo; RAPED AND FREEZIN; LONG WAY TO GO (!!!); MUSCLE OF LOVE; PUBLIC ANIMAL #9; DESPERADO; a inacreditável HALO OF FLIES, talvez a melhor música de todos os tempos; ainda por cima executam uma versão de mais de 10 minutos, com uma seção rítmica com os dois guitarristas abandonando seus instrumentos e também tocando bateria sob luz estroboscópica, ou seja, TRÊS bateristas e mais o baixo, seguida pelo solo de bateria do monstro Eric Singer (ainda bem que a PORRA do Peter Criss foi embora do KISS, eu sempre achei que a bateria era suspensa no show deles para evitar que “O Gato” fosse apedrejado com bosta). Como li certa vez no site da CDNOW: mesmo que o KILLER não fosse o álbum magistral e irrepreensível que é (de minha parte, foi simplesmente o disco que me fez gostar de música), ele já seria obrigatório pela simples presença de HALO OF FLIES. Por mim o show já poderia terminar aí mesmo...

Mas não. Seguiram-se WELCOME TO MY NIGHTMARE (com teatro de seres sem face, inclusive uma noiva!), COLD ETHYL, e com 1 hora de show uma balada: ONLY WOMEN BLEED. Alice dança com uma boneca vestida de Enfermeira, bate nela, a joga nas escadarias do palco, de repente não é mais uma boneca mas sim uma loura linda e gostosa que dança balé pelo palco. Pois Alice continua a estapeá-la no rosto até que ela o interrompe segurando-lhe a mão no ar, no meio do gesto, para delírio da platéia. A música acaba e emenda com STEVEN e então DEAD BABIES, quando Alice empurra um carrinho preto de bebê. Ele tira o bebê do carrinho, o ergue nos braços, a platéia não consegue ser mais ensurdecedora do que já está sendo, Alice coloca o bebê de volta no carrinho, crava-lhe uma estaca no peito, dá marretadas, e finalmente ergue o bebê em triunfo, segurando-o pela estaca atravessada. Entram médicos de preto sem face e colocam uma camisa de força no vocalista enquanto a banda toca THE BALLAD OF DWIGHT FRY do também obrigatório LOVE IT TO DEATH, também de 1971. A versão é longa, pesada, espetacular! Emendam um extrato de DEVIL’S FOOD, Alice fugiu da camisa de força e do palco, os médicos o procuram. Começa KILLER e uma gigantesca forca com patíbulo adentra o palco. Alice foi capturado, e será enforcado, o que efetivamente acontece ao som ensurdecedor daquele ZZZZZZZZZZZZZZ de guitarras distorcidas ao final da música. A platéia está totalmente enlouquecida, um show inacreditável. A Srta A está emocionada e sorridente, descobriu que show de Rock pesado pode ser o máximo, como é bom se descobrir metaleira. Chegamos perto dos músicos, passamos o show passeando pela pista e chegando bem próximo ao palco, às vezes vamos para trás e subimos para a privilegiada vista das cadeiras que hoje estão liberadas, e de onde se vê tudo; depois descemos novamente para dançar, os seguranças estão particularmente carrancudos mas hay que enfrentá-los, it’s only rock’n’roll but we need it! O corpo enforcado de Alice é retirado do palco ao som de um extrato de I LOVE THE DEAD cantado pelo guitarrista. Alice reaparece de blaser branco, cartola branca e bengala, e põe a platéia para cantar e pular com SCHOOL’S OUT. Enormes bolas de borracha são jogadas para lá e para cá pela audiência, e quando chegam ao palco são espetacularmente furdadas por Alice que a esta altura maneja uma espada de pirata, causando explosões e chuva de confetes. É o fim do show, às 23h24m.

Mas é claro que tem encore: em BILLION DOLLAR BABIES Alice brande a espada cheia de dinheiro cravado, e joga as notas para a platéia (ele faz isto desde sempre, durante décadas eu guardei as notas que peguei naqueles shows de 1974). Segue-se POISON e a reação entusiasmanda da platéia me surpreende, pois é uma música de 1989 (disco TRASH) e não a imaginava tão conhecida. E o final antológico com ELECTED, estamos bem perto do palco enquanto Alice discursa:
- “I know we have problems in Curitiba; I know we have problems in Belo Horizonte; I know we have problems in Rio; but frankly... I DON’T CARE!”
, enquanto figurantes carregam cartazes escritos “He doesn’t care”, “Wild Party”, “School’s Out”, etc. Em campanha presidencial, Alice sacode a bandeira do Brasil, e chegamos ao final de 100 minutos eletrizantes de Rock’n’Roll.

Eu teria escolhido – ou melhor, acrescentado – algumas músicas mais recentes, pois os últimos discos da Titia – especialmente a trilogia BRUTAL PLANET / DRAGONTOWN / THE EYES – são fenomenais. Para quem perdeu o show resta perseguir o Homem mundo afora, ou então se deleitar com o dvd BRUTALLY LIVE.

Sempre marco encontro com a galera junto aos palcos, no final de qualquer show, pois é sempre fácil chegar lá. Mas neste caso não foi: a pista junto à boca do palco estava ENTUPIDA de gente mais de 10 minutos após o término. Um fã chegou a invadir o palco, pegar alguma coisa, fazer um stagediving e se perder no meio da massa enquanto os seguranças ficavam putos e apontando inutilmente de cima do palco... Fui lá para a frente para tentar pegar alguma nota do dinheiro, mas o pessoal se acotovelava em busca de souvenirs de... Eric Singer! Ouvi o seguinte diálogo entre dois pitbulls, um dos quais com uma baqueta na mão:
- “Pago QUALQUER COISA por esta baqueta!”
- “Não vendo por dinheiro NENHUM!”
- “Pôrra, eu sou fã do cara desde o BADLANDS!...”
- “ Eu TENHO uma música chamada Badlands!!!...”

O público era de todas as idades, mas qual seria a reação dos mais novos frente a tal avalanche sonora? Ainda na pista, entreouvi de um vintagenário:- “Puta que o pariu, QUE SHOWZAÇO!!!”Uma descrição que sumariza tudo o que vivemos neste Valentine.

Outra medida do sucesso da gig foi a enorme quantidade de gente que se aglomerava em frente ao stand de venda de camisetas na saída. É muito raro ver tanta gente comprando camiseta depois do show. Uma dica quanto às camisetas é a loja CONSULADO DO ROCK nas GRANDES GALERIAS (atualmente mais conhecidas como GALERIA DO ROCK). A CONSULADO produz as camisetas oficiais de muitos shows; tem ótima qualidade, belas estampas e bons preços – principalmente se você adquirir as peças diretamente nas GALERIAS.

O mundo pode ser dividido entre as pessoas que já viram Alice Cooper e Eric Singer ao vivo, e as que não viram.

(jun/2007)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um Panda Em Saturno

Tenho valores diferentes da imensa maioria de meus semelhantes.

Vivo em uma Sociedade na qual a forma é mais importante do que o conteúdo. Onde o prazer individual se sobrepõe ao bem coletivo. Onde a posse se tornou mais importante do que a sabedoria.

Meu País tem um Presidente que declara que “não pode se limitar pelo que diz um Juiz”(ou seja, pela Lei). Ele quebra a Lei. Assumidamente, publicamente, orgulhosamente. E tem uma imensa aprovação, as pessoas o consideram “engraçado” e “bonachão”. Ele é na verdade um Infrator, um Delinqüente, um Criminoso. Tenho vergonha do Presidente do meu própro País.

Durante disputas, atacantes de futebol correndo junto a defensores deixam as pernas para trás e caem para a frente, “cavando” faltas. O importante é enganar o Juiz e conseguir o penalty. O importante é a vitória, e não a honestidade. Torcidas comemoram títulos obtidos através de roubalheira e falcatrua, e se orgulham de vencer com base em tais desonestidades. O valor maior é a Vitória, e não a Honestidade. (Responda sinceramente – não para mim – o que é mais importante para você?).

De tanto ver vitórias incorretas e injustas, de me irritar com gatunagens e teatrinhos, perdi o imenso prazer de ver futebol torcendo por meu time. Me tornei apático. Mas “perdi” não é o termo correto: este prazer de criança me foi decepado por meus semelhantes.

Honra, respeito e “face value”são para mim os valores mais importantes. Mas só para mim.

O motorista de um carro derruba propositadamente um motociclista para forçar a entrada em uma vaga na qual a moto tinha chegado bem antes, só porque tem “a Força”.

Nos sinais de trânsito no Rio fica um buzinaço enlouquecedor atrás de mim porque em um cruzamento que está lotado de carros do outro lado me recuso a avançar e ficar parado atravessado, bloqueando o trânsito transversal quando o sinal se inverter.

O asfalto é remendado de qualquer jeito, porque são os outros que vão arcar com os calombos da rua. Trabalhos são entregues mal feitos, porque o prazo é mais importante do que a correção.

Me chamam de ingênuo; ingenuamente, me acredito um Filósofo.

Um Panda é um animal em extinção, membro de uma espécie que – como tantas outras – minha espécie exterminou.

Saturno é um Planeta rodeado por anéis que o fazem diferente e único, ao mesmo tempo carregando um significado “estes são meus limites, please stay away”.

Carlos Drummond de Andrade escreveu: “vai, (meu Filho,) vai ser gauche na vida”.

Nada mais deslocado do que Um Panda Em Saturno.


(mai/2010)


(Nota: Este texto é comemorativo às 100 postagens deste Blog. Foi escrito atendendo àqueles que me pedem para explicar seu título. Minha imensa gratidão a Você que o visita e lê).

domingo, 9 de maio de 2010

O Dia da Toalha

Ele trabalhava como Gerente em um Escritório, e tinha duas Secretárias. Certo dia recebia a visita do Presidente da Empresa, a quem se reportava diretamente, e enquanto conversavam em sua sala, estourou um tremendo quebra-pau entre as duas no salão imediatamente ao lado.

Ele era relativamente novo na Empresa, mas o Presidente já estava acostumado à ferocidade de uma delas (evidentemente a baranga) (não sendo isto um preconceito dele, apenas conhecimento estatístico acumulado ao longo da vida). E chamou as duas - uma de cada vez - à sala para extravasarem a tensão e contarem suas versões da história. A baranga, feroz, soltou seus cachorros. Quando chegou a vez da outra, ela começou a falar... e desatou no choro!

Em um gesto de extrema elegância que surpreendeu o Gerente, o Presidente sacou um lenço do bolso e o ofereceu à moça que pranteava. Finíssimo, educadíssimo, elegantérrimo, pensou o Gerente. E a partir daquele dia passou a sempre carregar um lenço no bolso.

As utilidades eram muitas. Às vezes, a falta de um guardanapo para limpar as mãos. Uma sujeira inesperada, um machucado, uma dama necessitada. Para secar a última gota de xixi na ponta do pau depois de uma mijada em um banheiro infecto sem papel disponível, para não sujar a cueca. Quando utilizado, o lenço era sempre posto para lavar imediatamente ao chegar em casa - ele jamais saía com um lenço sujo. E JAMAIS o utilizava para assoar o nariz, pois não é para isto que servem os lenços ("o que é que os mendigos jogam fora e os ricos guardam no bolso? É a MELECA, que fica no lenço após assoada!").

Um dia o arcanjo Gabriel lhe apresentou "O Guia Do Mochileiro Das Galáxias", e ele aprendeu que a coisa mais importante que um Mochileiro das Galáxias pode ter é sua Toalha. Sempre existem milhares de usos para uma Toalha em qualquer ponto da Galáxia, e Mochileiros que conseguirem manter as suas sempre à mão obterão respeito em todo o Universo.

Em uma viagem à Thai Land ele encontrou mini-toalhas medindo 20x20cm, que dobradas ocupavam o mesmo volume de um lenço no bolso de suas calças. Comprou diversas, e passou a enfrentar o Universo e as Galáxias com outra desenvoltura. Estava feliz com este conhecimento, porém por mais que tentasse explicar aos demais as vantagens de se portar uma toalhita (ou mesmo um lenço), ele jamais conseguia convencê-los. Mas isto não o surpreendeu, pois muito raramente conseguia arrancar raciocínios lógicos dos membros de sua Raça. Azar o deles...

Este texto é uma homenagem ao Arcanjo Gabriel, a Doug Adams e a seus seguidores que criaram o DIA DA TOLHA, celebrado em todas as Galáxias a cada 25 de Maio. Não deixe de portar a sua nesta data. Pode ser pequenininha; pode até ser um lenço. Mas cuidado: quando descobrir as vantagens de carregar uma toalhita consigo, você NUNCA MAIS conseguirá se livrar do hábito... Principalmente se tiver a gloriosa oportunidade de utilizá-la cavalheirescamente em auxílio a uma Dama necessitada.

(mai/2010)

Planos para as Próximas 3 Encarnações

Desde criança eu sempre soube o que gostaria de ser nas próximas 3 encarnações. Algumas décadas se passaram, mas curiosamente continuo pensando a mesma coisa.

Na primeira, quero ser um Gato. Sempre gostei de andar por cima de muros, de escolher meus caminhos, mexer onde bem entenda. Ser independente, comer e dormir quando der na telha. Corpo forte e elástico, agilidade e maleabilidade, bigodes antenados e garras firmes, músculos fortes, andando pela noite e enxergando no escuro. Seguindo cheiros e ouvindo ruídos inaudíveis. Mas principalmente as GATAS! Manhosas, dengosas, miando e arranhando... e inquestionavelmente gatas! Uma vida de deleite...

Na encarnação seguinte serei uma Gaivota, ou algum pássaro que plane e dê rasantes sobre o Mar, as pedras, as Montanhas e os campos. Quase um cérebro com olhos e asas; quase um Espírito. Comendo peixe fresquíssimo, ou carne quentinha (vá lá, posso ser uma Águia). Vivendo no Ar, dormindo em Árvores e Ninhos, ou em reentrâncias dos Morros. Talvez isto se deva ao bestial desequilíbrio em meu Mapa Astral: tenho cinco Planetas em signos de Ar, e nenhum em Terra! Ou seja, já nesta existência estou muito mais no Ar do que aqui em baixo (daí ser Filósofo e viver no Mundo das Idéias).

Na terceira encarnação, uma Árvore. Um centenário carvalho, se não puder ser uma milenar Sequóia. Passar décadas e séculos pensando, filosofando, devagar, viscoso, ligando a Terra ao Céu, acolhendo e convivendo com animais e aves, me alimentando do solo e da chuva, curtindo a neblina e a Natureza. Com a paciência que só uma Árvore pode ter.

Observação: A hipótese de ser uma Tartaruga também sempre teve seu apelo. Um bicho reservado, que passa a vida viajando pelos Oceanos, conhece todo o Planeta e seu sistema de correntes marinhas que pode levá-lo a qualquer lugar, longevo e com um tremendo senso de localização. Mas o que não me atrai nas tartarugas é sua vulnerabilidade. É só acontecer de ficar de cabeça para baixo, e acabou-se! Um Biólogo em Fernando de Noronha me comentou que de cada 1000 tartarugas que nascem daqueles ovinhos, apenas entre uma e duas retorna(m) 25 anos depois para colocar seus próprios ovos na mesma praia onde nasceu. "A tartaruga é o feijão do Mar", disse ele. Assim, por mais que eu quisesse viajar como faz a Tartaruga, não me atrai a idéia de ser Feijão.

Ser Humano novamente? Deus me livre!!!

(mai/2010)

O Futuro dos Livros

Às vezes não é necessário ler a borra do café para saber o que vai acontecer...

Muita baboseira tem sido publicada sobre o que vai acontecer com os livros. A maioria dos argumentos vem de gente que olha para trás, e se põe a analisar o futuro com olhos de dinossauro.

Quem determina o futuro não somos nós, neandertais condicionados à tecnologia antiga, mas sim quem cresce convivendo com a tecnologia emergente. Por mais que nós cinqüentenários estejamos acostumado às inúmeras vantagens, facilidades, conforto e fetiche dos livros, o que interessa para o porvir é como pensa e se comporta quem está crescendo agora. E estas pessoas não têm o apego que nós temos a nossas bibliotecas. O livro digital tem inúmeras vantagens práticas, como escolha do formato e tamanho dos caracteres, a praticidade, ou então a possibilidade de carregar simultaneamente centenas de materiais distintos. E esta tecnologia ainda está evoluindo; estamos somente no começo, quaisquer senões contra seu desenvolvimento têm todo o tempo do mundo para serem contornados, desenvolvidos e aprimorados.

Livros não vão subsistir somente porque retrógrados babacas empedernidos e empalhados consideram que “o livro é insubstituível”, utilizando argumentos que faziam sentido no século passado mas são irrelevantes para o futuro. Basta olhar para o que resta de sua coleção de fitas K7, de discos de vinil, sua máquina fotográfica de 35mm (não há muito se dizia que a foto digital jamais iria substituir o filme analógico por causa da definição da imagem), seus filmes em VHS e proximamente suas coleções de CDs e DVDs. E sua bibliotequinha vai pelo mesmo caminho, sorry kid! Quando se for esta nossa geração que se acostumou a carregar livros em mochilas e expô-los em estantes, quando se for esta nossa geração acostumada à propriedade de uma enormidade de átomos, o livro irá embora junto. Em outras palavras, os Livros vão acabar junto conosco; irão acabar junto comigo!

Mas isto não é problema, pois também o Mundo e o Universo vão acabar quando eu me for...

(mai/2010)

Um Dia na Vida

De tudo que celebramos na vida, somente uma única data cai em um dia escolhido por nós.

Comemoramos nascimentos e aniversários, Natal, Páscoa, Dia das Mães e dos Pais, Carnaval, formatura, independência, santos e religiosos, Mortos, Tiradentes, Zulu e São Jorge, títulos de clubes de futebol... mas NADA ocorre em uma data que escolhemos.

Nada... exceto o Casamento! A data do Casamento, que será comemorada pelo resto da vida (ao menos assim se espera) é a ÚNICA data em nossas vidas que ocorre em um dia escolhido por nós.

Também o Campanheiro ou Companheira, que ficará ao lado "até que a Morte os separe", é uma escolha pessoal e única. Não escolhemos Pai, Mãe, Tios, Primos, familiares, professores, chefes, funcionários e colegas de trabalho. Não escolhemos como serão nossos Filhos. Mas a Companheira... esta é Eleita! Cuidadosamente selecionada entre bilhões de outras possibilidades! Uma ÚNICA pessoa em todo o Planeta, e escolhida por você! Tanto a Pessoa como a data da união.

Assim, um Casal é a célula central em torno da qual tudo gira. Um Sistema Solar, onde os filhos são meros planetas, satélites, cometas, planetóides gravitando à volta. Ninguém escolheu seus Filhos. E um dia - se tudo correr como deveria - eles irão embora de sua casa, para distante de sua vida. Mas não seu Companheiro. Este ficará a seu lado. Até o Fim.

Tudo isto para dizer que não entendo pessoas que colocam os Filhos acima do Companheiro. Que colocam os Planetas como mais importantes do que o Sol. Filhos você pode ter uma dúzia, e não vai escolher nenhum deles. Companheiro é um só. Filhos caem do Céu, são escolhidos pela Cegonha; seu Companheiro foi você quem elegeu.

Os Companheiros são mais importantes do que os Filhos. O tronco é mais importante do que os frutos. O Sol é mais importante do que as Luas. E quando vejo alguém se comportar de forma diferente disto, fico sinceramente com muita pena de seu Parceiro.

(♫"Talvez eu seja o último romântico..."♫)

(mai/2010)

sábado, 8 de maio de 2010

Joe Contra o Vulcão

Se é possível dizer que algum filme mudou nossa vida, para mim "Joe Contra o Vulcão" é tal filme. Em 15 anos eu o assisti - sem exagero - 30 vezes (embora possa parecer um exagero...). É o filme que mais me emociona: mágico, filosófico, inteligente, divertido, romântico, poético, profundo, encantado. A história que conquistou minha alma. Para mim, The Best; ever.

Este foi o primeiro filme que assisti duas vezes em seguida, emendando uma segunda sessão tão logo acabou a primeira. Considero este um requisito essencial para usufruí-lo: deve seja assistido pelo menos duas vezes. Ao longo da primeira ele poderá parecer arrastado, longo, chato. No entanto, todas as referências e citações serão repetidas e reapresentadas ao longo dos 102 minutos, e só ao revê-lo é possível entender porque isto e aquilo apareciam ali e aqui.

O elenco é primoroso. Meg Ryan faz 3 papéis, e certa vez a vi comentá-los no Inside Actors Studio. A pergunta era "qual o papel mais difícil que você já fez?". Ela respondeu (não exatamente com estas palavras) que "no obscuro 'Joe Contra o Vulcão' eu fiz 3 papéis, representando 3 diferentes fases da vida da Mulher: adolescência, juventude e plenitude. E para este terceiro papel eu não tinha nenhuma referência, e tive que ser eu mesma. E este é o papel mais difícil para um ator: ser ele mesmo".

É exatamente neste terceiro papel, Patricia Graynamore, que Ms. Ryan pronuncia uma das mais memoráveis falas da história do Cinema. In exact words:
- "My Father says the whole world is asleep, everybody you know, everybody you see, everybody you talk to. He says that only a few people are awake - and those live in a state of constant total amazement."

O Pai dela, o ensandecido bilionário Graynamore, é vivido por Lloyd "Mike Nelson" Bridges. Sua atuação ao enviar Joe para pular no Vulcão enquanto solta fumaça pelo cachimbo é antológica.

Li certa vez que Tom Hanks não fala a respeito de 'Joe'; é claro que quando encontrá-lo já tenho algo a lhe perguntar: porquê não? Afinal, o personagem principal tem praticamente seu próprio nome! 'Joe Banks' é mais do que coincidência...

Adoro o personagem do vendedor de malas que vende a Joe os baús que virão a ser seus companheiros inseparáveis. Um profissional totalmente absorto e apaixonado por seu Trabalho. Joe lhe descreve a viagem que fará, e seus olhos brilham:
- "A real journey!..."
E completa, levantando as sobrancelhas e o indicador:
- "Regarding your luggage problem... I believe I have just THE thing!".
Então, em uma tomada que remete a algo sacro, as portas internas da loja se abrem com a música-tema de Joe executada de forma quase religiosa, e o baú aparece. E a ironia suprema: quando Joe, que tem menos de 6 meses de vida pela frente, lhe encomenda 4 baús, ele abençoa:
- "May you live to be a thousand years old, Sir!"

A música-tema de Joe toca somente em momentos especiais e muito bem escolhidos. Toda a trilha sonora é primorosa, e jamais foi lançada comercialmente. "Mas Que Nada", de Jorge Ben performada por Sergio Mendes & Brazil 66 só veio a fazer sucesso muito tempo depois; "The Cowboy Song" é executada pelo próprio Hanks/Banks; a marcha triunfal dos índios aparece de vez em quando em alguns comerciais; a música do abajur de Joe foi composta por Anjos para ninar crianças sonhadoras...

O filme é de 1990, com roteiro e direção de John Patrick Shanley. Ele ficou famoso - e até ganhou um Oscar - com seu filme anterior "Moonstruck" (Feitiço da Lua) com Nicolas Cage e Cher.

Eu poderia me estender muito sobre o filme - sobre como todas as vezes que o símbolo do raio aparece é indicando o caminho do mal e da destruição, por exemplo; ou sobre o ritual a que Joe e Patricia são submetidos pelos índios, que é um ritual primitivo de preparação para um casamento (força e energia para ele, delicadeza e sensibilidade para ela) - mas não vou me alongar mais. Menciono apenas uma fala memorável do intocável Robert Stack no filme:
- "You have some time left, Mr. Banks; you have some life left. My advice to you is: live it well".
We all have some time left, we all have some life left. We all should live it well.

- "TAKE ME… TO… THE VOLCANO!".
Chorei 30 vezes ao ver a cena de Patricia e Joe na boca do vulcão. Como também chorei 30 vezes ao ver o agradecimento de Joe a Deus por sua vida, diante da Lua, no Mar (esta cena é a imagem de boas-vindas deste Blog, que você viu lá em cima ao entrar).

"Joe Versus The Volcano" é um filme sobre Coragem. Conta a história de como podemos construir nossa jornada do Inferno ao Céu.
É o filme que me levou "away from the things of Man".

(mai/2010)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fator de Equilíbrio

(Este artigo não se apega a nenhum preceito moral, e muito menos exibe preferências pessoais, meramente apresentando uma análise utilitária de disponibilidades e usos.)

Interessante passear por Copacabana às 3 da tarde em um nublado 25 de dezembro.

O que mais se encontra – ao menos, o que mais observo – são mendigos e prostitutas.

Minha atenção se foca nas putinhas. Jovencitas, quase teenagers, alegres e sorridentes, cheias de energia, voluptosas e sem soutien. E conseqüentemente bonitinhas, atraentes, algumas bastante gostosas.

Fico pensando que o Mundo é injusto com as Mulheres. Afinal, para os machos disporem de uma jovencita gostosinha, basta ir à calle (ou baixar um book, ou freqüentar casas noturnas que variam do imundo ao sofisticadérrimo) e escolher. Já as Mulheres não têm esta paleta à disposição.

Mas... será que não?

Mulheres têm muito mais facilidade em conseguir parceiros: basta ir à balada, ao boteco, ao shopping ou à night e disparar uma série de olhares e de “sim”s. Basta dar mole, e quase certamente conseguirão companhia.

(Pode-se questionar a qualidade desta companhia, da mesma forma que se questione a companhia de uma prostituta. Mas aqui a referência é às “companhias temporárias”.)

Mulheres têm facilidade em conseguir “companhia temporária”, e Homens não. E assim, para isto eles precisam recorrer ao comércio.

As Putas são o Fator de Equilíbrio.

(set/2009)